Ele não está tão Afim de você
12 Capítulo 12
Notas iniciais
– Nossa mãe teve uma pequena crise quando viu Ikky entrando pela porta e não descendo as escadas esta manhã. – Shun remexeu nos cadarços – Ela tem problemas com a gente dormindo fora sem avisar. Mas quando ele disse que dormiu na sua casa ela nem desconfiou. Quanta inocência da dona Amaia!
– Eu ouvi o caminho inteiro sobre o que eu estou fazendo, responsabilidade, o que eu espero do Amamiya e bla bla bla – Hyoga resmungou – Kamus e Shaka juntos são piores que a dona Ahalya. Eles querem saber se é sério, mas nem eu sei se é! Não houve muita conversa depois que o Ikky apareceu em casa ontem, a verdade é que a gente nem consegue conversar! Nós transamos a noite toda e ainda sim acordei de manhã e em questão de minutos já estávamos prontos de novo.
– Sabe Hyoga, ele é meu irmão e você poderia me poupar dos detalhes constrangedores. – Shun retrucou a meia voz.
– De qualquer forma eu sei que ele alardeava por aí que era hetero até o último fio de cabelo e não curtia caras e tudo mais! Sei que ele namora a Esmeralda então tudo é muito recente, como é que eu vou saber se é sério?
– Ele não disse nada? – Afrodite retorquiu com aqueles olhos azul-piscina enormes encarando o louro mais jovem – Vocês só transaram?
– Ele disse que me amava. – Hyoga olhou um ponto distante, a voz não passava de um sussurro, Shun e Afrodite emudeceram juntos, um suspiro languido compartilhado pela revelação do outro.
– Eu tô no chão! – Afrodite levou as mãos delicadas à boca bem feita para evitar gritar.
– Hyoga quer jogar? – Aiolia se aproximou com Kannon Seiya e Milo e mais alguns amigos da arquibancada onde os outros três conversavam. O lourinho se levantou animado e depois de jogar o casaco e a camisa para Shun foi se juntar aos outros. Aiolia depois de beijar o namorado foi também.
– Acha que é verdade Shun? – Dite disse olhando para os amigos na sua frente – Acha que Ikky não está brincando com o Hyoga? Você me disse que ele tem tantos problemas e há de convir que nossa... Nós estamos falando de Ikky Amamiya o cara mais safado que eu conheço depois do Kannon!
– Eu não sei Di! Sei lá o Ikky não ia dizer que o amava a troco de nada ia? – Shun mordeu o canto da boca – E ainda tem a Esmeralda! Ela pode não ser um poço de inteligência, mas gosta do meu irmão de verdade e eles estão namorando, todo o campus sabe disso.
– Falando no diabo... – os dois se viraram para ver Esmeralda que se aproximava com Hilda e Saori.
– Olá rapazes. – Esmeralda cumprimentou e se sentou ao lado de Shun – Você sabe onde anda o seu irmão? Desde ontem que não o vejo.
– Não responda Shun. A Esme tem tendência à psicopatia e síndrome de namorada grudenta – Hilda interveio se sentando no degrau acima de Shun e Afrodite – E aí ver esses pirralhos jogarem é tão interessante quanto à aula de geometria?
– É sempre uma boa visão. – Afrodite respondeu desdenhoso e Hilda sorriu de lado.
– A Hilda faz pouco, mas eu sei que ela gosta de ver o Kannon se exercitar. – Saori comentou – Ela está se fazendo de difícil! Mas é só ele abrir aquele sorriso arrasador que ela derrete – Saori acenou para Kannon que retribuiu com um sorriso – Olha só!
– Rá Kannon! Até parece. – apesar de desviar o olhar, não foi capaz de impedir o rubor que tomou conta do lindo rosto. Conhecia Kannon desde o colegial e sabia o quanto ele era irresponsável e imaturo, também achava ele muito novo para ela apesar da diferença ser de um ano apenas entre eles.
– Não disse! – e todos começaram a rir de Hilda que bufou e ficou emburrada.
– Quem é o lourinho que está jogando? – Esmeralda apontou para Hyoga que dividia a bola com Aiolia.
“Seu concorrente” Shun pensou, mas ao invés disso disse:
– Ele é irmão do Kamus e do Shaka Esme. Aquele que morava na Rússia eu acho que já ouviu falar dele.
– Aquele garoto que odeia o Ikky? – ela o fitou admirada, depois olhou para Hyoga com atenção – Ele não parece muito com um garoto!
