Electric Heart

4 Está insinuando que eu trairei o Nico?


Notas iniciais
Hey cerejinhas, tudo bem com vocês? Espero que sim. Aqui está mais um capítulo da segunda temporada de Ice Heart, espero que gostem. Boa leitura!

POV- Annabeth

Entrei no meu quarto, caminhando em passos rápidos em direção ao banheiro, não tendo tempo para me acostumar com o fato daquele quarto estar exatamente igual quando eu habitava ele. Me apoiei na pia, respirando devagar, olhando meu rosto sujo de sangue graças a matança que tinha sido mais cedo e puxando a coroa recém posta em minha cabeça a jogando na pia.

— Isso é normal? – Ouvi a voz de Percy no quarto, questionando a alguém.

— Sim, ela está assumindo a forma de uma rainha, perdendo sua casca evolutiva para a aparência que ela vai ter nas próximas décadas até que ela passe a coroa e volte a envelhecer. – Minha mãe respondeu o moreno, e eu ouvi a porta do banheiro ser aberta. – Querida, tome um banho, vai ajudar. – Ela disse passando a mão de leve em meu ombro e eu assenti.

Novamente fiquei sozinha no banheiro, mas ainda conseguia ouvir Perseu batendo os pés no chão, provavelmente sentado na cama, ansioso, como se cada minuto que eu ficava trancada naquele banheiro o deixasse mais nervoso. Suspirei me sentindo meio mal, agora era rainha de um povo e ia leva-los a uma guerra que não pertencia a eles.

Me despi, ficando embaixo da água corrente que caia do teto, deixando que o líquido gelado se livrasse de toda a sujeira grudada em minha pele, fazendo o líquido vermelho que tinha respingado de todos aqueles que eu havia arrancado a vida fosse ralo a baixo, deixando o chão avermelhado pelo sangue de todos aqueles que ousaram me desafiar, aquela era uma imagem rotineira, tinha arrancado tantas vidas que era estranho agora me imaginar tendo uma coroa no topo de minha cabeça e não uma espada em minhas mãos.

A porta foi aberta de modo repentino me fazendo dar um pulo e quase cair de bunda no chão, mas as mãos do que abriu a porta me segurou e seus olhos verdes-mar estavam pasmos de surpresa.

— Você tá muito diferente, se não fosse seus olhos nem te reconheceria. – Jackson comentou me olhando e me ajudando a ficar de pé. – E claro, esse anel. – Ele falou pegando minha mão e olhando o anel em meu dedo, sorrindo.

Aparentemente ele não tinha se segurado do lado de fora o suficiente para esperar que eu terminasse de me banhar.

— Como assim? – Perguntei, me soltando por completo e caminhando em direção a um espelho de corpo inteiro que havia no quarto.

Meus olhos, que estavam mais cinza do que nunca, se arregalaram inevitavelmente ao ver meu corpo, ao me ver. Eu me sentia mais bonita naquela pele, mais assustadora, meus cabelos loiros pareciam bem maiores e eu não tinha a feição inocente que eu sempre tive, a aparência de criança que eu demorei tanto para desconstruir por aqueles que me cercam e que na verdade muitas vezes me ajudou a ganhar confiança de pessoas que não deveriam confiar em mim, para logo apunhala-las pelas costas.

Minha mão foi de leve ao meu rosto, meus olhos não desgrudavam de meu reflexo no espelho, a ideia de que nunca mais veria a minha antiga imagem e que agora essa seria eu, até que uma filha ou filho meu assumisse o trono e depois desse dia poderia viver normalmente, deixando que os dias passassem.

Uma batida suave na porta me despertou do meu transe e mais rápido do que eu, o moreno, pegou uma capa, colocando-a em meu ombro, tampando meu corpo nu e ainda levemente molhado.

— Pode entrar. – Disse me abraçando ao pano, olhando em direção a porta, contendo o impulso de retornar o olhar ao espelho e a nova eu.

— Filha, como tradição tem que ver o vidente, acho melhor se aprontar. – Atena falou, sorrindo, minha mãe olhou Percy por um breve segundo, identificando que eu estava nua por debaixo da capa, mas sem comentar nada voltou seu olhar para mim. – Estarei te esperando na sala do trono.

