Ele não queria crescer

4 Wendy embarca no Jolly Rogers


Notas iniciais
Oi meu leitores maravilhosos, primeiro de tudo: muito obrigada pelos lindos comentários, foi a primeira vez que recebi tantos em um cap. Vamos para alguns tópicos: 1: A história está chegando ao fim :( esse é o penultimo cap e como eu prometi, já estou criando a próxima história com contos de fada. 2: A história escolhida foi Enrolados, ela já toda criada e só vou terminar essa haha espero que acompanhem essa também 3: Como todos concordaram, estou aumentando a classificação indicatória da história. 4: Gente, seria muito pedir uma recomendação? Vocês são leitores maravilhosos, façam isso por mim. 5: Respondo os comentários amanhã porque já está muito tarde, não vou deixar vocês! Acho que é isso, espero que gostem desse cap, ficou bem grande e eu nem demorei! Beijinhos e abraços

"Você conhece aquele lugar entre domir e acordar, o lugar onde você ainda pode lembrar de sonhar? É onde eu sempre te amarei. É onde eu estarei esperando." — J.M. Barrie, Peter Pan.

*

*

– Espere um minuto – disse Wendy rindo – Você vê o futuro e não me disse? Porque você não teria como saber do meu baile.

– No bilhete que você me mandou estava escrito atrás do convite. – Peter colocou as mãos no bolso e deu de ombros – Só vamos dizer que eu não poderia faltar.

– Na verdade você poderia... Espera – a menina olhou para todos os lados sem saber ao certo o que iria achar e isso a deixou tonta – A Tigrinha está ai?

Pan arqueou a sobrancelha

– Por que Tigrinha teria algo haver com isso?

– Ah! – disse jogando os braços para o alto – Porque ela é realmente uma santa. Santa Tigrinha, orai por nós. Você já parou um segundo pra se perguntar o porquê de ela fazer isso tudo? E não me venha dizer que é por caridade.

– Você está bem?

– Estou ótima – disse com uma voz barganhada.

– Você está bêbada.

– Eu? – disse rindo – Sinceramente, Peter, eu achei que pensava melhor de mim.

– Eu não es...

– Olha, você não precisa falar nada, entendi, mesmo. Eu te pedi para ficar longe de mim, e você não consegue ou... – Wendy cambaleou – Isso é uma vingança! – disse ela como se tivesse descoberto a quarta lei de Newton – Não faz muito seu tipo – a menina apontou o copo para Peter, ele pegou na mesma hora e provou.

– Isto está forte demais.

– Awn! Você fica realmente fofo quando se preocupa. Mas eu não posso mais perceber isso, posso? Ou não? – a garota cambaleou novamente e Peter a segurou – De repente surgiu três de você.

– Você está bem? – disse ele levantando-a, Wendy negou – Você precisa de ar puro.

– Mas ele é realmente puro? Porque...

– O que acha de ficar quieta por um minuto? – Peter começou conduzi-la pelo salão até uma porta que dava para o lado de fora do ginásio, a noite estava estrelada e o vento frio e seco. Pan guiou Wendy até a arquibancada e a menina quase caiu novamente – Ei! – disse ele segurando-a – Não veja três bancos agora!

Wendy se debateu, dispensando ajuda.

– Eu sei sentar sozinha – disse ela tateando o bando – Eu sento, tu sentas, ele senta... Doença.

E caiu no chão. Pan segurou o riso e sentou-se ao lado da menina.

– Acho que aqui não está tão ruim.

– O que está fazendo aqui, Peter? – Wendy o olhou com certa seriedade, porém sua voz continuava arrastada e seu olhar meio perdido.

– Vim ver como estava.

A menina uniu as sobrancelhas, mesmo com seus pensamentos bagunçados por causa do álcool, ela sabia que não tinha como Peter saber sobre o sequestro. Porém qual outro motivo ele teria? Ela implorou para que ele fosse embora e mesmo assim ele aparecia.

– Como você soube?

– Eu não sei sobre o que você está falando.

– Claro. – a menina olhou para o outro lado do campo, desejando ter forças o bastante para sair correndo.

– O que aconteceu?

– Eu fui sequestrada. – Wendy começou a rir – Eu não podia ter falado isso. – ela colocou a mão na boca, Peter se levantou e começou a andar em círculos.

– Como isso aconteceu? Quem fez isso e como você conseguiu escapar?

– Uma pergunta de cada vez, minha cabeça está rodando.

Wendy tentou se levantar, Peter a ajudou e de repente eles estavam a poucos centímetros de distancia. O menino ainda tinha a sua mão nas costas da menina, segurando-a, Wendy esqueceu que o mundo a sua volta estava girando e focou o seu olhar em Pan. Ele parecia preocupado, desejando respostas e ela não poderia dar.

– Quem fez isso com você? – perguntou ele segurando o rosto da menina com uma das mãos.

– Não sei. – ela o encarou para que a mentira funcionasse, porém ela sabia que Peter não iria acreditar tão facilmente.

– A verdade, Wendy. – pressionou.

– Estou lhe falando a verdade. Eu não sei.

– Wennie – disse ele puxando-a para mais perto – Eu não posso ajudá-la se você não me contar.

