Elemento

30 Capítulo 30 - Final alternativo dois


Notas iniciais
Olá pessoinhas lindas do meu core. Chegamos ao fim :') Como deu para perceber tivemos dois finais. Para quem acha que o Elemento é chato e o fora da Gabrielle no cap passado foi mais do que merecido já pode marcar a hist como lida e partir para conhecer algumas das minhas outras fics se vocês gostaram dessa - ai tenho ctza que poderão gostar de outras de minha autoria - Beijocas e obga por ler e acompanhar ^^ Mas, se tu és um romântico de carterinha e acha q eles deveriam terminar juntos, ta ai um cap prontinho pra vc ;) Beijocas, obrigada por ler e acompanhar ^^

Elemento / Capítulo 30 – Final Alternativo dois

O celular de Elemento D vibrou sobre a mesinha de centro do apartamento, uma, duas, três vezes, de forma insistente até que caísse no chão. Quando D o pegou caído no carpete, contente pelo aparelho celular ainda estar inteiro encarou o nome da teimosia de seja lá quem ligasse, surpreso.

Já passava das onze horas da noite, não era hora de se ligar para alguém. Relaxando-se sobre o sofá a ligação caiu e esperou que ligasse outra vez, não deveria ser de tamanha importância para se ligar aquela hora.

Voltando a vibrar, suspirou, deslizando o dedo pela tela e levando o aparelho a orelha.

– Boa noite – A voz feminina pareceu fazer esforço para falar, uma batida alta e insistente dificultava qualquer chance de conversa .

– Você acha que isso é hora de se ligar pra alguém?

– Que horas são? – Sentiu que talvez ela estivesse berrando, seja onde estivesse.

Encarou o relógio de pulso.

– Faltam quinze para meia noite.

– Oh! – Exclamou surpresa – O tempo passa rápido.

– Onde você está?

Houve risos do outro lado. Elemento bufou cobrindo o rosto com as mãos, tivera dificuldade para dormir nas noites anteriores, ainda não conseguia dormir cedo, a sensação estranha que tinha de que poderia dormir e acordar só dali a três meses o assombrava. Tinha contado a mãe e ela recomendara que fosse a um psicólogo, coisa que se recusava a fazer.

– Isso não é da sua conta. – A voz dela vacilou no meio da frase, como se reconsiderasse o que estava dizendo e depois tivesse certeza, coisa que só acontecia quando ela bebia demais.

– Você está bêbada?

Risos outra vez, para a alegria de seu orgulho apenas femininas.

– Estou, de que maneira achou que eu poderia ligar pra você?

Elemento se sentou novamente surpreso com a bofetada que acabara de levar pelo telefone, mais hora menos hora teria que apagar as luzes de seu apartamento para evitar provocações na vizinha. A velha barraqueira fazia questão de reclamar sempre que ele madrugava com as luzes acesas, com a desculpa de que a luz invadia seu quarto. Revirou os olhos.

– E o que você tem pra me dizer então?

– Nada – Respondeu de prontidão, o som ao fundo diminuindo – Só queria ouvir sua voz. — Sentiu seu peito crescer, e antes que pudesse sugerir qualquer coisa ela prosseguiu – Já que eu não ando querendo olhar na sua cara.

– Eu imagino. Você está ligando porque quer que eu vá te buscar?

– Não – Ela pareceu ofendida – Eu não preciso que nenhum homem “venha me buscar” – Completou irônica – Eu sou dona do meu próprio nariz, não preciso de homem nenhum.

– Eu sei disso.

Ela calou-se, talvez também surpresa com o comentário dele. Era natural que, por ele possuir alguns ou quase todos, pensamentos machistas achasse que ela precisaria dele para fazer qualquer coisa, no entanto, por ele ter apenas concordado ao invés de inflar o próprio ego e se vangloriar não soube o que dizer.

