Notas iniciais
Então esse primeiro caps é de apresentação dos personagens, um pouco da história e nada de muito envolvimento. Cavaleiros crianças pq né?

Para Ikky era apenas mais um dia normal, um daqueles sábados ensolarados de sua infância, mais tarde ele se lembraria daquele sábado como o dia em que perdera sua paz. Disputava mais uma das suas amadas partidas de futebol com os irmão e amigos. Os gêmeos maiores, Saga e Kannon com treze anos eram os goleiros enquanto ele, Seiya e Shura enfrentavam Aiolia, Aiolos e Milo. Ikky e os gêmeos eram irmãos, ao todo uma família grande e barulhenta de mãe, pai e quatro filhos pequenos e ativos, Shun era o menorzinho e com apenas seis anos, só lhe restava observar os irmãos sentado na calçada porque era pequeno demais para brincar com eles. Seiya e Shura eram vizinhos, assim como Aiolos e seus irmãos mais jovens, Aiolia e Milo. Eram uma grande e animada família, seus pais se conheciam de longa data e os filhos repetiriam a amizade de longos anos também.

A família de Ikky era a típica família grega, apesar do ramo japonês por parte de mãe. Os gêmeos eram típicos gregos, Ikky também tinha sua parcela de sangue quente herdado de Dionísio, o pai, assim como a aparência. Os cabelos negros repicados para todos os lados, a tez amorenada e os olhos azuis, contudo Ikky tinha os traços orientais o que o tornava um menininho exótico. Shun parecia com a mãe, delicado e frágil com madeixas castanhas e pele alva e lindos olhos esmeralda.

Outra família grega, essa totalmente que se instalara ali era a família de Milo, Aiolia e Aiolos cuja mãe era uma típica mãe grega que gritava, praguejava e amaldiçoava o continente americano por não ajudá-la a preservar as tradições. O pai tinha sua voz de trovão e seu respeito dos pequenos filhos que possuíam tão ou mais sangue quente do que ele.

Seiya parecia o bem aventurado que não tinha irmãos e uma mãe muito doce e protetora, que sempre se preocupava com a saúde e segurança do filho enquanto o pai achava que ela o mimava demais. Shura era o único filho de um casal de espanhóis que se mudara nem tão recentemente e mesmo com a personalidade circunspecta daquela criança, ele se deixou arrebatar pelos gregos que o acolheram como um filho e os garotos como a um irmão.

Foi Shun quem primeiro notou o pé de vento louro que veio correndo da casa à frente e se meteu em meio à partida de futebol no momento exato em que Ikky recebia o passe de Shura e se preparava para chutar ao gol. O menininho louro ficou na sua frente e com um chute certeiro fez o gol sem dar chance para Saga defender ou talvez pela surpresa do garotinho ter entrado na brincadeira, ninguém se mexeu.

— Gol! Gol! Eu fiz um gol! – gritou o pequeno furacão louro que quicava à frente de um Ikky estarrecido. “Tinha sido ludibriado por um pirralho do tamanho do irmão? Pensou pasmo”.

— Hyoga!

Foi o sinal para todos se mexerem e olharem para onde vinha o chamado, o garotinho louro parou de pular e olhou os dois outros garotos que chegavam, mordendo o lábio. Milo olhou para os novos garotos com interesse. Todos sabiam que haviam novos vizinhos, mas ainda não puderam ver os novos moradores até aquele momento. Ikky e ele se entreolharam desconfiados dos outros. Um dos meninos era loiro, os cabelos compridos e rosto de anjo, enormes olhos azul céu de verão, o outro era ruivo, os cabelos vermelhos num tom forte de vinho e os olhos castanhos eram rajados, pareciam avermelhados pela luz do sol. Apesar de diferentes, eles pareciam iguais, o mesmo jeito ereto e meio nariz empinado de andar, o rostinho de criança sério.

Foi o ruivo que pegou o menorzinho no colo mesmo ele esperneando.

— Você não pode sair correndo assim Hyoga! Podia ser atropelado. – ralhou com o pequeno que estava no colo com um bico enorme.

— Eu quero jogar bola!

— Por Buda como você é impossível! – o garoto loiro falou – Eu sinto muito pelo meu irmão ter atrapalhado a brincadeira de vocês.

— Ah tudo bem loiro! – Saga se aproximou trazendo Shun pela mão e os outros meninos também vieram – Ele fez um gol!

— Meu nome é Shaka – o lourinho disse – Não loiro.

— Ah então Shaka, tudo bem...

— Eu fiz um gol Kamus! Você viu?! – Hyoga interrompeu Saga e ele começou a quicar no colo do irmão e todo mundo achou graça menos Ikky.

— Ele se meteu na minha frente. – resmungou o menino moreno, os olhos azuis estavam tempestuosos agora – Eu podia ter chutado a cabeça dele!

— Não é assim também Ikky! – Aiolos interveio

— É assim sim! Você devia manter essa pestinha presa em algum lugar.

— Pestinha é você! – o menino mostrou a língua para Ikky

— Hyoga! – o menino loiro repreendeu o menor, tirando ele dos braços do outro – Vem aqui, eu vou contar tudo a maa e ela vai colocar você de castigo!

— Eu quero jogar! – continuou a se debater nos braços do outro, os meninos achando graça e Shun olhando abismado para aquele pequeno irritado. – Eu fiz um gol!

— Chega Hyoga – Kamus ordenou e o menino parou de se debater, Shaka levou o pequeno emburrado para casa enquanto o ruivo se virava para os vizinhos – Obrigado por não chutar a cabeça do meu irmão...

