Elementares e as Cidades Secretas (Livro um)
2 O pior dia da minha vida - parte I
Notas iniciais
Tudo começa como sempre, é quase clichê em um dia como qualquer outro; o personagem principal encontra-se numa reviravolta infernal, mas não no meu caso; quando digo “quase clichê” é porque os meus dias não são tão normais como os outros “mocinhos” de outros livros... A maioria dessas coisas estranhas acontece no colégio em que estudo: Sempre têm que ter alguma briga de alunos rebeldes muito loucos, explosões, sequestros, terrorismo... Tudo acontece lá e ainda não sei como ele está intacto.
Chamam-me de Michael. Tenho estatura média, cabelos curtos, olhos verdes e sou magro; não muito depende dos dias — Às vezes me acho um bambu. Estudo no Colégio Secundário de Los Angeles, Califórnia, ele é enorme e sua fachada é... Você acreditaria se eu dissesse que nunca aprestei atenção?
Estudo no primeiro ano ensino médio; tenho quinze anos. Não sou muito inteligente, mas não chego a ser como outros que reprovam de ano umas quatro vezes no mínimo, sou o que podemos dizer... Uma pessoa de sorte.
Não tenho amigos — por opção, obrigado — mas por incrível que pareça não sou tímido, apenas não dou à mínima para os meus Colegas Zumbis — não só por causa de zumbis serem feios é que os meus colegas não têm cérebro também.
Dentre todos os meus Colegas Zumbis um dos que mais me tira do sério, pois sempre me nota e tira sarro é uma rockeira que sempre está envolvida com algo do tipo: VANDALISMO, quando ela não está escutando — Slipknot,Metallica,AC/CD– ou enforcando, queimando, batendo, em suas vítimas está enchendo minha paciência com apelidos. Eu, sinceramente, não me recordo do nome dela; acho que rima com mala... Lembrei! Chama-se Emme; mais conhecida como Emme mala — Um apelido feito com muito amo... Sarcasmo.
Todos os dias ela está vestida para algum velório, sempre de preto. É menor do que eu um pouco, mas não se engane com isso ela é mais forte que caras da minha idade — não que eu seja um deles... Acho — sua pele é clara. Cabelos longos e pretos com algumas mechas avermelhadas e olhos... Azuis, se não me engano. A maioria das suas roupas é jeans com rasgos, coturnos desbotados e uma blusa com desenhos de caveiras.Outro que me tira a tranquilidade é um futuro gênio chamado Pedro, muito egoísta e falso. É descolado, diferente dos demais nerds, e muito hipócrita, do meu tamanho mais ou menos, olhos e cabelos pretos; se veste muito bem, e sem dúvidas, o mais popular, porém não serve como amigo é muito traiçoeiro. Resumindo ninguém serve para ser meu amigo — deixei de ter esperança depois que confiei em um miserável denominado Ian e ele desapareceu sem nem me dar notícias... O melhor é que nem me lembro dele.
Como todo dia, tenho que acordar bem cedo para ir ao colégio. Pego um ônibus até chegar a Colégio Secundário de Los Angeles, como todo dia normal — que no meu caso o dia normal era sempre aquele anormal — mas nesse dia tudo estava quieto minha mãe não me acordou aos berros gritando Acorda Michael vai perder aula, você não quer nada com a vida garoto? Pelo contrário acordei sem toda essa gritaria... O meu dia estava começando bom de mais até tive tempo de tomar café da manhã que é impossível. Peguei o ônibus andei alguns quarteirões e enfim cheguei ao colégio, novamente atrasado. O sinal já avia soado e tive que esperar para a segunda aula na secretaria. E lá estavam meus piores inimigos atrasados também; Emme mala e o Projeto de gênio sentados no final da secretaria e para minha sorte só havia um lugar vazio. Ao lado deles.
Na secretaria tinha de tudo um pouco, os grandes armários pareciam uma biblioteca mundial, contendo livros de todos os jeitos e uma grande mesa cheia de documentos que pertencia à secretária — que parecia aquelas feiticeiras medievais de cabelos grisalhos e roupas longas cor de violeta — uns cinco cadernos ao lado do telefone e um vaso com tulipas no canto superior da mesa. E no final bem no canto da parede meus “melhores amigos” — Emme mala e o projeto de gênio.
— Olha, olha, olha... Nosso querido homem bambu acaba de chegar... E atrasado — Eu poderia não ter tomado café da manhã e ir para a escola. Ao menos não teria escutado a idiotice que Emme Mala falou.
— Se você ainda não percebeu, nós três estamos atrasados.
