Ele não está tão Afim de você
11 Capítulo 11
Notas iniciais
– Uma atitude muito madura a sua Milo de fazer esse jantar para apresentar o Kamus a sua família – Shaka sorriu de lado, para não demonstrar todo o seu divertimento com a apreensão do outro que olhava para a porta esperando que Kamus entrasse no Massala a qualquer momento – Mesmo que tecnicamente eles já o conheçam.
Estavam reunidos apenas esperando a chegada do ruivo e de Ahalya, os pais de Milo assim como os irmãos Aiolos e Aiolia estavam a mesa conversando trivialidades. Saga e Shaka se relegaram a noite de folga para aparecer no jantar e Shura assim que deixasse tudo pronto na cozinha viria se juntar ao companheiro também. Dos Amamiya Kannon e Shun vieram e Milo estava desapontado por Ikky não ter vindo, mas ninguém sabia do moreno.
– O conhecem como meu amigo, seu irmão, nosso vizinho. – Milo bebeu o vinho e olhou mais uma vez para a porta – Não como meu namorado. Você alguma vez imaginou isso? Que eu iria apresentar um namorado para a minha família assim? – Shaka negou com a cabeça, mordendo o lábio porque estava cada vez mais difícil não rir da aflição de Milo – Por que é o Kamus e tem que ser tudo direito, certinho!
– Vai dar tudo certo Milo. – ele não resistiu e sorriu, um sorriso verdadeiro e então seu sorriso morreu um pouco quando viu a mãe e o irmão entrar e não ver Hyoga com eles. Suspirou e se levantou para recebe-los – Ele não quis vir?
– Ele não sai daquele estúdio há dias! – Kamus estalou a língua contrafeito, Ahalya afagou o braço do filho.
– Ele só terminou o mural essa tarde, quase à noite já. É lindo! Vocês tem que ir ver e fazer alguma coisa a respeito. Não sou boa com artes, mas quem sabe alguém pode ir ver... Passei horas na frente da tela enorme e ainda sim não consegui ver todos os detalhes!
– Precisamos ver o Radamanthys – Kamus falou, seguiam para a mesa e mesmo assim o ruivo viu a cara de desagrado do irmão mais velho – Shaka você sabe que e o melhor que faremos. Wyvern pode nos ajudar, ele conhece Hyoga e o mais importante, conviveu com ele na mesma época em que ele estava com... – Kamus interrompeu o que dizia ao ver a mesa e Milo entre seus pais – O que significa isso? – estancou no meio do caminho fazendo Ahalya colidir um com o outro.
– É o jantar ora!
– Mas ele disse... – Kamus remexeu na franja ruiva com irritação – “Só alguns amigos Kamuy, nada de mais. Seja razoável” – citou acido, num falsete que fez a mãe e o irmão rirem – E ele chamou a rua inteira! Para que? Aonde ele quer chegar com tudo isso?
– Por Buda você está ficando dramático igual aquele grego! – Shaka revirou os olhos.
– Kamus querido, relaxe – a indiana afagou os ombros do rapaz – Vamos nos juntar a eles, já estão todos olhando para nós.
Milo se ergueu quando viu Kamus e sua mãe entrarem no restaurante e mordeu o lábio quando o francês parou no meio do caminho. Conhecia aquele olhar, Kamus estava assustado e irritado e sabia que ia ter muito que explicar ao ruivo depois. Usaria todos os seus argumentos, inclusive aqueles que envolviam nenhuma roupa e lençóis de seda macios.
– Boa noite – Ahalya cumprimentou e todos à mesa se cumprimentaram até que tomaram seus lugares. Shaka colocou o irmão estrategicamente ao lado de Milo.
– E o Hyoga? – perguntou o escorpiano.
– Não veio, está pintando e quando ele está assim não sai de casa – explicou a indiana – Eu espero que Ikky consiga pelo menos conversar com ele, há dias que não o vejo dizer uma palavra.
– Ikky? – Shun e Aiolia trocaram um olhar surpreso.
