Notas iniciais
Olá Pessoas... Antes de qualquer coisa quero dizer que amo vocês e que realmente sinto muito por não ter postado antes. Muito bem vamos para a lista de motivos, confere abaixo: 1º - Meu carregador queimou, isso mesmo, o carregador queimou, nem eu acredito na minha sorte. Fiquei um mês sem note. 2º - Mudou meu bloco, então tive que me concentrar nas notas e tals. 3º - Meu curso começou e agora eu não tenho tempo pra fazer nada, virei escrava do relógio. 4º - Acho que vocês devem saber que está chegando o vestibular, pois é, minha vida agora é estudar.. estudar... estudar... Eu nem como direito mais, dormir virou lucro, no tempo livre vulgo banco do ônibus durante o caminho, eu leio as obras literárias cobradas pela UFPR e as horas que sobram eu durmo. 5º - ... Certo eu não tenho um quinto motivo, ou eu esqueci, mas é isso. Gente eu estou quase tendo um ataque, o vestibular tá muito perto, eu não aguento mais ver fórmula. Misericórdia, eu to até sonhando com regra gramatical e princípios matemáticos, fora as redações e trabalhos do colégio que eu faço de madrugada e me cansa mais que o normal. Mas acima te tudo o que está me deixando louca é a @$%# injustiça que está acontecendo comigo, agora que eu não tenho tempo pra escrever, estou mais inspirada do que nunca, mas não posso escrever!!! Então meus amores, me perdoem, mas prometo que depois das provas eu recompenso vocês, até lá prometo fazer o possível para postar mais seguido. Enquanto isso, gente me desejem sorte, rezem, por que tá difícil a vida. Vô dedicar os capítulos a vocês se eu passar. Até as notas finais povo, espero que gostem, ainda não revisei, por isso me desculpem pelos erros.

O que fazer quando uma criança de seis anos se agarra em seu pescoço e não o larga de jeito nenhum? Eis mais uma pergunta que eu não sei responder. Durante minutos, a única coisa que fiz foi deixar ele me abraçar e chorar (isso mesmo, ele também estava chorando), mas faz um tempo que seu aperto ficou mais fraco e não estou escutando mais seu choro.

– Acho que ele dormiu, Thais. – a voz de Austin está hesitante e me assusta, tinha me esquecido que ele está aqui.

Me levanto pegando gentilmente o garotinho no colo, seus braços voltam a se apertar em volta do meu pescoço. Respiro fundo quando me certifico que ele ainda está dormindo. O sinal já tocou o que significa que estou perdendo aula e que posso encontrar o inspetor a qualquer momento. Começo a dar passos lentos, tentando não acordá-lo.

– O que está fazendo? – Austin sussurra me seguindo.

– Não te interessa. – sei que estou sendo rude, mas ele merece.

– Olha, você quer ficar andando por ai com um garotinho que nem deveria estar aqui, correndo o risco de dar de cara com o Inspetor e se ferrar? – paro e analiso suas palavras, ele está certo – Eu te ajudo, depois você pode voltar a me odiar, mas eu cuido dos corredores.

Mesmo não querendo aceitar, sei que será pior encontrar o inspetor. Os olhos arregalados de Patrick me apavoraram e quero me certificar que ele esteja bem antes de decidir o que fazer. Suspiro e assinto lentamente.

– Obrigado. Para onde você pretende ir? – ele exibe um sorriso.

– Para o meu quarto. E pare de sorrir como um idiota, isso não significa nada. – ele sorri mais e começa andar a minha frente.

Seguimos lentamente até a sala de estar. Austin vai a frente atento a cada barulho ou movimentação. Ele está com o uniforme, mas adaptado ao seu gosto. As mangas do blazer puxadas até os cotovelos, gravata frouxa deixando o primeiro botão desabotoado e camisa pra fora da calça que não perece ser social, mas também não é jeans.

Quando alcançamos as escadas ele começa a me seguir, mas direciono lhe um olhar de repreensão. O aviso em vermelho sangue e letras maiúsculas na porta vem a minha cabeça. Ele parece saber que é esse detalhe que me fez pará-lo.

– Seu dormitório tem um monitor, se encontrar você sem autorização e ainda por cima com ele – aponta para Patrick que ainda ressona em meu ombro – você vai se dar muito mal.

– A claro, em vez de ter só isso me incriminando eu levo você junto e me ferro mais ainda. – ele suspira e me encara.

– Seu eu te ajudar as chances de ser pega são menores. – continuo encarando-o – Eu vou te seguir você queira ou não, então prefere ir logo ou ficar aqui dando sopa?

– Eu odeio você. – resmungo fazendo-o rir.

– Eu sei.

Subo as escadas bufando, sabendo que ele vem logo atrás. O corredor principal está silencioso, assim como os secundários. O vento matutino adentra o lugar pelas enormes janelas nos finais dos corredores, deixando o ambiente agradável.

– Qual é o seu quarto? – Austin pergunta olhando os corredores.

– 136 na ala C, corredor dois. – aponto para o lado indicando o caminho.

Ele segue atento. Passamos pela ala B que está tão silenciosa quanto a A. Chegando a ala C, viro no corredor certo antes de Austin que me segue rapidamente.

– Hola Thais. – a voz me cumprimenta acendendo as luzes assim que adentro o recinto, me fazendo xingar baixinho por não lembrar esse detalhe.

– Silencio! Eliminar las luces! – falo baixo me certificando que Patrick ainda está dormindo e suspiro ao constatar que sim.

Ando calmamente até a cama e o coloco deitado nela, gentilmente. Seu rosto está calmo e os cabelos caem sobre os olhos, compridos demais. Apanho um fino cobertor dentro do closet e coloco sobre ele. Observo-o por alguns minutos tentando entender como ele me encontrou, até que sou trazida a realidade por Austin.

