Notas iniciais
Esse é um bônus da minha história Crônicas de Uma Deusa, mas para o entendimento desta não é necessária a leitura de CDUD.

Quando eu nasci, depois de toda a história de Hera ter me jogado do Olimpo por não me achar bom e belo o suficiente, eu a conheci. Linda, mais linda que qualquer outra mulher no mundo. Fiquei absolutamente encantado com ela e sempre pensava que iria casar com aquela deusa. Afrodite. Perfeição agora tinha nome e endereço.

“- Quando você crescer, você vai ficar com todas as mortais igual nossos primos e tios.

- Claro que não Afro, serei diferente de todos.

Ela riu, e a risada dela soava como pequenos sinhinhos tilintando.

- É mesmo? E quem será a sortuda que terá a honra de casar com você?

- Se você quiser, pode ser você! Aceita casar comigo?

Ela fez um breve carinho na minha bochecha.

- Repita essa proposta daqui alguns anos e então nós veremos.”

Tirando quando eu via meus filhos ou quando eles me traziam algum tipo de orgulho, não consigo me lembrar nenhum dia em que fui feliz no qual ela não estivesse perto. O dia em que eu descobri meus poderes foi o dia em que eu percebi que precisava dela ao meu lado, de verdade. Entendi que o que eu sentia não era uma admiração de criança ou então uma paixão adolescente, era amor. Amor de um homem para uma mulher.

“- Agora nós iremos passar menos tempo juntos Fê.

Era assim que ela (só ela) me chamava. Fê.

- Não vejo razão para isso Afro.

- Você descobriu seus dons, tem responsabilidades agora.

- Isso não mudará em nada nossa amizade, mudará?

- Claro que não bobinho! – Ela depositou um beijo na ponta no meu nariz e foi embora, caminhando bem devagar e me hipnotizando, como sempre.”

Aquele andar me deixava (e ainda deixa) louco. Ela é perfeita.

“Era um baile no Olimpo, um desses que ela havia organizado, é claro. Eu nunca ia, ou quando ia nunca dançava. Como um coxo iria dançar?

- Venha Fê, vamos dançar. – Ela gritou para mim, no meio de todo aquele barulho.

- Eu não danço Afro, você sabe.

- Nós mudaremos isso agora! – Segurou minha mão e me puxou para a pista de dança. Apollo, que estava tocando, olhou para nós e deu um sorrisinho. Terminou a música e começou a tocar uma mais lenta, trocando sua guitarra por um piano. Seria isso bom ou ruim?

- Venha, eu não mordo! – Ela colocou minhas mãos sobre a cintura dela e nos aproximou.

- Quão bêbada você está?

- Se eu disser que hoje eu não bebi, você acreditaria? – Ela olhou para mim com aqueles olhos azuis brilhando.

- É o que você diz...

Nós não estávamos dançando, estávamos balançando suavemente, acompanhando o ritmo da música.

- Fê, olhe para mim. – Eu olhei para ela, e seus olhos estavam brilhando. – Você está tão bonito.

- Bonito é uma coisa que eu não sou e nunca serei Afro.

- Não para mim, Hefesto. Nunca para mim.

Tirou uma de suas mãos de meu pescoço e acariciou primeiro meu rosto, e depois bagunçou todo meu cabelo. Aproximou nossos rostos sem se apressar, milímetro por milímetro. E então ela me beijou.”

Eu me lembrava de absolutamente todos os beijos que ela havia me dado e sabia o que ela queria dizer com cada um daqueles beijos. Quando ela me beijava devagar, querendo aproveitar cada segundo, quando ela estava afobada e cheia de desejo.

“- Vamos, vamos para outro lugar. – E, novamente naquela noite, me puxou pela mão até onde ela queria.

- Não, Afro, não quero. – Ela se virou, quase que ofendida.

- Você não me quer? Não quer ficar comigo?

Novamente o talento com as palavras estava me fazendo muita falta.

