Notas iniciais
ooiiee queria agradecer o review lindo da Mel Dark e dizer obrigado também ao povo timido que tá acompanhando. E aí nossa o lourinho voltou como será que ele vai reagir ao Ikky hein? Prevejo problemas em breve? talvez deliciosos problemas hauhauahua Esse caps tá meio angust, mas é que nem tudo é fácil né mores? Enjoy

E não é que o tempo passou outra vez e Ikky nem notou? Não que dessa vez ele estivesse só se divertindo, embora a faculdade tenha se mostrado muito além de trabalhos, matérias chatas e provas. Porém, agora além da diversão havia responsabilidades e descobertas, assim algumas coisas começaram a se estabelecer.

Em algum momento Saga e Shaka resolveram assumir o relacionamento deles para todos e isso foi um passo dentro da responsabilidade, um indício para Ikky que as coisas entre eles eram mais do que apenas beijos e curiosidade. Eles tinham um relacionamento sério e Saga afirmou que amava Shaka na frente de todo mundo o que fez o indiano ter uma síncope de vergonha. Para a sua família não foi tão ruim quanto imaginavam Dionísio inclusive estava esperando que o filho viesse falar com ele porque já desconfiava disso há tempos! Amaia só lamentou que o filho tivesse corrompido o anjo de Ahalya, esperava isso de Kannon, não de Saga.

O gêmeo mais novo ficou indignado com as desconfianças da mãe.

Dionísio ficou tão feliz com a notícia que disse que o casamento deles seria a moda grega e ele traria toda a família da Grécia. Shaka empalideceu ainda mais e Saga adorou a notícia, inclusive passou horas falando daquilo com o pai, que avisou logo que eles morariam ali sob as vistas dele e ponto final.

— Você vai ficar deslumbrante de grinalda Shaka! – Kannon disse tentando não rir, mas em vão.

Na família Bertrand a notícia caiu como uma bomba, mas o indiano não voltou atrás. Henry ficou enfurecido e expulsou o filho de casa e ficou ainda mais irado quando Ahalya ficou a favor do filho e Kamus também. A indiana acabou se separando do marido e Henry foi morar em Paris, Kamus quase foi com ele, mas decidiu terminar os estudos para ir à Rússia buscar o irmão, tentava conseguir a emancipação dele.

Camus passou um tempo viajando, tentando de alguma forma conseguir a guarda do irmão, nem que para isso tivesse que enfrentar o pai. No fim Henry acabou permitindo que Camus fizesse o que quisesse sobre Hyoga, já que o avô deles acabara de falecer.

Milo que ficou muito chateado com esse arranjo, assim só viria o francês na faculdade e assim seus planos para conquista-lo teriam obstáculos, palavras dele.

Ikky notou que a sua volta vários casais se formaram, Kannon disse a ele que os dois, junto com Shun, seriam a resistência dos solteiros hetero, já que aparentemente Seiya tinha encontrado uma namorada tão mandona e superprotetora quanto a própria mãe. Ao conhecer Saori, Milo e Aiolia apostaram sobre quem seria o ativo da relação Seiya e Saori.

Sobre Milo, Ikky se divertia com a persistência em que o grego insistia em alguma coisa com Kamus, provavelmente ele venceria o francês pelo cansaço. Assim como Aiolos que também insistia com Shura, que eles eram almas gêmeas e sendo assim tinham que ficar juntos.

— Vocês dois gostam mesmo de desafios. – Ikky dissera aos amigos certa vez.

Aiolia era a incógnita do grupo até um dia em que Ikky descobriu que se poderia pensar em várias maneiras de matar alguém em poucos minutos.

Acabava de chegar de mais um dia do seu estafante estágio, em breve estaria formado e advogando e poderia fazer algo mais que servir cafés e ler autos dos processos para outro advogado figurão. Ele teria os seus próprios estagiários escravos para fazer isso, pensava tentando se animar. Então lá estava ele em casa, tomando um suco e indo ver se o irmão Shun estava no quarto, onde deveria estar já que saíra do colégio há duas horas. Sua mãe provavelmente fora para o restaurante, agora com os filhos crescidos, Amaia se dedicava a ajudar o marido no restaurante da família. Eles tinham uma filial que Saga e Shaka cuidavam.