Quando a ligação caiu no silêncio Elemento desesperou-se, mesmo que ela nada dissesse ainda não desejava que ela desligasse a sensação de que se falasse ela ouviria era melhor do que o silêncio sem ligação nenhuma.

Aquilo pareceu meio confuso.

– Você – Ele ponderou antes de falar, estava certo que ela virava um livro aberto quando bêbada, mas não queria parecer grosseiro por pressiona-la atrás de respostas, afinal, ele precisava delas – Você pensou, digo, sobre nós?

– Pensei – Agora era apenas a voz dela – E talvez eu tenha pensado demais.

– O que quer dizer? – Sentiu suas mãos gelarem, às vezes Gabrielle era franca demais, franca de um modo que não se dava conta de como era capaz de ferir ou magoar alguém.

– Eu pensei em te dar um fora – Houve uma pausa – Mas não encontrei as palavras certas e nem coragem.

– Coragem? – Foi a vez de D rir com cinismo – Você não costuma fraquejar quando é para enfrentar alguém.

– Eu sei – Respondeu como se seguisse a mesma linha de raciocínio – Foi por isso que eu pensei de novo.

Aquilo foi como uma pontada de esperança para D, esperança que normalmente ele evitaria ter, ela não tinha dito sim, não tinha dito não, não dissera nada que pudesse leva-lo a algum tipo de conclusão, aquilo o frustrou.

– Sei.

– Eu tenho medo – A voz dela falhou outra vez – Eu não consigo simplesmente começar a sair com alguém entende? Não funciona assim. Eu sou ansiosa, eu começo a planejar demais, e quando as coisas começam a fugir do que eu planejei eu termino antes de começar.

– Então é só não fazer planos.

Ela suspirou.

– Eu não sei onde eu estou – Ela fez uma pausa – Vim para uma festa com Sthella, mas ela acaba de sair com um cara dizendo que depois ela volta para me buscar, mas ela bebeu mais que eu, e eu sei que pelo menos, hoje ela não volta – Foi só então que D sentiu que ela estava chorosa – Eu quero ir pra minha casa.

D ficou de pé, irritado, irritado por ela chorar, irritado por ela não se decidir, irritado por não saber onde ela estava, irritado por ela ser tão irresponsável ao ponto de não saber onde estava.

– Vamos fazer assim, ainda resta alguém sóbrio por ai?

– Eu não sei-.

– Então você vai procurar, mulher de preferência, se você perguntar pra algum cara o endereço ele certamente vai aproveitar da situação – E Elemento sabia que estava certo, trabalhava tempo na policia o suficiente para saber . E mesmo que 1% dos homens naquele lugar lhe oferecesse a informação certa a ideia de imagina-la no meio de pessoas desconhecidas, bêbadas e drogadas, tendo que pedir informação para um outro homem fazia seu sangue ferver. Havia tentado bloquear esses tipos de pensamentos possessivos que possuía sempre que se pegava pensando com quem Gabrielle poderia estar, mas depois de um tempo via que era impossível, tudo o que era capaz de fazer era se controlar – Eu vou esperar na linha.

E ela não retrucou, talvez pela primeira vez. Colocando o celular no viva-voz trocou de roupa o mais rápido que pode, abandonando a calça velha de moletom cinza e a camiseta branca para um jeans, tênis e uma camisa em melhor estado. Escutou murmúrios, a música alta outra vez. Apagando as luzes bufou quando se viu obrigado a descer oito lances de escada porque estavam sem elevador.

– Tem caneta? – Ela voltou a falar, a voz abafada.

– Pode falar – As luzes dos andares acendiam segundos depois que ele partia para o próximo, não tinha aonde anotar, mas o tempo que trabalhava na viatura criara um mapa da cidade em sua cabeça que felizmente era incapaz de esquecer.

~*~

Soube que havia chegado na rua certa quando ao virar a esquina viu ao longe as luzes de uma viatura, alguém se incomodara com o som alto. Estacionou uma quadra antes, cauteloso como se morasse por ali mesmo.