– Eu não quero a sua ajuda. Achei que tínhamos deixado isso bem claro da ultima vez que nos vimos.

– Não esperava que eu apenas não tentasse obrigar você a mudar de ideia.

– Você não pode! – gritou, ele estava colocando os Meninos em perigo e ela não podia contar a ele, isso nunca daria certo – Ela não vai aceitar isso... Você tem...

– Quem, Wendy? – Peter soltou seu rosto e segurou seus ombros, sacudindo-a – Alguém te obrigou? Quem? – gritou.

– A... – a menina parou e arqueou a coluna – Acho que eu vou vomitar.

– O que? Agora? – então ela se inclinou para frente enquanto Peter segurava seu cabelo, ela odiava vomitar, odiava a sensação depois disso.

Quando ela acabou, se segurou em Peter, ele passou seu braço pelas pernas da menina, carregando-a para dentro do salão.

– Tem alguma coisa sua aqui? – ela assentiu – Vamos pegar e ir embora.

– Ah não! – ela se debateu e Peter a soltou – É o meu baile, não quero ir embora.

– Você está bêbada e precisa me contar algumas coisas.

– Isso pode esperar. – ela cruzou os braços, Peter sabia que ela não iria embora, então pegou a sua mão e puxou-a em direção a pista de dança.

– Então dança comigo.

– Eu não posso, nós não podemos.

Ele parou e puxou-a para perto.

– Sim, podemos.

– Wendy? – a menina olhou para o dono da voz, Ash corria por entre os corpos de adolescentes em direção a menina, ela se separou de Peter e começou a criar uma desculpa – Está tudo bem? Você simplesmente saiu. – o loiro olhou para o Garoto de Verde com certa raiva.

– Está tudo bem, Ash. Só me senti um pouco mal depois de tantos ponches.

– Está melhor agora?

– Sim.

– Então vamos. – ele apertou a mão de Wendy com mais força do que deveria.

– Não. – disse ela puxando a mão de volta.

– Você é o meu par para o baile. – pelo jeito que seu cabelo estava desarrumado e sua voz mais lenta do que deveria, a menina supôs que ele também estava bêbado, bêbado e irritado.

Peter foi para frente da garota e cruzou os braços de forma protetora.

– Eu acho que ela disse “não”, amigo.

– E eu não me lembro de alguém chamar você aqui, amigo.

Pan contraiu o maxilar e fechou o punho, Wendy sabia o resultado daquela equação. Ela entrou na frente do menino e sorriu.

– Deixa que eu faço isso. – enquanto Ash fazia uma feição desentendida, Wendy acertou uma cruzada de direita no seu queixo, alguns alunos gritaram e outros aplaudiram, ela segurou a mão – Nossa, isso doeu. – ela olhou para Ash no chão – Idiota.

Quando ela voltou para Peter, percebeu que ele ria, e ela fez questão de guardar aquela cena, talvez fosse a ultima.

– Você poderia ter me deixado resolver a situação.

– Você faria algo pior.

– Com toda certeza. – ele segurou a mão direita da menina – Agora, dance comigo.

Ela aceitou, mesmo sabendo que não deveria. Ele estava testando-a, tentando saber o real motivo da separação, Wendy tinha conhecimento que Peter não aceitaria um simples não. Entretanto, era perigoso, ela não parava de pensar no que aconteceria se Tigrinha descobrisse sobre essa noite, com certeza ela contaria para o Gancho.

– No que está pensando? – perguntou ele em seu ouvido.

– Em como você não deveria usar terno. – ela sorriu – Está acabando com o coração das garotas.

– Imagina o que eu posso fazer sem nenhuma roupa. – Wendy corou e se calou na mesma hora, não queria ter imaginado aquela cena, não fazia bem ao seu plano de distanciamento. – Você também está incrível... Tirando a parte do vomito.

Ela ia começar a rir, porém algo a calou, não porque ela queria gritar, mas pelo simples fato de seu corpo não conseguir se mover. Suas pernas pararam e algo em seu corpo dava a impressão que seu pulmão também, ela não conseguia respirar, só conseguia olhar para todos os lados em busca de uma saída.

– O que está acontecendo? – Peter também parou de dançar, porém Wendy o fez dançar novamente, tinham que continuar parecendo um casal normal.

– Gancho. – ela sentiu a mão de Pan tremer – Ele está aqui.

Peter começou a girar lentamente, como se fosse um passo da dança, ele olhou para salão até avistar o inimigo. Continuou girando normalmente até ficar de costas para ele.

– O que ele está fazendo aqui? – seu maxilar estava contraído e sua mão apertava a de Wendy.

– Não sei. – ela o encarava, incapaz de desviar o olhar, com medo do que ele poderia fazer.

– O que está fazendo agora?

– Conversando com a minha professora de biologia, na porta.

– Temos que sair.

– Ele está vindo. – Wendy encarou o homem alto com terno de grife, ele sorriu inocentemente para a professora, enquanto cruzavam o salão. – Me beija.

– Tudo bem.