– Quem é ele? – eu nem sabia que ele estava no quarto, por isso o encaro um pouco assustada, vendo-o apenas iluminado pela mínima claridade que entra pela janela.

– A criança que te deixou bravo por ter sido salva. – retruco irritada – Você já pode ir embora Clarck.

Ele fita o garotinho em minha cama e parece surpreso. Quando se dá conta que estou encarando-o suspira cansado.

– Thais...

– Nem comece. Você me ofereceu ajuda e eu aceitei, só, não te desculpei por nada. Estou cumprindo com o trato e voltando a te odiar. – ele encara o chão enquanto falo – Pode sair agora e esquecer isso.

– Eu não quero esquecer. – ele suspira e sustenta meu olhar – Eu não quero esquecer nada disso e também não quero perder a sua amizade.

– É um pouco tarde. – sorrio sem humor.

– Por favor... – leva as mãos mais uma vez aos cabelos que estão mais revoltos que o normal – Só... me perdoa.

– Austin... – me interrompo ao perceber que minha voz sai mais alta do que pretendia, olho para Patrick que continua dormindo e volto a falar mais baixo – Não adianta de nada você me pedir desculpas, eu aceitar e pouco tempo depois você voltar a fazer merda.

– Eu sei, eu sei. – ele anda em minha direção, mas se afasta quando está prestes a segurar minha mãos – Eu vou tentar ser menos idiota, só me dê uma chance.

Seus olhos me encaram suplicantes. Analiso suas palavras me acalmando. Ele é um idiota, isso é fato, mas novamente a memória dos meus pais toma minha mente. Eles sempre me ensinaram a perdoar. Droga!

– Essa e quantas mais? – suspiro cansada, ele me encara por alguns segundos, talvez estranhando a mudança de humor.

– Não muitas, eu espero. – levanto meu olhar novamente, encontrando um pequeno e hesitante sorriso.

– Ah... Tenho certeza que vou me arrepender disso. – seu sorriso expandi e ele me abraça, sendo pega de surpresa acabo me encolhendo e espero pelo choque, mas ele não vem.

– Obrigado.

– Aham... poderia me soltar agora? – ele se afasta sorrindo me fazendo revirar os olhos.

Me sento na ponta da cama e tiro os cabelos de Patrick de seus olhos. Sua respiração está calma e a pele gelada, o que me preocupa. Quando começo a afastar minha mão ele a segura firmemente entre os dedinhos me fazendo pensar que está acordado, mas ele continua inconsciente.

– Ele é tão pequeno. – olho rapidamente para Austin sentado na cadeira azul.

– Sim... Ele tem apenas seis anos. – faço um leve carinho na mãozinha – Ele está gelado.

– É normal. – encaro-o confusa – Ficamos assim quando dormimos, a temperatura do nosso corpo fica entre quatro e cinco graus.

– O que? Por que?

– O que anda fazendo nas aulas de anatomia? – lanço lhe um olhar de tédio que o faz sorrir – Isso acontece com os Sharks, algo a ver com preservação de poderes ou coisa parecida.

– Acho que perdi essa aula. – volto meu olhar para o menininho – Eu não tenho certeza se ele é um Shark.

– Ele é. – levanto uma sobrancelha questionando-o – A roupa.

– O que?

– A roupa hospitalar é azul. – observo o tecido azul igual ao que eu estava vestindo ontem.

Concordo com um aceno de cabeça. O quarto é tomado pelo silêncio e as imagens do corredor me atingem. Ele estava aqui, por que? Não faz sentido algum estar atrás de Patrick, quer dizer, eu tenho quase certeza que ele estava com Mitons e não com um soldado mascarado demoníaco. Entretanto, por que não consigo deixar de lado essa hipótese horrível de que ele estava aqui por causa do garotinho?

Além das outras quinhentas perguntas relacionadas ao soldado misterioso, existem as sobre Patrick. Como ele saiu do hospital? Como ele chegou aqui? Como diabos ele entrou no colégio? Como me encontrou? David devia ser demitido, nem manter o garoto naquele maldito hospital ele consegue. Não consigo nem imaginar o que poderia ter acontecido com Patrick. No pouquíssimo tempo que nos conhecemos eu desenvolvi uma necessidade de protegê-lo e pensar que aquela coisa estava aqui atrás dele me apavora.

Quando o encontrei no Alasca eu o salvei, eu podia salva-lo, mas não tenho tanta certeza que conseguiria se o mascarado tentasse algo. Nem meus poderes eu posso usar. Agora, observando a expressão calma do pequeno, me sinto impotente, incapaz de fazer qualquer coisa para deixa-lo seguro.

– Thais? – dirijo meu olhar para Austin, agora ele está sem o blazer e com as mangas da camisa dobradas, ele analisa meu rosto, detalhe por detalhe – Você tem uma mensagem.

Provavelmente minha expressão deve ter se transformado em um ponto de interrogação, já que ele sorri divertido e aponta para algo atrás de mim. Olho na direção indicada e vejo uma luz azul piscando. Lilian me disse que era um tipo de correio. Me estico tentando não acordar o garoto e pressiono a luzinha. Uma tela se acende e letras começam a aparecer.

“Senhorita Windchest, sua presença é requisitada na sala do diretor.

Atenciosamente, diretoria.”

– Desde quando Mey manda mensagens para os quartos? – observo as letras com as sobrancelhas arqueadas e escuto uma risada sem humor de Austin.

– Desde que o senhor idiota veio para o colégio. – ele, assim como os outros, demonstra sua irritação com a situação imposta no colégio.

– Certo, Martin já tinha me avisado que me chamaria hoje. – aperto novamente a tecla azul e a tela se apaga, quando estou prestes a me levantar me lembro de Patrick – Você... Você poderia...

– Eu fico com ele, não se preocupe, pode ir. – ele me interrompe entendendo o pedido.