Haviam quatro policiais, dois na calçada conversando com dois caras que gesticulavam constantemente, e os outros dois certamente dentro da casa. Foi reconhecido, um dos tiras se aproximando com um sorriso no rosto e a prancheta na mão.

– E ai cara?

–Bom – D balançou a cabeça com um sorriso falso.

– Como você tá? Melhorou depois do acidente?

– Firme e forte, estou interno, restrições do medico.

O outro balançou a cabeça como se entendesse.

– O que faz aqui?

– Vim buscar uma amiga.

E ele não poderia usar outra palavra para defini-la, estaria falado na manhã seguinte de qualquer maneira. As fofocas se espalhavam rápido dentro do quartel, e não havia nada que pudesse fazer para impedir. Se dissesse ser uma namorada, acabaria recebendo um breve interrogatório ali mesmo, para aumentar a curiosidade entre os parceiros de farda, ele não era de namorar, não era de correr atrás de mulheres ou qualquer coisa do tipo. Se desse qualquer titulo maior as coisas apenas piorariam. Se você diz amiga é porque estão juntos, se diz namorada é porque estão para se tornar noivos, se diz noiva é porque ela está grávida.

Odiava esse sistema.

– Claro, claro, vai lá – Sorriu uma última vez voltando para o serviço.

D encarou a frente suja da casa, o gramado molhado pelas bebidas e coisas que preferia não pensar demais, copos, bitucas de cigarro, se perguntou como alguém como Gabrielle fora parar ali. Não houve tempo para que chegasse a porta, Gabrielle a atravessou as pressas, sem se preocupar em desviar dos outros dois policiais mais adentro que apenas a acompanharam com o olhar.

Estava com os cabelos soltos, rebeldes, a maquiagem escura e o vestido azul turquesa perfeito perto da pele branca. Enlaçando-se em seu pescoço em um abraço apertado, D ficou estático, sem saber como reagir.

– Obrigada por não ter demorado. – Sussurrou, sendo completamente desnecessário por terem desligado o som.

– Não há de que – Tentou tirar a ideia de que estava sendo observado – Meu carro está na quadra de cima, só peço que não encare os policiais está bem?

– Mas eu pensei que-.

– Gabrielle – Sua voz era firme.

– Tudo bem, já entendi – Ela ergueu as mãos e seguiu atrás dele.

E Gabrielle teve realmente de se controlar, passou pelo carro e pelos policiais com os olhos fixos no chão sentindo-se uma fugitiva, fora das luzes Elemento suspirou aliviado a sua frente e não entendeu o porquê e permaneceu confusa quando entraram no carro e ele se quer colocou a chave na ignição.

– Está tudo bem?

– Está, eu só preciso de um minuto está bem?

– Tudo bem. – E encarou o porta luvas calada, perguntando-se se fizera algo ou algum comentário de errado. O tempo pareceu lento demais, e quando resolve que já era hora de reclamar em movimentos rápidos ele deu a partida e viraram a rua.

– Quanto você bebeu hoje?

Gabrielle deu de ombros, realmente não se lembrava e muito menos fazia questão, bebia para livrar a cabeça e quando não funcionava dormia o dia todo.

– Você tem que parar, parece que toda vez que conversamos sem brigar, você tem que ter no mínimo, bebido um pouco.

– Me desculpe – Gabrielle se encolheu no banco do passageiro – Eu sei que extrapolo às vezes.

E o silêncio voltou a pairar entre os dois, e sem se dar conta, Gabrielle não sabia novamente onde estava.

– É meu apartamento – Ele se justificou, estacionando o carro na garagem escura — Você mora longe demais e não confio em você pra te deixar sozinha.

– Não espera mesmo que eu durma na sua casa não é? – Gabrielle inclinou o corpo para vê-lo.

– Você pode dormir no carro – Ele deu de ombros em descaso – Mas já vou avisando que as chaves vão ficar comigo, então você não vai poder ficar entrando e saindo ou fugir com ele.