Peter a beijou, mas ela não fechou os olhos e sim segurou o rosto do menino com as duas mãos, tentando escondê-lo ao máximo enquanto Gancho passava por eles. Continuou seguindo o homem com seu olhar até que estivesse seguro, mesmo sendo difícil se concentrar com os lábios de Peter juntos aos seus. Ela se separou e puxou-o até onde sua bolsa estava, pegou-a e correram para fora.

– Isso não faz sentido. – disse ela quando já estavam longe da festa – Como ele poderia estar lá?

– Eu não sei – disse o menino com uma voz determinada – Mas vou descobrir.

– Você pretende voltar? Está maluco?

– Eu tenho que voltar, assim que estiver em segurança na sua casa.

– Não posso deixar que vá sozinho.

– Eu vou e você não vai comigo.

– Você não manda em mim! – gritou ela.

– Mando, quando se trata da sua segurança! – gritou ele de volta.

– Você não pode querer me proteger o tempo todo.

– Esse é o problema, se você for, vou ficar preocupado com você e não vou conseguir fazer o trabalho! – ele parou de andar a uma quadra da casa da menina e colocou as mãos nos bolsos – Volto assim que estiver tudo bem.

– Se ficar tudo bem... – Wendy piscou, tentando não imaginar um mundo onde Pan não voltasse.

– Se eu não voltar, cuide dos Meninos por mim.

– Você tem que ser o otimista aqui! – uma lágrima correu pelo rosto da menina, Peter a alcançou e secou-a, ele beijou a sua testa e se afastou.

– Preciso voltar antes que ele vá embora.

O garoto de verde começou a correr de volta para o colégio e Wendy começou pensar em como seria se ele não voltasse.

***

Peter correu o mais que rápido que pôde, temia que Hook pudesse não estar mais na escola e isso não seria algo bom, eles nunca iriam descobrir o que ele fazia lá e como isso implicava na Wendy.

Assim que chegou ao local, olhou para todos os lados, porém só via casais dançando. Apressou-se até os corredores, as salas estavam escuras e som da música abafava qualquer conversa. Ele correu até o final de um dos corredores que entrara e encontrou uma luz ligada, tirou os sapatos, com medo de que eles fizessem barulho.

Andou calmante e tentou ouvir a conversa, duas pessoas falavam em um tom amigável, uma delas era, com certeza, Gancho, a outra, Peter não conhecia, mas temia por sua vida.

– Não me diga – falou Gancho – Então senhorita Darling é uma de suas melhores alunas?

– Sem dúvida – disse a mulher desconhecida – Achamos que ela irá conseguir uma bolsa em Oxford.

– Isso é incrível. Ela sabe da notícia?

– Ainda não, temos medo que ela recue, Wendy anda um pouco distraída esses últimos dias.

– Tem algo haver com seu trabalho de biologia? – Peter assustou-se, James ainda se lembrava da mentira que Wendy tinha forjado para que ele se afastasse da Terra do Nunca, ambos não imaginavam que ele iria tão longe ou que se lembraria da menina.

– Me desculpa? – a professora gargalhou – Eu não passei nenhum trabalho, ainda mais para Wendy...

– Eu a encontrei na floresta há alguns dias, ela contou que estava precisando de créditos para passar e por isso estava na floresta.

– Creio que ela tenha enganado o senhor – uma cadeira se arrastou e Peter se encolheu – Talvez tenha ficado com medo.

– A senhorita Darling me pediu ajuda para encontrar a saída... – sua frase ficou no ar.

– Wendy é uma ótima atriz, ganhou o papel principal na peça da escola por três anos seguidos – a bióloga riu novamente – Ela conhece aquelas florestas como a palma de sua mão.

– Algum motivo especial para ela ter mentido para mim?

– Eu não posso revelar essas informações.

– Como? – Peter escutou outra cadeira sendo arrastada.

– Eu também sou a orientadora dessa instituição – uma pausa – os alunos vêm até mim, Wendy veio, por preocupação de seus pais, porém as suas declarações são confidenciais. Eu assinei um contrato.

A professora gritou, Pan se segurou para não ir ajudá-la, mas ainda não podia ver a cena e muito menos se arriscar entrando na sala.

– Creio que a senhora terá que repensar suas prioridades.

– Por favor, não me machuque. – choramingou.

– Eu não irei fazer nada, se me contar exatamente o que Wendy lhe disse.

– Tudo bem! Eu falo... – gemeu a professora. Peter fechou o punho, temendo suas próximas palavras – Ela... disse que tinha conhecido um garoto.

– Um garoto? Só isso – a mulher gritou novamente – Eu tenho certeza que existe mais.

– Espere! Wendy contou que ele morava na floresta, era jovem e tinha uma vida difícil.

– Algo mais?

– Ele se chama Peter.

– Querida Lucy, você foi de grande ajuda.

– Você vai me deixar ir embora?

­- É claro que não.

Ao ouvir isso, Peter correu para dentro da sala a fim de ajudar a professora, porém só teve chance de ver seu corpo caindo no chão, sua garganta jorrava sangue e ela tentava desesperadamente estancar, até que seus olhos perderam a vida. Gancho sorriu e olhou para trás, encarando Peter como um caçador que encontrara sua caça. Pan se preparou para a batalha ou o quer que fosse que iria acontecer, tivera diversos encontros com James desde que o conhecera e sempre conseguira fugir.