Ao chegar ao corredor dos quartos Ikky se surpreendeu ao ouvir gemidos e algumas palavras sussurradas e vinham do quarto do Shun! Ikky já era muito experiente para saber do que se tratava aquilo e pensou em não interferir, afinal seu irmãozinho estava crescendo e se ele quisesse experimentar as coisas boas da vida...

— Ai Aiolia, mais forte!

Ikky sentiu quando o sangue foi parar nos pés e depois correu tão rápido que era como se uma explosão acontecesse na sua têmpora. Estava quase indo embora quando escutou a frase, então se voltou e abriu a porta para se deparar com uma cena aterradora (para ele, que disse isso várias vezes ao irmão Kannon enquanto os dois tentavam esganar Aiolia, com Shun e Milo tentando impedi-los). Seu irmão, seu doce e inocente irmãozinho de quatro na cama com Aiolia arremetendo forte nele. Os dois estavam tão concentrados que nem o barulho da porta abrindo os perturbou e foi só quando ouviram a voz de Ikky foi que pularam assustados na cama.

— AIOLIA EU VOU TE MATAR!

O leonino viu a vida passar nos seus olhos naquele momento.

***

Ikky estava tão entretido com a sua boa vida e seu estágio estressante que nem percebeu que a sua vida estava prestes a mudar outra vez. Talvez se tivesse percebido o quanto Shun andava eufórico, Aiolia enciumado, e Milo sofrendo pelos cantos com a ausência de alguém ele tivesse notado, mas Ikky estava muito ocupado para notar. Ele tinha uma possível namorada agora, Esmeralda, a menina mais cobiçada da faculdade e por isso Ikky agora era o rei do campus. Seu ego estava tão flamejante quanto a ave fênix.

Mas o fato é que quando Ikky percebeu que alguma coisa ia acontecer era tarde demais, já estava acontecendo.

— Não acredito! – Shun desceu as escadas correndo e se jogou nos braços do outro assim que o viu, Aiolia que esperava sentado no sofá fechou a cara e Ikky continuou a descer devagar até ver mais do que as pernas do novo visitante.

Novo até aquele olhar azul céu cair sobre ele e imediatamente Ikky soube quem era.

— Olá frango!

“Nossa e não é que ele virou mesmo um cisne!” foi a primeira coisa que ocorreu a Ikky enquanto ele ficava de boca aberta admirando o louro à sua frente, que em nada lembrava aquele garotinho elétrico e franzino de seis anos atrás. Ele agora era um homem e um homem estonteante!

“Opa Ikky desde quando você associa a palavra estonteante á algum cara?”

O louro olhava para Ikky com um brilho diferente no olhar, não era algo hostil e o moreno se sentiu estranhamente aliviado por isso. A verdade é que embora tenha passado todo aquele tempo, ainda se sentia mal por ter contado sobre a aposta boba de Shun e Hyoga e desencadeado aquela reação tão severa de Henry.

— Eu nem acredito que você tá aqui! – e Shun voltou a se jogar nos braços do amigo, feliz demais para notar o olhar assassino que Aiolia lançava a Hyoga – Quando foi que chegou?

— Acabei de chegar! Eu tinha que vir ver você assim descabelado e remelento por ter acabado de acordar. – a risada grave de Hyoga soou na sala e Ikky riu de canto, ainda observando de longe. Não sabia ao certo qual seria a recepção que teria do rapaz, ainda sentia receio.

— Ai você não muda. – Shun revirou os olhos – Sempre tirando com a minha cara!

— Eu tenho certeza que mudei em muita coisa Shun. – Hyoga deu uma piscadinha para o amigo – E fiquei mais bonito desde a última vez que a gente se viu.

— Ah quem iludiu você assim pato? – Ikky não resistiu em cutucar o outro.

