Notas iniciais
ok pessoal mais um capítulo. Tá angust, mas apaixonante também TEM LEMON enjoy

Kamus e Milo se entregavam ao desejo de forma desenfreada, não havia mais impedimentos para que tivesse tudo um do outro. Eles se amavam e agora tinham certeza disso, não havia dúvidas no olhar abrasador que percorria o corpo nu de Kamus e fazia-o se arrepiar como se aquele olhar fosse um toque físico. Havia amor puro no brilho azulado daqueles olhos de céu ao mirar os cabelos rubros espalhados pelos lençóis alvos e os olhos castanhos brilhantes de desejo.

Milo deitou-se sobre Kamus em uma lentidão torturante que o recebeu entre as pernas fazendo as ereções se roçarem enquanto o primeiro tomava-lhe os lábios num beijo. Seria Kamus a se entregar aquela noite porque além de provar a Milo que ele lhe pertencia, havia o desejo intenso de sentir o amante dentro de si de forma completa.

“And I, I tried so hard to let you go
But some kind of madness
Is swallowing me whole, yeah
I have finally seen the light
And I have finally realized
What you mean”

“E eu, eu tentei tanto deixar você ir
Mas algum tipo de loucura
Está me envolvendo por completo, sim
Eu finalmente vi a luz
E eu finalmente percebi
O que você significa”.

Kamus espalmou as mãos nos braços musculosos de Milo e arqueou o pescoço que o grego já marcava com a língua e os lábios, Milo ondulava os quadris insinuando os movimentos de penetração e estimulando Kamus com o roçar das ereções arrancando gemidos baixos do ruivo. Desceu os beijos pelo peito largo sugando os mamilos rosados, um de cada vez deixando-os durinhos e sensíveis, Kamus entrelaçou os dedos em meio aos cachos dourados para erguer o rosto de Milo e tomar aqueles lábios carnudos mais uma vez nos seus.

O francês inverteu as posições, ficando por cima e descendo os lábios pelo corpo bronzeado de Milo até sua potente ereção pulsante, que abocanhou de uma vez fazendo o grego arquejar e puxar os lençóis para depois percorrer toda a extensão generosa com a língua enquanto escavava as bolas com os dedos ágeis.

Now, I need to know is this real love
Or is it just madness
Keeping us afloat, mmmm
When I look back, at all the
Crazy fights we had
It's like some kind of madness
Was taking control, yeah

“E agora eu preciso saber se isso é amor de verdade
Ou isso é apenas loucura
Que nos mantém à tona
E quando me lembro de todas
As brigas loucas que tivemos
É como se algum tipo de loucura
Estivesse tomando o controle, sim”.

– Kan! – choramingou Milo quando Kamus o tomou inteiro na boca até a garganta e o chupou firme. – Vem aqui Kan, eu quero gozar dentro de você.

Milo se afastou do ruivo apenas para pegar o vidro de lubrificante e depois voltou a deitar sobre o corpo do outro, trocando um beijo quente e lascivo com Kamus enquanto o preparava, um dedo e depois outro até sentir Kamus rebolando sobre eles e os gemidos do outro ficando mais urgentes no mesmo ritmo dos dedos que alargavam e abriam passagem para o membro gotejante de pré-semem. O grego posicionou o pênis na entrada apertada e começou a penetração lentamente, Kamus fechou os olhos e arqueou o corpo sentindo o membro ardente lhe invadindo centímetro a centímetro. A dor pouco a pouco foi arrefecendo e Milo começou a se mover inicialmente devagar, segurando os quadris de Kamus firmemente para mantê-lo no lugar. O grego foi a loucura quando sentiu Kamus mexer os quadris no mesmo ritmo que ele e aumentou as investidas fazendo o francês gritar em êxtase.

– Tao gostoso. – Milo murmurou junto aos lábios de Kamus, as respirações sôfregas pelo ritmo intenso do vai e vem – Ah Kan!

“Now, I have finally seen the end
(Finally seen the end)
And I'm not expecting you to care, no
(Expecting you to care)
That I have finally seen the light
(Finally seen the light)
But I have finally realised
(Realised)
I need your love
I need your love”

Só agora, eu finalmente vi o fim
(Finalmente vi o fim)
E eu não estou esperando que você se importe
(Esperando que você se importe)
Que eu finalmente vi a luz
(Finalmente vi a luz)
Mas eu finalmente percebi
(Percebi)
Eu preciso do seu amor
Eu preciso do seu amor”

Come to me
Just in a dream
Come on and rescue me
Yes I know
I can't be wrong
Maybe, I'm too headstrong
Our love is”

“Venha até mim
Confie no seu sonho
Venha e me resgate
Sim, eu sei
Que eu posso estar errado
Talvez eu seja muito teimoso
Nosso amor é”.