Direciono lhe um sorriso de agradecimento e gentilmente solto as mãos do garotinho. Coloco a coberta até sua orelha, me certifico que ele está bem antes de andar até a porta e sair cuidadosamente do quarto. Ando rápido e silenciosamente pelos corredores, desço até a sala e sigo o caminho da diretoria.

Mey está sentada atrás de sua mesa como sempre e me lança um sorriso triste quando atravesso as portas, me deixando confusa. Retribuo o sorriso meio hesitante e observo a sala, completamente vazia e silenciosa. Ando até a porta da sala de Martin e de repente tenho uma ideia. Talvez ele possa me ajudar com Patrick. Sim, com certeza Martin ajudaria.

– Martin, eu preciso... – engulo o resto das palavras assim que vejo a figura desagradável sentada no lugar do diretor, paro bruscamente ainda segurando a fechadura e encaro-o com o cenho franzido. O que diabos ele está fazendo aqui?

– Bom dia senhorita. – ele coloca o livro que está segurando fechado sobre a mesa e se recosta na cadeira – Aviso desde já que prezo a velha e boa educação.

– Bom dia, cadê o Martin? – cruzo os braços deixando a porta ir de encontro ao caixilho e direcionando lhe um olhar acusador.

– O diretor Covask está em reunião e a senhorita não deveria entrar nesta sala sem ser chamada. – seu olhar severo de alguma forma me deixa mais irritada, quem ele pensa que é para estar na cadeira do Martin?

– Aham... Por que está aqui? – ele arqueia as sobrancelhas grossas e me encara exasperado.

– Sou o inspetor do colégio.

– Sim, eu sei, me refiro a sala. O que está fazendo nesta sala? Ela é do diretor, no caso o Martin que também é dono dessa cadeira onde você está sentado. – aponto para o objeto, seu rosto se contorce em uma careta diante as observações.

– Estou aqui para ficar no lugar dele. – é minha vez de arquear as sobrancelhas – Digo, enquanto ele está em reunião.

Claro! Imagina se ele quer outra coisa. Idiota.

– Certo. – analiso-o atentamente, que vontade de arrancar aquele sorrisinho dele – Eu volto quando o diretor estiver aqui. – dou ênfase na última palavra levando minha mão a maçaneta.

– Um momento senhorita. – ele pigarreia e novamente volta a sorrir orgulhoso – Eu te chamei aqui, portanto, só saíra quando eu dispensá-la.

– Não foi você, se me lembro bem estava escrito atenciosamente direção, e como você mesmo disse, você é o inspetor, portanto senhor, quem me chamou foi o diretor. – seu sorrisinho desaparece e um vitorioso se abre em meu rosto.

– Tem razão. – as palavras parecem ter um gosto ruim em sua boca – Mas, como inspetor desse colégio, tenho a total liberdade de punir alunos que faltam as aulas sem justificativa.

Droga! Esse cara revista as listas de chamada por acaso?

– O que exatamente eu tenho a ver com isso? – ele me encara irritado e meu sorriso continua em seu lugar.

Até que é divertido tirar uma com a cara dele.

– Estou falando senhorita, do seu desaparecimento no segundo horário de aula. – ele se apoia na mesa e me encara com os olhos faiscando – Seu e do senhor Clarck.

– Não sei nada sobre isso. – cruzo os braços e me apoio em uma perna sustentando seu olhar.

Como esse cara pode ser pai de alguém como a Lira? Tenho dó dela.

– Então está me dizendo que foi a segunda aula? – um sorriso debochado surge em seu rosto.

– Não, eu realmente não fui a segunda aula. – suas sobrancelhas se arqueiam e eu reprimo outro sorriso – Mas, não sei nada sobre o Clarck.

Sua expressão se contorce em várias emoções. Irritação, desgosto e por fim divertimento. Ele pega algo em uma gaveta. Esse cara está muito folgado, duvido que Martin permita isso.

– Não é o que as câmeras mostram. – meu corpo gela.

Câmeras? Droga! Eu esqueci das malditas câmeras. Ele está apenas se fazendo de tolinho, provavelmente já sabe de Patrick é tudo o resto. Como eu sou idiota!

– O que você quer dizer com isso? – tento ganhar um tempo, mas nenhuma história convincente vem a minha mente, só planos diabólicos envolvendo o senhor inspetor e um saco plástico.

É a vez dele de exibir um sorriso vitorioso. Ele aponta para algo atrás de mim. Me viro lentamente encarando o objeto com um ódio mortal. Na tela estão as imagens do corredor, onde eu estava falando com Austin a um tempo atrás e, consequentemente o mesmo corredor onde Patrick me encontrou.

Observo as imagens se seguirem, pedindo a Deus ou qualquer santo que esteja me escutando para que de alguma forma aquela porcaria pegue fogo.

Na TV, começo a falar e então eu e Austin olhamos para o lado surpresos, me preparo para o que vem a seguir, mas quase dou gritos de alegria com o que se segue. De alguma forma a câmera parou de gravar. Simples assim, a gravação é cortada exatamente no momento em que Patrick entraria em cena.

Mordo minha língua para não soltar um palavrão e agradeço mil vezes a quem quer que tenha feito aquilo.

– Este vídeo mostra claramente que vocês dois estavam juntos antes do segundo horário começar. – o inspetor parece satisfeito, mal sabe ele que quase enfartei por outro motivo.

– Sim. Encontrei ele no corredor, mas como você mesmo disse, foi antes do segundo horário, o que não significa que estávamos juntos até agora. – mais uma vez sorrio ao ver sua irritação.

– Não teste minha paciência garota. – ele se levanta furioso, mas logo se recompõe – Eu quero você e seu amigo aqui após o último horário. Me entendeu?

– Perfeitamente, inspetor. – o desprezo em minha voz é quase palpável.

– Nem pense em não comparecer as outras aulas ou esta conversa será diferente.

Eu odeio ele. Eu odeio ele!

