Notas iniciais
#Demorou mas, chegou!!! #Desculpem a demora :3 #Leiam e gostem u.u

Estávamos exaustos, só queríamos voltar para casa. Já era tarde e com certeza minha mãe iria me interrogar. Peguei um ônibus lotado e sentei na última poltrona, estava esgotado então é de se esperar que cochilasse alguns minutos, dessa vez não sonhei com nada de estranho. O ônibus parou um pouco longe da minha casa e ainda tive que andar alguns quarteirões.

A fachada da minha casa tinha cor branca. O jardim que possuía as mais variadas flores e plantas serpenteava até a varanda que possuía grandes cadeiras de madeira jazidas ali desde o tempo da minha avó. Uma casa bem legal, na minha opinião. De longe podia ver a janela do meu quarto, no andar de cima, fechada desde sempre. Entrei.

Minha mãe estava deitada no sofá assistindo televisão. Ela era muito jovem com seus trinta e cinco anos, cabelos pretos e longos, olhos e pele clara, um tanto baixa. Trabalhava em uma empresa de empréstimos.

— Você está bem querido? – minha mãe levantou-se e me deu um abraço.

— Porque não estaria? — perguntei tenso.

— A secretária do colégio ligou para mim — ela respondeu. — disse que sua sala foi atingida pela tempestade. Por sorte ninguém se feriu.

Uma notícia boa: todos estavam bem e voltaram ao normal.

— Não haverá aula até que reponham as janelas quebradas.

Outra notícia boa!

— O que você está assistindo? — perguntei para mudar de assunto e não mostrar meu entusiasmo.

— O jornal — ela respondeu. — estou muito preocupada com esse tempo, as tempestades e os ventos estão muito fortes, os meteorologistas temem a possibilidade de um tornado ou coisa parecida.

— Entendo — encerrei a conversa para evitar mais perguntas e fui ao meu quarto.

Não podia contar para minha mãe o que acontecera naquele dia. Ela me chamaria de louco e me faria tomar remédios ou me jogaria em um hospício. Subi as escadas e fui para meu quarto pensando no que houve naquela tarde, não conseguia acreditar que aqueles sinistros de preto me perseguiram como se eu fosse um criminoso. Não entendi o que aconteceu. Seriam os pais do aluno cuja cueca puxei uns anos atrás? Com toda certeza, não, pensei.

Chegando ao meu quarto, observei a laca de “NÃO ENTRE SEM PERMISSÃO” que estava colada na porta. Mesmo assim, pensei, minha mãe tem o hábito de ignorá-la. O quarto não era nem grande nem pequeno, um abajur repousava sobre a escrivaninha ao lado de cama. Paralelo a ela, um guarda-roupas e uma cômoda. O quarto era bagunçado, mas não dava para considerá-lo um aterro sanitário, admito que uma boa parcela na bagunça era minha. Mas dava viver um bom tempo nele — sem nenhum problema.

Entrei e sentei na cama, a porta se abriu novamente e minha mãe entrou.

— Meu bebezinho não está com fome? Mamãe vai preparar um gostoso sanduíche para meu melhor filho!

Claro que eu era o melhor filho, ela não tinha outro! Odiava quando ela me tratava como uma criança de oito anos,

Ela continuou falando e eu fiquei calado, encarando-a. Já sabia que ela ia ficar um bom tempo no meu quarto. Falou mais alguma coisa sobre ter que comer verduras e saiu. Estava exausto, pisquei os olhos pesados umas quatro vezes e dormi.

Estava em uma caverna fria e escura. Da caverna via uma imensa floresta com árvores estranhas que pareciam ser de outro planeta. Quase ao meu lado uma fogueira crepitava. Sentado em uma pedra mais adiante, alguém, um homem talvez, estava de costas para mim.

— Você veio! — A voz dele ecoou por toda caverna.

— Como você sabia que eu viria? — perguntei assustado. — Eu não te conheço. Quem é você?

— Como você não me conhece? — ele se levantou virou e deu um passo para mais perto de mim — Eu sou seu pai!

— Meu pai? — quase ri. — Minha mãe disse que ele já morreu.

— Sim. Eu estou morto. Fui morto.

— Por quem? — indaguei nervoso. — Como você pode ser meu pai? Como você pode estar morto e falando comigo?

— As trevas me mataram. Isso é uma mensagem, filho. Os dias ficaram mais difíceis. Tome cuidado e confie em seus amigos.

— Qual é seu nome? Quem são meus amigos?

— Meu nome é Charlie.

— Quem foi que te matou, pai?

— As trevas, mas não me arrependo morri para salvar você e...

— Vocês estão aqui! — falou a mulher sombria, a mesma que perseguira a mim e aos meus amigos.

Quase fiquei doente de medo. Minha pressão arterial ficou altamente mortal, meu coração estava cavalgando, estava tremendo.

— Você não vai machucá-lo, Diana.

A mulher maligna chamada Diana foi para cima de meu pai e lhe deu um soco, o que fez o mesmo cair no chão. Sua voz saiu aguda e meu pai virou fumaça, desaparecendo.

— Agora você é meu, garoto!

— O que você quer comigo?

— Ora, não percebeu?

Diana pulou sobre a pedra — onde meu pai estava sentado. — Me espremi contra a parede querendo afastar-me dela, mas ela chegava mais perto.

— Isso não é real — falei fechando os olhos para tentar despertar do maldito sonho.