– Sim. Eu estava saindo quando o seu irmão chegou querendo falar com Hyoga – Ahalya alisou os cabelos negros na trança, Shaka olhava para o marido com uma sobrancelha arqueada a que Saga retribuiu com um sorriso confiante – Espero que Ikky consiga tirar ele de lá.
– Para o quarto com certeza ele vai. – Aiolia comentou e levou um chute de Shun, que olhou para Ahalya que parecia não ter ouvido o comentário do leonino.
– Tá louco Aiolia? O Ikky nunca pegaria aquele moleque – Kannon respondeu tomando o vinho – Tudo bem o garoto é até bonito, mas o Ikky gosta de mulher cara!
– Isso é você que está dizendo Kan – comentou Aiolos trocando um risinho cumplice com o irmão – Uma possibilidade não exclui outra ok? Ele pode gostar dos dois e não há problema nenhum nisso.
– Vem cá porque será que eu percebo certa conspiração familiar sobre o Ikky e o Hyoga? – Kannon olhou para todos os amigos na mesa – Será que vocês não estão exagerando?
– Ah então explica o que ele foi fazer lá na casa do lourinho agora que está todo mundo aqui e eles dois lá sozinhos – Aiolia confidenciou aos outros três.
– Eu posso saber o que tanto os mocinhos cochicham aí? – Ágata chamou atenção dos rapazes e eles se aprumaram de novo, a mulher deu um meio sorriso satisfeito e se virou para o marido e o filho que cumprimentavam Ahalya e Kamus – Como vai querido? Você anda pálido demais Kamus, precisa de um pouco de sol, tem trabalhado demais.
– Mãe por Zeus. – Milo revirou os olhos e Kamus apenas corou sem jeito
– Mas é verdade!
– Ágata cale-se mulher, o menino trabalha é a vida! Melhor que ser um desocupado igual ao Kannon – Heitor se virou para o rapaz mais jovem e Saga, que apenas balançava a cabeça em aprovação – Sem ofensas meu filho, mas é a verdade.
– Mereço! – Kannon bufou e tomou outro gole de vinho.
– É melhor servirmos o jantar – Aiolos se levantou – Pai esqueça o Kannon por um momento, seu sobrinho não tem mais jeito! Eu vou chamar o Shura ou nunca teremos esse jantar.
– Isso mesmo o jantar. – Ágata se sentou e todo mundo se sentou também – Escute Kamus, não se preocupe muito com esse menino, Milo sempre deu muito trabalho, mas agora parece que ele finalmente sossegou. Acho até bom que finalmente vocês se entenderam, mesmo que você esteja completamente certo em dar trabalho para esse daí...
– Não que seja muito fácil, mesmo que com Aiolos e Aiolia e seus namorados... – Heitor interrompeu a mulher, como se Kamus já não tivesse constrangido o suficiente.
– Marido – Aiolos corrigiu o pai aborrecido – Nós casamos, você está no altar não lembra? Foi uma das testemunhas.
– Então Kamus – Heitor continuou – Não é nada fácil vermos nosso garoto com o qual teve sonhos de netos e uma boa esposa grega e tudo. Mas aceitamos! Fazemos filhos para o mundo e esse é o preço a pagar por criar os filhos longe das nossas tradições – e ele deu de ombros.
– Nós na verdade temos que agradecer. Afinal Kamus é infinitamente melhor que aquelas lambisgoias que Milo andava – Ágata enfatizou – Ele pode não me dar um neto, mas pelo menos é um menino responsável, vai colocar juízo na cabeça de Milo.
– Shaka onde está esse jantar pelo amor de deus! – Kamus murmurou apoiando a testa com os dedos.
– Mãe não se preocupe com netos eu e Shura estamos providenciando isso – Aiolos interveio animado.
– O Shura vai ter um bebê?!
– Não seu estúpido! – Shura que vinha chegando junto com Shaka e ouviu o resto da conversa, respondeu a exclamação e Aiolia – Nós vamos arrumar uma barriga solidaria, mas isso só quando o nosso ilustríssimo psicólogo terminar o doutorado.