Dirijo lhe um sorriso sarcástico e abro a porta com força escutando sua voz abafada quando estou quase do lado de fora da diretoria.

– Está dispensada senhorita Windchest.

Deus, como esse cara é detestável.

Ótimo, se eu faltar ele vai saber e virá atrás de mim. Provavelmente a ameaça também vale para Austin.

Merda! Com quem Patrick vai ficar?

Ando rapidamente pensando em uma forma de avisá-lo. Tenho que me lembrar de comprar um celular.

Com que dinheiro?

Agora não, por favor.

Por que você não pede um emprestado?

Boa ideia!

Eu sei.

Corro pelos corredores até o segundo andar onde será a aula de anatomia no terceiro horário. Fico ao lado da porta por alguns minutos até ouvir o sinal. Só espero que eles não demorem.

Passado pouco tempo, ouço vozes conhecidas vindas da escadaria e logo vejo Milena, Rachel e Valeri. As duas últimas seguem o corredor a direita e vou até Milena.

– Oi, me empresta o seu celular? – acabo falando rápido demais. Eu estou nervosa!

– Ah... por que? – seus olhos escuros me fitam confusos e ela leva a mão até bolso do blazer preto.

– Preciso avisar o Austin de uma coisa, é importante. – estou gesticulando demais, droga.

– Austin... mas vocês...

– Fizemos as pazes. Milena, por favor não tenho muito tempo. – ela assente e me entrega o aparelho já na caixa de mensagem.

“Austin, é a Thais, você precisa vir para a aula, o inspetor está de olho e ele não pode desconfiar que o Patrick está aqui”

Espero a resposta. Os olhos de Milena estão grudados em mim e não sei exatamente qual seu objetivo, as vezes parece que ela consegue ler a mente das pessoas. Isso é assustador.

“O.k. Mas com quem ele vai ficar? Não podemos deixar ele sozinho aqui. E se o inspetor resolve revistar o seu quarto?”

Ele está certo, eu não tinha pensado nessa possibilidade. O que eu vou fazer agora? Não posso deixar o garotinho sozinho por ai, ele nem ao menos conhece esse lugar, pode acabar se perdendo ou pior. A imagem do soldado volta a minha mente. Meu cérebro trabalha desesperadamente tentando encontrar um jeito de resolver isso.

Sabe aquele momento que um lâmpada surge sobre a cabeça dos personagens nos desenhos animados? Quase consigo ver ela acendendo na minha cabeça assim que encaro Milena. Ela faz uma cara confusa quando sorrio maliciosamente para ela.

– O que foi? – ela dá um passo para trás quando sorrio mais.

– Eu preciso de um favor. – ela suspira cansada.

– Isso nunca pode significar algo bom. O que eu tenho que fazer? – sorrio mais ainda agradecendo por poder contar com meus amigos maravilhosos (tá, chega).

– O Patrick está aqui. – ela franze as sobrancelhas confusa.

– Quem?

– O garoto que eu salvei no Alasca. – seu rosto volta ao normal e ela assente – Não sei como ele chegou aqui ou como me encontrou, mas o problema é que o inspetor não pode descobrir de jeito nenhum. Quero pedir ajuda ao Martin, mas ele está em reunião e temos que esconder o garoto até ele voltar.

– Aham... E onde eu entro na história? – ela parece interessada, mas um pouco confusa.

– Eu e o Austin faltamos o segundo horário.

– Nem percebi. – ela faz uma cara sarcástica.

– Então... Por esse motivo não podemos faltar de novo, o inspetor está na nossa cola e não podemos correr o risco de ele nos encontrar, consequentemente, encontrar Patrick também. – respiro fundo em busca de fôlego – É ai que entra a sua ajuda. Você se importaria de faltar essa aula para ficar com ele?

– Tá me perguntando se eu aceito matar uma aula? – assinto hesitante, ela parece incrédula – Está de brincadeira? Agora é anatomia, você está me fazendo um favor.

Sorrio largamente e dou-lhe um abraço de urso surpreendendo-a.

– Tá, chega de abraço. – ela me afasta gentilmente.

– Ele está no meu quarto, seria até melhor se você levasse ele para o seu, o inspetor pode inventar de aparecer no meu.

– Certo, só um problema. Como eu vou entrar se só você pode abrir a porta? – mais uma vez agradeço mentalmente por ter pensado nisso.

– Tem como abrir por dentro com a chave. O Austin abre pra você, só vou avisar ele. – volto-me para o celular.

“A Milena vai ficar no seu lugar, espera ela chegar e abra a porta com a chave que está na segunda gaveta do criado mudo. Depois vem pra aula.”

– Acho melhor você pegar seu material, faltam sete minutos para o terceiro horário. – assinto ainda encarando o aparelho.

“Tá. Te vejo na sala.”

Entrego o celular a Milena que desaparece logo em seguida. Corro até o meu armário e quase quebro a chave abrindo o cadeado. Pego ao materiais que ainda se encontram no chão, troco-os pelos certos. Quando me sento na cadeira finalmente podendo respirar lembro que não assinei a chamada. Corro até a porta a tempo de ver Austin subindo as escadas pulando degraus. Preenchemos a lista e entramos.

Me jogo na cadeira sem fôlego e Austin não está diferente. Seu cabelo está um caos, pior que o normal, seu rosto está levemente vermelho. Ele está de olhos fechados recuperando o fôlego, vejo que afrouxou mais a gravata enquanto estava no quarto e está sem o blazer. Não, espera...

– Austin, cadê o seu blazer? – ele abre os olhos rapidamente e encara o próprio corpo, soltando um palavrão baixinho ao perceber a falta do item.

– Que se dane. – volta a encostar a cabeça na parede cansado.

– Ele quer nós dois na diretoria depois do último horário. – observo o professor entrar na sala com o sinal batendo.

– O Martin? – pergunta sem abrir os olhos.