Pois Gabrielle desceu em um salto e ignorou o sorriso cafajeste que ele deu quando trancou as portas do carro caminhando em direção ao corredor que ficava o elevador e a escadaria.

– Temos outro porém, vamos de escada porque estávamos sem elevador essa semana.

– Você só pode estar me tirando.

– Eu realmente queria – Ele voltou a tomar a frente – São oito lances de escada, sem contar esse que leva até o térreo.

Gabrielle revirou os olhos enquanto bufava, estava cansada, seus pés estavam doloridos e queria tomar alguma coisa quente antes de se deitar, não estava em condições de subir escada alguma, mesmo que ele morasse no primeiro andar. Ainda assim fez um esforço, mesmo estando lenta preferiu não acompanhar as placas, tendo em mente que, assim se tornava mais rápida.

No entanto, os músculos de suas pernas começaram a protestar, sentia o suor lhe grudar os cabelos no rosto, parou, segurando no corrimão e sentando-se em um dos degraus com dificuldade.

– Já cansou? – Ele ergueu uma sobrancelha da outra ponta da escada.

– Eu vou ficar aqui por enquanto, pode ir na frente.

– Que isso – Ele sorriu – Estamos quase lá.

Gabrielle apoiou a cabeça na parede fria torcendo para que seu corpo relaxasse.

– Quanto ainda falta? – Disse num tom baixo, como se confidenciasse um segredo.

– Quatro

– Ah não – Resmungou, suas esperanças sendo destruídas – Não dá, eu não aguento mais.

– É coisa rápida Gabrielle, você nem vai notar – Ele retrucou inconformado, talvez achasse que tudo aquilo era drama de sua parte.

– Você não entende – Ela puxou os pequenos saltos do pé, jogando-os com descaso para o lado – Estou cansada, dolorida, eu não aguento.

Ele ficou em silêncio e Gabrielle agradeceu mentalmente por isso, arrependida pegou os próprios sapatos abraçando-os em seu colo, satisfeita em sentir o chão gelado abaixo dos pés.

Foi num susto que ele se esgueirou, encaixando um dos braços atrás de seus joelhos e o outro em suas costas erguendo-a em um movimento delicado, continuando a subir, carregando-a como se fosse pequena e leve, talvez mais do que realmente era. Instintivamente, passou os braços em volta do seu pescoço enterrando o rosto contra a pele bronzeada.

Não sabia dizer quanto tempo levou para subir os próximos quatro andares, mas queria gravar a sensação de ser carregada eternamente. Teve que admitir para si mesma que ficou um tanto quanto chateada quando voltou ao chão, e o observou caçar as chaves nos bolsos de trás do jeans e destrancar a porta de forma barulhenta.

– Não deveríamos ser mais silenciosos? – Revezou olhares entre as outras duas portas no corredor – As pessoas normais já estão dormindo a eras.

Ele sorriu de canto.

– Não, hoje não.

Gabrielle tentou disfarçar a própria surpresa quando encarou o apartamento mais organizado que seu próprio guarda roupa, caminhando sem jeito para um dos sofás e sem saber o que dizer. Ele seguiu para algum lugar, escutou o barulho de água correndo e depois o fogo aceso no fogão, quando voltou parou encostando-se a parede da TV.

– Você vai querer tomar um banho, ou vai ficar com a roupa do corpo mesmo?

Gabrielle encarou o próprio vestido.

– Eu não tenho o que vestir.

– Eu te empresto, vamos ver se vai servir em você.

E quando ele se afastou, deixando-a sozinha na sala outra vez riu consigo mesma. Pasma com o rumo que as coisas estavam seguindo, depois de ter se despedido do irmão na rodoviária no dia anterior sentiu sua rotina ficar subitamente chata. Marco ficaria fora pelas próximas três semanas por causa de um parente doente em outro estado. Foi então que sua mente voltou a trabalhar no lance complicado entre ela e D e quando Sthella passou em sua casa naquela manhã para jogar conversa fora e pegou o estado lastimável que estava a sua cabeça a levou para a tão falada festa que iria.

