Notas iniciais
Vou tentar manter os capítulos curtos, mas vai depender da inspiração. Esse não é o meu modo usual de escrever então ainda estou me adaptando Enjoy

A máxima que diz que o tempo passa rápido quando nos divertimos foi muito verdadeira para Ikky. Num dia ele acordou e tinha vizinhos novos, no outro ele já tinha quinze anos e seu próprio quarto. Os gêmeos estavam prestes a entrar na universidade, Shaka e Kamus também, Ikky ainda estava terminando o colegial, mas estava muito feliz com tudo que tinha até agora e não pensava no futuro.

Era o capitão do time de futebol, Aiolia e Milo faziam parte dele também, já que Aiolos estava no último ano assim como os gêmeos. Era o popular da escola, as meninas babavam por ele, até as mais velhas. Aos quinze, Ikky já mostrava a promessa do homem bonito que se tornaria, as coisas estavam mudando para melhor.

Bem nem tanto assim.

Viu o irmão mais novo vir correndo na sua direção enquanto saia do portão da escola. Sempre ia buscar Shun para irem juntos para casa o que implicava em também trazer certo menino louro junto.

Ikky em meio ao abraço do irmão viu Hyoga chegar correndo também segurando a mochila.

— Por que estão correndo? – perguntou ao irmão, mas olhando o loirinho que olhava freneticamente para trás com um sorrisinho.

— Não interessa frango! Vamos embora de uma vez. – Hyoga começara a apelidar Ikky de frango depois que vira uma foto de moreno vestido de frango em uma peça teatral do jardim de infância, isso foi munição para atormentar o outro por muito tempo.

— O que está aprontando pato? – Ikky arqueou a sobrancelha para o menor. Pato, fora o revide que encontrou para implicar com Hyoga ao ouvir a mãe deste dizer que ele era como a história do patinho feio, que ele poderia se tornar um cisne quando crescesse.

— Nada! – Hyoga trocou um olhar cumplice com Shun e ambos riram matreiros, Ikky reconhecia aquele olhar do lourinho, olhar de quem estava aprontando alguma coisa.

—Shun você não está entrando na corda desse daí está?

— Não Ikky – o menino assentiu rapidamente para o irmão – É o Hyoga, ele é um beijoqueiro!

— Shun!

— Eu vou levar uma surra se o Ikky contar para o papai Hyoga!

Ikky pegou os dois pela orelha enquanto saia em direção ao carro que viera busca-los.

— Os dois vão me contar agora o que andaram aprontando ou vou arrancar a pele dos dois!

— Vai nada, você não manda em mim! – Hyoga se soltou antes de entrar no carro

— Ah moleque! Anda Shun desembucha!

— Foi uma aposta Ikky, uma brincadeira – Shun começou a falar aflito e Hyoga lhe lançou um olhar furioso, mas Ikky ainda o mantinha seguro pelo braço, como o menino era pequeno, ele jogou ele dentro do carro sem dificuldade – A gente apostou quem conseguiria mais selinhos e o Hyoga ganhou foi isso!

— O QUE?! Que historia é essa moleque? – Ikky tentou manter o semblante irritado, mas a ideia de ver o seu irmãozinho estava crescendo o suficiente para começar a pensar em selinhos o divertia. De Hyoga nada de surpresas aquele garoto era muito precoce, aos dez anos parecia ter mais e era espevitado como poucos – Quem vocês pensam que são para sair beijando por aí? Mal saíram das fraudas!

— Eu beijo quem eu quiser! – Hyoga rebateu, o olhar desafiador o queixo arrebitado numa clara atitude de desafio que sempre instigava Ikky. Mas a frase do menino o deixou surpreso.

— Seu moleque!

— Eu não sou moleque, pare de me chamar assim!

— Ei Hyoga, você não pode ganhar assim, foi golpe baixo.

— Você disse quantos selinhos conseguirmos não disse se eram selinhos só em meninas. – o lourinho se jogou no banco com um sorriso maroto nos lábios de coração – Eu ganhei! Doze selinhos contra quatro seus.