– Peter, Peter, Peter. – para a surpresa do menino, James Gancho simplesmente sentou em uma das cadeiras e pegou seu telefone – Sente-se, vamos ter uma conversa civilizada.

O menino apenas o encarou, temendo aquela ação calculada de seu inimigo.

– Como desejar – suspirou o vilão – Sabe, eu sempre odiei essa sua mania de não criar laços... Veja, no momento que encontrei aquela garota na floresta, eu sabia que havia algo nela, porém, é claro, tinha que ter certeza que ela sabia algo sobre você. Não gosto de cadáveres desnecessários. – sussurrou ele como se fosse um segredo – Sim, demorei um tempo até descobrir quem ela era, mas assim que o fiz, tinha que desmentir toda a história que Wendy Darling havia criado sobre trabalho de biologia.

– Foi uma boa história. – disse Peter.

– Tenho que concordar... Entretanto, tenho que acentuar que você me desapontou, caiu diretamente na minha isca. Deixou a Wendy sozinha na casa dela e veio correndo até aqui.

– Eu juro que se você...

– Ora, deixe-me contar o resto do plano. O Sr. Smee está na sua porta, esperando apenas uma mensagem minha, você está aqui, não podendo salvá-la... A não ser...

– Ande logo, Bacalhau!

– A não ser que me diga onde está a Terra do Nunca e se entregue espontaneamente a mim.

– Ou eu posso apenas tirar o telefone de suas mãos.

– Não seria inteligente, garoto. A garota vale mais que a sua vida e a dos meninos?

Essa era um boa pergunta, porém Peter só pensava em tirar o telefone da mão de Gancho, e não pensava no quanto Wendy lhe valia. Ele correu e chutou o celular, Gancho levantou e Peter lhe desferiu um soco, enquanto o homem se mantinha desnorteado, Pan passou braço em seu pescoço, tentando mantê-lo sem ar. Porém Hook começou a gargalhar, como se Peter tivesse perdido algo.

– Garoto tolo, acha mesmo que eu não tinha avisado Smee? – Peter o soltou e ele tossiu, ainda com um sorriso perverso nos lábios – Eu vou torturá-la, arrancar cada membro do seu corpinho lindo até que ela me conte onde encontrar você.

Pan não conseguia se mover, Wendy tinha sido sequestrada e seria torturada, tudo por causa de uma má escolha que ele fizera, nunca deveria ter deixado a menina sozinha. Ele não sabia o que fazer, Gancho ainda gargalhava, espalhando sua risada maléfica nos pensamentos do garoto. Por mais que fosse inútil, ele começou a correr, talvez até tenha voado, mas isso não importava.

***

James Gancho saboreava seu rum no Jolly Rogers.

Wendy balançou a cabeça tentando acordar de seu torpor, alguém havia chegado do escuro e lhe dopara na noite passada, mas tudo parecia um sonho. Ela se lembrava de homens a carregando até o píer e a colocando em um iate intitulado Jolly Rogers. A lembrança do baile eram apenas vultos, ela tinha certeza que Peter aparecerá e que algo tinha acontecido com ele.

Ela olhou para os lados estava ganhando velocidade pelo oceano, as ilhas a cercavam. Wendy estava sentada na parte de cima do iate com suas mão e pés presos por braçadeiras.

– Bom dia flor do dia – ele sorriu. – Espero que esteja apreciando a viagem.

– O que você fez com Peter?

– Eu? – disse Gancho com inocência – Absolutamente nada, mas o que eu vou fazer com você...

– O que aconteceu na noite passada? – gritou.

–Eu dei a Peter uma escolha e ele fez a escolha errada

Wendy pensou no que poderia ter sido a proposta, já que estava lhe custando a vida. O corpo dela tremia pensando no que Hook poderia fazer com ela, ele estava tão confiante e calmo que ocorreu a Wendy que Peter não poderia salvá-la dessa vez.

–Para onde está me levando?

James se levantou e tirou um pedaço de pano de seu casaco.

–Para um lugar onde ninguém irá ouvir você gritar.

Hook amarrou o pano nos olhos de Wendy, vendando-a. Ela tentou se acalmar, mas temia por sua vida e pela vida de Peter.

***

Peter passou a noite toda procurando por Wendy, procurara em cada centímetro da floresta e em cada canto da cidade. A casa da menina estava tranquila, como se nada tivesse acontecido, seus pais e irmãos estavam bem, dormindo. Peter procurou até amanhecer, quando finalmente o sol apareceu, ele correu até o píer, Hook possuía um iate e talvez fosse a sua opção.

Quando chegou no local, lembrou-se que a única coisa que sabia sobre esse iate era o nome e havia milhões de embarcações, ele nunca checaria todas a tempo. O menino correu até garoto que parecia ter uns vinte anos, ele usava um crachá e segurava uma prancheta.

– Você trabalha aqui? – perguntou Peter.

– Parece que eu gosto de ficar aqui todo domingo de manhã? – o garoto fungou e continuou anotando algo nos papéis.

– Eu queria saber onde fica Jolly Rogers.

– Você tem alguma relação com dono? – perguntou o garoto sem tirar os olhos dos papéis.

