Notas iniciais
Olá Pessoas... Eu mesma estou brava por não ter conseguido postar o capítulo no dia 29. O que aconteceu foi o seguinte: uma parte do capítulo se perdeu, assim do nada, simplesmente sumiu e eu fiquei caçando ele aqui e não encontrei. Então, eu tive que escrevê-lo de novo o que demorou um tempinho. No domingo teve o Oscar (O DICAPRIO GANHOU, MEU DEUSSS!!! #madmaxdeveriaterganhoodemelhorfilme) e eu fiquei até duas da manhã assistindo. Na segunda, primeiro dia de aula, eu tive que acordar as seis, por isso eu estava morrendo de sono e eu dormi sem postar o capítulo. Pois é, uma droga. Na terça, eu fui abrir o Word para copiar o capítulo e aquela porcaria não queria abrir. Até o Word me passa a perna quando eu tenho que fazer as coisas. Ontem, quarta- feira, eu tinha lição e só tive tempo agora, 00:36 da quinta-feira. Por isso, dois dias e 36 minutos de atraso. Me desculpem pelos erros.

Segunda-feira. Eu cresci ouvindo de muitos o quanto é ruim uma segunda-feira, mas hoje eu estou determinada a fazer dessa segunda, um dia legal. Depois do que aconteceu ontem, eu decidi que já está na hora de ser quem eu deveria. Vou realmente me esforçar para fazer parte desse mundo louco.

Como toda segunda-feira, temos aula e cá estou, pronta para mais um dia letivo. Lilian estava me esperando no corredor, ela ficou um pouco grudenta demais depois de ontem. Mesmo eu não precisando mais de guia, ela está me acompanhando até a cantina. Esta, como o esperado está cheia de alunos sonolentos e agitados, pois é, o fim de semana pode fazer isso com as pessoas.

Marian e Jack já estão sentados na mesa de costume. Max está se servindo e Austin... bem Austin não está na mesa com eles. Ele está sentado com alguns garotos do time e não parece feliz com isso. Ele dá um breve aceno para mim quando passo confusa perante a situação. Sirvo-me e sento no lugar de sempre, ainda olhando a mesa onde Austin está com os companheiros.

---- Ele escolheu estar lá. ---- Jack fala ao perceber a pergunta presente em minha expressão ---- eu disse que não precisava, mas ele preferiu assim.

Olho para ele enquanto fala e percebo o mínimo sinal que faz em direção a Lilian. Ela sabe deixar uma pessoa desconfortável, mas pensei que com eu o desculpando as coisas não seriam tão ruins assim, mas Lili não se importa com a minha opinião sobre isso.

Não acordamos atrasados, então, temos um bom tempo de café ainda. Quando faltam dez minutos, me levanto, pois ainda não decorei o exato caminho até meu armário e não quero entrar na sala depois do professor, mesmo o Sr. Dinks sendo um cara legal, ele ainda gosta das regras.

Lilian me segue até o balcão e acaba me levando até o armário. Temos aula de necrologia e para facilitar as coisas, eu já tinha separado os livros, caso demorasse para encontrar o armário, pegar os materiais não seria difícil.

---- Lili, espera. ---- chamo quando ela começa a se afastar ---- eu preciso te pedir uma coisa.

---- Tudo bem. Vá em frente.

---- Olha, eu sei que você está brava com o Austin, mas eu mesma já o desculpei, então, será que você podia não trata-lo tão mal assim? ---- pergunto com a voz mais gentil que consigo.

---- O Austin tem que aprender que as atitudes dele afetam pessoas e ele não pode sair impune dessas coisas. Eu sei que você desculpou ele, mas não acho que está na hora de tudo ficar bem de novo. ---- ela responde calma.

---- Mas não acha que está exagerando? Ele não poder sentar na mesa com a gente, isso não é um pouco radical?

---- Ele decidiu isso sozinho. ---- ela responde.

---- Lilian, nós duas sabemos que ele não fez aquilo por conta própria. ---- falo um pouco hesitante, não conheço ela tão bem para saber quão estável é o território que estou pisando.

---- Tudo bem, fui eu. ---- ela suspira ---- Concordo, foi exagero. Ele pode continuar sentando com a gente, mas isso não quer dizer que vou falar com ele.

---- Obrigado.