– Não. O palhaço engravatado. – resmungo e percebo que minha mão está novamente suja de tinta. Droga! Eu esqueci de desse maldito caderno – Mas que merda!

– O que foi? – ele me olha de soslaio e sorri ao perceber o mancha azul na capa do objeto – O que aconteceu com o seu caderno?

– A droga de uma caneta estourou no meu armário e eu esqueci que essa porcaria ainda tinha tinta. – tento limpar minhas mãos, mas não obtenho nenhum sucesso.

Austin ri novamente se divertindo com a cena. Quando finalmente a aula começa, o professor começa a explicar a forma como nosso sangue é composto pelas moléculas elementistas e como é impossível separá-las das humanas. A aula teórica é bem menos interessante que a prática, mas presto o máximo de atenção que consigo.

Não posso dizer o mesmo de Austin, que está fazendo uma muralha com os lápis de cor desde que o professor falou a primeira frase. Quando a muralha desaba pela terceira vez, ele desiste e se debruça sobre a mesa, fazendo desenhos aleatórios na capa do caderno.

O sinal soa depois dos cinquenta minutos. O que eu vou fazer agora? A essa altura o inspetor já deve saber da falta da Milena o que a torna suspeita também, impossibilitando que ela falte novamente. Saio da sala pensando em outra forma de esconder Patrick, mas não preciso muito, pois Rachel me para no meio do corredor.

– Não se preocupe, eu fico com ele esse horário. – olho-a com as sobrancelhas franzidas. Como ela sabe?

– Como você...

– A Milena me contou por mensagem e eu vou ficar com ele para ela poder ir para a aula, então, faça o mesmo e não dê motivos ao inspetor para te procurar. – ela fala rapidamente e não tenho uma reação, porque ainda estou processando suas palavras quando ela vira as costas, mas volta a falar novamente – Ele estará no meu quarto.

Quando volto a realidade, ela já está descendo as escadas e sumindo pelos corredores do primeiro andar.

– Por que está parada ai? – a voz me assusta e acabo dando-lhe uma cotovelada. – Ai! Calma.

– Desculpa. – ele respira com certa dificuldade e se encosta no armário levando a mão até a barriga – Você não devia assustar as pessoas assim.

Austin revira os olhos e volta a se afastar dos armários. Sigo até meu armário e pego os materiais de cimex. Quarto andar. Maravilha!

Cantarolo baixinho enquanto pego alguns papéis do armário para jogar no lixo, mas ao olhar para o corredor ao lado vejo que as luzes ainda estão apagadas. Percorro o caminho feito pelo solado e percebo que o carpete, antes cinza, agora está com marcas mais escuras. Entretanto, o que chama mais a minha atenção é o símbolo. Sim o mesmo símbolo que vi no Alasca, o mesmo que está grafado no uniforme do soldado, agora se encontra queimado no corredor.

– Ei! Você vai se atrasar. – novamente me assusto, mas me contenho para não agredir a pessoa.

– Vocês tiraram o dia para me assustar? – talvez ela fosse responder, mas sua atenção é atraída até o símbolo.

– O que é isso? – seu semblante sério me deixa confusa, ela não estava conosco quando encontramos a marca pela primeira vez, mas parece já ter visto a insígnia antes – Thais, você fez isso?

– O que? Não! – franzo o cenho diante a acusação, seus olhos parecem atravessar minha cabeça com o olhar intenso – Já estava aqui quando eu cheguei. Por que eu iria desenhar esse treco se eu nem sei o que é? Pelo amor de Deus.

– Você não está mentindo, mas também não está dizendo toda a verdade. – ela me encara de forma acusadora – O que sabe sobre isso?

– Nada! – dou passos para trás até encostar nos armários, seus olhos escuros parecem brilhar, mas não sei bem o motivo – Milena, temos que ir para a aula.

Desvio os olhos e sigo até as escadas com ela em meu alcance ainda me encarando. Por um segundo até cogitei contar a ela sobre o soldado, mas o que exatamente eu diria? Que provas eu tenho de que ele realmente existe? Ela não acreditaria e provavelmente me chamaria de louca. Mas algo em seus olhos me chamou atenção, é como se de alguma forma não fosse só ela que estava me encarando.

– Será que dá pra parar de me olhar assim? – me viro irritada – Eu não tenho nada a ver com aquele símbolo idiota.

– Pode até ser. – seus olhos me analisam mais uma vez e novamente tenho a sensação de que existe outra coisa me olhando – Mas você sabe de alguma coisa.

– Não sei de nada que você não saiba. – afirmo olhando diretamente nos seus olhos tentando ao máximo convence-la – Podemos ir agora?

Ela assente, mas tenho certeza que não acredita em mim. Mas que droga! O que ela tem? Sexto sentido?

Subimos até a sala que está parcialmente cheia. Me sento na última carteira como sempre e Milena ao lado de Bryan. Austin entra alguns minutos depois, ainda sem o blazer e se senta ao meu lado. Não conversamos e também não consigo me concentrar muito no que o professor diz, não que eu não tenha tentado, mas minha mente simplesmente não consegue se concentrar em nada que não tenha a ver com o pequeno garotinho que me procurou mais sedo.

Durante a aula, sinto os olhos de Milena queimando sobre mim e isso me incomoda. Ela tem uma forma de olhar para as pessoas que nos faz querer contar tudo o que já fizemos de errado na vida. Como ela sabe que eu sei mais do que contei? O que ela sabe sobre o tal símbolo?

– O que você está desenhando? – a voz de Austin me desperta e encaro-o confusa, ele indica o caderno, só então reparo que, inconscientemente, acabei desenhando o símbolo no caderno.

– Não é nada. – respondo apagando rapidamente o desenho.

– Porque a Milena está te encarando? – direciono meu olhar para a Shadow e encontro seus olhos desconfiados.

– Não é nada. – volto meus olhos para o caderno.

– O que aconteceu? Você está estranha. – me mecho desconfortável, não quero ter que explicar algo que nem eu sei.

