Electric Heart
17 Batalha final
Notas iniciais
POV- Narrador
— Filha! — a voz de Zeus esbanjava surpresa, seus olhos estavam descrentes.
Thalia sentiu seu coração falhar. Por um momento todas as vezes quando criança que ela se perguntou o motivo dela não ter alguma família lhe veio a mente e agora essa família estava parado em pé a sua frente, com uma espada que basicamente tinha luz própria em mãos, vestindo um roupão digno de um rei, o cabelo loiro grisalho penteado para trás, a barba emoldurando seu rosto e o deixando com feições mais envelhecidas e os mesmos olhos azuis elétricos que cintilavam em seu rosto.
— Eu te procurei por tanto tempo — Zeus retomou a fala — sempre me perguntei o que aconteceu com você, vejo que estava com esse monstro o tempo inteiro.
— Não o tempo inteiro se te consola — Nico retorquiu tomando a frente —, desculpe atrapalhar o encontro de família, mas não estou aqui para unir vocês — o moreno levantou a espada apontando para Zeus com raiva — você decidiu levar essa batalha a diante desnecessariamente, agora teremos que dar fim a ela.
— Não teríamos que nos enfrentar se você se submetesse ao que eu disse, deixei claro tudo que eu queria e não era muito, mas mesmo assim você decidiu bater de frente com minha pessoa, tudo que aconteceu a você é bem feito...
— O que aconteceu a mim? — Nico riu descrente — nada aconteceu a mim, seus soldados foram lutar em uma cidade fantasma, logo depois de perderem os pequenos encontros, a única destruição que você acha que causou é de um grupo de bruxas clandestinas que eu mesmo iria ter que dar o fim mais tarde, então acho que tenho apenas que agradecer a você e sua tolice, agora vai morrer sabendo que fracassou em todos os pontos dessa batalha.
— Ou quem sabe quem morra seja você — Zeus levantou a espada, batendo-a contra a de Nico que sustentou o golpe.
— Isso é realmente necessário? —Thalia entrou no meio, sentia a água oscilar — Não podemos viver em paz? — a água acalmou, Zeus olhava a filha descrente — Qual o grande ponto dessas batalhas? De mortes atrás de mortes?
— O que está fazendo? — Nico questionou grunhindo.
— Principalmente o que está falando? — Zeus indagou descrente — Não sei qual criação você teve minha filha, mas precisa entender que sem poder não somos nada, precisamos mostrar a realidade a todos para que eles não tentem nada contra a gente.
— Como o Nico está tentando com você? — questionou baixo, a água tinha parado completamente, era apenas água.
Zeus a olhava em choque com o que a menina estava falando. Sua família era conhecida como a dona do poder, quando não estava causando terror, estava governando, uma ou outra eles eram ganhadores, eles dominavam tudo que eles queriam.
A espada de Nico se incendiou de súbito, Thalia saiu da frente fechando os olhos e ouviu a voz de seu pai em um ganido surpreso tomar conta do ambiente.
O fogo se espalhou pela manga do roupão, o sangue escorria da mão. Ele tinha segurado a espada, o olho fervia em raiva, a água ganhou dimensão mais rápido do que Thalia poderia raciocinar, não conseguiria distrair seu pai novamente, aquele deveria ter sido o golpe fatal.
A água chicoteou contra Nico, antes de uma onda tomar conta molhando a todos. Todo e qualquer fogo se apagou. O di Angelo tentou deferir mais um golpe, mas Zeus estava ligado completamente agora. Enquanto defendia com a espada também atacava com a água a sua volta, o rio agora batia com tanta força que até Nico conseguia ouvir quase o desespero dele tentando entrar no túnel para defender o seu mestre.
O som das espadas fazia com que Thalia se encolhesse, a água desesperada batendo em Nico impedindo que qualquer faísca de fogo se acendesse, alguns soldados das sombras apareceram, mas eles eram perfurados com facilidade pela água, a luz se apagava como se fosse esmagada e soterrada de imediato.
Thalia fechou os olhos e deixou que a eletricidade corresse por toda a água. O silêncio se instaurou. Zeus sentiu seu corpo inteiro queimar, a eletricidade era visível. Nico apertou com mais força a espada encravando-a no peito do homem a sua frente antes de seu corpo ceder e cair no chão com a constante eletricidade e cada parte do seu corpo estando encharcada.