Ela assente e vai em direção ao armário. Sigo a passos lentos até a sala, não sei muito de necrologia, na verdade não prestei atenção em quase nenhuma matéria até agora, o que eu pretendo mudar.

A sala já está com alguns alunos, menos da metade da turma. Assino a chamada ao lado da porta antes de colocar o jaleco. Os jalecos tem o símbolo do elemento sobre o bolso e suas inicias. Quando Austin esqueceu o dele, foi uma sorte Marian estar carregando um sem o bordado. Acho que a irresponsabilidade dele é mais frequente, considerando que ela já tinha pensado na possibilidade de ter que tirá-lo de uma situação como aquela.

Austin está sentado no fundo da sala, sozinho. Começo a seguir em direção a ele, mas Milena, que estava sentada com Bryan, para na minha frente.

---- Lilian me pediu para sentar com você. ---- ela diz contendo um sorriso, como se a situação fosse cômica.

---- O que? Por que? ---- pergunto confusa, fazendo seu sorriso finalmente aparecer.

---- Eu acho que você sabe o porque. ---- ela responde fazendo um quase imperceptível sinal com a cabeça em direção a Austin.

---- Milena, fala sério! ---- digo e ela da de ombros ---- com quem o Bryan vai sentar?

---- Com o James. ---- ela responde, eu e Bryan olhamos na direção do garoto que estava sentado com uma menina.

---- James? O cara que está sentado com aquela garota ali? ---- pergunto apontando para eles.

---- Ela vai se cansar das basbaquices dele antes do professor chegar. ---- ela responde e Bryan olha para mim suplicante.

Bryan, pelo que me disseram é o melhor amigo da Milena, os dois chegaram no mesmo dia e desde então não se separaram mais. Mesmo isso sendo “suspeito”, como diria Rachel, não vejo nada além de amizade ali, mas não entendo o porque do pedido existente em seus olhos. De qualquer forma, não pretendo me sentar com Milena.

---- Milena, eu vou sentar com o Austin. Vocês não podem ficar me vigiando e dizendo o que eu tenho que fazer. ---- falo incrivelmente calma.

---- Relaxa Thais, eu não pretendia continuar com essa idiotice mesmo, só queria ver sua reação. ---- ela responde dando de ombros.

---- Por que?

---- Digamos apenas que estou confirmando uma coisa, nada demais. ---- responde sorrindo e se sentando ao lado do amigo novamente.

Analiso-a por uns segundos, mas acabo desistindo de entender suas palavras. Começo a andar novamente até o fim da sala, Austin parece que já esperava essa atitude e me encara com um mínimo sorriso. As marcas que antes já tinham sumido de seu rosto estão lá de novo. O soco certeiro que recebeu no olho deixou uma marca roxa. A sobrancelha esquerda tem um pequeno corte e eu percebi que ele estava andando com dificuldade ontem. Ele está sentado, mas seu corpo está tenso como se ele estivesse se esforçando para estar naquela posição.

Sento-me ao seu lado e o observo. Hoje ele está com o jaleco. Seu rosto está um pouco pálido e é possível ver gotas de suor em sua testa, o que é extremamente estranho já que o dia está frio.

– Oi. – ele diz com um sorriso meio forçado.

– Oi. – digo e o analiso, chegando a conclusão que ele realmente não está bem – Você está bem?

– Sim, por que não estaria? – ele pergunta tentando manter o sorriso.

– Não sei, talvez porque você meio que tomou um surra ontem e está suando frio. – Respondo irônica.

– Eu não tomei um surra – fala como se fosse um ofensa – Mas não vamos falar disso de novo, eu estou bem.

– Sem dúvida, você está ótimo. – digo com o máximo do meu sarcasmo.

O professor chega na sala e faz com que todos sentem em seus devidos lugares. Ele retoma a explicação da ultima aula, “como podemos resistir mais ao elemento contrário”. Pego a apostila e releio todas as páginas da aula passada, tentando acompanhar o assunto.

Os cinquenta minutos passam voando e o sinal ecoa pelos corredores. Agora, aula de toxicologia. Ainda me lembro do olhar da professora, eu realmente pretendo descobrir porque ela me odeia. Levanto rápido para pegar os materiais, não quero dar mais motivo para ela me encher o saco.

Austin continua sentado e nem ao menos guarda os materiais.

– Temos aula de toxicologia Austin, você não vai levantar não? – pergunto.