– Não é nada.

Austin suspira irritado e se ajeita na cadeira batendo os dedos incessantemente na carteira o que indica que está nervoso. Depois de alguns minutos ele volta a suspirar e me analisa por um tempo, desviando os olhos quando o encaro.

– O que foi? – ele exibe uma expressão irritada e a pergunta parece aborrece-lo mais.

Não é nada. – ele reponde sarcástico.

Continuo encarando-o confusa, mas por fim desisto de entende-lo. A aula passa extremamente rápido o que me agrada bastante e, antes de sair da sala, Mari me puxa pelo braço e sussurra próxima a mim.

– Esse horário é meu, não se preocupe, vou cuidar dele. – ela sorri e se afasta, se despede de Jack e segue sala afora.

Uau! Elas são rápidas na comunicação.

Queria muito dizer que o quarto período ocorreu tudo perfeito como foi os outros, infelizmente isso seria mentira.

Com certeza todos já passamos pela aquela situação quando tínhamos certeza que tudo ia dar certo e nos quarenta e cinco minutos do segundo tempo, as coisas começam dar errado.

Acho que devo começar pelo primeiro indicio de que tudo estava prestes a desmoronar. Muito bem, vamos por partes. Em primeiro lugar, enquanto eu assinava a chamada, Joseph, o assistente da segurança informou algo em seu radio e pude ouvir meu nome. Segundo, nos alto-falantes pudemos ouvir um aviso da diretoria:

“ Atenção alunos, haverá revista nos quartos após o quinto período de aula matutino, por motivos de segurança. Todos deverão permanecer no prédio letivo durante o processo. Um bom dia a todos.”

Acho desnecessário dizer que tive uma pequena parada cardíaca com o aviso. E, em último lugar e ocupando o cargo de presságio do mal, temos a bela imagem de Matthew Argonel adentrando a sala com o chefe da segurança a tira colo.

E esses são os motivos que me fazem afundar na cadeira nesse exato momento e desejo com todas as minhas forças que o ser de paletó entre em combustão espontânea. Mais uma vez sou traída pela sorte que eu não tenho.

– Peço minha sinceras desculpas professor, mas por motivos de infração preciso retirar alguns de seus alunos da sala por um momento. – por algum motivo desconhecido ele exibe um sorriso satisfeito no rosto, o que provavelmente não é um bom sinal para qualquer um de nós.

– O que diabos ele quer agora? – resmungo para Austin que está com os olhos fixos no pedaço de papel que o inspetor está retirando do bolso.

– Talvez seja outra coisa, ouvi dizer que ele estava atrás dos alunos que quebraram um dos brasões do campus. – mesmo aparentando estar calmo, seus olhos estão inquietos.

Quando olho novamente para Matthew ele segura uma folha de papel, seus olhos gelados se encontram com os meus e é nesse momento que tenho minha conclusão. Austin não podia estar mais errado, estamos todos ferrados!

– Milena Gauthier. – Milena me direciona um olhar calmo e se levanta, o inspetor prossegue – Jackson Gareth – Jack parece confuso de inicio, mas também se levanta, parando ao lado de Milena – Austin Lee Clarck – encaro-o e ele me direciona um pequeno sorriso antes de andar até a frente da sala – E por fim, Thais Windchest.

Seu sorriso vencedor e seus olhos frios me seguem enquanto dou passos hesitantes para junto dos outros. Não consigo bloquear a parte da minha mente que grita desesperadamente, o problema é que está parte está dividida em duas, a sensata e a insensata. A sensata me diz para correr até o dormitório e dar um jeito de esconder Patrick antes da revista. Já a insensata está gritando para que eu mate esse egocêntrico idiota agora mesmo.

– Senhorita Windchest. – uma voz grita no meu ouvido, acabo dando alguns passos para trás devido ao susto e bato minha cabeça na estante do corredor. Como diabos eu vim parar aqui? – Você já excedeu seu limite de testar a minha paciência hoje.

– E o senhor está excedendo seus direitos ao gritar com uma aluna desta forma senhor Argonel. – ouço a voz de Jack e uma mão apoiando minhas costas, estou um pouco desorientada ainda – Com todo o respeito, porque nos trouxe até aqui?

Volto a focalizar meus olhos e reparo que estou em frente a uma sala. História VI. O que estamos fazendo aqui?

– Você está bem? – ouço a voz de Austin as minhas costas, é ele quem está de certa forma me segurando.

Assinto, porém, ele não retira a mão. Matthew está encarando Jack com um ar desafiador e por algum motivo tenho a impressão que eles se conhecem a um bom tempo. Passados alguns segundos (mais pareceram séculos), Matthew se dirige a porta da sala e interrompe a aula do professor. O chefe da segurança o segue.

– Precisamos dar um jeito nisso. – encaramos Milena confusos e ela revira os olhos – eles não podem fazer a revista, não com o garoto aqui.

– Disso nós sabemos, mas o que vamos fazer? – Austin se escora na parede ao meu lado.

– Eles não podem fazer essa tal revista, é contra o regulamento, isso só é permitido em caso de investigação militar. – Jack parece pensar, então anda até a porta da sala silenciosamente e faz alguns gestos, sinalizando para alguém.

– Com quem ele está falando? – observo a cena levando a mão até a pancada, eu necessito desesperadamente parar de me bater nas coisas.

– Essa é a sala da Rachel – Milena observa o interior do cômodo, mas sua atenção é atraída por barulho de passos vindos do inicio do corredor – Eu não aconselharia ficar andando pelos corredores agora.

– O que está acontecendo e que historia e essa de revista nos quartos? – um Blake confuso se junta a nós.

– Depois explicamos, agora precisamos de ajuda. – Milena olha novamente a sala antes de prosseguir – preciso que você vá até o quarto da Mari e diga a ela para levar o garoto para o jardim oeste.