— Ikky o Hyoga beijou um menino! – Shun estava com os olhos arregalados, um sorriso envergonhado nos lábios, Ikky olhou para os dois, estava chocado. Como assim aquele moleque que nem saiu das fraudas é o maior beijoqueiro da turma? Ele não era assim aos dez anos de idade.

— Ele gostou ué? Foi só um selinho. – Hyoga virou o rosto para a janela.

— Você beijaria o Ikki, Hyoga? – Shun perguntou.

— Não seja estúpido Shun. – o lourinho estalou a língua e cruzou os braços – Esse aí eu nunca beijaria.

— Nem eu seu pato feio! – Ikky fez uma careta e aí ele começou a discutir com Hyoga como se eles tivessem a mesma idade, Shun olhando tudo pensando que tecnicamente eles tinham sim, pelo menos mentalmente.

Ao chegar à porta da casa do menino loiro Ikky abriu a porta e ele saiu correndo para a mãe que o esperava na frente da casa, não sem antes fazer um sinal nada educado com o dedo do meio para o moreno e um adeus para Shun.

— Aí está Ahalya o seu filho beijoqueiro! – gritou já na porta da sua casa e viu com satisfação Hyoga ficar ainda mais pálido sob o olhar da mãe. Fechou a porta e se contorceu rindo por um bom tempo.

***

Porém, Ikky não riu quando viu os olhos chorosos do irmãozinho ao acusá-lo dias depois.

— Ele vai embora e a culpa é sua! – gritou o menino de olhos verdes ao ver o irmão entrar depois de mais um dia de aula. Amaia e Shun olhavam pela varanda para a casa da frente onde Henry esperava ao lado do carro, o filho se despedir dos irmãos e da mãe que tinha lágrimas nos olhos, os rapazes Milo e Kamus permaneciam serenos, mas seus olhos estavam tristes Ikky percebeu.

Shun saiu da varanda correndo e Ikky foi atrás para se assegurar de que nenhum carro passava, também por curiosidade pelo que via. Shun foi até Hyoga e o abraçou forte, ambos tinham lágrimas nos olhos, mas o olhar que o menino loiro lançou a Ikky era furioso e ele franziu o cenho se sentindo desconfortável por aquele olhar. Por que aquela criança sentia tanta raiva dele?

— O que...

— Hyoga vai passar uns tempos com o avô. – respondeu Henry no seu tom ameno e severo como de costume – Será bom ele viajar um pouco, conhecer outros lugares, talvez melhore de comportamento.

— Mas senhor Bertrand. – Shun pediu choroso – Ele vai se comportar, ele promete não promete Hyoga?

— Não Shun – Hyoga limpou as lagrimas do menino menor mesmo que as suas embasassem sua visão – Pare de chorar! Eu vou voltar – ele olhou de novo para Ikky e de novo um olhar cheio de animosidade – E quando eu voltar você vai ver, Ikky Amamiya.

Era uma promessa séria e rancorosa demais para um menino tão pequeno.

Hyoga abraçou Shun de novo e em seguida entrou no carro, Henry acenou para a esposa e os outros filhos e deu partida no veículo, Hyoga ainda se ergueu e espalmou as mãos pequenas no vidro traseiro do carro, os olhos de céu estavam marejados. Shun soluçou mais forte, Ahalya entrou logo em casa para que os filhos não lhe vissem as lágrimas e Ikky viu que não era só Shun que estava chorando.

— Ele vai voltar não vai? – indagou a Kamus, achava exagero todo aquele drama pelo fato do garoto ir apenas passar um tempo com o avô.

— Não ele não vai. – Kamus respondeu, o rapaz também estava furioso, mas parecia controlado – Não até que seja adulto o suficiente.

— Ou “esteja completamente ‘domado”. – Shaka respondeu com um desdém venenoso – Que ele enlouqueça aquele velho asqueroso antes que ele o quebre!

— Você não podia ter contado Ikky não podia! – Shun ainda chorava Kamus tocou nos cabelos castanhos do menino com carinho tentando acalmá-lo

— Não culpe o seu irmão Shun, é que Hyoga se excedeu e nosso pai é muito severo com “certas coisas” – Kamus suspirou resignado – O tempo passará rapidamente e logo nós o teremos de volta.