– É ele não parece muito – Afrodite e Saori olharam para o louro também.
– Ele é da minha turma de história da arte – Saori comentou – Todas as garotas babam por ele...
– E você também dona Saori, não adianta disfarçar que só falta um outdoor na sua cara. – Hilda cortou a amiga – Imagino o que o Seiya vai falar se descobrir.
– Eu e o Seiya terminamos. – Saori falou mais baixo, num suspiro triste – Ele gosta de outra pessoa.
– Ah amiga eu sinto muito. – Esmeralda afagou os ombros da outra garota e Shun pegou uma das mãos da jovem, apesar de estar rindo triunfante por dentro.
– É uma pena Sa! Mas você vai encontrar uma pessoa que a ame de verdade. – Shun a confortou e Afrodite o olhou lambendo os lábios para abafar a vontade histérica de rir. “Cara de pau” ele moldou nos lábios sem emitir som nenhum ao amigo. Sabia muito bem dos esforços de Shun para que Seiya e Shiryu ficassem juntos.
– Isso Saori, alguém como o Ikky e você vai ser feliz como ele e eu somos. – Esmeralda continuava a afagar os ombros da amiga e depois dessa Afrodite não conseguiu controlar a gargalhada que escapou, espantando as garotas.
– Nossa Dite a Saori está sofrendo aqui e você rindo. – Esmeralda o repreendeu – Ah lá vem o Ikky.
Esmeralda se levantou e foi de encontro ao moreno que chegava com Shiryu, ele não olhava para a jovem loura, seu olhar estava no campo em certo louro descamisado e suado que recebia um abraço entusiasmado de alguém que ele não reconheceu, mas foi o suficiente para fazê-lo trincar o queixo de raiva.
– Oi amor – Esmeralda se alçou pelo pescoço do moreno, dando um beijo na bochecha dele já que o rosto já que Ikky ainda tinha os olhos no campo – Ikky?
– Esmeralda – o moreno pegou os pulsos da loura delicadamente e afastou – Me dê um minuto sim?
Em poucos minutos Ikky venceu a distancia, parando ao lado da arquibancada lateral onde estavam Shun e os outros. Continuou olhando o campo agora de braços cruzados.
– Epa! – Shun disse a Afrodite – Eu conheço esse olhar... Oga! – o rapaz acenou freneticamente para o campo, tentando chamar a atenção do russo para quem acabara de chegar.
Hyoga se desvencilhou dos amigos e veio para junto deles, ao se aproximar olhou para Ikky com a sobrancelha arqueada e em seguida desceu os olhos azuis pelo braço alvo que enlaçava o moreno até ver o rosto de Esmeralda.
– Você devia estar na aula. – disse o moreno aborrecido.
– Você também. – rebateu o outro cortante, desafiando o moreno com o olhar.
– Ah Ikky, você não é o irmão do garoto para mandar nele. – Esmeralda sorriu e esticou a mão para Hyoga – Oi Hyoga, eu sou a Esmeralda namorada do Ikky e amiga do Kamus e do Shaka.
– Ah namorada do Ikky! – o louro sorriu de lado, mas não havia calor no sorriso nem na mão que ele estendeu para a moça – Prazer em conhecê-la Esmeralda.
Hyoga subiu na arquibancada e pegou das mãos de Shun suas coisas e depois desceu sem falar com ninguém. Já indo em direção oposta ao campo.
– Hyoga você não vai mais jogar? – um dos rapazes gritou do campo.
– Não Isaak, eu preciso ir agora. – ele acenou de volta e Ikky já se desvencilhava da Esmeralda para ir atrás do louro quando mudou de ideia ao ouvir:
– Até mais então lourinho! Que tal um sorvete depois da aula hein? – Isaak piscou e mesmo de longe seu tom era claramente cheio de sugestões.
Ikky foi até o rapaz e o pegou pelo colarinho, o erguendo sem muito esforço já que era bem maior que Isaak, que o olhou aturdido.
– Se eu te pegar perto do Hyoga eu quebro a sua cara ouviu bem? – disse entre dentes – Nem sua mãe vai reconhecer você depois que eu terminar.
– Mas... Cara! Você por acaso é irmão dele?
– Ikky – Hyoga chamou e Shun também, todo mundo já estava em volta olhando curiosos sem entender nada. Esmeralda estava de olhos arregalados porque Ikky nunca agira dessa forma, parecia que ele estava com ciúmes do louro! “Ah ele é tão superprotetor” pensou consigo “Ele se importava com o garoto como se importava com o Shun!” concluiu satisfeita.