– Eu já vou. – responde, mas parece distante. – Pode ir, eu alcanço você.

Saio da sala um pouco hesitante, ele parece mal com alguma coisa. Chego ao meu armário mais rápido do que eu esperava, pego os materiais e corro até a sala. Ela ainda não chegou, ótimo.

Sento-me na última carteira, a última coisa que eu quero é ficar perto dela. A sala está parcialmente cheia quando ela chega e me lembro que não assinei a chamada. Maravilha!

Austin ainda não chegou, talvez ele tenha resolvido gazear esta aula. Queria estar no seu lugar agora. Novamente a Sra. Filks está me encarando e quando vai começar a falar é interrompida por uma batida fraca na porta. Ela abre e Austin está parado do lado de fora acompanhado de um monitor.

–Acho que esse aqui se perdeu. – o monitor diz empurrando Austin para dentro – desculpe interromper professora.

– Obrigado. – ela responde e aponta para o fim da sala – vá sentar logo.

Austin anda com dificuldade em minha direção, mas no meio do caminho parece perder o equilíbrio e se apoia na mesa de Bryan. Este o segura pelo braço e o ajuda chegar até a cadeira ao meu lado.

– Cara, você devia ir a enfermaria. – Bryan diz.

– Eu estou bem. – Austin responde baixo.

Bryan me encara antes de voltar para seu lugar. Ao sentar, Austin leva uma das mãos até a lateral do corpo e faz uma careta, então me lembro dos chutes que ele tomou ontem.

– Bryan está certo, você não pode ficar assim, tem que ir ao médico. – falo.

– Não está tão ruim, eu vou ficar bem. – diz, ele está com os olhos fechados e respira devagar.

– Pensei que tinha dito que estava bem, não que ia ficar. – retruco brava, porque ele nega ajuda? – me deixe ver.

– Thais, está tudo bem, vai curar. – fala, mas não mudo minha expressão – Olha...

– Os dois ai no fundo, querem compartilhar o assunto? – Austin é interrompido pela professora.

– Desculpe professora. – respondo sem encara-la.

– Senhor Clarck, não foi o bastante chegar atrasado e senhorita Windchest, por ser uma novata deveria apresentar mais empenho. – ela diz encarando nós dois – Agora, o que é tão importante que não podem conversar depois?

– Não é nada, não vamos mais atrapalhar a aula professora, desculpe. – Austin responde calmamente.

– Não deveriam ter atrapalhado, mas já que o fizeram, agora compartilhem com seus colegas o assunto tão interessante. – ela fala e cruza os braços em frente ao corpo se encostando na mesa.

– Austin não está bem, ele precisa ir a enfermaria. – digo e Austin me encara irritado.

– O que você tem senhor Clarck? Algo que o impede de pedir permissão para ir a enfermaria? – a Sra. Filks pergunta debochadamente.

– Ele não quer ir, mas precisa. – respondo quando Austin se limita a ficar calado.

– E a senhorita virou porta-voz? – ela pergunta mais uma vez de forma debochada – Minha pergunta foi direcionada ao senhor Clarck, então quero que ele responda.

– Não sou porta-voz, mas quando as pessoas se recusam a pedir ajuda, sim, eu posso falar por elas, mas não precisaria eu falar se você prestasse mais atenção nos seus alunos. – respondo, as palavras simplesmente saem em disparada e quando percebo não tenho como voltar atrás.

Os outros me encaram surpresos e entendo o pequeno sinal que Milena me manda, avisando que estou pisando em um campo minado. Eu sei que devia ter ficado calada, mas mais uma vez o meu péssimo costume de ser impulsiva falou mais auto.

–Como é que é Windchest? – a professora agora se desencosta da mesa e me fuzila com o olhar, a forma como fala me sobrenome me deixa alerta.

– Me desculpe professora, eu só quis dizer que ele não está bem e precisa ir a enfermaria. – repondo tentando consertar a situação.

– Claro! Óbvio que você não continuaria com a sua petulância, típico da sua familiazinha, todos covardes. – ela fala dando um sorriso satisfeito.

Em meio a isto, desafio qualquer um a ficar quieto quando o assunto é família. Esse termo sempre foi muito importante pra mim e não admito que pessoas falem o que não devem sobre meus familiares, mesmo eu os conhecendo ou não.