Com tais palavras ela saiu do quarto, fechando a porta atrás de si e me deixando novamente sozinha com meu noivo.

— Vidente? – Perseu perguntou, fazendo que de imediato meus olhos fossem a ele, arrancando-me uma risada suave.

— Uma cultura daqui, o povo acha que precisamos saber nossos futuros antes de governar, para sabermos o que vem por ai e eles acham que o vidente é uma boa escolha para isso. – Expliquei me livrando da capa decidida a me vestir.

Depois de um tempo analisando minhas opções, optei por algo mais minha cara, não era porque tinha me tornado rainha que teria que me vestir como uma, não era Bianca que tinha dragões para fazer o trabalho sujo para mim, eu costumava usar minhas próprias mãos e deveria estar preparada para o fazer a qualquer momento.

— Vamos. – Disse pronta puxando meu noivo pela mão.

— Já foi em um vidente? – Questionou o lobo passando o braço envolta do meu ombro.

— Já, mas eu era muito pequena, mal me lembro de como foi, me lembro que eu fiquei assustada quando entrei, foi a primeira coisa que eu vi sem ser o mundo perfeito que uma princesa deveria ter. – Comentei prestando mais atenção no caminho do que realmente em outra coisa.

Assim que entrei na sala do trono, minha mãe sorriu, indicando que era para eu a seguir. Não demorou quase nada para estarmos em frente a pequena casa, de madeira, um cheiro forte de ervas saia da casa que fazia com que eu quisesse espirar, mas sabia que não devia.

Mas aquilo parecia incomodar bem mais o Percy, que tinha o olfato bem mais apurado do que eu.

— Nós vamos demorar, se não conseguir manter o rosto de indiferença é melhor esperar aqui fora. – Atena comentou olhando meu noivo, que parecia prestes a ter uma crise alérgica.

— Tudo bem, não precisa ir comigo. – Disse e ele assentiu agradecido, se sentando em um tronco de árvore caído distante o suficiente para não morrer asfixiado pronto a esperar.

— Vamos. – Minha mãe disse indicando que era para eu entrar na casa.

Me lembrei imediatamente daquele lugar com todos os detalhes, a parede de madeira que aparentava estar podre e pronta para cair, os esqueletos humanos e de animais, pendurados na casa junto com o conjunto de panos dobrados e o homem vestindo uma capa, com o rosto completamente coberto, apenas seus olho branco quase brilhando de tão intenso por debaixo de toda aquela escuridão, velas espalhadas dando um ar sombrio a tudo aquilo.

— Sente-se Annabeth. – O homem disse apontando para uma almofada perto de onde ele estava deitado.

— Faz um longo tempo. – Disse obedecendo a ordem, arrancando a risada dele.

— Sempre gostei do fato de você falar, a maioria não tem coragem. – O vidente disse sem se mover.

Assenti, olhando minha mãe me deixar sozinha, como se aquilo fosse sigiloso, o que imaginava que fosse. Assim que ela sumiu por completo da casa o vidente retornou a falar.

— Nunca acreditou nos meus poderes, mas eu tenho que dizer o que eu vi, não posso reter para mim. – Ele falou me fazendo olhar em seus olhos.

— O que viu? – Perguntei sorrindo.

— Você veio decidida em seu objetivo quando invadiu esse reino, além de vingança precisa de forças, mas seu ponto de vista vai mudar e você vai ser obrigada a fazer jogadas que não se imaginou fazendo.

— Está insinuando que trairei o Nico? – Quase ri da profecia, mas não ousaria rir do homem a minha frente, pelo menos não em seu território.

— Estou dizendo que vi muitas curvas em seu caminho e que para escolher qual bifurcação seguir, vai fazer coisas que não imagina. – Insistiu. – Não estou insinuando nada, rainha, estou apenas deixando claro que muitas surpresas vão acontecer em seu caminho e não vai demorar tanto para começar a ser testada como certa para seu posto.

— Não tenho que ser testada, sou herdeira legitima e derrotei o rei, o trono me pertence. – Falei começando a me irritar com suas atitudes.

