Electric Heart
11 Confiança
Notas iniciais
POV- Bianca
Meus olhos vagavam pela mesa do mapa com os reinos, o barulho dos moradores voltando a sua vida normal depois da evacuação apressada devido a guerra entrava pela janela de maneira sutil, a neve tinha deixado de cair e o clima quente estava presente novamente e todos voltavam as suas rotinas normais, claro tentando ignorar os enormes dragões que sobrevoavam as vilas mais próximas protegendo a cidade.
O alfa na verdade era o único que não se movia muito, ficava deitado no telhado do castelo quase que o dia inteiro causando uma sombra agradável aos moradores, mesmo que um tantinho de medo os assombrasse com o fato dele poder decidir desobedecer a mãe dele e comer algum civil. Mas nada disso tinha acontecido até então.
A porta da sala se abriu e por ali passou Leo. Levantei o olhar e tentei não aparentar não estar nenhum pouco surpresa de como ele estava. Mesmo que tivéssemos feito as pazes e não tenhamos brigado novamente, parecia que fazia meses que eu não o via, ele simplesmente tinha entrado em movimentos para ajudar o reino, tanto em mecânica, quanto com o exército, apenas ouvia a porta do quarto sendo aberta a noite, enquanto pensava em estratégias de guerra ou simplesmente estava preocupada demais com tudo que estava acontecendo.
Leo parecia ter ganhado alguns músculos, e o seu nariz descascava devido a exposição continua do sol, seus cabelos estavam mais claros e cheios, bagunçados de qualquer jeito, ele se vestia como um camponês, mas andava armado e tinha o brasão de soldado pendurado em seu cinto.
— Pediu que me chamasse? — ele perguntou se aproximando calmo.
— Pediu sim — arrumei a postura — feche a porta, por favor!
O Valdez levantou uma sobrancelha confuso, mas obedeceu parando logo depois de frente para minha pessoa, todavia do outro lado da mesa.
— Então... — inqueriu, querendo ir logo ao assunto. Ainda éramos noivos?
— Meu irmão está fazendo uma manobra arriscada, ele decidiu confiar no Jason Grace que afirma está querendo tirar o pai do trono, queria perguntar sobre o que sabe dele, afinal passou anos andando pelo castelo de Zeus.
Leo assentiu, molhando os lábios e vendo um pequeno dragão andar até ele, se enrolando em suas pernas querendo carinho.
— Não duvido nada que o Jason traia o pai, do jeito que Zeus agia, principalmente com o filho, que sempre era submetido a treinamentos desumanos, pois ele queria que o filho se tornasse tão forte quanto sua primeira filha poderia ter sido naturalmente, Jason sempre foi revoltado com essas atitudes do pai, ele só nunca fez nada pois quando era menor não era forte o suficiente e quando cresceu tinha que se preocupar de que sua esposa não sofresse por suas atitudes... como se comunica com seu irmão?
— Vento — respondi, caminhando até a cadeira e me sentando com calma, ainda olhando a mesa — meu irmão controla o vento, ele consegue transportar sinal de fumaça por ele de forma que fique quase invisível, podemos nos comunicar assim.
— Eu não estou te evitando — ele colocou em pauta sem aviso prévio, fazendo com que meus olhos se desprendessem da mesa e fixassem nele.
— Então o que está fazendo? — perguntei sutilmente.
— Tentando me adaptar a essa nova vida, Bianca — sua voz transbordava cansaço. — Estamos a mais de um ano nesse período de guerra, “vivendo juntos” e me diz uma conversa em que a gente não tenha discutido
— O que quer que eu faça? — me dei por vencida, eu queria que aquilo funcionasse, mas eu não podia forçar esse relacionamento e com certeza não podia o levar sozinha, nem ele
— Nada, Bia, não quero que você faça nada, eu só preciso do meu tempo, ok?
Assenti, suspirando e abaixando o olhar para o dragão que dormia enroladinho no chão, junto com alguns ovos e mais três filhotes. Levantei o olhar ao sentir a mão calejada do Valdez segurar meu queixo com delicadeza, seus olhos fitaram o meu por alguns segundos antes dele se abaixar e selar seus lábios ao meu.
Um ato casto. Com sentimentos confusos, desesperados, aflorando no simples toque. Por um momento viu se perguntando como as pessoas de classe baixa estavam vivendo. A cada momento em que se passava a guerra parecia mais difícil, mesmo que fosse na maior parte alfinetadas, pois não tinham entrado em muitas batalhas corpo a corpo, parecia que o mundo inteiro estava prestes a explodir.
Ele se afastou, sorrindo minimamente. Aquele sorriso desconfortável, que na verdade tentava mostrar exatamente o oposto, que deveria reconfortar, dizer que está tudo bem, que vai ficar tudo bem, mas que no fundo a pessoa mesmo não sabe se isso é verdade.
— Eu te amo! — sua voz era suave, decidida.
— Eu também te amo! — respondi, desviado o olhar para a mesa.
Leo se afastou crispando os lábios e analisando a mesa.
— Vejo que teve sucesso em conquistar todo o lado norte do reino — o Valdez comentou, quebrando o silêncio que tinha se instaurado anteriormente.
— Sim, Annabeth está com Nico, mas ela deixou o Jackson tomando conta do reino dela e ele está tendo bastante sucesso em o fazer, já Poseidon fechou um acordo contratado com minha pessoa semana passada, os outros reinos menores já eram aliados do meu irmão, não reclamaram da troca de liderança...
— Vai mesmo continuar sendo rainha? Sabe, depois que a guerra acabar, seu irmão voltar para casa.
— Por que eu não continuaria? — questionei confusa, afinal eu deixar a coroa nunca foi uma opção.
— Ah... — Leo deu de ombros sem me olhar, claramente desconfortável — sei lá, só pensei que ele pudesse querer continuar como rei, exerceu esse papel por tantos anos.
— Não, ele não quer — mantive a voz mais impassível possível, afinal de onde ele tirou essa ideia? Mas também não queria emendar em outra briga desnecessária.
— Eu vou voltar ao trabalho, precisa de mais alguma coisa? —ele questionou mantendo a postura ereta e inexpressivo.
— Não, pode ir, nos vemos no jantar? — perguntei, ele nunca aparecia.
— Claro — assentiu, saindo sem olhar para trás, logo a porta fechou com um pouco mais de brutalidade do que o normal.
Suspirei cansada vendo o dragão que gostava do Leo correr desajeitado para tentar o pegar para pedir caricias, mas não chegou a tempo, abaixando o rabinho e olhando tristonho por onde ele tinha ido.
— Sinto muito filho, ele não está no melhor humor hoje — comentei e ele voltou correndo subindo em meu colo e se enrolando em formato de bolinha.
Acariciei as grossas escamas, tinha que voltar a planejar estratégias e principalmente tinha que avisar Nico sobre Jason.
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