– Então tá, se eu sou covarde você é o que? Não consegue resolver seus problemas pessoais e ainda coloca minha família no meio de um coisa completamente diferente. Talvez o problema seja você Sra. Filks, a professora que trata os alunos conforme seu histórico familiar. Isso não é um pouco antiprofissional? – retruco, agora com raiva.

– Eu não admito que fale assim comigo Windchest! – ela “rosna” e seu rosto está começando a ficar vermelho.

– Eu não precisaria se a educação estivesse presente do seu lado também, mas acho que você esqueceu de usar ela hoje. – passando dos limites, é isso que estou fazendo.

Os olhos das pessoas ao me redor me advertem, mas não consigo parar agora, é como se eu tivesse a necessidade de retrucar.

– Sente-se, acho que você está esquecendo quem manda nesta sala. – ela serra os pulsos e reparo que as veias de seus braços estão saltadas.

– Nunca me dei bem com autoridades, você não é uma exceção. – devolvo em tom de deboche.

– Não teste minha paciência garota. – ela fala entre dentes.

Finalmente consigo me controlar e me calo. Mas quando vou me virar para sentar, já que estou no meio do corredor quase, vejo uma caneta no chão e me abaixo para pegá-la, a professora explode.

– Eu disse para você sentar! – ela grita e sinto um arrepio percorrer minhas costas.

Vejo um clarão e quando me viro, uma das alunas está parada atrás de mim encarando a professora com uma expressão assustada, o nome dela é Luana, se não me engano. Demoro alguns segundos para entender o que aconteceu. A Sra. Filks lançou um raio em minha direção e Luana, sendo uma elétrick, o interceptou. Tenho que me lembrar de agradece-la, se não fosse ela, provavelmente eu estaria morta agora.

Todos encaram a Sra. Filks, que só agora perece ter percebido o que fez. Ela me encara preocupada o que me surpreende. Olha ao redor então vem até mim.

– Me acompanhe. – diz baixo e se vira para os outros – Vocês, quero que leiam o capítulo dos Sharks.

Sigo ela até o lado de fora da sala. Assim que passamos pela porta ela a fecha. Devo admitir que fiquei assustada com o ocorrido da sala e a presença dela me deixa ainda mais desconfortável agora. Ela da um longo suspiro antes de falar.

– Você está bem? – seus olhos não mentem, ela realmente está preocupada.

– Sim... hã... eu acho que sim. – respondo dando uma rápida conferida em mim mesma.

– Me desculpe, eu perdi o controle, jamais deveria ter feito aquilo, sinto muito. – não sei o que devo dizer então apenas escuto – Nós duas erramos e vou responder por isso mais tarde, mas você irá para a sala do diretor agora. Você sabe o caminho?

Uma onda de raiva me invade, mas me contenho. Assinto e ela volta para a sala. Sigo os corredores até encontrar o principal. A sala de Martin fica no primeiro piso, no fim do corredor que dá acesso a sala de estar.

Ao me aproximar escuto uma grande quantidade de vozes como se estivessem em uma discussão calorosa. Quando chego da diretoria vejo varias pessoas sentadas na sala de espera, todos alunos. Eles estão discutindo, uns gritando e outros parecem querer brigar. Mey, a secretária está tentando acalmar a todos, mas ninguém está lhe dando ouvidos.

Olho ao redor e reconheço algumas pessoas, são quase todas do segundo ano pra cima. Avisto Valeri sentada emburrada no canto da sala. Ela está com suas típicas roupas pretas, os braços cruzados e encara todos com tédio, mas seus olhos parecem estar revoltados. Vou até ela e me sento ao seu lado.

– Oi. – cumprimento.

– Oi. – responde sem me olhar.

Olho para o outro lado e vejo quem ela está encarando. Do outro lado da sala tem uma garota que me parece familiar, mas não sei seu nome. Ela é uma Shark e devolve o olhar de Valeri na mesma intensidade.

– Dá pra vocês pararem com isso? – diz Mey, mas novamente é ignorada.

– Mey, não tem água nesse lugar? — a garota que estava encarando Valeri pergunta.

– É Mey, a piranha precisa de água. – Valeri diz, seca.

– Cala essa boca Gareth, ninguém jogou milho pra você. – a garota retruca.

Valeri se levanta em um pulo e serra os punhos. Suas veias dilatam como as da Sra. Filks e ela parece furiosa.