O som dos corpos se chocando encheu o quarto misturado aos gemidos roucos de ambos os homens que sentiam o prazer crescer e se expandir dos corpos para o ambiente. O quarto estava à meia luz e os movimentos sinuosos dos corpos na cama davam magnetismo ao ambiente, magnetismo impermeado de um sentimento mais forte mais latente.

Kamus arqueou o corpo, o tremor tomou conta do corpo delgado e Milo gritou rouco ao sentir o amante apertar seu membro enquanto jorrava seu sêmen entre os corpos e então gozou também preenchendo o interior de Kamus. Milo caiu sobre o corpo de Kamus, ofegante e o ruivo não estava tão diferente. Continuaram abraçados, ligados daquela forma única alheios aos celulares que tocavam insistentemente entre as roupas.

***

*** Horas atrás***

Hyoga terminava seu quarto copo de vodca ainda com os olhos fixos na mesa a frente, pensando que a vida ou qualquer deus que existisse realmente não gostava dele. Em qualquer outro momento encontrar o pai seria um momento de acerto de contas, mas naquele momento tudo seria um tormento.

Sentia-se dilacerado embora para si, a decisão de libertar Ikky fosse a mais acertada. Queria poder ter sido diferente, que ele nunca tivesse ido para a Rússia e quem sabe ter conquistado aquele leonino ciumento e turrão de outra maneira. Queria poder ter sido feliz com ele.

Ver o pai ali só aumentava suas angustias porque fora por causa dele que agora estava daquele jeito. Será que ele sabia? Será que se importava? Fitava o homem de costas para si que conversava com outro, eles tomavam um drinque e pareciam descontraídos, conversando amenidades com o outro homem olhando para Hyoga de vez em quando. Talvez fosse porque o russo não tirava os olhos das costas do pai, talvez fosse porque o sorriso que ele lhe lançava fosse um convite. Hyoga sabia ler os sinais.

– Para onde você tanto olha Michael? – Henry perguntou irritado e então finalmente se dignou a olhar na direção em que o amigo olhava e sentiu um repuxar no estomago. “Aqueles olhos”, será?

– Já o vi em algumas revistas, – explicou Michael ainda olhando a outra mesa – É ainda mais bonito pessoalmente do que nelas e não tira os olhos de você. Acho que ele gosta de caras mais velhos.

Hyoga se levantou da sua mesa um pouco cambaleante. Não imaginava que quatro copos de vodca teriam esse efeito sobre ele e então se lembrou de que não comera nada o dia inteiro, riu sem humor, mas continuou andando até a outra mesa.

– Oi pai. – olhou para Henry Bertrand e em seguida para o amigo que olhava de um para o outro chocado – dez anos sem me ver foram o suficiente para não me reconhecer?

– Meio difícil já que você agora gosta se exibir em qualquer lugar. – Henry retrucou cortante – o que você quer Hyoga?

– Nada apenas dizer um oi. – o russo deu de ombros e mexeu nos cabelos alinhando-os – Perguntar se você consegue dormir a noite depois de tudo.

– Hyoga...

– Não se preocupe, sem escândalos. – Hyoga levantou as mãos em sinal de rendição – Eu nunca iria manchar a imagem do excelentíssimo senhor Henry Bertrand...

Henry se levantou e segurou Hyoga pelo cotovelo firmemente.

– Cale-se! Vá embora e me deixe em paz! Você já tem dezoito anos, eu chamo a policia para me livrar de você. Aja como alguma dignidade e vá embora, conversamos depois.

– EU QUERO CONVERSAR AGORA! –gritou o rapaz enfurecido e todos em volta olharam para os dois – Vá se foder Henry! Foda-se você e essa sua imagem de bom homem você não passa de um doente igual ao Vladimir.

– Não fale assim do seu avô...

– Henry não é melhor levá-lo para o quarto? – Michael se levantou também e se aproximou de Hyoga – Não é melhor subir e ter essa conversa lá em cima garoto? Será que o seu agente vai ficar satisfeito se você fizer um escândalo aqui?

– Ele não vai se importar, eu não me importo. – Hyoga se inclinou para mais perto do amigo do pai e disse baixo apenas para os dois ouvirem – Ninguém se importa. Henry não se importa de mandar o próprio filho para um molestador de crianças, ele não liga para uma criança estuprada repetidas vezes pelo próprio avô e seu melhor amigo. – Michael olhava para Henry enquanto Hyoga dizia aquelas atrocidades, não reparou que os lábios de coração tremiam e os olhos estavam embaçados pelas lágrimas, mas ainda fixos nas reações do pai ao ouvir aquilo. Henry permanecia estático e aterrado – Ele não se importou quando o filho adolescente dele estava entre a vida e a morte por ser espancado e torturado no seu aniversario de quinze anos... Nem quando ele foi diagnosticado como louco apenas por contar a verdade. Ele não se importa.