Se Afrodite pudesse ler os pensamentos dela ele estaria gargalhando de novo.
– Amamiya. – Hyoga voltara e estava aborrecido – Quem você pensa que é para ameaçar as pessoas?! Larga ele agora!
– Seu pato descarado você acha lindo não é? – Ikky largou o outro e voltou-se para Hyoga – É muita cara de pau!
– CARA DE PAU É A SUA! Seu frango metido! – Hyoga bateu no peito do leonino afastando-o de vez do outro rapaz – Resolva primeiro a sua vida e depois venha querer tirar satisfações! – intimou Hyoga apontando para Esmeralda e indo embora depois.
Ikky praguejou e Shun olhou para o irmão balançando a cabeça de forma reprovadora. A plateia apenas olhava o moreno que estava prestes a explodir de raiva.
– Ikky o que ele quis dizer com aquilo? – Esmeralda não se importou com o estado do namorado – Ele é muito petulante, acho que você devia deixa-lo fazer o que quiser afinal o que você é para ele? – antes que Ikky respondesse ela continuou furiosa, sem saber por que – Nada! É isso Amamiya você não é nada para esse garoto!
– Esmeralda. – Ikky respirou fundo e pegou a moça pelos ombros – Vem aqui que a gente precisa conversar.
– Se você não for atrás dele agora ele vai pensar um monte de besteiras. – Afrodite interveio chamando a atenção de todos – E você nem poderá culpá-lo. Você armou esse circo todo para que?
– Afrodite deixa. – Shun disse – Vamos atrás do Hyoga, ele está precisando da gente. – eles se afastaram dos dois, Shun ainda olhando feio para o irmão. Hilda e Saori já estavam próximas a Esmeralda que apenas mordia o lábio e ameaçava chorar.
– Ikky o que significa isso?
– Não seja estúpida Esme! – Hilda exclamou revirando os olhos – Eu não acredito que... KANNON!
– Vem garota. – Kannon saiu puxando Hilda pelo braço de forma nada gentil levando ela dali antes que ela dissesse mais coisas, gritando para os outros também se dispersarem. Saori ficou sozinha por um tempo até resolver ir atrás de Seiya, Ikky e Esmeralda ficaram sozinhos no campo.
– É Esmeralda, acho que a gente precisa conversar – Ikky coçou a nuca desviando o olhar para a arquibancada – Vem aqui.
***
– Hyoga! – Kamus entrou correndo no vestiário masculino procurando o russo, guiado pelo barulho do chuveiro. Shun e Afrodite o tinham procurado para contar sobre a cena no campo e Kamus queria achar o irmão primeiro, saber como estava seu irmão e só depois ia esfolar aquele japonês lentamente.
Chegou à área dos chuveiros e parou na porta antes que o vissem, mas só havia um chuveiro ligado e não era Hyoga que estava tomando banho.
“Só podia ser esse grego exibido mesmo!” pensou irritado, mas os olhos não desgrudaram da visão a sua frente. Milo tirava a espuma do corpo, passando as mãos com vigor do corpo nu enquanto a agua escorria abundante da ducha forte. Kamus franziu o cenho para aquilo “ele deveria estar usando pelo menos uma sunga” pensou contrafeito.
Milo percebendo que não estava mais sozinho abriu os olhos e um sorriso enorme nos lábios bem feitos.
– Kamuy que surpresa boa!
– Milo você viu o Hyoga? Aconteceu alguma coisa – ele continuou a falar e Milo saiu debaixo do chuveiro e mesmo molhado veio até o ruivo. Era o primeiro chuveiro, próximo a porta – Você já terminou de tomar banho? Por que não uma toalha Milo? E aquele chuveiro aberto desperdiçando agua?
– Kamuy alguém já disse que você fala demais? – Milo estava bem próximo agora, Kamus podia sentir a respiração dele em seu rosto – Vem aqui um pouquinho vem?
–Mi...- antes que Kamus falasse alguma coisa Milo esmagou os lábios dele com os seus.
– O Hyoga foi para casa Kamuy – Milo explicou beijando o pescoço do ruivo, que já sabia ser uma área sensível e suas mãos hábeis desabotoavam botões de camisa e fivela de cinto – O Olia foi leva-lo, eu me certifiquei disso.
– Você não está dizendo isso apenas para que eu ceda ao seu desejo pervertido de transar no vestiário da faculdade está – Kamus apertou os braços musculosos do louro quando sentiu os dentes de Milo na sua pele.