– Abra essa boca mais uma vez e eu acabo com você, agora não tem professor nenhum pra te defender. – Valeri diz entre dentes, consigo notar uma certa fumaça negra em volta de suas mãos e sei que ela está prestes a perder o controle.

– Mas eu estou. – Mey fica entre as duas – Seria ótimo se vocês sentassem e ficassem quietos, ia facilitar muito o meu trabalho.

– Pode vir Gareth, acha que eu tenho medo de galinha? – a garota Shark fala, ignorando Mey.

E essa é a gota d’ água. Valeri da um salto por cima de Mey, ainda bem que o teto é alto ou isso não acabaria bem. Mey corre até elas que agora estão brigando, sinceramente eu não acredito que estejam usando suas forças normais, pois Valeri joga a garota contra a parede com tanta força que é impossível ela não estar usando poder.

– O que é que está acontecendo aqui? – Martin sai da sala gritando.

Nesse momento Valeri e jogada de encontro ao vidro da porta de entrada. Ela cai no chão cheia de cacos de vidro e quando vai correr em direção a garota novamente, as duas são envolvidas em barreiras. Não quaisquer barreiras, Valeri é rodeada por uma barreira de luz e a garota Shark, uma de gelo. As duas caem de joelhos e depois se deitam no chão como se estivessem sendo drenadas, o que de fato está acontecendo.

Quando estão incapacitadas de ser qualquer ameaça, as barreiras somem. Martin respira fundo e fecha os olhos por alguns segundos, depois vai até elas. Ele ajuda Valeri a se sentar e Mey faz o mesmo com a outra garota.

Todos que antes estavam discutindo agora estão calados. Da sala de Martin saem duas garotas e três garotos, eles se retiram da diretoria.

– Hoje vocês tiraram o dia para me infernizar, é isso? Cada vez que eu saio dessa sala tem mais pessoas aqui e eu sou obrigado a ferir fisicamente duas alunas para que elas não se machuquem entre si. Não é isso que está sendo passado para vocês aqui dentro. Milhões de anos de história e é assim que vocês se comportam? Pensei que estávamos preparando heróis e não marginais. – ele suspira cansado – Mey leve a senhorita Brawn para a enfermaria. Valeri você vem comigo.

Ele ajuda Valeri a entrar na sala e os outros permanecem em silêncio, se dividem e sentam-se. Poucos minutos depois Mey retorna e parece satisfeita ao ver todos quietos. O zelador retira os cacos de vidro do chão e os que restaram na porta.

Passados mais alguns minutos escuto passos no corredor e uma voz que parece estar irritada. Um professor, o reconheço como o instrutor de combate dos Shadows, aparece com Blake e mais um garoto. Ele os segura pelas golas das camisetas e não parece nada feliz.

– Mais dois. Ótimo! – Mey diz sarcástica – Martin vai adorar vê-los aqui. Sentem-se.

Blake me vê, se senta ao meu lado com os braços cruzados e com uma cara nada boa. O professor assina alguns papéis e vai embora. O outro garoto está sentado do outro lado da sala brincando com o que parece ser um bolinha de sombras.

– Por que você está aqui? – Blake pergunta depois de alguns minutos.

– A professora me expulsou da sala. – respondo indiferente.

Ele me encara por alguns segundos, talvez tentando ver se eu estou brincando, mas quando chega a conclusão que é verdade da uma risada baixa.

– O que você fez? – pergunta ainda sorrindo.

– Nasci. – respondo.

– Como assim? – pergunta confuso.

– Nem eu sei. – respondo e rimos.

Escutamos um barulho do outro lado. O garoto que chegou com Blake derrubou uma vaso da sala e espalhou terra no chão branco. Um garoto Lutun que está parado encostado na parede, faz com que a terra volte para o vaso e o coloca no lugar, recebendo um sorriso sarcástico do garoto culpado.

– Idiota. – Blake resmunga ao meu lado.

– E você, o que fez para estar aqui? – pergunto.

– Digamos apenas que eu não gosto de pessoas que mechem com o que é meu. – responde com uma expressão irritada – onde está a Valeri?

– Na sala do Martin. – respondo.

Ele assente e fica calado. Nenhuma palavra é dita na sala depois disso. Mais alunos chegam, realmente as coisas não estão boas hoje. A grande maioria é das turmas dos segundo ano, me lembro de ter visto eles na aula de combate com Max e Lilian.