– Mas Shura eu ainda nem entrei!
– Então trate de entrar – o espanhol se sentou e gesticulou para começarem a servir o jantar – Precisamos de tempo para cuidar de uma criança e quem você acha que vai ser a mãe amorosa?
– Se o Aiolos for uma mãe que nem o Shaka o filho de vocês vai ser traumatizado que nem o Seiya. – Kannon comentou já experimentando seu prato
– Ei! Saga olha só! – Shaka olhou para o cunhado indignado.
– Shaka é só um pouco protetor. – Ahalya interveio carinhosa – Ele se preocupa. E Heitor e Ágata, vocês tem mesmo que agradecer aos deuses porque o meu Kamie é um príncipe e muito mais do que Milo merece.
– Maa você também não! – Kamus estava a ponto de chorar com tudo aquilo – Milo você me paga!
Milo jogou um beijo para Kamus para disfarçar a apreensão de como o ruivo se vingaria por aquele constrangedor jantar.
***
Hyoga acordou com o calor do sol na sua pele, ele sentia os pingos de suor escorrer pelo seu corpo, mas não era apenas isso. Ele estava em uma prisão de braços e pernas morenas entrelaçadas nas suas e um sorriso se moldou nos lábios delicados antes de ele abrir os olhos. Esquecera-se de fechar a janela e agora o sol invadia o quarto com toda a força, trazendo mais calor além do corpo quente junto ao seu. Pela primeira vez Hyoga se sentia completamente feliz.
Ikky percebeu o outro se mexer e antes de abrir os olhos definitivamente ele afundou o rosto na curva do pescoço alvo e aspirou o cheiro dos cabelos dourados e da pele clarinha, apertando Hyoga junto a si e só então afrouxou o aperto para libertar o russo. Que se virou dentro dos braços do moreno para encarar o rosto dele.
– Bom dia – murmurou rouco ainda pelo sono Ikky mirando aqueles belos olhos de céu que agora tinham um brilho diferente no olhar e um sorriso abaixo deles.
– Bom dia – Hyoga acariciou a face do moreno, hesitante em beijá-lo por conta do mau hálito matinal e por achar que Ikky não gostaria. O outro percebeu a hesitação e tomou a iniciativa do beijo, tomando os lábios de Hyoga nos seus num beijo suave e terno.
– Hyoga! Levanta você vai se atrasar para a faculdade – Ahalya bateu na porta e eles interromperam o beijo aos risinhos, o barulho da maçaneta sendo forçada foi ouvido e o louro riu ainda mais.
– Muito esperto trancar a porta frango.
– A gente nunca sabe não é mesmo. – Ikky riu de lado e deslizou o dedo pelo nariz arrebitado do lourinho até não resistir e beijá-lo de novo, dessa vez com mais intensidade o que foi prontamente correspondido. As mãos logo estavam por todos os lugares e as línguas se enroscavam numa procura lasciva e voraz.
– Hyoga! – dessa vez foi Shaka quem bateu e tentou abrir a porta. Hyoga já tinha invertido a posição e agora sentado sobre os quadris de Ikky ondulava o quadril provocando o moreno enquanto este apertava a carne macia das coxas e mordia o lábio para conter nos gemidos – Abre essa porta!
– Shaka! – o lourinho respondeu entredentes, o ritmo aumentando – Eu... Estou meio ocupado agora... Aaah – ele arquejou quando Ikky segurou o seu pênis e começou a bombear devagar – Frango onde você aprendeu a fazer gostoso assim?
– Eu andar com garotas não significa que eu ande só com elas pato! – Ikky se ergueu e tomou um mamilo de Hyoga entre os lábios, que choramingou e agarrou os cabelos do moreno, os corpos ainda se roçando.
Do lado de fora Shaka ouviu os gemidos e levou a mão à boca, descendo correndo as escadas depois até a entrada e observando um par de sapatos diferente ali. Ahalya vinha chegando da cozinha e viu o filho boquiaberto no hall de entrada.