– Eu juro ruivo – Milo tomou a boca de Kamus, a língua habilidosa pedindo passagem para explorar a cavidade húmida – Shun fez tudo direitinho e a essa hora ele está com o lourinho, consolando ele junto com Afrodite – as roupas de Kamus já estavam no chão e Milo descia os lábios pelo pescoço e ombros, provando a pele alva com vigor.
– Miiilo! – guinchou Kamus quando o grego segurou um dos mamilos rosados com os dentes – Alguém pode...
– Não vai aparecer ninguém eu me certifiquei disso
– Você está me transformando em um pervertido grego!
– Meu pervertido. – e Milo se ajoelhou para tomar o falo do amante na boca carnuda, chupando a glande devagar, deixando que a língua brincasse na ponta e sorvesse o gosto de pré-semem. O gemido de Kamus ecoou pelo banheiro vazio.
Kamus segurou os cabelos dourados, num meio rabo de cavalo para que pudesse apreciar melhor o trabalho de Milo e então se enterrou mais na boca carnuda gemendo mais. Milo vibrou ao sentir a entrega de Kamus e colocou mais força na felação, sugando de forma voraz deixando que a língua serpenteasse pela generosa extensão enlouquecendo o francês.
O ruivo afastou quando sentiu que não aguentaria mais e tomou os lábios de Milo num beijo selvagem. Milo adorava despertar esse lado no sempre tão comedido e responsável Kamus Bertrand e o envaidecia saber que só ele tinha aquele poder de despertar o vulcão que era Kamus.
Espalmou as mãos na parede do chuveiro e Kamus mordia seus ombros e as mãos apertavam a carne das coxas e as nádegas durinhas, os dedos escorregaram entre a fenda e massagearam a entrada por cima, sem penetrar.
– Ai Kamus não me tortura assim. Vem! – choramingou Milo.
– Shiu! Agora aguenta – Milo bufou e começou a rebolar, se esfregando no membro teso de Kamus, provocando-o e o outro riu mordendo em seguida o ombro bronzeado de Milo.
– Kamie!
Kamus descera a língua pela pele molhada das costas até alcançar a bunda redondinha e a língua substituiu os dedos fazendo o grego gritar. Se não tivesse se certificado de que ninguém entraria lá pelas próximas duas horas (isso envolveu certo charme e suborno para cima da zeladora dos vestiários), Milo estaria em maus lençóis.
O calor já tomava o local onde os gemidos de ambos os amantes preenchia o lugar. Kamus estava torturando Milo daquela maneira deliciosa e o grego estava próximo ao ápice e impaciente de sentir Kamus dentro dele. Levou a mão ao pênis e masturbou-se, na tentativa de ganhar algum alivio Kamus também estava próximo à borda e por mais que ele adorasse torturar o amante daquele jeito eles não tinham muito tempo. Seu desejo gritava para enterrar-se naquele grego impulsivo e louco que amava. Levantou-se e inclinou um pouco o joelho posicionando o membro na entrada apertada e Milo sem paciência para a delicadeza e cuidado do namorado desceu sobre o membro de uma vez. A despeito da dor Milo sorriu de olhos fechados ao sentir Kamus em seu corpo, polegadas de plenitude invadindo-o e completando fazendo-o se sentir no céu.
Kamus segurou os quadris estreitos do grego e segurou o movimento, começando a mover o próprio quadril devagar, entrando e saindo num movimento cadenciado. Logo o ritmo foi aumentando, ditado pela urgência do desejo que crescia como uma onda furiosa prestes a rebentar na praia. Kamus ofegava e falava palavras em francês, Milo gemia e incentivava o amante a ir mais rápido e mais fundo até que ambos chegaram a um clímax intenso e devastador. As mãos de Kamus se afundaram na carne dos quadris e Milo deitou a cabeça no ombro do ruivo, aspirando o ar que de repente ficara escasso.
– Mon dieu Milo! – exclamou Kamus ofegante – As coisas que me faz fazer...
– São todas deliciosas e únicas, meu amor. – Milo virou para beijar o ruivo que tomou os lábios cheios do outro num beijo delicado.
Afastaram-se, Kamus se retirou do corpo de Milo e tomaram uma ducha apressada, apenas para limpar os resquícios de prazer e se vestiram rapidamente porque Milo vira no relógio que o tempo deles acabara e Kamus queria ainda achar o irmão.