Quando Martin finalmente sai da sala, fica mais irritado com a quantidade de pessoas. Valeri parece cansada, mas está melhor do que quando entrou. Ela é dispensada e Martin me encara por alguns segundos, então aponta para sua sala.

– Não esperava ter que ver você aqui tão sedo. – ele diz depois de sentarmos.

– Nem eu esperava vir aqui. – resmungo.

– O que aconteceu? Só não me diga que foi briga, porque eu soube do seu ocorrido com a Patrícia Slater no corredor do segundo andar e sinceramente eu não quero descobrir que foi sua culpa. – ele fala rápido e parece realmente preocupado com a minha resposta.

– Não, não tem nada a ver com esse “incidente”. – respondo me irritando um pouco, provavelmente foi que Blake que contou a ele – Eu estou aqui porque fui expulsa de sala.

– Mas já? – ele parece incrédulo – por que?

– Discuti com uma professora e peço desculpas por isso, eu fui longe demais, deveria ter ficado quieta. – respondo.

Estou arrependida de verdade, não devia ter continuado a discussão. Tudo bem que a professora teve sua parcela de culpa, – ainda me lembro da sua expressão depois de lançar o raio – não entendo toda sua raiva e o fato de que aquela descarga elétrica teria me matado sem dúvida alguma, ainda me causa arrepios.

Martin me encara cansado, como se já soubesse que isso iria acontecer desde o inicio. Ele suspira profundamente e pergunta:

– Qual o nome da professora?

– Não sei o nome dela, conheço-a apenas como Sra. Filks. – respondo.

Martin não parece surpreso e sim desapontado. Talvez a senhora Filks seja assim e ela já esteja acostumado com tal comportamento, ou, qualquer outra coisa parecida. Ele demora alguns minutos para voltar a realidade, perecia estra vagando muito longe dessa sala.

– Muito bem. – ele diz por fim e olha o relógio – ainda faltam vinte minutos até o próximo tempo, então, você está liberada, mas eu gostaria de pedir um favor.

– Claro. – digo.

– Tenho muitos alunos aqui e Mey está ocupada, ficaria muito grato se você passasse na enfermaria e pedisse para a Amanda vir para minha sala. – ele fala cansado.

– A garota que brigou com a Valeri? – pergunto.

– Sim e peça ao senhor Adreotti que entre junto com outro rapaz. – assinto e sigo para a porta –Espero não te ver tão sedo aqui Thais.

Concordo com ele e entro na sala de espera, digo a Blake para entrar junto com o garoto que descubro se chamar Mathew. O caminho até a enfermaria não é difícil, apenas tenho que seguir o corredor principal até a cantina, subir até o segundo andar e aqui está, a porta da enfermaria. Existem dois caminhos que conheço até aqui, o primeiro, é saindo do prédio e dando a volta na cantina até a entrada principal que fica no campus. O segundo, é subindo até o segundo andar, onde tem uma porta que dá acesso ao prédio.

Pego o elevador dos Sharks. Ele continua exatamente como me lembro, azul e branco com o símbolo entalhado. É bem mais fácil identifica-lo aqui, são três ondas dentro de um círculo.

A enfermaria está movimentada, vários enfermeiros correm de um lado para o outro. Poucos quartos do corredor principal estão vazios.

Sigo até a área se ferimentos leves, onde fui com Blake na minha primeira vez aqui. Tem umas dez pessoas na sala, fora os médicos. Austin está aqui, sentado em um dos cantos da sala com uma agulha no braço. Amanda, está no meio da sala e parece melhor do que quando saiu da diretoria. Jane é quem está cuidando dela.

– Oi. – digo ao me aproximar.

A garota me encara com uma expressão estranha e ela me parece familiar, mas não me lembro quando a vi e nem com quem. Jane se vira ao escutar minha voz e sorri abertamente.

– Olá querida, o que aconteceu? Você está machucada? Caiu em outro corredor? – pergunta sarcástica.

– Não, eu estou bem. – respondo rindo, mas fico séria quando falo com a garota – Martin mandou você ir a sala dele.

– Virou pombo correio agora garota? – Amanda pergunta debochada.

– Modos senhorita Brawn, Thais está aqui fazendo o favor de falar com educação, então faça o mesmo e vá até o diretor, não aja como se não fosse merecido. – Jane diz de cara feia.