Hyoga se virou para ele com um meio sorriso nos lábios, a mão deslizou pelas madeixas louras displicentemente, mas Ikky acompanhou o gesto nos mínimos detalhes sem perceber e sua boca de repente ficou seca quando percebeu que estava “secando” o outro.

— Ah Amamiya você continua o mesmo idiota. – Hyoga olhou para o outro de canto e depois se virou para Shun – Aí Shun, vai lavar essa cara e depois aparece lá em casa. A maa está enlouquecida por eu estar de volta e eu provavelmente vou ficar gordo de tanto comer por causa dela e do Saga... Eu só vim aqui acordar você! – virou-se indo em direção a porta – Até mais Aiolia! Não precisa ficar com essa cara o Shun é meu amigo. – o lourinho disse rindo para o leonino – Até porque ficar com o Shun seria como ficar com a minha irmã.

— Você não tem irmã pelo que eu saiba! – Aiolia comentou

— Por que o Shun ocupa o lugar perfeitamente. – ele se virou e acenou para Ikky – Até mais frango! Eu vejo você por aí, vamos nos divertir como nos velhos tempos.

Aiolia e Ikky se entreolharam quando o louro se foi, o primeiro riu do suspiro do outro.

— Sempre um pequeno tufão não é? Algumas coisas não mudam. – comentou para o amigo.

— Sim o sempre intempestivo tufão louro.

Mal sabia Ikky que o pequeno tufão tinha se tornado um furacão, categoria 5 na escala Saffir-Simpson (classificação e intensidade de furacões).

***

Hyoga atravessou a rua assobiando uma canção qualquer com o espirito bem leve e muitas ideias na cabeça. Era assim desde que descobrira que os irmãos conseguiram a sua emancipação, o que o deixou feliz de uma forma quase obscena. Ele não estava tão diferente daquele menino cheio de energia e intempestivo da infância, só que agora ele sabia canalizar melhor essa energia toda, estava mais controlado.

O que não significava que estava menos arteiro. Principalmente agora que descobrira que o seu objeto de implicância não amadurecera o suficiente para deixar as alfinetadas para trás. Mesmo que agora fosse adulto e não soubesse que no fundo Ikky não previra a atitude extrema de Henry, ele só queria como sempre provocar. Mas ainda sim...

Ele devia uma lição à Ikky Amamiya e estava muito disposto a dá-la.

— Eu conheço essa cara.

Hyoga levantou os olhos e se espantou com o irmão que o fitava com a sobrancelha arqueada no último degrau. Vinha perdido em suas maquinações que nem percebeu que já subia as escadas de casa.

— Eu nem fiz nada Shaka!

— Agora ficou pior, essa cara de gato de botas é mais assustadora ainda. O que você está aprontando Hyoga?

— Eu hein! Só fui ver o Shun – deu de ombros e ambos entraram indo para a sala onde Kamus estava próximo a janela olhando para a casa da frente e Hyoga parou no meio da sala olhando os irmãos – Credo eu só fui fazer uma visita, o que esperavam que eu fizesse? Fuzilasse o Amamiya?

— Algo do tipo – Kamus comentou no seu tom frio e indiferente, largou a cortina e foi se sentar no sofá onde Shaka já estava – Como foi?

— Ah foi tudo bem ora, o Shun disse que vinha aqui daqui a pouco – ele se sentou no meio dos irmãos – Onde está a maa? Pensei que ela estaria aqui para me receber.

— Mamãe precisou viajar para a índia, ela voltou a ajudar a ONG você sabe – Camus respondeu – Ela precisa se distrair...

— Ela vai superar – Hyoga remexeu no cabelo – Nós estamos felizes sem ele não estamos?

— Hyoga ele é o seu pai. – Shaka falou devagar, atento as reações do mais jovem. Pouco se falou a respeito de Henry ou do tempo em que Hyoga passou com o avô, o rapaz foi categórico sobre esquecer o assunto, mas os irmãos se preocupavam com as marcas que o avô, a atitude intransigente do pai e aquela súbita liberdade, deixariam no adolescente – Mesmo que... Eu, eu o entendo... Afinal não sou filho...