— Esse é o Ikky, eu sou o Milo. – Milo estendeu a mão para o outro garoto e ele pegou num movimento formal, o menino de cabelos cacheados o puxou para si e passou o braço sobre os ombros do ruivo – Aqueles ali são o tico e o teco, conhecidos por nós como Saga e Kannon, você sacou que o Kannon tem o cabelo mais curto sacou? Ok, continuando ruivo. Essa coisa fofa aqui é o Shun, aqui o Aiolos e o Aiolia meus irmãos, Nossos amigos Seiya e Shura. – Milo começou a apresentar os outros para o garoto novo.

— Meu nome é Kamus – o ruivo deu de ombros – Aquele ali – Shaka voltava depois de deixar um emburrado Hyoga dentro de casa – É meu irmão Shaka e o pequeno tufão era o Hyoga meu irmão mais novo.

— Um pequeno tufão mesmo. – Milo comentou rindo – E aí cara vamos jogar? E você loirinho, quer jogar também?

— Eu só vou ficar olhando. – Shaka foi se sentar na calçada e os meninos voltaram a jogar.

— Seiya! – a mãe de Seiya chamou e o menino foi correndo para ela.

— Entra aí ruivo – Ikky chamou Kamus para o seu time – Prometo não chutar sua cabeça, falou sorrindo de lado e Kamus entortou a boca. Logo começaram a jogar outra vez com Shaka sentado ao lado de um Shun maravilhado pelo olhar de céu do menino novo.

— Por que ele não pode sair? – perguntou o garotinho de cabelos castanhos, o dedinho apontando para o menino loiro que olhava tudo da janela com o olhar irritado.

— Por que está de castigo – Shaka olhou para o menino – Se ele e comportasse como você poderia ficar aqui fora.

— Ele é muito esperto!

— Até demais – e Shaka suspirou.

De fato o irmãozinho aos seis anos era aquilo que se podia chamar de hiperativo, embora fosse um pequeno prodígio. A família de Shaka era uma mistura interessante de culturas. Seu pai diplomata inglês casara com uma indiana muito bela Ahalya ativista dos direitos humanos e dessa relação nascera Shaka. Quando o menino era jovem demais para lembrar-se dele o inglês morreu em um acidente de avião e Ahalya criou Shaka sozinha até conhecer o solitário Henry Bertrand em uma conferencia da ONU, o francês tinha dois filhos Kamus e o recém-nascido Hyoga. Interesses e curiosidades à parte logo ambos se viram apaixonados e então essa mistura cultural familiar foi formada. Henry amava Shaka como um verdadeiro filho e Ahalya amava Kamus e Hyoga, os meninos cresceram como verdadeiros irmãos.

Com a chegada dos novos vizinhos Ikky percebeu que seus dias de paz estavam ameaçados. Saga e o loiro metido Shaka logo engataram uma amizade que resultou no loirinho sempre andando com o seu irmão mais velho e Kamus, só isso já seria suficiente se não fosse o pestinha mais novo sendo o novo amiguinho de Shun.

Logo Shun estava tão imperativo quanto o lourinho.

Então Hyoga e Shun se tornaram inseparáveis para desespero de Ikky que tentava com a sua mente de onze anos, descobrir porque aquela implicância do menino loiro com ele. Por que aquela criança birrenta, mal criada e com baterias infinitas não gostava dele, chegando até a perguntar para o próprio garotinho que lhe respondera simplesmente:

— Por que você me chamou de pestinha e você queria chutar a minha cabeça.

Era uma criança de seis anos, ele não podia esperar muito.

Kannon adorava a pestinha, dizia que ele segurava o ritmo melhor que Shun e era verdade visto que o gêmeo mais novo era quase tão elétrico que o menininho louro, o que o fez se tornar quase um ídolo para Hyoga. Por isso enquanto o garoto maquinava traquinagens para perturbar Ikky, Kannon se divertia incentivando-o. Shun participava de tudo apenas para rir.

***

— Ele é só uma criança Ikky – a mãe respondera ás suplicas do filho assim quando ele resolveu pedir ajuda para refrear Hyoga – Logo passa, é uma fase e depois Ahalya me disse que em breve ele estará fazendo tantas atividades que nem vai ter tempo de implicar com você.

— Mãe ele é uma peste! Melhor ficar longe do Shun.

— Ikky!

— Ele jogou uma jarra de suco em mim!

— Foi um acidente – a japonesa deu de ombros – Isso é energia, depois que ele começar a estudar outra vez, fazer as atividades que Henry e Ahalya escolheram para ele, vai sossegar. Nem todos os bebês são como Shun meu amor.

Ikky revirou os olhos.

***

— Kamus leve o Hyoga com você para a casa dos Amamiya se for brincar lá –Ahalya falou para o filho quando o viu passar pela sala. – Deixe-o com Shun, Amaia tomará conta deles eu já falei com ela.

— Maa o Hyoga ainda implica com o Ikky. – Shaka disse.

— Ele não me obedece mais. – Kamus resmungou – Eu não sei o que fazer!

— É por enquanto. – Ahalya olhou para o pequeno que corria pelo quintal com uma bola. Hyoga estava se tornando um garotinho genioso e hiperativo demais, John era o único que podia com ele ultimamente – Eu e seu pai estamos vendo as melhores atividades que ele poderá fazer para gastar essa energia inesgotável – a indiana sorriu acariciando os cabelos dos filhos – Logo ele cresce e acalma.

O sorriso da mãe era reconfortante, tinha esperanças de estar certa.

Notas finais
Não esqueçam dos reviews