– Obrigado. – Amanda fala com um sorriso falso e se volta para Jane – e Jane, antes de falar de mim, saiba que sua garotinha também estava lá, Martin não a encontrou por acaso.

Amanda se levanta e segue para fora da sala. Jane a segue com os olhos e depois se volta para mim.

– Longa história. – digo antes que ela faça a pergunta – já está resolvido, não se preocupe, não briguei com ninguém, fisicamente, foi só uma discussão.

Ela assente e da um sorriso, depois vai até outro aluno. Austin está me encarando do outro lado, ele não perece irritado, mas sim curioso. Vou até lá e sento na cadeira ao lado.

– Então ela te mandou vir aqui. – falo e ele assente ainda me analisando – olha, você pode ficar bravo por eu ter pedido que viesse, mas você estava mal e eu não sei qual é o seu problema em pedir ajuda.

Seus olhos castanhos me observam enquanto eu falo, mas não transparecem nenhuma emoção.

– Austin? – pergunto hesitante. – Seria legal se você dissesse algo.

Ele continua me encarando e aos poucos um pequeno sorriso aparece em seu rosto.

– Eu não estou bravo, seria idiota da minha parte. – ele diz – E você, está bem?

– Sim, por que não estaria? – pergunto, mas sei ao que ele se refere.

– Porque você poderia ter morrido a menos de uma hora. – ele sussurra – você sabe o que teria acontecido se Luana não tivesse parado o raio.

Assinto e novamente um arrepio percorre minha espinha ao me lembrar da sensação do raio próximo ao meu corpo.

– Eu não quero falar sobre isso. – falo encarando o chão.

– Tudo bem.

Ficamos em silêncio. A sala vai se enchendo mais e depois de alguns minutos só sobra a cadeira em que estou, se chegar mais alguém vou ter que sair. Jane cuida de vários ao mesmo tempo, sempre com o sorriso e uma gentileza incrível. Quando nota que ainda estou aqui, vem em minha direção curiosa e sinalizo com a cabeça em direção a Austin. Ela sorri e checa uma máquina ao lado dele.

– Muito bem senhor Clarck, você está bem agora. – ela retira a agulha de seu braço – Não sabia que são amigos.

– Somos da mesma sala. – falo pegando um algodão para Austin colocar no braço.

– Ela me convenceu a vir aqui. – ele diz.

Jane nos olha desconfiada e depois me encara com um daqueles olhares que enxergam a alma. Odeio quando as pessoas fazem isso.

– Isso tem alguma coisa a ver com a sua visita a diretoria? – ela pergunta com os olhos semicerrados.

– Mais ou menos. – respondo desviando os olhos.

– Posso estar enganada, mas teve uma entrada no hospital no nome Windchest no seu primeiro dia aqui e eu soube que o senhor Clarck fez uma visita ao Martin neste dia por causa de um acidente com uma aluna nova. Tem algo relacionado ou é apenas coincidência? – ela pergunta curiosa.

Austin e eu nos encaramos. Parece que passou tanto tempo desde aquele dia que eu nem me lembrava mais da maldita flechada. Jane ainda espera uma resposta, mas agora sorri, como se o assunto a divertisse.

– Mais ou menos. – Austin responde e dou um risada sem humor terminando de limpar o sangue de seu braço.

Jane parece querer dizer algo, mas é interrompida por vozes vindas do corredor. Reconheço a voz de Max e ele parece muito irritado. A segunda voz também é familiar, mas não me lembro a quem pertence.

– Como assim em um hospital mortal? – Max diz mais irritado ainda – Você está doido? Isso pode comprometer muitas coisas.

Olho para Austin e ele parece tão confuso quanto eu. Esperamos que eles cheguem até a sala, mas a pessoa que a companha Max me surpreende, talvez porque eu imaginei que nunca mais o veria. Não que fossemos amigos, mas ele também estava naquele maldito ônibus, pensei que não tivesse sobrevivido. Parece que eu estava errada, mas o que ele está fazendo aqui?

– Max, o que houve? – Jane pergunta, atraindo a atenção dos dois para nossa direção.

Quando ele me vê também parece surpreso, provavelmente porque fui dada como morta. Quando Max vai responder o corto, mesmo sem querer, acabo pensando alto.

– Caio?

Notas finais
Pessoas... Mais uma vez, eu gosto de comentários e de interagir com pessoas. Então, até o próximo capítulo. Beijos.