– Que garoto? – as palavras da garota só servem para confundi-lo ainda mais.

– Sejam rápidos, ele já está terminando. – Jack diz aflito junto a porta.

– Quem está na sala?

– O Inspetor e o chefe da segurança, mas isso não é importante Blake, foco. Você vai ajudar ou não? – Milena gesticula demais enquanto fala, se fosse possível suas mãos já teriam saído voando.

– Sim, claro, mas eu não sei qual é o quarto da Mari. – ele aponta o detalhe, agora analisando o interior da sala cautelosamente.

— 109, ala C, corredor um. Seja rápido. – Jack olha mais uma vez apreensivo para o amigo.

– Eu já nasci rápido. Boa sorte pra vocês. – ele se vira com um sorriso maroto, mas se volta para Milena logo em seguida – Quero uma explicação depois.

– Tudo bem. Vai logo! – ela empurra-o e ele desaparece ainda sorrindo.

– Que falação toda é essa? – o Inspetor sai da sala acompanhado de Rachel.

– O senhor não nos proibiu de falar, ou proibiu? – Austin questiona desafiador, recebendo um olhar fulminando por parte de Argonel.

– Estou proibindo agora senhor Clark e se eu fosse o senhor, não testaria a minha paciência, você já está bem encrencado no conselho. – o sorriso de Austin vacila e o do inspetor aumenta. Do que ele está falando?

– E o palhaço engravatado ataca novamente. – não contenho o riso com o sussurro de Austin e a atenção do ditador é atraída para mim.

– O mesmo conselho para a senhorita, eu detestaria ter que mandar rever seu histórico. – novamente não contenho o sorriso pensando na cena que seria ele descobrindo que eu nem ao menos tenho um histórico ainda.

– É sério que me tirou da sala para ficar vendo vocês discutirem, se for assim, com licença. – Rachel se dirige a porta, mas é interrompida pelo segurança. – Ah qual é Marchall!

– Meu nome é Jerard e a menos que queira se machucar, se afaste. – o brutamontes lhe dá um pequeno empurrão, mas é o bastante para fazer Rachel dar vários passos para trás.

– Ah! Que ótimo, voltamos a ditadura. Olha aqui seu seguran...

– Chega! – a voz de Matthew interrompe Rachel e faz minha cabeça latejar – Estou cansado dessa palhaçada. Eu sei que está acontecendo alguma coisa dentro desse colégio e vocês vão me dizer por bem ou por mal. Agora, quero a explicação das faltas no período matutino.

– Eu não faltei, senhor. – Jack parece irritado com a situação e encara o inspetor de forma ameaçadora.

– Oh! Bem lembrado meu caro Jackson, mas sua namoradinha não se encontra na sala não é mesmo. Onde ela está? – novamente um sorriso toma conta do rosto de Matthew deixando-o com uma expressão estranha.

– Eu não sei. – Jack da de ombros – Acho que o senhor está me confundindo com um rastreador.

– Claro, sinto muito. – o mais velho apoia uma mão no ombro do garoto e o encara com um olhar cruel – Creio que talvez possamos conversar melhor no escritório do seu pai.

Jack engole em seco e leva as mãos até os bolsos da calça nervosamente. Encaro Rachel em busca de respostas, mas ela não me encara de volta, está muito concentrada fuzilando o inspetor e quase posso imaginar ela enforcando ele.

– Não se pode ameaçar alunos dentro dos territórios da escola senhor Argonel, acredito que o você conheça a regra.

– Ora, perfeitamente senhorita Evans e como parece conhecer bem os termos de compromisso do colégio, deve saber que tenho todo o direito de investigar infrações e...

– Investigar os envolvidos. Jack não matou aula, o senhor não deveria nem ao menos tê-lo tirado da sala, principalmente por não ter a autoridade de diretor para fazer isso. – a voz de Rachel não deixa brechas para interrupções e acho que nunca tinha visto-a tão séria.

– Certo. – Matthew encara a garoto com puro ódio, mas logo volta a exibir o sorriso presunçoso – Mas ele pode me ajudar a encontrar a meliante. Qual é o quarto da sua namorada senhor Gareth?

– Meliante? Onde ele pensa que está, em uma prisão? – Austin volta a comentar próximo ao meu ouvido, me fazendo segurar o riso.

– O senhor não tem o direito de invadir o dormitório dela. – Jack argumente e percebo que ele talvez esteja querendo ganhar tempo.

– Eu não vou invadir. Fale logo qual é o quarto, eu vou descobrir de qualquer forma. – Jack suspira teatralmente e então responde forçando uma careta.

– 109, ala C, corredor um.

– Agradeço. Agora me acompanhem.

Todos o seguimos nos arrastando. Minha cabeça lateja onde bati e parece pesar uns dez quilos a mais me fazendo andar mais devagar. Cada passo que dou é como uma martelada. Austin parece perceber minhas caretas e anda mais devagar para ficar ao meu lado.

– Tem certeza que está bem? – estamos subindo as escadas e em segundo plano consigo ouvir uma pequena discussão, mas não presto atenção, a dor é realmente incomoda.

– Sim, só estou com dor de cabeça. – ele e olha desconfiado e me ajuda a subir os degraus devagar até o dormitório feminino.

Matthew segue em frente até o corredor um, mas passa reto por ele seguindo até o dois e anda até a porta do meu quarto, abrindo-a em seguida. Como ele fez isso?

– O que está fazendo? – dou passos lentos até o quarto e o encontro mexendo na escrivaninha, até que foca em algo próximo a cama e seus olhos brilham como se tivesse encontrado um pote de ouro.

– Que droga! – ouço a voz de Austin e só então vejo o objeto azul pendurado na cadeira.

– Vocês estão encrencados. Muito encrencados. – o inspetor nos dirige um sorriso malvado – Mas é claro que não posso me poupar de suas desculpas esfarrapadas senhorita Windchest, por favor queira me explicar como isto veio parar aqui.