Kamus deu um beijo na testa de Shun e passou o braço sobre o irmão depois ambos entraram deixando os Amamiya na calçada.

***

— O pai deles mandou o pestinha embora morar com o avô na Rússia só por causa daquela brincadeira de selinhos em meninos?

Na casa dos Amamiya o clima não era tão diferente do clima da casa dos Bertrand, com a diferença de que o sentimento que permeava o ambiente era a incredulidade e não a revolta. Os amigos estavam reunidos no quarto de jogos, Shura e Milo estavam lá também assim como Aiolia e Aiolos. Os irmãos Bertrand também.

— Ele já fez isso com um menininho inocente falando besteira imagina se ele descobrir que você dá mais do que selinhos no Shaka. – Milo apontou para Saga e recebeu um travesseiro na cara do irmão Aiolos. Se olhar matasse, Milo poderia morrer naquele momento. Saga apenas apertou os braços em volta do namorado que sentava entre suas pernas no chão.

Era um segredo da turma o namoro de Saga e Shaka, desde que se conheceram se tornaram tão amigos e agora que estavam na faculdade o romance desabrochou sem que tivessem se dado conta. Mas era segredo principalmente por Henry, pai do Shaka.

— Ele não podia ter feito isso. – Ikky balançou a cabeça, acariciando os cabelos do irmão menor que dormia com a cabeça apoiada no seu colo. Shun estava inconsolável, perdera seu melhor amigo e Ikky se sentia meio culpado por tudo embora não tivesse a intenção quando falou sobre a aposta para Ahalya. Achava que o loirinho só ficaria de castigo – Tá certo o moleque era uma peste, mas...

— Ele só precoce demais. – Kamus deu de ombros – Hyoga é uma criança muito curiosa, talvez ele nem seja gay e só está fazendo essas coisas por curiosidade. Meu pai não podia ter levado ele! O nosso avô é um carrasco, ele vai sofrer o diabo com aquela petulância toda.

Ikky torceu a boca, olhando para Shun outra vez e pensando como as coisas as vezes são complicadas. Agora se sentia duplamente culpado porque Henry levara o lourinho embora porque pensara que Hyoga poderia estar com inclinações para a homossexualidade. Para “consertar” o garoto ele o mandara morar com o avô que segundo Shaka era intragável, severo e sem coração. Agora sim o menino tinha todos os motivos para lhe odiar!

— Ele vai me odiar de verdade agora. – resmungou – Mas eu não achei que ia dar toda essa merda!

— Você não tinha como saber Ikky. – Shaka suspirou – Nem a gente esperava uma atitude assim do Henry... Acho que nem a nossa mãe esperava quando contou a ele.

— Coitado do pato gente! Ele é só uma criança afinal, com muita energia! – Kannon falou triste – Eu gostava do garoto.

— Só quero que o tempo passe rápido e eu posso buscar o meu irmão. – Shaka disse condoído e Kamus assentiu. Ambos tinham planos, em breve quando estivesse com um trabalho bom e pudessem sair de casa iriam buscar o irmão e livrá-lo do castigo que o pai impôs.

— Você vai conseguir meu amor. – Saga beijou o topo da cabeça do indiano – Vai conseguir.

— Ruivo, não fica assim não. – Milo passou o braço sobre os ombros de Kamus mesmo o outro repelindo contato – Ah cara colabora eu tô tentando consolar você!

— Eu dispenso. – e Kamus se afastou indo sentar no outro lado do quarto.

— Kamus, assume que você é louco por mim vai? – todos riram diante do ar de enfado do ruivo à pergunta do loiro – Quando eu fizer minha tatuagem de escorpião, você vai ser o primeiro a ver, eu prometo ruivo!

— Ah Milo me esquece!

— É sério ruivo, eu vou conquistar você. – e Milo deu uma piscadela para ele que revirou os olhos. Milo vivia assim ultimamente, sempre cantando o ruivo, instigando ele a perder a fleuma. Kamus por sua vez se esforçava ao máximo para não cair na implicância do grego.

— Isso ainda vai dar casamento. – Aiolia falou e Kannon levantou o punho e ambos bateram os punhos em concordância.