– Pode-se dizer que sim.

– A embarcação saiu há duas horas. – ele olhou para Pan com impaciência – Mais alguma coisa?

– Sabe para onde foi?

– Não. Não temos obrigação de saber aonde os barcos vão, só temos que garantir que eles fiquem seguros.

A nota de cinquenta pesou no bolso de Peter, ele estava guardando aquele dinheiro para algo importante, algo que fosse vida ou morte, sempre pensara que aquele dinheiro ajudaria os Meninos e não que seria usado para subornar um adolescente. O Garoto de Verde tirou a nota vagarosamente do bolso, a vida de Wendy valia mais que aquilo, ele poderia viver sem cinquenta pratas.

– Isso será seu – o garoto olhou calmamente para Peter – Se você me der qualquer informação sobre o paradeiro do Jolly Rogers.

– Não levante isso! – o menino puxou Pan para um lugar escondido entre duas lanchas – Primeiro o dinheiro, depois a informação.

Peter obedeceu.

– Jolly Rogers tem um dono muito esquisito, ele estava conversando com alguns caras realmente assustadores sobre um plano que faria tudo melhorar. – sussurrou o menino – Pelo que eu pude ouvir, eles levariam uma menina para uma ilha particular longe da cidade.

– Qual ilha?

– Eu não sei.

– Você não tem mais nenhuma informação? – o funcionário hesitou – Por favor, amigo. Aquela garota corre perigo.

O menino deixou se passar longos segundos antes de bufar.

– Muito bem – ele abaixou ainda mais a voz – Eu o ouvi falar alguns números estranhos e aleatórios, depois eu percebi que poderiam ser longitude e latitude. – ele escreveu algo em um papel e depois entregou a Peter – É o que eu posso fazer por você.

Peter quase sorriu... Quase.

– Muito obrigada. – ele saiu correndo, sabia onde Gancho estaria, agora precisava chegar lá.

***

Wendy foi levantada, arrastada, humilhada, espancada, amarrada, pisoteada e vendada, tudo isso em um intervalo de duas horas. Seu corpo doía e suas mãos e pés não aguentavam mais ficar presos, mas nada se comparava ao calafrio que passava por seu corpo toda vez que escutava a voz do Gancho. Ela ainda estava vendada quando atracaram, porém podia escutar os homens de James falando o que gostariam de fazer com ela.

Quando o barco parou, alguém a jogou por cima do ombro e ela gritou, não sabia o que iria acontecer e ela não poderia mais se fazer de durona. Começou a gritar desesperada por ajuda, até eu sentiu algo frio em sua bochecha e se calou na mesma hora.

– Como eu disse, queria, ninguém vai ouvi-la aqui.

A menina começou a chorar, estava tudo perdido, sua vida, seu futuro, tudo que havia pensado em fazer. Estava fadada a uma morte agonizante nas mãos de James Gancho, ela não conseguia pensar em um fim pior.

Wendy foi carregada por mais alguns metros, seu corpo doía e os galhos das arvores a arranhava. Depois de uma hora de caminhada, ela foi novamente amarrada em uma cadeira e o Sr. Smee lhe tirou a venda. Eles estavam em uma casa no meio de uma floresta, mais precisamente o porão. A menina podia ouvir os passos dos homens acima dela, porém o local onde se encontrava estava vazio e cheirava a algo morto.

James estava a sua frente, alisando um gancho de prata com sua mão direita, a menina estremeceu, talvez as historias não fossem todas mentiras.

– Ouvi dizer que o corpo humano aguenta horas de tortura se estiver bastante convicto. – disse o vilão sorrindo.

– O que vai fazer comigo? – gaguejou.

– Eu vou dizer exatamente o que vou fazer com você, Wendy querida. – ele começou a andar pelo cômodo – Vou arrancar cada uma de suas unhas, depois cada um de seus dedos, depois seus dentes, olhos, cabelos, mãos... Se ainda não tiver morrido, vou te encher se insetos famintos, depois vou cortar seus membros e por ultimo, dar-lhe de comer aos tubarões. Claro – disse ele mudando o tom de voz – que se você cooperar e me contar onde fica a Terra do Nunca, eu não irei fazer nada disso e você poderá voltar para casa.

– Eu não vou fazer isso – gemeu ela, a imagem da sua tortura passou por seus olhos e ela teve que deixar as lágrimas caírem.

– Eu te darei até o entardecer... Em seguida, estará morta até o sol nascer do dia seguinte.

***

Peter só conseguiu encontrar Tigrinha ao meio-dia, ele soava e seus pensamentos já não eram claros, cada hora que se passava, era uma hora a menos que ele teria para encontrar Wendy com vida. Assim que a filha do mafioso chegou das compras, Peter a fez ir correndo para um local com computador e a fez encontrar o local onde Gancho teria levado Wendy.

– O que está acontecendo, Peter? – Tigrinha parou de digitar em seu notebook e encarou Pan – Por que quer encontrar esse lugar?

– Eu preciso que você se apresse.

– Está procurando... Por que você está usando um terno?

– Wendy foi sequestrada por Gancho... – suspirou o menino cansado – E foi tudo culpa minha.