Se negasse que havia se divertido estaria mentindo, porque as primeiras horas de constantes danças e shots havia sido realmente uma delicia Sthella até tentara lhe empurrar uma porção de caras, sempre dizendo que precisava se distrair de verdade, mas ela dedicara mais aquela noite para ela afastando toda e qualquer figura masculina de si mesma.

No entanto quando sentia sua cabeça girar e via que tinha bebido o suficiente se deu conta de que além de não saber onde estava Sthella estava dez vezes em menores condições de leva-la de volta para casa.

E Elemento tinha sido tão quieto e compreensivo até ali que se sentia envergonhada, e até com uma pitada de felicidade. Se ele tivesse começado a chamar sua atenção pelo telefone com o tom típico de grosseria que usava ela certamente teria desligado e arrumado uma própria maneira de voltar para casa.

Gabrielle se pegou sorrindo outra vez, talvez não fosse tão ruim assim.

– Vamos – Ele voltou a aparecer, uma toalha azul marinho com roupas em cima – Antes que você resolva vomitar no meu carpete.

Pouco mais a frente ele indicou a porta do banheiro que Gabrielle apenas encarou, sem vontade de abrir, D esticou suas coisas, mas ela apenas encarou por alguns segundos antes de enlaçar as mãos atrás do corpo com um sorriso besta no rosto.

Ele franziu o cenho.

– Por que está rindo?

– Você está engraçado hoje.

D deu um suspiro baixo antes de voltar a estender o braço.

– Muito bem engraçadinha, acho melhor você entrar logo nesse banheiro antes que eu seja obrigado a socar você debaixo do chuveiro – E ele não estava brincando, o problema era que Gabrielle não conseguia parar de sorrir apesar do olhar severo que ele lhe lançava.

– Eu gosto da segunda opção.

E ela viu o olhar dele vacilar, mesmo que por um milésimo de segundo, mesmo que tivesse sido invenção de sua cabeça, mesmo que ele tenha consigo esconder qualquer pensamento que lhe surgiu na cabeça ele encarou o chão, umedecendo os lábios, dando outro passo a frente. Os corpos pertos demais, atrapalhando o raciocínio de Gabrielle.

– Não brinque comigo Gabrielle – Ele voltou a observa-la, nada além da sombra do divertimento passou pelo seu rosto – Não vamos acabar bem.

E sem se dar conta o sorriso de Gabrielle voltou a aumentar.

– Você tem certeza disso?

Elemento piscou confuso, atordoado, tinha que se afastar, mas permaneceu aonde estava. Tudo bem, tinha conseguido se conter na primeira vez, as poucas vezes que a imaginara no banho apareceram com tanta força e rapidez que se viu obrigado a olhar para qualquer outra coisa, porém aqui estava ela, insistindo outra vez.

D riu.

– Entra logo nesse banheiro.

E rindo, pegando suas coisas ela entrou sem notar a luxuria escondida por trás dos olhos dele. Apagando as luzes se sentou no sofá, inclinando o corpo sobre os joelhos, segurando a cabeça pelas mãos. Não sabia muito bem o que estava fazendo até ali, ali no escuro apenas com som do chuveiro sentia sua cabeça como um turbilhão de informações, e por Deus, ele precisaria levantar na manhã seguinte.

Fechou os olhos, daria tudo para se sentir ao menos cansado, um bocejo, qualquer desculpa para que pudesse logo deitar e apagar de vez. Não tinha. Minutos depois o som do chuveiro extinguiu-se, acompanhado de outros longos minutos em silêncio. Quando a porta do banheiro se abriu, o ar abafado de limpeza e sabonete enchendo o ar, só pode avistar os pés descalços caminharem hesitantes até onde estava. Ainda no escuro sua silhueta era perfeita.