– O que foi Shaka?
– Maa! – Shaka corou como ia explicar para a mãe o que estava acontecendo no quarto do irmão mais novo? – Você já foi chamar o Hyoga?
– Ah... Já eu...
– Bom dia sogrinha – Milo surgiu na sala só com a calça do moletom e exalando um cheiro fresco de limão do banho recém-tomado – Bom dia Shaka!
– Milo vai vestir uma blusa, minha mãe está em casa! – Kamus também descia a escada, já totalmente vestido para ir para a faculdade – Pessoal cadê o Hyoga? Eu não posso me atrasar e eu vou ter que deixar ele na faculdade hoje.
– E aí Shaka quem sabe repensar a ideia da moto para o guri? Ele vai fazer dezoito anos semana que vem e já tem carteira, pode muito bem ter uma moto – Milo disse enquanto todos andavam para a cozinha – Eu já tinha um carro mais novo que ele.
– Por que seu pai é um inconsequente! – Shaka resmungou
– Me deixa ir lá chamar esse dorminhoco outra vez...
– NÃO MÃE! – Shaka gritou ao ver a mãe se erguer e todos olharam espantados para ele.
– Eu vou – Kamus se levantou, compreendendo completamente a aflição do irmão. Então se levantou e quando estava prestes a chegar ao quarto Ikky saia vestindo a camisa e eles quase se chocaram – Amamiya? – Kamus arqueou a sobrancelha.
– Eu... – Ikky engoliu em seco ao ver Kamus – Posso explicar.
– Que bom, pois pode começar. – Kamus cruzou os braços e continuou a olhar para o moreno fixamente, a expressão dura.
– Kamuy você... IKKY! – Milo exclamou na escada quando viu o moreno – O que você... EU NÃO ACREDITO AMAMIYA SEU FILHO DA PUTA! Você tá pegando o lourinho!
– Milo cala a boca! – Ikky gritou de volta e Ahalya e Shaka vieram da cozinha por conta dos gritos. Hyoga abriu a porta do quarto vestindo a blusa.
– Gente que escândalo ainda é cedo para tanta gritaria – Hyoga disse mal humorado – Nem parece que você passou a noite transando Kamie! Você devia estar feliz, mais relaxado – ele se virou para Milo – Ei grego, você não está fazendo seu trabalho direito!
– E por acaso o japonês é o fodástico hein pirralho?! – Milo riu sarcástico – Sabe como é a fama de japonês sobre... – apontou para o baixo ventre – Não é muito boa.
– hahaha olha quem fala! Milo logo você – Ikky bufou irônico – Aí Kamus, você comprovou que o ferrão do escorpião é pequeno não comprovou.
– Buda dai-me paciência! – Shaka escondeu o rosto nas mãos – Mais dois gregos estúpidos na minha vida.
– Eu sempre ouvi dizer que homens não amadurecem tão rápido quanto as mulheres, mas a premissa nunca foi tão verdadeira quanto nesse momento – Ahalya suspirou e subindo as escadas falou mais alto – Ei vocês! Hyoga vá terminar de se vestir e já para a faculdade. Kamus você vai se atrasar, Milo vai para a faculdade com o Hyoga e o senhor seu Amamiya vá correndo para a sua casa dar satisfações a sua mãe por ter dormido fora e depois volte para levar o meu filho para a faculdade dele já que ele está atrasado por sua causa. Shaka e Milo, vamos terminar o café – e dona Ahalya desceu as escadas elegantemente com Shaka e Milo atrás dela como crianças obedientes.
– Maa – Shaka começou...
– Não importa a idade. – Ahalya interrompeu o filho – Nem se namoram ou não, garotos são sempre garotos meu filho. Agora vamos tomar o nosso café porque temos que resolver tudo até a hora do almoço porque nós temos...
– sim – Shaka estalou a língua e fitou o seu chay – Temos de ver o Radamanthys e saber o que aconteceu em Londres entre ele e Hyoga.
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