Eleanor Rigby
1 As pessoas solitárias.
Notas iniciais
Ato I – Eleanor Rigby
“Ah! Olhe todas essas pessoas solitárias!”
Eleanor Rigby recolhia o arroz na igreja onde um casamento havia acontecido. Vivia em um sonho, seu próprio mundo, sua própria mente. Ela espera na janela. Espera o dia em que ela talvez possa usar o sorriso que ela guarda.
Está guardado. Ela veste as feições que ela guarda. No jarro. Perto da porta. Onde está aquele velho sorriso que ela costumava ter? E pra quem seria?
Ah! As pessoas solitárias. De onde será que elas vem? Ah... A que lugar todas elas pertencem?
Ato II – Padre Mackenzie
Padre Mackenzie escrevia as palavras de um sermão – que ninguém irá ouvir. Ninguém sequer chega perto.
Olhe para ele trabalhando!, remendando suas roupas velhas, à noite, quando não há ninguém por perto. Nunca há ninguém por perto.
Quando ninguém está por perto, o que é importante para ele?
Ah!, as pessoas solitárias.
Ato III – O Cemitério
“Ah! Olhe todas essas pessoas solitárias!”
Eleanor Rigby morreu na igreja. Foi enterrada junto ao seu nome.
Ninguém foi ao enterro.
Padre Mackenzie limpava a sujeira de suas mãos, após deixar a sepultura. Depois de citar o seu grande sermão. E ninguém estava lá para ouví-lo.
Enquanto ele caminhava do sepulcro... Ninguém foi salvo.
Um jovem. Apenas um jovem parava e escrevia no seu pequeno bloco. Uma música, quem sabe. Ou um poema. Ele olha o túmulo de Eleanor Rigby. É pena o que ele sente? Não sei se é esta a palavra. Talvez compaixão. Mas ele tira uma rosa do canteiro e coloca sob o túmulo.
“Descanse em paz” – ele diz, com tristeza no olhar.
E assim se foi Eleanor Rigby.
E a nós só nos resta perguntar: Olhe para as pessoas solitárias – de onde elas vêm? A qual lugar todas elas pertencem?
Em algum lugar, o espírito de Eleanor Rigby vaga solitário. Respondendo a esta pergunta.
E a nós... Só resta a dúvida.
Notas finais
Nos vemos por aí.
Beijos, L.
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