- Não. Pelo menos não no calor de um momento. Nós nos beijamos, e esse é o nosso primeiro beijo. Esse é meu primeiro beijo, Afrodite.

Ela pareceu chocada.

- Bom então esse é o primeiro de muito Hefesto. E esses’ muitos’ vão começar agora.

Ela terminou de me guiar até um sofá (ainda bem, pois minhas pernas começavam a doer de ficar tanto tempo em pé) e nós dois sentamos. Eu me sentia como um garotinho tolo e inexperiente, o que eu realmente era.”

Nossa história demorou muito para ficar séria. E quando ficou, foi porque Hera e Afrodite haviam brigado. Hera estava com ciúmes que ela não havia conseguido meu carinho como mãe, e Afrodite havia conseguido meu carinho de todas as maneiras, então a xingou de nomes horríveis. Eu não estava presente, estava nas minhas forjas, então não pude impedi-las. Hera disse que forçaria Afrodite a se casar (algo que nem eu nem Afrodite havíamos pensado ainda) e então Afro amaldiçoou-a, dizendo que ela não seria completamente feliz no amor até que Afrodite pudesse ser no casamento. E deu no que deu.

“- Chega Afrodite. Eu te amo muito, muito mesmo, mas agora eu preciso ficar um tempo a mais nos meus projetos.

- Mas e eu?

- Quando eu voltar e te dou toda atenção que você precisa.

- Eu não quero ficar sem sua atenção Fê.

- Sinto muito Afrodite, meu amor. É o meu trabalho, e o Olimpo precisa do meu trabalho.”

Eu me distraí de algo que era meu. Ela é maravilhosa e eu havia deixado-a sozinha e solta. É lógico que casos com mortais ela teria, assim como eu também tinha alguns, mas com um deus... Com meu irmão! Eu enlouqueci. Então desde os tempos gregos sou o maior chifrudo do Olimpo, fazendo par com Hera. Lógico que Hera mesmo tentou reconciliar nosso casamento, mas eu me afundava cada vez mais nas forjas, então Afro continuou a sair com Ares.

“- Ele não te ama Afro.

- Ele me dá atenção.

- Só isso importa? – Ela ficou em silêncio. – Eu não digo isso por você ser casada comigo, mas por ele não se importar com você! Diga-me, ele se importa com você da mesma maneira que eu? Ele ouve seus problemas assim como eu faço?

- Não. Ele não substitui você, só satisfaz minha necessidade natural de atenção, necessidade a qual você não supre!”

Depois de muitos éons de briga, Melanie chegou. Ela era deusa da reconciliação e nos ajudou.

“- Eu disse que seria diferente, não disse?

- Realmente. Eu fiz o papel de canalha. – Nós estávamos abraçados na nossa cama, apenas nos esclarecendo. – Hefesto, quando você se apaixonou por mim?

Eu pensei.

- Não me lembro de um dia sequer, em toda a minha existência que eu não tenha te amado. Desde quando pequeno, eu sempre pensei que ia casar com você. Acho que foi uma das únicas coisas que Hera fez para mim que serviram para alguma coisa.

- Ela é sua mãe.

- Ela me jogou do Olimpo e fez com que eu me tornasse ainda mais feio do que quando nasci.

- Primeiro: eu sinto que você a ama e ela ama você. Segundo: você é lindo para mim, porque ser a deusa da beleza não implica só em parecer bonita, e sim em ser bonita por dentro e por fora, e apreciar a beleza alheia por dentro e por fora. Eu sou bonita o suficiente por nós dois Fê!

- Você quer se casar comigo Afrodite?

- Mas nós já somos casados!

- Forçadamente. Na época, nem eu nem você queríamos nos casar. E agora, você quer casar comigo?

- Sim! – Ela se sentou em meu colo, me beijou e nós não saímos da nossa cama tão cedo.”

Eu sempre imaginei aquilo tudo pra mim, mas só acreditei quando ela disse que sim.

Notas finais
Esse é um bônus da minha história Crônicas de Uma Deusa, mas para o entendimento desta não é necessária a leitura de CDUD.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!