Notas iniciais
Olha ai um Cap! Boa Leitura!

HECTOR

Saltei do ônibus já no final da linha, não queria correr o risco de ser pego na zona Norte, mesmo achando que é impossível eles me procurarem por lá é melhor me precaver.

Sai andando pela cidade já quase deserta, se passava das oito da noite e nessa época de crimes ninguém saia ao escurecer, principalmente na cidade do ar, onde todos gostavam não sei por que do Sol.

Segui na Rua até um ponto de moto táxi onde eu por incrível que pareça encontrei gente a trabalho.

Paguei a viajem até a zona Norte, que por sinal não ficava muito longe daqui.

Após dez minutos de viajem cheguei próximo ao meu destino e segui o resto do caminho a pé. Fico andando por volta de cinco minutos até chegar em frente a uma mansão enorme rodeadas por seguranças, que ainda não me viram pois eu estava do outro lado da Rua escura.

Dou a volta passando direto na frente da casa como se não me interessasse. Chego no lado da casa e observo que não há seguranças, o que é uma boa brecha.

Noto o alarme e a cerca elétrica e vejo que não dá para escalar o muro. É quando noto uma árvore mais a diante próxima ao mesmo.

Chego perto da árvore e vejo que há um jeito de pular o muro. Escalo a mesma em um minuto, e ao chegar no topo posso ver que por dentro não tem seguranças, nem sistema infravermelho.

Sabendo que é seguro pulo da árvore e com todas as minhas forças atravesso o muro quase rasgando a barriga no sistema elétrico, logo caindo com uma cambalhota no gramado da casa de Fleuton.

Sigo pela lateral da casa e vejo pela porta de vidro da cozinha Fleuton jantando com sua família feliz.

Pego uma pedra e jogo na janela, chamando a atenção de todos para fora, só que eu estou em meio aos arbustos do Jardim e só Fleuton me vê.

Faço um sinal dizendo que estou esperando em seu escritório e sigo por entre os arbustos, logo escalando uma parede que por sinal parecia mais uma parede de escalada do que a de uma casa de luxo, e adentro o escritório, me sentando em uma cadeira a frente da mesa.

Não demora muito e Fleuton entra no local, seguindo em frente rumo a sua poltrona, no caminho pegando um Whisky

— Como entrou aqui? — Pergunta ao se sentar em minha frente.

— Eu lhe aconselharia a aumentar sua segurança, foi moleza pular o muro lateral utilizando-se da árvore como escalada e pulando para dentro de seu jardim — Explico, analisando o escritório.

— Você podia ter pedido permissão no portão, dito que queria falar comigo e eles me chamariam — Fala tomando um gole de sue Whisky.

— Mas não teria e não teve a mesma graça de invadir aqui, e foi moleza!

— Tá, vamos direto ao ponto: O que veio fazer aqui? Já conseguiu pegar o Bandido? — Questiona, mudando de assunto.

— Na verdade eu tenho uma má notícia — Digo.

— E que mal notícia é essa?

— Você deve ter visto no jornal local de hoje que foi encontrado morto um mendigo ontem na zona Sul, não é? — Início o assunto.

— Sim eu vi, mas o quê que isso tem a ver? Só foi mais uma das mortes! — Fala como se não fosse nada, ele está agindo naturalmente.

— Só que ontem eu peguei ele como testemunha. Ele estava no beco onde ouve o assassinato de Glauco naquele dia, ele me deu informações importantes, e no outro dia pela manhã, no caso hoje quando eu fui ver o jornal me deparei com a manchete — Explico, deixando ele intrigado.

— Você está querendo me dizer que...?

— Que foi queima de arquivo, e agora eu tenho certeza. Ou ouviram eu falando com ele ontem ou ele comentou que falou comigo pra alguém, pois hoje de manhã assim que eu vi a manchete tentaram invadir minha casa, eu consegui escapar, mas por pouco não era pego — Falo tudo olhando em seus olhos e vendo cada uma de suas reações de surpresa a cada palavra que digo — Eles sabem quem eu sou, e estão atrás de mim, e daqui a pouco será de você também, se é que já não estão.

— Pera ainda, você disse eles?

—Sim, hoje não foi uma pessoa que invadiu minha casa, mas sim uma gangue, cerca de dez pessoas. Eu estava escondido e pude ouvir alguém dando ordens e outros obedecendo — Esclareço — O Forasteiro não é um, mas sim um grupo.

Vejo um misto de dúvida, ódio e surpresa em seus olhos, mas nada digo, só espero sua reação.

— Você vai ter que encontrar eles antes que eles nos encontre, você tem que ser mais rápido, temos que acabar com essa gangue!

— Eu não faço ideia de como isso pode acontecer — Digo — Eles podem estar em qualquer lugar nesse exato momento, tentando me encontrar, e se continuar assim eles irão conseguir. Já eu não tenho ideia de seu paradeiro, é como achar uma agulha num palheiro, eu mal sei como eles são!

— Eu lhe contratei pois achei que era eficiente, mas pelo visto devo ter me enganado.

— Olhe bem como fala comigo, eu estou fazendo meu serviço muito bem, mas já lhe disse que não encontrarei eles antes que eles me encontrem, se não está satisfeito então que vá procurar outro para desvendar o assassinato de seu irmão — Pronuncio irritado, quem ele pensa que é para me tratar assim?

— Olha seu moleque pulador de murros, você não ouse levantar a voz para mim. Eu nem sei onde eu estava com a cabeça no momento em que aceitei você nesse cargo, uma criança irresponsável e sem moral! — Grita se levantando da mesa — Vá embora daqui, eu não quero mais os seus serviços! Sai.

— Você vai precisar de mim, e quando isso acontecer eu vou lhe mostra o que é bom de verdade, e quem é o moleque — Cuspi as palavras encarando ele cara a cara, logo me virando e pulando a janela, aterrissando no chão e seguindo rumo ao murro que eu havia pulado a pouco.

Quando cheguei próximo há ele vi um grupo de pessoas o atravessando, utilizando do mesmo método que o meu sincronizado, um atrás do outro.

Estavam atacando a casa de Fleuton.

Me escondi entre os arbustos e pensei no que fazer, eu tinha que pegar esses infelizes, só que quando eu vi mais um grupo de cinco vir e em seguida mais dois eu percebi que não tinha chance.

É, pelo visto eu não poderei cumprir com a promessa que eu fiz a Fleuton, afinal ele não vai depois de hoje nem sequer respirar, quanto mais pedir minha ajuda.

Com esse pensamento dou a volta no Jardim e pulo o outro murro, pegando o caminho por entre o condomínio disfarçadamente.

Só tinha uma pessoa a qual eu poderia confiar agora, e eu preciso encontrar com ela.

Notas finais
O que acharam?