– Por que está tudo escuro? – Estavam parcialmente iluminados pela luz da rua, infiltrando-se pela cortina da varanda – Acabou a luz?

– Estou tentando evitar problemas com minha vizinha.

Ela cruzou os braços.

– Que horas são?

Elemento puxou o celular do bolso, acendo e apagando a tela com rapidez.

– Uma e meia da manhã.

– Que tipo de pessoa se incomoda com luzes do vizinho durante a madrugada? – Resmungou em tom baixo, ainda assim terna, o efeito do álcool a deixando amolecida. – Ela deve ter um bode expiatório.

D riu baixo.

– Provavelmente sim.

– Então, por onde eu fico?

– Eu separei um cobertor e um travesseiro pra você – Ele indicou a outra ponta do travesseiro – Tente não babar muito no meu travesseiro está bem, eu só tenho esse e mais um.

Ela levou as mãos na cintura fina.

– Eu não babo.

– Claro que não – Ele ignorou quando ela caminhou até o sofá – Mas por via das duvidas.

– Muito engraçadinho, obrigada por não ceder sua cama – Ela abraçou o travesseiro, parando em sua frente – Eu ficaria ligeiramente desconfortável e sem graça.

– Não há de que – Ela havia o cercado, deveria ter se levantado antes, deixado o papo para o dia seguinte afundado em seu quarto a procura de sono, mas agora era impossível. Olhando para a frente tudo o que via era as mãos femininas agarrando seu travesseiro, as mangas compridas dobradas de mal jeito nos pulsos, e logo a baixo pisando na barra da calça.

– Você vai me dar um beijo de boa noite?

Elemento não soube explicar o reboliço que sentiu na boca do estomago, algo que se mexia vivo e insistente, afetado pelas palavras dela, uma ansiedade crescente no fundo do peito, fazendo seu coração bater quase que desesperadamente. Um frio na barriga? Borboletas no estomago talvez?

Ergueu o rosto para vê-la, os cabelos bagunçados jogados displicentes sobre os ombros enquanto esperava uma resposta, uma doçura quase palpável. Quando não recebeu uma resposta, lhe deu um sorriso simples, provido apenas pelos lábios, tranquila, simpática.

– Deixe comigo então – E inclinando o corpo para frente, seus lábios se encontraram em um movimento sutil, doce. Apoiando a língua ligeiramente entre os dentes, saboreando os segundos de total estima e deleite D vê suas barreiras caírem quando fecha os olhos, inerte. Pois ela lhe suga o lábio inferior, lenta e dolorosamente, antes de anunciar uma despedida com breves selinhos no contorno de seus lábios.

E então ela está novamente ereta, satisfeita consigo mesma, algo que não lhe passa despercebido pelo sorriso sorrateiro que ostenta. E novamente se viu sem reação, poderia ter levantado e esbravejado, poderia ter continuado, incitado-a continuar, mas não fizera nada, por quê? Porque sua mente era incapaz de trabalhar direito.

– Boa noite – Sua voz ainda tinha um tom brincalhão escondido atrás do cansaço.

E então ficou de pé, forçando-a a recuar um passo pela distância mínima que havia entre os dois. Por que tudo aquilo soava como uma afronta? Como se ela atacasse seu cérebro, sua parte racional para saber até onde conseguiria se segurar? Ela estava bêbada afinal, não poderia ceder por mera volúpia.

– Por que está fazendo isso?

Ela franziu o cenho.

– Não é obvio?

– Você bebeu, encheu a cara pra me tirar da sua cabeça, por que deixa as coisas tão complicadas?

– Pensei que o plano era não fazer planos – Ela apertou o travesseiro com mais força na frente do corpo – Pensei que se eu ignorasse o meu medo de relacionamentos, evitando pensar demais, fazendo o que me der vontade.