— E com esse pensamento levará a sua própria destruição. – O vidente disse ríspido. – Afinal tem um claro motivo para você ser comandante de batalha e o Di Ângelo governar, agora que tem sua coroa vai descobrir exatamente o porquê.

Quando novamente ia abrir a boca para falar o sino de alarme cortou minha fala, me fazendo levantar de sobressalto e fazer a reverencia ao vidente, esperando sua autorização, que rapidamente foi dada, de me deixar partir.

Sai da pequena casa, olhando direto Percy, que me tacou uma espada, vendo de relance os civis começavam a esconder.

— Aparentemente os aliados do antigo rei descobriram que ele morreu e que é uma garota que está no poder. – O líder dos soldados disse alto, descendo em minha direção pela escadaria do castelo. – Estaremos ao seu lado rainha.

— Claro que sim, matei metade de vocês sozinha e na intensão de causar menos mortes possível, imagine o que posso fazer com o desejo de matança. – Disse deixando minhas asas abrirem e que eu assumisse os céus, para ver o tamanho do exército que iriamos enfrentar e eu de automático engoli em seco vendo o que teria pela frente.

***

Meu braço doía com a quantidade de golpes que eu estava deferindo, ao contrário do que eu estava acostumada, as pessoas não pareciam me reconhecer como o anjo negro, talvez fruto da nova aparência, alguns pareciam se assustar quando eu tomava os céus e minhas asas negras, diferentes de todos ali chamava atenção, afinal o único anjo que tinha asas de tonalidade negra era a do exército do Di Ângelo.

Mas eles não hesitavam em me atacar, pareciam incentivados a tentarem provar que podiam me vencer, o que claramente não acontecia. Tentava ao máximo ver a situação em que as luta se envolvia, ver se tínhamos chance ou se aquilo viraria uma chacina.

Usava minha espada acima da minha cabeça, usando o cabo e a ponta de apoio, enquanto era empurrada para baixo pelo cara que tentava me ferir com sua espada. Senti um outro soldado vir por trás de mim, mas não tinha como soltar para defender minhas costas, contrai os lábios, sentindo meu braço tremer.

A mão foi para meu ombro no qual ele apertou com força, senti a ponta da espada na minha coluna, junto com a risada pela proximidade que vinha dele a mim, quando ele ia colocar força para a espada atravessar minha coluna, senti o sangue respingar nas minhas costas e vi. A surpresa estampada no rosto do da minha frente foi o suficiente para conseguir o matar, encravando a espada em sua garganta.

Me virei para ver que tinha me salvado, fazendo com que meus olhos se arregalassem.

— Chase. – O loiro disse sorrindo, matando um soldado oposto ao meu lado.

— Grace. – Disse com desgosto e ele assentiu, voltando a lutar.

Suspirei, precisava da ajuda daquele exército, infelizmente não conseguiria ganhar essa batalha sem a ajuda dele.

Na verdade não foi difícil ganhar depois que Jason Grace chegou com reforços, agora, o clima tenso estava no ar, se eu entrasse em uma batalha com ele naquela condições, perderíamos.

— Eu fiz o que fiz por sermos aliados de Atena, assim que ouvimos que o reino foi tomado por uma mulher imaginamos que alguém tentaria toma-lo para si, mas isso não significa que lutaremos do mesmo lado da próxima vez que nos vermos. – Jason disse encarando meus olhos.

— A menos que passe para meu lado Grace, nunca lutaremos novamente juntos. – Disse, mesmo me sentindo estranha, fazia tempos que não tinha tanta sincronia de batalha com alguém como eu havia tido com Jason hoje, e isso era estranho.

Ele riu de leve e assentiu, se aproximando de mim, esticando a mão em uma trégua temporária.

— Nos vemos no campo de batalha, Chase, sinto que seja em lados opostos. – Ele disse e eu assentiu suspirando.

— Até breve, Grace. – Falei apertando sua mão, em forma de agradecimento pela ajuda.

Vendo aos poucos seu exército começar a se retirar.

Notas finais
- O que acharam? — O que querem que aconteça? — Beijos e até!