A arte do reencontro conforta a alma.” (Thaty Vasconcelos)

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Dez de outubro de 2010, Domingo.


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Estou no paraíso!

Boa forma de iniciar a escrita não acha?! Desculpe minha falta de cumprimentos é que estou bastante feliz! Mas, para que você não pensar que sou uma má educada, farei os costumes comuns para um encontro.

Olá Diário, tudo bem contigo? Estou ótima! Uma imensa alegria percorre meu ser e desejo de todo o meu coração voar e voar, pena que não possuo asas e confesso que estou com inveja das aves e das borboletas, talvez eu deva considerar dos morcegos também já que ele são um mamífero com asas. Deve estar se perguntando sobre o que aconteceu quando vi Steve e pela minha reação é um tanto óbvio que está mais que perfeito.

Ontem, na biblioteca, eu quase não acreditei que realmente estava o vendo. Ele usava uma camisa azul e uma calça jeans negra, que o deixou muito bonito, por sinal. Naquele momento cessei a escrita e dei passos vagarosos em direção a ele, que estava em uma prateleira procurando por algum livro. Minhas pernas tremiam tanto e minhas mãos gelaram de forma repentina. Bufei quando ele andou rapidamente para um corredor paralelo e o segui. Para meu espanto ele não estava lá e andei por vários corredores o procurando. Eu comecei a acreditar que estava alucinando até que um par de mãos segurou minha cintura e virou-me ligeiramente 180 graus, assustando-me com tal conduta. Minha cabeça ficou confusa e só percebi o que aconteceu e o responsável pela atitude depois que minha mente entrou em ordem, e acredite, demorou um pouquinho.

O dono das mãos me abraçava com carinho e tinha um sorriso em seus desenhados lábios. Eu não consegui raciocinar, eu não consegui falar, eu não consegui agir. Aqueles olhos acinzentados estavam brilhando e seus braços me apertaram mais contra seu corpo. Inclinou sua cabeça e com isso nossos lábios foram se aproximando até encontrarem um ao outro. Eu queria chorar no momento que percebi que eu realmente estava beijando Steve e que não se tratava de um sonho. Rodei meus braços em seu pescoço, deixando nosso contato mais íntimo e deixei o beijo seguir o rumo suave e intenso. Meu corpo arrepiou por inteiro quando nossas línguas se encontraram e isso foi tão prazeroso que pensei que iria desmaiar. Cada músculo meu tremia e quando o beijo cessou, colocou a cabeça em meu ombro e o escutei sussurrar “Que saudades”.

Levou-me para fora da biblioteca, segurando minha mão e acabamos na praça, sentando um ao lado do outro. Eu queria perguntar muitas coisas, saber o que aconteceu para ele ter sumido, mas minha voz teimou em não sair. Então foi ele quem começou. “Ellie, me desculpa, não queria te deixar aqui sem avisar.”. Mas deixou.

“Então porque fez isso?”, retruquei e ele deu de ombros.

“Não sei, não foi porque eu quis. Simplesmente adormeci e acordei em um lugar bem distante. Demorou bastante para voltar porque não tenho noção dos lugares.”, disse.

“Como não sabe, isso não é possível.”, ele sorriu sem graça. Estou confusa até agora Diário, acredite. “Então me responda pelo menos essa, porque voltou a me atormentar?”. Nesse momento ele me olhou surpreso.

“Atormentar?”

“Sim, virar aquela sombra e me provocar tanto medo.”

“Quando?”, perguntou.

“Esses dias. E também daquelas vezes que você fechou a janela, apareceu em formato de sombra atrás de Florence e me fez cair da cadeira quando apareceu no colégio.”. Falei.

Sabe o que me deixou mais espantada? Foi ele arregalar os olhos e esfregar as mãos na testa balançando a cabeça de forma negativa. Após, segurou meus ombros e olhou dentro de meus olhos. “Eu não fiz nada disso. Primeiro porque não estava aqui esses dias, segundo, as únicas vezes que apareci para você foi quando você dormia e eu tentava fazer amor contigo. Só! Essa história de sombras... Ah não, Hellen! Não me diga que tem outro como eu atrás de você.”. Preciso dizer que fiquei desesperada? Se aquela sombra não era Steve, então quem era? Até agora eu não sei Diário e isso me assusta, mas essa história ficou de lado, por enquanto, e começamos e conversar sobre nossos dias distantes um do outro.

Ele falou que parou em uma cidadezinha no interior e que demorou um tempo para chegar porque não fazia noção do lugar, mas um caminhoneiro o ajudou e ele conseguiu voltar. Ainda insistia em dizer que não sabia como foi parar lá e disse que isto lhe deixou desesperado mais ainda. Contei que conheci Pietro nesses dias e ele não gostou nadinha disso, ciúme com certeza!

Ficamos um bom tempo conversando, mas logo tive que voltar para casa e ele me acompanhou; ao chegar a casa, ele despediu-se beijando minha mão. Que saudades disso! No resto do dia fiquei tão avoada que parecia uma louca esbarrando em tudo. Steve consegue esse efeito em mim, mas o melhor ainda estava para vir.

Quando resolvi dormir, o rapaz tão belo apareceu e ficamos um bom tempo nos beijando. Acabamos por deitar na cama, aos beijos e explorando com nossas mãos os fios suaves de nossos cabelos. Acabamos dormindo bem agarradinho um no outro e essa noite eu consegui dormir muito bem.

Sentir saudades é doloroso. Eu andei sofrendo bastante quando estive distante dele, mas tudo isso foi esquecido com sua aparição e com tantos carinhos durante a noite. Quando acordei, ele não estava mais deitado comigo, aproveitei o momento de alegria e vim escrever. Agora vou ali tomar um café e depois nos falamos. Até mais, meu Diário!