— Não ouse falar algo assim, você sabe que não é verdade – Kamus interveio irritado – Ele o ama também, Henry só precisa de tempo...

— Não o defenda Kamus! Você sabe que não é assim, ele nunca vai mudar ou você acha que ele fez aquilo comigo por ser compreensivo? Veja Dionísio, esse cara não existe! Três filhos dele são gays e ele lida com isso de uma forma maravilhosa – Hyoga rebateu o irmão – Não acha que ele também ficou chocado, que também não doeu? Mas o amor que ele sente pelos filhos é maior do que qualquer intolerância.

— De onde você tirou esse terceiro gay nos Amamiya Hyoga, pelo que eu saiba só Shun e o meu marido são – Shaka voltou a arquear a sobrancelha para o irmão e até Kamus voltou o seu olhar para o menor.

— O Ikky óbvio! O que foi? Não vão me dizer que ninguém percebeu?

— Ele é hetero declarado, o pegador e tudo mais. – Kamus riu de lado sarcástico lembrando-se de Milo era o melhor amigo do moreno e sua quase uma cópia loira do outro, embora não fizesse distinção de sexo. Mesmo alardeando por aí que ele e Kamus eram almas gêmeas, ele nunca estava sozinho para desagrado e ciúme do ruivo. Mas o francês não daria o braço a torcer, Milo era um problema enorme com aquele gênio difícil e intempestivo e ainda tinha Henry. O pai morreria se descobrisse que ele também sentia atração por homens.

— Ele e Kannon são quase uma irmandade do orgulho hetero. – Shaka revirou os olhos – Acho que você está confundindo Hyoga.

— Confundindo eu?! – um sorriso ladino cresceu nos lábios perfeitos do adolescente – Eu tenho certeza! Então ele só precisa “sair do armário”! Aí o que vamos fazer hoje à noite? Eu quero dançar, sair e conhecer pessoas curtir por aí o que sugerem? Podem reunir o pessoal , vai ser divertido. Nós podemos jantar no restaurante e depois ir a alguma boate...

— Fiquei cansado só de ouvir você falar – Kamus disse com um suspiro.

— Meu deus você não cansa não? Tem que ter um botão para desligar você não é possível! – Shaka começou a cutucar o irmão e ele a se contorcer as investidas daquelas mãos nervosas que lhe faziam cócegas.

— Ai Shaka para!

Hyoga ria em meio às lufadas de ar e se contorcia então Kamus também entrou na brincadeira e logo Hyoga só ria muito e não conseguia se desvencilhar até que os três foram parar no chão às gargalhadas. Uma brincadeira da infância, um momento só deles quando Hyoga era apenas um garotinho e Shaka e Kamus brincavam de fazer cócegas na barriguinha rosada para arrancar do menino aquela risada adorável. Eles não eram mais crianças, as risadas soaram graves e roucas pela sala, mas o sentimento era o mesmo e eles estavam felizes que assim fosse.

— Eu senti muita falta de vocês. – o loirinho murmurou e Shaka o envolveu nos braços apertando forte, condoído pelo tom triste do adolescente. Olhou para Kamus que mesmo no seu semblante aparentemente tranquilo, sentia-se triste também e isso o fez acariciar os cabelos do irmão mais novo nos braços do outro.

— Nós nunca mais vamos nos separar. – Shaka levantou o rosto do garoto olhando fundo naquele mar azul para passar toda a certeza daquelas palavras – Nós nunca mais deixaremos que fique longe de nós e ninguém mais vai machucar você.

— Você jura Shaka? – ele puxou a mão de Kamus indicando que queria o irmão mais perto e os três acabaram abraçados no chão – Você promete Kamus?

— Nós prometemos – foi Kamus quem disse olhando para Shaka e os dois assentindo, Hyoga ficou naquele abraço quente e acolhedor se sentindo protegido como há muito tempo não sentia.