Ele Me Visita Quando Durmo
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Notas iniciais
“Aquela caverna
Triste, fria e sombria
É seu espelho”
(Marcelo Santos Silvério)
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Vinte e nove de outubro de 2010, Sexta-feira.
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Olá Diário.
Eu tenho estado mais próxima de Steve depois de nosso primeiro momento esplêndido de amor, mas algo estranho está acontecendo porque ele não está mais sorridente como antes. Parece triste com alguma coisa do qual não quer me contar e isso me preocupa. Queria poder ajudá-lo com seus problemas, assim como ele me ajudou com os meus, mas como fazer isso se não sei o que está ocorrendo? Espero que não esteja deixando de gostar de mim, porque meus sentimentos aumentam cada vez mais e eu não desejo perdê-lo. O que faço Diário?
Hoje, no colégio, as aulas foram bastante boas, mas demoráveis – como sempre. E, para um alívio, os meninos não mexeram comigo. Sabe o quão feliz fiquei com isso? Parecia que a minha vida estava finalmente tomando um rumo bom. Quando as aulas acabaram, encontrei-me na saída com Steve. Já é uma rotina que se deixar de acontecer eu sentirei bastante falta. Lembra de quando falei que minha vida parecia ficar boa? Esquece, porque Steve está estranho. Ele não está frio ou ignorante comigo, não é isso, o problema é que ele não está tão sorridente quanto costuma ser.
Quando nos encontramos na saída, ele não abriu aquele sorriso lindo que costuma a fazer quando me vê. Na verdade, seu sorriso foi daqueles forçados. Eu me senti estranha, preocupada, até porque eu nunca o vi dar um sorriso tão triste quanto esse para mim, nem mesmo quando Pietro estava me atormentando. Os seus lindos olhos acinzentados estavam tão entristecidos que não tinha mais aquele brilho especial que possuía. É claro que o perguntei o que estava ocorrendo, mas a sua resposta foi: “Nada minha flor, estou bem!”
Não, não está! Foi exatamente isso que o respondi, mas ele apenas deu de ombros me deixando mais preocupada ou irritada já que fui ignorada. Decidi deixar isso de lado, por enquanto e nos abraçamos – eu em sua cintura e ele em meu ombro – dando passos lentos e silenciosos até chegar em casa.
Quando paramos a frente de minha casa, ele me beijou nos lábios e disse um “eu te amo” tão sofrido que me deixou com o coração na mão. Não aguentei ver tanta tristeza e o abracei com bastante força, sentindo meus olhos se encherem de lágrimas implorando para saírem. Eu fiquei com bastante medo. Medo de perdê-lo ou de ele não me amar mais. E não sei o porquê, tenho um mal pressentimento quanto a isso. E nesse instante comecei a chorar, molhando sua negra camisa e sentindo ele abraçar-me com mais força.
“Ellie, não chore minha linda”, escutei sua voz que soou tão suave e amorosa enquanto ele segurava em meu queixo levantando meu rosto para encontrar com o seu olhar entristecido.
“Mas... estou com medo...” falei enquanto minhas lágrimas desciam mais.
“Medo de que?” Sussurrou, fitando-me angustiado.
“De você não me amar mais!” falei, a voz soando rouca por conta do choro. Para meu espanto ele abriu um sorriso confortador e enxugou minhas lágrimas com seus dedos.
“Eu nunca vou deixar de amá-la, entendeu?” minha resposta foi apenas um sorriso e um suave beijo em seus lábios.
Após a cena tão dramática, ele se despediu beijando minha mão e tocando suave em meu rosto. E eu vi aquela figura tão misteriosa sumir de minha visão enquanto seus passos se distanciavam. Entrei em casa, fazendo um bom chá e me dirigindo até meu quarto. Chorei bastante de tanto preocupação. Eu não sei o que está acontecendo com Steve, mas coisa boa é que não é.
Diário, estou preocupada! Continua doce e amoroso comigo, mas está triste e não tem mais aquele sorriso tão alegre. Isso me deixa muito mal e eu não sei o que está acontecendo, só sei que essa tristeza está começando a me afetar também. Nada posso fazer a não ser suspirar de tristeza e esperar que tudo ocorra bem para ele.
O que está acontecendo?
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