– Henry... – Michael estava mais chocado com a reação estática de Henry porque confirmava o quanto aquilo podia ser verdade – Não...

– Hyoga – Henry pegou Hyoga pelo cotovelo, dessa vez com raiva, mas a despeito da embriaguez Hyoga se desvencilhou dele num rompante.

– Seu porco imundo! Eu espero mesmo que você morra que não consiga dormir nenhuma noite se quer e que enlouqueça como eu quase enlouqueci! Que você deseje estar morto, toda vez que alguém o tocar porque é o que você merece. – cuspiu o rapaz e então saiu do restaurante esbarrando nas mesas enquanto corria deixando Michael e Henry para trás até que esse ultimo seguiu o mesmo caminho do filho, mas não conseguiu encontra-lo.

Henry passou a mão nos cabelos grisalhos respirando fundo para encontrar um equilíbrio que estava longe de sentir. As palavras de Hyoga caindo nele como chumbo, martelando em sua mente e algo dentro de si apertava e o impedia de respirar. Desceu as escadas novamente e foi quando encontrou Ikky Amamiya.

***

Hyoga entrou no quarto e respirou fundo tentando controlar o desespero! Não acreditava que havia falado aquilo para o pai ali, na frente de todo mundo naquele restaurante. Como fora perder a cabeça daquela maneira?! Passou a mão nos cabelos puxando a franja farta para trás, mas o desespero só crescia dentro de si. Deixou que o choro rompesse, que toda aquela angustia saísse ou ele iria sufocar!

“I love the quiet of the night time
When the sun has drowned in a deathly sea
I can feel my heart beating as I speed from
The sense of time catching up with me
The sky set out like a pathway
But who decide which route we take
As people drift into a dream world
I close my eyes and my hands shake
And will I see a new day
Who's driving this anyway?
I picture my own grave
Cos fear's got a hold of me”

“Eu amo a tranquilidade da noite
Quando o sol se afogou no mar mortal
Eu posso sentir meu coração batendo enquanto eu corro
Do sentido do tempo me alcançando
O céu definido como uma via
Mas quem decide qual caminho tomamos
Enquanto as pessoas deslizam em um mundo de sonho
Eu fecho meus olhos a minhas mãos tremem
E eu vou ver um novo dia
Quem está controlando isso de qualquer modo?
Eu vejo minha própria sepultura
Porque medo tem uma parte em mim”

Correu para o minibar do quarto e pegou outra garrafa de vodca lá, de onde se serviu de uma dose que tomou num gole. Mais dois copos, ele ainda chorava se achando ridículo e imundo, as lembranças todas rodando na sua cabeça confusa sem que ele conseguisse evitar. “Não chega!” ele apenas conseguia pensar enquanto tomava a bebida que ele nem sentia mais arder na garganta, quem sabe ele conseguiria se anestesiar e aquela dor passaria?

“Yes, this fear's got a hold of me”

“Sim, esse medo se apoderou de mim”

Foi nesse momento que seus olhos caíram sobre a caixa de antidepressivos na cabeceira da cama. Eram medicamentos leves, foram receitados aquela semana por Radamanthys depois da ultima sessão que tiveram e onde Hyoga informou a ele suas intenções de deixar Ikky. “Eles vão ajuda-lo a controlar a ansiedade e a tristeza” ele dissera....

***

Ahalya deixou a xicara com o chay cair no chão quando um aperto se insinuou em seu coração, espantando Saga e Shaka que lhe acompanhavam ao chá àquela tarde. A indiana fechou os olhos e a imagem que lhe tomou a mente foi do seu pequeno anjo louro, do lindo sorriso que ele lhe presenteava toda vez que ia acordá-lo de manhã.

– Maa! – Shaka correu para ampara-la e Ahalya se segurou no filho com força

– Hyoga – murmurou – Shaka ligue par ao seu irmão, procure Kamus saiba o que aconteceu com o meu anjo! Por favor, meu filho.

– Calma mãe... – Shaka a ajudou a sentar-se. Saga entendendo o que acontecera, começou a ligar para Ikky, mas ele não atendia. Shaka pegou seu celular e tentava falar com Kamus, porem ele não atendia.