Pedro soltou um sorriso sarcástico e falou:
— Não ligue para Emme, ela é muito implicante!
— Sério? Não diga – disse eu ironicamente. – Também sei que você não é nem um pouco falso.
— Seu idiota — Pedro se levantou para me dar um belo soco — Você vai aprender.
— Pedro — disse a Mala — você não vai estraçalhar o Homem Bambu, é a minha diversão nesse inferno.
— Hora Pedro vai deixar a Mala mandar em você?
Não sei em que estava pensando. Discutir com os dois idiotas; geralmente não ligava para o que eles falavam.
— Quer saber, seu imbecil — Emme Mala falou insultando-me — Iria ser bem legal se Pedro desse uma surra em você!
Na mesma hora que Pedro avançou igual um leão em cima de mim o sinal soou, me senti como se nunca tivesse brigado, aquela adrenalina corria em meu sangue e eu não podia usá-la. Eles me empurraram e foram andando para sala — não sei como, pois os corredores pareciam formigueiros humanos com formigas que correm de um lado para o outro. Ao chegar à minha sala de quarenta e cinco alunos sentei na ultima fileira, aquela na qual só sentavam os não tinham nada para fazer.
A sala de aula era bem grande, o piso de madeira, o teto de gesso e uma enorme estante de livros ao lado esquerdo da parede, era bem ventilada tinha umas quatro janelas de vidro bem grandes e abertas localizadas na parede de traz da sala dando vista para um jardim e quadras de esporte, tinha muitas árvores e plantas; um parquinho para os alunos mais novos e assentos para os alunos em geral.
Era aula de biologia do professor Beckman. Eram bem legais as suas aulas práticas tínhamos que abrir sapos, aves, ratos era a única aula que me interessava. Porém naquele dia ele preferiu usar o livro, a coisa mais chata do mundo:
— Abram o livro na página duzentos e cinquenta e seis, o assunto é; Doenças Genéticas!
— Que ótimo professor! É bom saber quando temos problemas genéticos! — Emme mala falou entre gargalhadas olhando diretamente para mim.
— Essa foi boa minha grande amiga Emme! — Pedro falou gargalhando com o resto da sala.
— Emme se eu fosse você escolheria melhor meus amigos – adverti — Você poderia escolher amigos leais.
— Parem! Estou vendo que não estão para estudar hoje! — o Sr. Beckman gritou.
— Só hoje não professor Beckman, sempre! – disse algum miserável que jogou a culpa em mim.
O professor Beckman deu passadas até minha carteira e disse:
— Sr. Brass se não quiser sair da minha sala sugiro, que cale a boca.
— Tudo bem professor minha boca vai ficar fechada a partir de agora.
— Tudo bem — perdoando-me, o professor Beckman voltou ao quadro — continuando a aula...
Bem, o Sr. Beckman tinha um coração bom, ao contrário dos outros professores — lembro-me uma vez em que me meti numa enrascada quebrando o vidro da diretoria. Somente ele me viu fazendo essa traquinagem e não contou a ninguém. Dias depois a diretora acabou colocando a culpa em outro aluno, que foi expulso. Eu consideraria injustiça se eu fosse justo, então fiquei muito feliz por ele ter levado a culpa. Mas não recomendo essa falta de justiça a ninguém eu sou um caso perdido da natureza. — Ele era de estatura mediana, um pouco acima do peso, pele morena, sofria de calvície e as poucas mechas de cabelo que lhes restavam eram castanho-escuro. Sempre usava um suéter azul marinho com listras brancas, calças e sapatos sociais pretos.
Na parede de frente para os alunos ficava o enorme quadro, e só de vê-lo senti náuseas, pois me lembravam as monstruosas equações da Sra. Coten, que nunca pude entender, ela se esforçava para explicar, mas não conseguia entender nada. Na mesa do professor ficavam livros e mais livros, provas e boletins. Nunca recebi nota vermelha, não sei explicar, acho que na hora da avaliação eu era outra pessoa, parecida com o projeto de gênio, e isso me dava calafrios só de pensar.
Estava na página duzentos e cinquenta e nove. O Sr. Beckman ensinava o tema com agilidade e clareza; aquela parte do livro falava sobre Respiração celular aeróbica, um assunto muito cansativo, mesmo com a perspicácia do professor. O dia estava sendo muito tedioso e ainda era só a segunda aula. Não tinha nada para fazer, então encostei minha cabeça no meu enorme livro falando sobre a Respiração celular aeróbica e imaginei que estava na minha cama aconchegante. Era como as letras do livro estivessem cantando canções de ninar para mim as mesmas canções que minha mãe cantava quando era menor. Adormeci.
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