***
– O Milo me mata se descobrir que eu não te levei para casa Hyoga! Você devia estar na faculdade – Aiolia reclamava enquanto estacionava o carro no calçadão em frente a praia.
– O Milo está bem ocupado agora eu espero. – Hyoga desceu seguido de Shun e Afrodite, que pareciam tão animados quanto o lourinho pela vista maravilhosa do mar Egeu – Aquele grego tem que servir para alguma coisa!
– Nem pensem em descer, não quero vocês sujos de areia no meu carro! – Aiolia falou, mas não adiantou muito porque Hyoga e Shun já iam correndo deixando as roupas pelo caminho e Afrodite que ficara para trás, mas parecia ter o mesmo objetivo dos amigos voltara-se apenas para fazer um gesto não muito gentil com o dedo do meio.
Aiolia praguejou, sabendo que agora teria que ser babá das três pestinhas ali na praia ou Kamus e Milo o esfolariam vivo. Foi até um quiosque e depois de comprar uma cerveja foi se sentar onde os outros deixaram as suas coisas, Shun tivera a ideia de passar em casa apenas para pegar algumas coisas e irem todos a praia para “animar” Hyoga. O leonino esperava que o namorado o recompensasse logo mais a noite por toda a paciência.
Seu celular tocou e ele viu o nome no visor e mordeu o canto da boca, mas atendeu.
– Onde vocês estão? Eu sei que você está com o Hyoga então nem adianta me enrolar Aiolia – Ikky foi logo dizendo assim que o outro atendeu.
– A gente deu uma saída... Olha Ikky ele não está a fim de falar com você agora, é melhor...
– Onde vocês estão?! – Aiolia bufou, mas acabou dizendo onde estavam e em minutos o Amamiya mais velho estava lá.
Hyoga estava saindo da agua com Shun, riam sobre alguma coisa com o garoto de cabelos castanhos jogando agua no louro. Afrodite vinha a frente desfilando sua beleza andrógina de forma displicente, sem notar os olhares em volta para o corpo delgado e bonito. Foi ele quem viu primeiro Ikky parar ao lado de Aiolia, o moreno estava de jeans e uma blusa social preta enrolada até os cotovelos, os polegares enganchados no jeans. Afrodite concluiu que Ikky era a personificação do pecado puro e mal e que ele e Hyoga juntos era algo tão quente quanto o inferno. Hyoga parou ao lado dele e percebeu porque o amigo parara no meio do caminho.
– Você não precisa falar com ele agora. – disse Shun olhando para frente – Se vocês forem conversar agora vão brigar. São dois teimosos!
– Ele não estaria aqui a troco de nada querido – Afrodite interveio – Escute pelo menos o que ele tem a dizer, afinal tudo é muito recente. Ninguém pode cobrar nada de ninguém ainda.
Hyoga continuou com os olhos fixos no moreno enquanto escutava o que os outros dois falavam. Depois de sair do campo, espumando de raiva, foi para o seu armário e em seguida tomou um banho rápido disposto a ir embora dali aquele dia, achando que era um completo idiota. Estava confuso com as atitudes de Ikky, embora o chilique que o japonês deu no campo fosse claramente um ataque de ciúmes. Mas ele não falara com Esmeralda ainda, então estavam na mesma, só que Hyoga não ia esperar Ikky se resolver. Ele queria uma resposta agora e se Ikky não a tinha é melhor que acabassem tudo ali.
“Where the light shivers offshore
Through the tides of oceans
We are shining in the rising sun”
“As we are floating in the blue
I am softly watching you
Oh, boy, your eyes betray what burns inside you”
“Onde a luz treme longe da praia
Através das ondas dos oceanos
Brilhamos em meio ao sol nascente”
“Enquanto flutuamos no azul
Fico a te observar delicadamente
Oh, garoto, os teus olhos traem aquilo que queima dentro de você”
O louro achava que sofrera o suficiente na vida e se fosse para sofrer por amor, ele simplesmente se recusava.
Decidido continuou andando até Ikky que apenas observava através dos óculos escuros o seu avanço. Tentava se concentrar no que viera fazer ali e não no fato de que o seu louro estava só de sunga se exibindo sem pudor nenhum naquela praia. Ikky refletiu que o ciúme era o eu novo flagelo, que ele nunca havia sentido nada igual, talvez porque agora havia insegurança misturada ao desejo e amor.
“Whatever I feel for you
You only seem to care about you
Is there any chance you could see me too?