– Como ele poderia saber que ela te conhece?

Algo apitou no computador da menina e Peter perdeu o interesse em Tigrinha.

– O que é isso? – perguntou com urgência.

– É uma ilha ao norte, se chama Segunda Estrela. – ela continuou digitando – Nenhuma balsa passa perto e você demoraria três horas para chegar lá em uma lancha normal.

– Eu não tenho todo esse tempo... – o menino pulou do sofá e tirou o terno – Onde está seu pai?

– Em Nova York.

– Eu preciso falar com ele.

***

Peter nunca tinha andado de jato antes. A sensação era boa, ele podia sentir o quão rápido estava indo e sentiu a pressão em seu ouvido, seria uma experiência única se não estivesse correndo contra o tempo. O Crocodilo conseguiu um jato para Peter, porém com um atraso que talvez custara a vida de Wendy.

– Estamos chegando. – disse o piloto.

Peter olhou para baixo, havia uma pequena ilha no meio do mar, o garoto podia ver o iate e uma fumaça vinda do meio das árvores. Ele tirou o cinto e começou a colocar o paraquedas, algo que ele também nunca tinha feito na vida, porém sua aula de cinco minutos iria ter que servir.

– Vou abrir as portas. – anunciou o homem.

Pan esperou com seus nervos a flor da pele, o sol logo iria se pôr e talvez Wendy já esteja morta, mas ele não poderia para enquanto não a achasse, por isso pulou do jato e tentou não gritar quando percebeu a velocidade que estava indo em direção ao chão. Ele tateou a mochila, procurando a corda que deveria puxar, esperou até que visse as ondas com clareza e assinou o paraquedas. Peter rezava para que ninguém o visse chegando, ele contava com o elemento surpresa para ter sucesso.

Ele aterrissou na praia sem gentileza, torceu o tornozelo e ganhou vários arranhões. Tinha trocado de roupa na casa de Tigrinha, estava usando calças de acampar e blusa branca, também tinha uma mochila com coisas básica e uma arma. Peter puxou o paraquedas e escondeu no meio das árvores, começou a correr pela praia em busca do Jolly Rogers.

Levou mais tempo que o menino desejava, mas encontrou o iate e os homens do Hook desembarcando coisas dele. Seguiu-os silenciosamente pela floresta, Peter tinha experiência em não deixar rastros e sabia que nenhum dos capangas sabia que o menino os seguia. Os homens chegaram a uma casa, as luzes e a chaminé estavam acesas, ele ouvia vozes e risos do lado de dentro.

Peter correu silenciosamente até a janela e examinou o local, parecia uma casa normal, porém não havia nenhum sinal de Wendy. Ele deu mais uma volta na casa e encontrou uma entrada para o porão, encostou o ouvido na porta e tentou ouvir qualquer indicio da menina.

– Srta. Darling – ele ouviu Smee dizer – Já está escurecendo, eu acho que você deveria ouvir o capitão e dizer logo onde fica a Terra do Nunca.

Peter escutou uma voz abafada.

– Não precisa desse linguajar. – disse o Sr. Smee ofendido.

Peter sorriu antes de abrir cuidadosamente a porta, ele tirou uma adaga de suas coisas e entrou no local. O cômodo estava iluminado apenas por uma luz fraca, Wendy estava amarrada em uma cadeira e seus olhos brilharam quando viu Peter entrar. Ele sorriu para ela e fez um sinal para que ficasse me silencio, Sr. Smee estava sentado na escada quase dormindo, Peter usou as madeiras que seguravam o teto e atingiu o homem por cima. Ele caiu desmaiado.

Peter correu até Wendy e a desamarrou, a menina estava tremendo, ele quis matar Sr. Smee por ter machucado a menina, seus lábios estavam rachados e seu corpo machucado, seu vestido estava rasgado e seus cabelos soltos. Ele tirou o pano de sua boca e puxou para si, Wendy começou a chorar e o menino jurou que Gancho não sairia vivo dessa.

– Eu não acredito... – disse ela ainda com o rosto na camisa do menino – Eu realmente achei que você não iria me encontrar.

Ele a afastou e limpou seu rosto, colocando o cabelo atrás da orelha. Wendy fungou, Peter estava pronto para lhe dar outro abraço quando a porta que dava para o andar de cima se abriu. Os dois se esconderam e esperaram o homem descer, ao ver Sr. Smee desacordado, o capanga gritou, Peter se xingou por não ter escondido o corpo do homem e puxou Wendy para saírem pela janela. Ele a deixou sair primeiro e depois pulou para fora, se deparando com os homens de Hook. Ele olhou para menina, ela estava petrificada, mas com um olhar determinado no rosto, Peter perdeu a chance de pegar arma quando um homem o atacou.

Ele se moveu com sua agilidade anormal e começou a lutar com o homem enquanto mais três vinham em sua direção, tentava olhar para ver se Wendy dava conta, ela consegui atingir os caras, porém sua estatura era pequena em relação os capangas. Os homens de Hook não eram como outros comparsas, eles eram treinados e difíceis de acertar, o garoto estava tendo uma dificuldade enorme para conseguir nocautear os homens.