– Nós... Nós... Eu emprestei pra ela. – Austin responde mais rápido que eu e sinceramente, cansei de inventar desculpas, cansei desse cara.

– Oh! Como eu não pensei nisso?! Me desculpe senhor Clarck, me esqueci o quanto o senhor é cavalheiro. – então seu sorriso desaparece e ele nos encara com ódio – Acham que eu sou o palhaço do diretor de vocês, está mais do que óbvio a verdade.

– Sim, está. Austin esteve aqui. – cruzo os braços e o encaro com raiva.

– Vocês serão expulsos. E se depender de mim, jamais vão estudar em nenhuma escola de Wirdgewt seus...

– Então ficamos felizes por você não possuir este poder, Inspetor. – uma voz conhecida atinge meus ouvidos e instantaneamente meu rosto é tomado por um sorriso. – Pode me explicar o que está fazendo com esses alunos Matthew?

– Perfeitamente Covask. Esses alunos infringiram regras do colégio. Veja só o que eu encontrei no quarto do senhorita Windchest. – responde ele exibindo o blazer de Austin e antes que Martin possa responder ele continua – E se me acompanhar, vou mostrar como se pega um infrator no flagra.

Sem aceitar objeções ele segue enraivecido até o quarto de Mari, o qual se encontra com a porta aberta. Ela deve ter esquecido de trancar antes de sair. Matthew adentra o quarto e o vasculha com os olhos, assumindo uma expressão ainda mais irritada ao não encontrar a dono do aposento. Martin para em frente ao quarto e observa o inspetor com um semblante cansado.

– O que você está fazendo agora Argonel? – seu aborrecimento é quase palpável em suas palavras, está mais do que claro que o diretor não está nada feliz com a presença do outro homem.

– Acha que está ganhando credito assim, não é Covask? Pois fique sabendo que vou enviar uma carta agora mesmo aos conselheiros e dizer como está a situação deste colégio, vamos ver quem...

– Já chega. – Martin o interrompe expondo sua expressão séria e assustadora atípica – Você não possui poder algum dentro do território deste colégio, lembre-se qual o seu lugar ou vou ter que fazer isso por você. Não se esqueça de quem te colocou aqui dentro.

Talvez Matthew fosse responder. Talvez Martin o levasse embora a ponta pés. Talvez começássemos a rir da cara do inspetor. Infelizmente nunca vou saber o que aconteceria depois, pois nesse exato momento, passos apressados e desesperados foram ouvidos no corredor para segundo depois Mey aparecer, toda descabelada e aparentemente apavorada.

– Inspetor! Inspetor! – ela corre o mais rápido que pode com sua saia e sapatilha nada esportiva, ao ver o diretor parado, toma fôlego e solta um suspiro de alívio – Diretor, que bom que está aqui, eu não sabia mais o que fazer.

– Mey, em nome de Zalbath, se acalme. – ele segura os ombros da mulher e sorri simpaticamente – O que aconteceu?

– Me desculpe diretor, eu não pude evitar. Em um minuto estava tudo calmo e então... – ela soluça e lágrimas começam a cair de seus olhos assustando o homem a sua frente – Ele entrou tão rápido, eu não pude fazer nada. Eu sinto muito diretor... Eu...

– Mey... Por favor se acalme... Quem fez o que? – Martin tenta desesperadamente acalmar a moça, mas não surti efeito.

– Invadiram a diretoria senhor, eu sinto muito, destruíram a sala toda, eu não sei o que queriam... Eu não pude fazer nada...

– Tudo bem. Vá até a enfermaria, você precisa se acalmar. – ele olha carinhosamente para a mulher e ela assente ainda chorando, então ele desvia os olhos para os dois outros homens parados no corredor – Matthew, Jerard, me acompanhem.

O chefe da segurança o segue sem reclamação, sendo seguido pelo inspetor claramente irritado. Nós cinco nos encaramos sem reação e por algum motivo começamos a rir. Acabo ignorando a dor em minha cabeça e me jogo no chão do corredor.

– O que acabou de acontecer? – Milena limpa as lágrimas presentes em seus olhos por causa do riso.

– Eu não sei, mas...

Jack é interrompido por passos rápidos vindos do corredor ao lado. Valeri aparece com um semblante perturbado e nos analisa aterrorizada.

– O que aconteceu com seu quarto? – demoro alguns segundos para perceber que a pergunta é dirigida a mim.

– Nada. – encaro-a confusa.

– Com certeza não foi nada, a menos que você tenha deixado ele de ponta cabeça antes de sair. – seus olhos apresentam um brilho estranho, como se mil peças estivessem soltas em sua cabeça e ela não conseguisse juntá-las.

– Do que você está falando? – me levanto com dificuldade devido a dor latente do machucado – Estivemos nele ainda a pouco.

– Veja você mesma.

Ela volta ao inicio do corredor e a seguimos as pressas. Ela está certa, algo realmente aconteceu no meu quarto e não fui eu quem fiz. Quando me aproximei até cogitei a ideia de ter sido o inspetor ao mexer nas coisas a procura de provas para me incriminar, mas logo desconsiderei. Um aviso entalhado sobre a madeira da escrivaninha deixava quaro que não fora Matthew.

– O que é isso? – Milena se aproxima junto com Austin, ambos encaram a frase, Milena foca no símbolo ao lado e depois me encara com um olhar assassino.

Mesmo querendo me desculpar por não ter contado a ela a verdade, sou incapaz de formular um frase. Meus olhos estão fixos nas palavras que rondam meu cérebro onde tento desesperadamente encontrar uma explicação. Sobre a madeira, entalhado aparentemente as pressas, se encontra a seguinte frase: “Bem Vinda de volta”.

Notas finais
Muito Bem Pessoas... É isso que eu tenho pra vocês hoje. Um grande beijo pra vocês e até o próximo capítulo, espero poder dar boas notícias lá.