— É ai que você se engana! O espírito de seu pai tentou comunicar-se com você através do sonho. Rastreei o espírito dele e descobri que ele tentava se comunicar através de uma mensagem mental. Com isso, eu entrei na sua mente. No seu sonho.

— Eu vou te matar! — ameacei-a cerrando os punhos.

— Um dia terá chance para isso. — sua voz soou irônica. — Hoje tenho a chance de te matar, mas infelizmente não posso.

Senti-me aliviado.

— No entanto, posso te machucar.

Quase desmaiei naquele momento — no meu próprio sonho — Diana mostrou-me suas unhas podres e elas cresciam rapidamente.

— Pode me machucar em meu sonho. Não vai passa daqui.

— Será que você não entende? Isso não é um sonho qualquer, seu pai se arriscou. Só se pode mandar uma mensagem mental através de um sonho se o destinatário estiver vulnerável fora e dentro da mente, que é seu caso.

— Então?

— Eu posso te ferir aqui e quando acordar estará ferido no mesmo lugar. Simples, não?

Diana pulou, agarrou meu pescoço e me enforcou. Com a mão livre começou a arranhar meu braço esquerdo com suas unhas que precisavam urgentemente de uma limpeza — estava me sentindo no filme do Freddy Krueger, só que mais real — o corte profundo vertia sangue, que descia por meus dedos e pingava no chão. Eu Gritava desesperadamente, mas a gargalhada de Diana era a que mais ecoava pela caverna.

— Michael! — era a voz da minha mãe.

Acordei assustadíssimo, suado e a dor em meu braço era quase insuportável. A luz entrava pela janela e minha mãe estava encostada no batente da porta.

— Está na hora Michael, vai se atrasar para o café.

— Estou indo mãe, ainda vou tomar um banho — respondi com um sussurro.

— Então está bem —- Ela respirou alto.

Minha mãe fechou a porta e saiu. Olhei para o lençol que estava todo manchado de sangue. Desenrolei-me dele e vi cinco cortes, causados pelas unhas daquela vadia. Fui correndo tomar banho, a água bateu nos cortes e segurei-me para não gritar. Não eram tão profundos, mas arderam como se fossem. Vesti uma camisa de manga para que minha mãe não percebesse o meu acidente e desci até a cozinha para tomar café da manhã.

Minha mãe estava sentada à mesa, tomando seu café. Sentei-me e comecei a comer, estava realmente com muita fome. Poucas vezes acho a comida da minha mãe realmente boa, mas dessa vez o café da manhã estava divino. Contudo a comida não conseguia me desfazer do havia acontecido no sonho.

— Mãe, qual era o nome do meu pai? — perguntei intrigado.

— Como? — Ela quase engasgou.

— Quero saber o nome do meu pai! Eu preciso saber — exigi rispidamente.

— Meu filho, você nunca se interessou pelo seu pai...

— Mudei de ideia, quero saber tudo sobre ele. – A interrompi, o que me pareceu um tanto arrogante.

— O seu pai morreu faz alguns anos. Porque você vem com essa pergunta agora? E este assunto está encerrado. — ela falou nervosa

— Não pra mim. Eu tenho direito, Sra. Katty Brass, de saber quem foi meu pai! — dei um soco na mesa, assustando minha mãe.

Levantei-me da mesa e subi as escadas rumo ao meu quarto, estava no meio do caminho quando ela falou o nome.

— Charlie.

Eu desci depressa as escadas e olhei para minha mãe, incrédulo.

— Como?

— O nome do seu pai é Charlie. Não era isso que você queria saber? Satisfeito? — ela parecia um pouco irritada.

— Não pode ser! — falei comigo mesmo, impressionado.

Então era mesmo o espírito do meu pai que tentara falar comigo no meu sonho.

— E como ele morreu?

— Estávamos passeando no parque e você ainda era um bebê, quando, de repente, um casal de preto apareceu, começou a falar coisas estranhas e então o seu pai me mandou correr o mais depressa possível, enquanto ele discutia com o casal...

— O que aconteceu depois?

— Não sei... Não olhei para trás. Quando vi o primeiro guarda gritei por socorro, mas quando voltamos Charlie estava caído no chão, morto. Algo tinha o acertado no peito, pois ele tinha uma enorme abertura. O seu coração estava à amostra.

Fiquei totalmente calado. Sabia que o casal era Diana e seu companheiro.

— O que os policiais disseram?

— Eles não tinham tanta certeza do que havia acontecido naquela tarde. Mas chagaram a conclusão que Charlie tentou se defender e acabou levando vários tiros no peito. O mais intrigante é que os supostos tiros foram acertados exatamente no mesmo lugar.

Com toda a certeza não era possível que vários tiros fizessem um buraco no peito de meu pai. Os policiais chagaram a essa conclusão porque não sabiam o que realmente havia acontecido.

– Vou subir para meu quarto. — estava triste por saber que meu pai havia morrido para me proteger.

– Filho – minha mãe me olhou tristemente, segurando as lágrimas – Ele morreu pra nos salvar.

Não falei nada, não poderia. Estava cheio de informações e emoções perdidas. Mas de uma coisa eu sabia: Charlie Brass morrera para me salvar e os idiotas que o mataram iriam pagar muito caro por isso.

Notas finais
#Dependendo do gosto de vocês eu posto rápido o outro capítulo ^^ #Até mais! Bons leitores...