Wendy estava pior, a menina já tinha perdido a conta de quantos socos tinha levado, só o que conseguia fazer era fugir dos homens, era algo mais fácil, eles eram grandes e fortes, porém lentos. A menina queria se comunicar com Peter para dizer que era melhor fugirem do que tentarem ganhar uma luta, eles eram apenas dois.

Ela correu até Peter e encostou em seu ombro antes de ser pega pela cintura, enquanto ela tentava se soltar, gritou:

– Esquece!

O garoto jogou a mochila em um dos caras e correu para ajudar Wendy, eles começaram a correr, porém escutaram um som de tiro. Todos pararam e olharam quem havia disparado. Gancho estava na escada na entrada da casa, estava com raiva e olhava para todos com uma fome assassina, ele apontou uma arma para Peter e sorriu. Ele puxou Wendy e os dois começaram a correr, Wendy estava cansada e seu corpo estava quase desistindo, mas quando escutou outros disparos, Peter bambeou e suas pernas começaram a acelerar.

– Vamos atrás deles! – gritou um.

– Não. – ordenou o capitão – Deixem, vamos encontrá-los amanhã.

Porém isso não diminui os passos deles, Wendy tentava não cair, porém o terreno era desnivelado e a menina quase caia toda vez. Eles correram durante dez minutos, até Wendy não aguentar mais.

– Para. – pediu ela puxando a mão de Peter – Eu sei que temos que continuar... Mas eu não tenho força.

Ele olhou para ela com o rosto apreensivo e com a mão no abdômen, então percebeu que ela não havia caído porque Peter não estava correndo com sua velocidade total e que ele quase caiu quando os disparos começaram... ele havia sido atingindo. Wendy respirou fundo e olhou para os lados desesperada.

– Deixe-me ver.

Ele olhou para os lados, mas não tirou a mão do ferimento.

– Droga, Peter! Deixe-me ver. – ela tirou a mão dele com força e o menino gemeu de dor – Desculpa – Wendy puxou sua blusa e respirou fundo ao ver o ferimento.

– Foi de raspão. – Pan respirava inspirava pesadamente, Wendy olhou para todos os lados e tentou pensar que não estava tudo perdido.

– Está ouvindo isso?

– No momento eu só consigo ouvir minha respiração.

– Água... – ela começou a ir em direção ao som que escutara.

– Estamos em uma ilha Wendy, tem água em todo o lugar. – ela parou e puxou a mochila das costas dele, ela podia ver que a ferida estava afetando-o.

– Água doce. – ela parou e escutou mais um pouco antes de continuar. – Uma cachoeira em algum lugar

– Não acho que é uma boa ideia. James deve achar que esse é o primeiro lugar que nós viríamos.

– Ele disse que só nos caçaria de manhã. – Wendy subiu uma elevação escorregadia e se virou para ajudar Peter, que dispensou a ajuda.

– E pode muito bem ser uma mentira. – ele fez uma careta enquanto se esforçava – Ele só diz a verdade quando o assunto é matar alguém.

– Mentira ou não, precisamos de água para limpar seus ferimentos. – ao chegar ao topo, a menina encontrou a cachoeira, a lua brilhava por cima da água corrente e eles estavam em uma parte que se parecia com uma grande piscina.

Peter tirou a blusa e sentou perto de uma árvore, Wendy abriu a mochila e procurou um quite de primeiros socorros. Encontrou gazes e esparadrapos, pegou a faca e cortou um pedaço do vestido, também encheu o cantil com água. Seguiu até Peter e viu que ele parecia um pouco melhor.

– Deve arder. – disse a menina molhando o pedaço da blusa com água.

– Então converse comigo. – o menino respirou fundo.

– Parece que hoje não foi o melhor dia da minha vida. – ela começou a limpar e a respiração de Pan ficou breve.

– E é tudo culpa minha.

– Eu inventei aquela desculpa horrível... E também insisti de ir atrás do Gancho, se eu não tivesse...

– A culpa é minha Wendy. – cortou ele, o sangue não parava de escorrer, o ferimento era mais uma queimadura pelo raspão da bala, porém em um ponto crucial, tinha realmente ferido. – Eu não devia ter levado você até a Terra do Nunca.

– Eu segui você. – ela cortou a gaze e começou a fazer o curativo.

– Melhor parar com essa briga de quem começou primeiro. – ele riu a seco – Se sobrevivermos a isso, eu te deixo em paz.

Foi a vez de Wendy rir.

– Acho que isso não deu muito certo da primeira vez.

– Porque eu não entendia o motivo... Agora eu sei que você ficará mais segura sem mim.

– Peter – ela colou a ultima gaze e olhou nos olhos dele – Eu não sou uma menininha em apuros.

– Então o que eu devo fazer?

Wendy não sabia o que responder, pegou a blusa suja do menino e foi para uma pedra longe de Pan para lavá-la. Por mais que fosse inútil tentar tirar o sangue de uma blusa branca, ela esfregou com força, com ou sem Tigrinha, Gancho chegara até eles. Nada poderia ser o mesmo, Wendy não sabia o que iria acontecer amanhã, mas sabia que para eles voltassem a viver, James Gancho deveria morrer.