O Rei também caiu para trás, o sangue manchando a água estática agora. Thalia correu até Nico se ajoelhando e o puxando para si, seu corpo estava cada vez mais fraco e pálido, mesmo ele tinha as marcas da eletricidade em contato com a pele.
— Filha... — a voz fraca de Zeus preencheu o silêncio.
Thalia o olhou, ela chorava e tremia ao mesmo tempo, ela não sabia como proceder, o que ela deveria fazer.
— Eu sinto muito — ele pediu, declarando baixo —, mas não posso deixá-lo viver.
Com o dito o rio rompeu, a água emundou tudo, a força com que ela atingiu, todos foram jogados longe. Thalia sentiu seu corpo bater contra uma pedra e mesmo assim a água parecia querer a empurrar com mais ferocidade para ela, a pressão era assustadora, ela sentia o líquido entrar por seu nariz e boca e apesar de queimar enquanto isso acontecia como Jason havia prometido, ela respirava.
Uma porta se abriu e deu mais espaço pra que a água se espalhasse, mas aos poucos ela sentiu a água sendo empurrada para o lado oposto, voltando por onde ela tinha vindo, até o túnel estar parcialmente seco.
O corpo de Thalia caiu contra o chão, ela tentava procurar Nico, ou até mesmo seu pai, mas o que ela viu foi Jason se ajoelhando ao seu lado tentando ver se ela estava bem.
— Nico! – a voz de Annabeth chamou a atenção de Thalia que viu a loira correr até uma massa jogada contra uma pedra.
— Me... — Thalia tentou falar, mas sua garganta ardia.
Todavia Jason entendeu o que ela queria, a ajudando a levantar e a levando até aonde Nico estava.
O moreno tinha batido a cabeça, sangue escorria da área e seu corpo não aparentava ter nenhum resquício de vida, estava inerte.
Thalia sempre deixou que as coisas que ela achava que deveria fazer a guiassem, então ela não tinha noção nenhuma do que estava fazendo quando se ajoelhou ao lado do corpo morto de Nico, mas mesmo assim seguiu sua intuição, intuição que a tinha mantido viva por tanto tempo e que nunca havia falhado.
Ela pressionou sua mão contra o peitoral dele, sentindo agonia ao tocar a blusa úmida, e ao mesmo tempo uma certa culpa. Um grunhido fez com que ela desviasse os olhos e visse Zeus cuspindo sangue, seus olhos pareciam ter lágrimas e estavam fixos em Jason, que desviou o olhar assim que este se encontrou com o do pai, abaixando para Nico.
Thalia negou mordendo o lábio inferior, fechando com força os olhos. Ela não sabia o que fazer. Mas sabia que queria Nico vivo de novo, e ela se agarrou nesse pensamento, ela sentia que podia fazer algo, apertou com força a blusa, deixando que algumas lágrimas escorressem, nada acontecia.
Seu corpo começou a tremer com os soluços do choro, apertou sua mão sentindo as unhas encravarem na pele gelada, a pele dele nunca era gelada.
Sentiu a mão de Jason em seu ombro, ela sentia que ele tentava lhe dar apoio, mas ao mesmo tempo não sabia o que dizer.
Ela também não saberia. Afinal Nico tinha a escravizado, a ensinado ver o mundo de uma maneira diferente, a feito sofrer por muito tempo, mas também a tinha ensinado a ser feliz, era quase um absurdo pensar que o mesmo homem que tinha destruído tudo em seu mundo o tinha na verdade lhe dado um completamente diferente e bem melhor.
O mesmo homem que a tinha machucado, tinha se preocupado com a segurança dela. Ela tinha trazido de volta um Nico que a muito tempo ele mesmo tinha esquecido que existia, e agora que finalmente ele poderia tirar o peso das suas costas, o peso de um monstro, um personagem que ele havia criado em uma tentativa de defesa, ele estava por falecer, perder a oportunidade de ser feliz do mesmo jeito que ele a tinha ensinado possível.
Sentiu uma pontada de dor na palma da sua mão a fazendo a fechar com mais força, encravando-a no corpo de Nico e sentindo o sangue escorrer por seus dedos, a dor começou a subir por seu braço e ela sentiu vontade de gritar. Ao abrir os olhos ela não conseguia ver nada a sua frente.
Annabeth arregalou os olhos ao ver a íris da menina ficar completamente branca, os lábios dela se entreabrindo e uma fumaça sair dali. Nico puxou o ar pelos pulmões, se sentando, ao mesmo tempo que Thalia desmaiou em seus braços.
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