Ele Roubou O Coração Errado
1 Levante!
Quando abri os olhos, senti o vento gélido me envolver. Encobri meus cabelos com o capuz do casaco negro, sentindo novamente a fúria do vento que por ali passava. Resmunguei quando senti que minhas luvas congelaram.
— Droga — praguejei ao chutar um monte de neve inútil na porta da minha casa.
O inverno na França era algo grotesco , especialmente para mim. A neve emoldurava as ruas e fazia tudo ficar frio e alvo, como sorvete de creme. E deve ser por isso que o odeio...
Já era tarde e todos já haviam se mandado das ruas, aposto que ninguém iria querer morrer congelado. Liguei a TV e deitei-me um pouco antes de cair no sono como uma velha que não dormia há séculos.
Acordei assustada, revirando-me na cama, irritada com o ruído insuportável do despertador. Sam se remexia na cama, resmungando com o barulho do aparelho, que berrava sem pretextos.
Desliguei-o.
— Hum... — gemeu Sam, esfregando os olhos. — Que horas...
Tive um sobressalto quando ele pulou da cama como um gato, correndo para o banheiro. Saiu inteiramente molhado secando os cabelos castanhos claro com a toalha.
— Já estou atrasado — disse, olhando-me como se fosse a culpada.
— Ah, Sam — praguejei, exasperada. — Não enche, não.
Ele suspirou, ajeitando a gravata amarrotada em seu pescoço.
— Se eu fosse você — indiquei o tempo que abominava a rua. — pegaria um taxi.
Sam deu uma olhada na janela, vestiu a jaqueta e bateu a porta atrás de si.
— Idiota — resmunguei, entre dentes.
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