Algumas horas se passaram, Peter pegou no sono e Wendy ficou sentada em uma pedra alta molhando os pés, tinha pegado a arma e estava de prontidão enquanto ele dormia. Ela mesma estava exausta, tinha sido capturada e acabara de lutar com garanhões, ela não tinha mais forças. Quando ouviu passos, puxou a trava da arma e apontou para a sombra atrás dela.

– Por favor, não me mate. – brincou Peter levantando as mãos, mas com uma careta abaixou-as e sentou ao lado da menina.

– Deveria descansar mais. – ela olhou para o curativo – Está doendo muito?

– Não. – ele olhou para ela com confiança – Já tive ferimentos piores, só foi difícil enquanto eu estava correndo.

– Então descanse para amanhã.

– Não, Wendy. – a garota olhou-o no mesmo segundo por causa de seu tom urgente – Eu fico imaginando milhões de coisas que você poderia me contar e você foge, toda vez.

– É algo irrelevante agora, temos que fugir...

– Somos só nós dois aqui e você vai me contar.

– Tudo bem – suspirou – Na noite que Tigrinha chegou, eu escutei a conversa de vocês e acabei derrubando aquele vaso, você não percebeu, mas ela sim. Quando você saiu para pegar o quite de primeiros socorros, Tigrinha disse que eu tinha que me afastar de você, não só porque ela ia parar de ajudar os meninos e sim contar a Gancho onde a Terra do Nunca ficava.

“Quando ela te viu sair da minha casa, supôs que eu não tinha comprido a minha parte do acordo, então me sequestrou e ameaçou minha família. Eu tive que ser convincente, eu tive que inventar um motivo no qual você acreditaria, mas você continuava aparecendo e eu temia que ela descobrisse. Mas agora não tem sentido esconder isso de você, James já nos achou.”

– Wendy. – Peter esticou a mão e secou uma lágrima que escorria, ela não tinha percebido que estava chorando – Você não deveria ter feito isso.

– Eu não tinha escolha. – exclamou.

– Eu não ia deixar Tigrinha fazer nada que pudesse nos matar e eu não ligo para a droga dos presentes dela. Eu me importo com você! Você foi sequestrada por ela... Não deveria ter feito isso por mim... Ou pelos meninos. – disse ele tossindo.

– Eu não poderia correr o risco... Você é muito importante pra mim.

– E você é para mim. – ele tirou o cabelo do rosto da menina e viu que ela estava machucada também, cortou mais um pedaço do vestido dela, molhou na água e começou a limpá-los. – Não entendo por que fez isso tudo. Ele te deixaria ir se contasse onde ficava a Terra do Nunca.

– Não suportaria viver sabendo que matei crianças inocentes. – ela pegou a mão de Peter que limpava os ferimentos e apertou – Além do mais, eu me apaixonei por você.

Peter a encarou por muitos segundos, Wendy ficou envergonhada e olhou para os pés, “Ótimo, ele não sente o mesmo” pensou ela. Porém, Pan sorriu e segurou o rosto da menina com as duas mãos.

– E eu sou apaixonado por você. – os dois riram – Sou apaixonado por você desde que correu atrás de mim. Eu não consigo para de pensar em você, Wendy Darling! Eu sou apaixonado por você!

Wendy puxou Peter para e si e começou a beijá-lo, se esqueceu de Hook ou de Tigrinha, só o que importava era que Peter Pan era apaixonado por ela. Ele a envolveu e puxou-a para seu colo, Wendy segurou seu queixo e o beijou com mais intensidade. Peter acariciava suas costas no ponto decotado do vestido, Wendy passou a mão por suas costas nuas, sentindo o calor do corpo dele. O menino puxou o cabelo de Wendy para trás, e começou a traçar beijos famintos pelo pescoço dela, mordendo o lóbulo de sua orelha.

A menina se afastou com a respiração entrecortada e assentiu, eles não precisavam de palavras, Peter sabia o que ela estava pedindo e ele também temia. Porém, depois daquelas palavras ditas, não havia mais nada que pudessem esperar. Wendy tentou abrir o sinto de Peter, porém suas mãos tremiam, então ele segurou suas mãos e beijou-as.

– Olhe para mim. – ela assentiu.

Ele colocou uma mecha atrás de sua orelha e traçou um caminho com as postas dos dedos até a alça do vestido. Wendy gemeu e respirou fundo, ele puxou o vestido para baixo e começou a beijar seu ombro, depois pegou a bainha do mesmo e começou a puxar para cima, acariciando a perna de Wendy enquanto fazia, ela estremeceu e levantou os braços quando foi preciso.

– Você é linda. – sussurrou ele.

Peter voltou a beijá-la enquanto explorava seu corpo agora quase nu, ele pediu que Wendy entrasse na água e também se despiu. A água estava fria, porém Peter puxou a menina contra o seu corpo e continuou beijando-a, liberando ondas de prazer e calor pelo corpo dela. Wendy estava com medo, mas de alguma forma, Peter anestesiava esse sentimento, como uma droga que ela nunca mais poderia ficar sem.

– Você está estragando o meu curativo. – disse ela arfando.

– Eu não estou sentindo dor alguma.

Notas finais
Espero por vocês :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.