'Cos I love you
Is there anything I could do
Just to get some attention from you?
In the waves I’ve lost every trace of you
Oh, where are you?”
“Seja o que for que sinta por você
Você parece só se importar com você mesmo
Há alguma chance que você possa me ver também?
Pois eu te amo
Há alguma coisa que eu possa fazer
Só para ter um pouco da tua atenção?
No decorrer das ondas perdi todos os teus vestígios
Oh, onde está você?”
Sim insegurança. Ele nunca se envolvera com homens, apenas alguns raros casos casuais de que ninguém nunca teria conhecimento justamente porque ele adorava ser o dono da situação, o dominante. Era nova a sensação de saber que quem ele desejava e sentia atração fosse tão macho dominante quanto ele. Hyoga era muito jovem é verdade, cinco anos mais jovem que Ikky, porem o moreno sabia que na matéria de sedução o louro ganhava porque era seu dom natural, realçado pela beleza esmagadora e pelas experiências que ele já tinha. Hyoga era consciente do desejo que despertava e mesmo na sua frágil mente traumatizada, ele lidava com esse poder muito bem. Ele só precisava aceitar o afeto agora, porque o desejo ele já sabia que possuía.
– Eu preciso falar com você. – disse quando Hyoga estava mais próximo, Shun e Afrodite também – Sozinhos.
– Eu só preciso de uma resposta sua Amamiya. – Hyoga disse se enxugando, sem olhar para o moreno – Esmeralda.
– Pato não seja difícil. – Ikky suspirou – Vem comigo, por favor!
Hyoga hesitou, olhando para os outros e então Afrodite assentiu e ele recolheu suas coisas e foi com o moreno para o carro dele. Os outros ficaram na praia vendo-o se afastar.
– Eu devia tê-lo deixado ir? – Aiolia perguntou.
– Qualquer coisa, nós não conseguimos impedir – Afrodite enfatizou e ele deu um pequeno grito de surpresa quando um homem um pouco mais velho se aproximou deles – Meu deus Valentine De la fount!
– Oh que bom que me reconheceu! – o outro abriu um sorriso estonteante e Shun e Afrodite ficaram embasbacados, Aiolia estalou a língua olhando o recém chegado com atenção.
– Por que não o reconheceria? Eu estudo moda e se não o fizesse que futuro brilhante teria? – Afrodite riu e o outro também – Mas é uma surpresa maravilhosa encontra-lo aqui.
– Desculpe chegar assim de repente – explicou – É que eu estava naquele quiosque e de repente vi vocês – Aiolia se levantou intimidador e Valentine apressou-se em explicar – Por favor, não pense bobagens! Eu sou fotografo de moda, trabalho para varias grifes internacionais e sou um pouco de caça talentos também – ele se virou para Afrodite – Você e o seu amigo que saiu daqui agora pouco se importam de fazer um teste? Estamos selecionando modelos para a nova coleção da Donatella Versace que será inspirada na aclamada exposição de Radamanthys de Wyvern, “A face do Anjo” e nós estamos à procura do anjo! – Afrodite e Valentine compartilharam um riso cumplice – É um teste, vários outros modelos foram chamados e quando vi o seu amigo... Mas você também poderia fazer parte da coleção...
– Afrodite – emendou o sueco e o outro arqueou a sobrancelha – Isso aí, deusa da beleza como não poderia deixar de ser.
– Faz jus ao nome. – galanteou o outro.
– Se o Ângelo ouve isso Dite ele esgana você! – Shun se meteu na conversa porque parecia que os dois não notavam que estavam sozinhos.
– Calado Shun!
– E então Afrodite, será que o seu amigo toparia fazer o teste? Ele é modelo?
– Mas Valentine o Hyoga nem tem dezoito anos ainda – Aiolia que respondeu – E o Ikky ia ficar furioso se soubesse é...
– Ele vai fazer dezoito anos na semana que vem. – cortou Afrodite – E ele vai adorar fazer o teste Valentine porque o menino tem talento sabe, ele é um artista tem sensibilidade e eu sempre achei aquele anjo da exposição do Wyvern a cara do Hyoga mesmo! – ele acrescentou com um aperto de mãos confiante – E imagine, ser o modelo principal da coleção de Donatella não é para qualquer um! Ele vai sim, só dizer quando e onde.
Shun revirou os olhos e Aiolia bufou, já imaginando a confusão que isso traria embora nenhum dos dois imaginasse o quanto Hyoga estivesse ligado de fato aquela exposição.
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