– O problema – Cerrou o maxilar – É que eu não estou conseguindo pensar.

– Isso não é uma coisa boa? – Seu sorriso se desvaneceu.

Ele não sabia dizer se era, não sabia de nada, estava enlouquecendo, apesar de sua grosseria não perdia a linha do raciocínio com rapidez, não se deixava levar pela febre da carne e agora estava sendo totalmente dominado incapaz de reagir.

– Pense bem – Ela prosseguiu, batendo com o dedo indicador em seu peito e sorrindo segundos depois com a própria ironia – Ou não pense, é como num livro sabe? Você está acostumado a levar o lado racional pra tudo – Ela balançou a cabeça como se duvidasse – Ou pelo menos quase tudo, menos quando te tiro do sério. E então você sofre com uma batalha interna porque agora que sabe que gosta de mim seu coração quer falar mais alto e você não estava preparado.

Ele permaneceu em silêncio, o que fez Gabrielle se preocupar, tinha feito algo de errado? Ele permanecia observando-a com um olhar distante como se levasse em consideração o que havia dito, mas sem conseguir chegar a uma resposta.

– A solução é simples – Respirou fundo, sentindo seu peito apertar, não era para ele reagir assim, e agora estava começando a fazer planos – Você pode escolher o seu lado pensador, achando que seria o correto me evitar pelo resto da noite por eu ter ido a um lugar desconhecido correndo uma porção de riscos, ter me embriagado e agora estar louca ao ponto de dar em cima de você, mas se acha que vai sair no lucro está muito enganado, porque eu vou pegar as minhas coisas e vou pra minha casa.

Ela estava séria, qualquer sombra de divertimento havia desaparecido, D sentiu-se jogado contra a parede.

– Mas você pode ignorar toda essa palhaçada e fazer o que tem que fazer – Ela abriu um sorriso singelo – Me admira que tenha um lado cavalheiro D, mas eu o dispenso por hora.

E foi sua palavra final, que Elemento também tomou como último pensamento antes de entrelaçar os braços em suas coxas, o travesseiro indo para o chão quando ela levou a mão à boca para evitar um grito pelo sobressalto, o que o fez rir, encantado. Não sabia o que era, mas o perfume, o sorriso maroto, o beijo roubado, tinham-no infectado, ela lhe distribuiu beijos pelo rosto enquanto caminhava até o quarto, o sorriso vitorioso incapaz de lhe abandonar o rosto. D sentia-se perder a cabeça com o corpo curvilíneo debaixo dos braços.

Os beijos se tornaram mais audaciosos, cálidos, apaixonados, da clavícula ao lóbulo da orelha, do pescoço ao queixo, D sentou-se na cama, os olhos fechados, inebriado, a camiseta abandonada em algum lugar. Sempre tinha o controle da situação, mas não podia negar o quanto era prazeroso se deixar levar. Voltou a abrir os olhos quando as mãos pequenas e geladas deixaram de lhe explorar as costas.

– O que aconteceu?

Estavam rápidos demais? Não se lembrava de quando haviam tirado as roupas, mas os lábios delas estavam vermelhos e inchados pela troca de mordidas, ela enrolara o cabelo em um coque mal feito, ainda estava de pé, encaixada no meio de suas pernas, encarando-o com um olhar que não soube decifrar.

– Nada.

– Então por que-. Chiou para que não falasse.

– Eu só estou olhando pra você um pouco.

– Mas-. Foi interrompido outra vez, ela negou com a cabeça. Voltou a fechar os olhos, puxando o corpo feminino para mais perto, escondendo o rosto na barriga lisa, a lingerie preta fazendo sua cabeça, inundando-se com o cheiro de sabonete e frescor. Ele poderia passar a madrugada inteira ali. Ela inclinou o corpo, mordendo-lhe uma ultima vez o lábio inferior, segredos contados ao pé do ouvido.

Muito bem, ele também não dormiria aquela noite.

Notas finais
Bye ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!