Elementary
24 Capítulo 24 - Eu Só Posso Estar Louca
Notas iniciais
Deixei as lágrimas de lado e me levantei as limpando com a manga da blusa.
– Não vamos treinar? — disse o olhando friamente.
– Acho melhor esperar você se acalmar.
– Não. — eu disse me virando pra ele — O melhor momento é quando nossas emoções estão descontroladas. Nunca sabemos quando seremos atacadas. Ou magoadas.
– Baixou a filósofa hoje?
– Estragou o momento. – disse mostrando a língua pra ele – Vamos logo Ryan!
– Eu to com preguiça. – ele disse curvando as costas.
– Eu mereço. – disse batendo a mão na parede e saindo do quarto – Quer fazer o que então?
Ele então sorriu para mim maliciosamente.
– RYAN! – Gritei dando um tapa na sua cara – SEU PEVERTIDO!
– Mas eu não disse nada. – ele falou passando a mão no local do tapa.
– Mas pensou!
– A maldade está nos seus pensamentos Lucy. – ele disse bagunçando meus cabelos como se eu fosse uma criança de sete anos – Agora vamos relaxar e assistir um filme.
– Estavam errados. – disse me sentando do lado dele.
– Como assim?
– Me disseram que você era o aluno mais dedicado daqui.
– E eu sou.
– Não parece. – falei desligando a TV e saindo da cabana – Seja como for, vou treinar meus poderes de água no lago.
– Já vai tarde.
Fechei a porta e fui andando em direção ao lago. Me sentei nas pedras e comecei a fazer a água flutuar. Aos poucos comecei a fazer desenhos com elas e já estava brincando como ua criancinha fazendo um Cachorro-Água correndo com outros Cachorros-Águas.
Então me veio uma ideia na cabeça. Será que eu consigo fazer esse cachorros em tamanho real? Isso seria... Íncrivel!
Me levantei e tentei me concentrar, imaginando a forma dos cães aproximadamente do meu tamanho.
A única coisa que eu consegui foi um jato d’água vindo na minha cara. É, acho que isso não deu certo.
Deixei-me cair na água. Queria nadar um pouco. Comecei a boiar e olhar para o céu. Não existia mundo lá fora para mim. O que vivi ontem, hoje é totalmente diferente. Mesmo se eu não fosse a Escolhida, o fato deu ser uma Elementary muda totalmente minha concepção de enxergar o mundo. Como voltarei para casa, ver meu pai, sabendo quem é meu pai e mãe verdadeiro? Como eu vou voltar a viver minha vida normalmente, sem usar meus poderes em quem me aborrece? Meu lugar é aqui. Nesse acampamento. Nesse mundo. No meu mundo.
Esse troço de ser a Escolhida está me deixando muito depressiva.
Me levantei e fiz a água se secar no meu corpo e andei em direção aos campos de treinamento. Além de poderes, tenho que saber lutar com uma espada não é? Obviamente não peguei minha Katana, — iam me perguntar onde achei e eu não estou muito afim de dar explicações – escolhi uma espada qualquer e ataquei o bonequinho feito de madeira.
Pra vocês que falam que isso é moleza: não é! Principalmente quando esses bonecos são movidos a magia e ficam te atacando por todos os lados.
A algum tempo eu estava treinando, eu cai de joelhos cansada e ofegante. Me levantei vendo o boneco vindo me atacar e sendo destruído por uma bola de fogo, por um instante achei que era Ryan, mas vi melhor e era Luke, ele me olhou serio e eu não me mexi, logo vi Ryan correndo em minha direção.
– Você ta bem?
– Sim, Luke me salvou.
Ele me deu um beijo na testa, okay. Quem era esse ser e que merda fez com o Ryan? Me afastei e vi Luke vindo furioso em nossa direção, só sei que Ryan me empurrou e eu cai no chão, vi eles jogando bolas de fogo um para o outro. O que deu nesses garotos hoje? Eu tentei levantar, mas Ryan foi muito forte, o moreno jogou Luke no chão que jogou uma outra bola de fogo que atingiu o braço de Ryan, nesse momento eu levantei com dor nas costas e gritei:
– PAREM! – Eu estava nervosa e queria afogar os dois com a própria saliva, mas eu me controlei e fiquei mais calma. – QUE DROGA VOCÊS DOIS! PARECEM DUAS CRIANÇAS!
Eles pararam e eu coloquei a mão em cima do ombro de Luke, mas ele a tirou com brutalidade, foi andando. Me virei para Ryan e vi que seu braço estava sangrando.
– Ry... – Não consegui dizer, estava jorrando sangue no chão, fomos para a enfermaria.
Eu tive que ficar lá, vieram varias perguntas como: “Como ele se queimou? O que aconteceu? Você viu tudo?” Eu não sabia o que fazer e apenas falei:
– Se preocupem com ele.
Passaram-se algumas horas e eu entrei em seu quarto, ele estava deitado com o braço enfaixado. Eu fechei a porta em silencio e me sentei na cadeira ao seu lado, fiquei muito tempo em silencio, apenas fiquei olhando ele. Tomei coragem e me aproximei, minha mão pousou em seu cabelo castanho, eu o alisei devagar com medo dele acordar, eu me sentei na cama e fui devagar, percebi que minha boca estava quase tocando a sua, eu estava ofegante. Peguei sua nuca devagar e toquei os lábios dele com os meus, foi um choque, mas eu percebi que seus lábios estavam se mexendo, ele pediu passagem e eu concedi. Eu acho que estava ficando doida. Da onde tirei essa ideia?
Sua mão foi para meu cabelo que me trouxe para mais perto o que fez eu cair em cima dele, meus olhos estavam fechados, ele me puxava cada vez mais, quando o ar faltou eu me separei dele devagar e vi ele me olhando com um sorriso fraco, eu levantei e sai do quarto desesperada, eu estava quase caindo. Todos passavam e me perguntavam se eu estava bem, apenas sorria e balançava a cabeça, ás vezes até falava:
– Sim... Eu estou bem.
Eu corri para a floresta, dei um chute enorme na porta da cabana e me joguei no sofá ainda não acreditando realmente no que havia acontecido, eu me encolhi e olhei para o teto, fechei os olhos esperado dormir, torcendo para dormir para que ele não chegue e me veja acordada, comece a fazer perguntas como “ Posso saber por que me beijou?”, “Eu deixei?”, “Quem é você e o que fez com a Lucy?” .Eu acabei pegando no sono, acordei assustada e suada, ouvi um grito.
– SOCORRO! — Abri a porta e me deparei com uma cena um tanto... Estranha.
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