***

– O socorro rápido foi primordial, se vocês não tivessem encontrado ele a tempo as consequências seriam ainda mais sérias. Você fez bem em fazê-lo vomitar parte dos medicamentos. – o médico explicava inglês com um forte sotaque francês.

Ikky ouvia o médico apático, estava se sentindo sem forças e sentia que a qualquer momento iria desabar.

– Eu posso vê-lo? – sua voz foi um sussurro, o senhor se apiedou do estado do rapaz e pôs a mão em seu ombro.

– Ainda estamos terminando alguns exames, ele ainda vai permanecer na terapia intensiva por precaução, mas assim que terminarem os exames foi liberar a visita para duas pessoas apenas. – explicou amável – Você é...

– Ele é meu namorado. – Ikky voltou seus olhos para o médico, não fora difícil dizer aquilo dessa vez, era quase como necessário que ele dissesse aquilo em voz alta agora. Hyoga era seu, seu amor, o homem da sua vida e todo mundo precisava saber disso.

– Entendo... Daqui a pouco uma enfermeira vai trazer um calmante para você, já conseguiu falar com alguém da família?

– Eu avisei todo mundo. – Henry se aproximou Ikky até se esquecera de que ele estava lá tamanha era a sua aflição. Também porque esperava que ele tivesse ido embora – O irmão dele está vindo, a mãe virá amanhã, ela está na Grécia.

Milo e Kamus atravessaram as portas duplas nesse momento, Kamus quando viu o pai junto a Ikky e o médico fechou sua expressão e andou mais rápido se afastando de Milo até parar junto do pai. Henry levantou o olhar para o filho e viu muita raiva no brilho castanho avermelhado, raiva e decepção e isso doeu.

– O que faz aqui? Vá embora, não foi o suficiente? – falou Kamus num tom frio e amargo. De todos os filhos Kamus ainda era o único que nutria algum afeto pelo pai, ele o admirava e Henry sempre se orgulhou daquele sentimento.

– Kamuy meu amor. – Milo afagou os ombros do namorado com carinho – Esqueça Henry, pense em Hyoga agora.

– Vocês estão juntos?! – Henry sorriu, mas não era um sorriso sarcástico ou desdenhoso, era quase como uma constatação.

– Sim e isso não é problema seu! – Kamus cerrou os punhos e virou o rosto, seu olhar caiu em Ikky que se recostava na parede com os olhos no chão e os ombros arriados, parecia derrotado e isso o confrangeu. A um olhar do ruivo, Milo pegou o amigo pelos ombros e Ikky deixou-se abraçar porque precisava de apoio se não desabaria.

Kamus indagou o médico em francês que ficou mais do que aliviado em explicar o diagnostico em sua língua natal, falando mais detalhes do que antes. O ruivo ouvia tudo calado enquanto estalava o maxilar de vez em quando, os olhos fixos em Ikky e Milo abraçados e no pai que se afastava deles. Por que Henry tinha que destruir a vida deles assim sempre que aparecia? Por que não podia ser como quando eram crianças e eles viviam juntos como uma família feliz?

– Ele vai sobreviver? – perguntou para o médico ainda em francês.

– Vamos fazer de tudo para isso senhor Bertrand. – Kamus assentiu e foi se juntar a Milo e Ikky, o pai desaparecera pelos corredores.

O ruivo apertou forte o ombro de Ikky quando se aproximou e o japonês levantou o rosto para olhá-lo, o sofrimento do moreno era visível. Se Kamus tinha duvidas que ele amava o seu irmão, agora elas não existiam mais.

– Eu...

– Obrigado por salvá-lo Ikky – Kamus disse antes que perdesse a coragem – Eu nunca vou esquecer isso. O médico disse que se você não tivesse achado ele a tempo, ter feito o que fez...

– Foi uma besteira! Algo que eu pensei que ajudaria, devo ter lido em algum lugar – Ikky fungou – Eu estava desesperado... Meu deus porque ele fez isso?! Por que ele não confiou em mim?

– Por que ele estava sozinho Ikky, ele não conseguia confiar em ninguém. A culpa não é sua, nem de ninguém – Milo voltou a abraça-lo – Tudo que podemos fazer agora é rezar para ele superar mais essa e ele vai porque nós estamos aqui, nós acreditamos nele. Ele vai conseguir porque agora tem você.

– Isso Ikky, ele vai voltar para você – Kamus disse e surpreendeu o moreno que apenas assentiu e deixou-se abraçar de novo pelo melhor amigo.

Notas finais
O double musical desse capítulo Muse - Madness https://www.youtube.com/watch?v=Ek0SgwWmF9w White lies - Death https://www.youtube.com/watch?v=LTh9IuSTOY0