Ele Me Visita Quando Durmo
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Notas iniciais
”Ok vida, já entendi que sou forte o suficiente para suportar tudo isso. Já pode parar com os testes” (Mallu Moraes)
Sete de setembro de 2010, Terça-feira.
Boa noite, Diário!
Hoje eu tive um sonho estranho. Sonhei que eu estava deitada em minha cama com Steve ao meu lado, estávamos abraçados e ele me beijava de forma provocante e maravilhosa, mas falava coisas que eu não conseguia compreender. O problema é que não me recordo de suas palavras, só me lembro de ficar confusa.
Nesta manhã fiquei bastante avoada, relembrando aquele sonho maluco e por alguns momentos desejei beijá-lo daquela forma. Não consegui fazer meu dever de casa, queimei o almoço, caí no chão do banheiro porque deixei a pia ligada inundando o chão de água. Tudo isso porque meus pensamentos estavam concentrados naquele sonho, ou melhor, em Steve.
As aulas hoje foram tranquilas, mas os alunos não. Aquelas criaturas irritantes resolveram me provocar mais que o costume. Na saída, caminhava tranquilamente com objetivo de voltar a casa, perguntando-me se hoje encontraria Steve já que ontem não o vi. Para meu asar, aquele garoto que bati uma vez por arremessar bolinhas de papel cuspidas em mim durante uma aula toda estava com mais uns três amigos, me encurralando. Eles me pegaram, segurando com força meus braços. Tentei me livrar, mas não consegui e fiquei desesperada quando me levaram para um beco onde ninguém passava. O medo correu em meu corpo, mas decidi que eles não iriam fazer algo comigo sem sair pelo menos com um olho roxo. Esforcei-me mais para me soltar e acabei conseguindo, hora perfeita para dar um soco e foi o que fiz, atingindo um loiro que cambaleou ao sentir minha mão cerrada em seu rosto. Aquilo foi gostoso de ver, mas meu prazer durou pouco porque os outros me seguraram e começaram a me bater. Não foram tapinhas, mas doloridos socos em meu estômago, rosto, chegaram até mesmo a puxar meus cabelos. Aquilo doeu bastante e quanto mais eu tentava me defender mais eles batiam.
Quando um deles estava preparado para mais um soco em meu rosto, fechei meus olhos esperando a mão encostar-se a minha carne, mas nada aconteceu. Eu não compreendi o porquê, a única coisa que senti foi o sangue do nariz escorrer e chegar a meu queixo. Decidi abrir meus olhos azuis e a visão que tive me trouxe fortes emoções. Lá estava Steve segurando o pulso de um deles e socando aquele rapaz. Os outros dois partiram a cima dele e mesmo sendo apenas um, o Steve até que se saiu bem, não que ele seja um lutador, mas sabe se defender.
Um dos garotos vendo que não tinha chances veio até mim, mas Steve correu me abraçando e recebendo o golpe. Neste momento eu já não compreendia o que sentia, milhões de sentimentos passavam por meu corpo sufocando minha respiração. Não sabia se sorria por ele estar me defendendo ou se me levantava e tentava surrar esses idiotas por tê-lo acertado. Ele me soltou e voltou à atenção naqueles imbecis, voltando a batê-los até que desistiram e saíram correndo.
E assim Steve se concentrou em mim, caminhando em minha direção e agachando-se. Eu estava sentada, sentindo meu corpo dolorido e provavelmente marcas ficariam a um bom tempo visível. Suas mãos tocaram meu rosto e pude encarar seus lindos olhos que pareciam preocupados. Ele me abraçou novamente, fazendo meu coração parar de emoção e comecei a chorar. Apesar de ser a “valentona”, eu não deixava de ser mulher e covardemente eles me atacaram. Depositei minha cabeça no seu ombro, sentindo o cheiro masculino e seus braços rodeando minha cintura. Nesse momento pensamentos me veio à mente e pude perceber que, no momento que mais precisei dele, ele apareceu e me ajudou. Sabe o quanto isso me fez feliz? Fiquei mais alegre ainda quando seus dedos limparam o sangue escorrido em meu rosto e depositou os lábios aos meus. Foi um beijo desajeitado e chegamos até a bater os dentes, mas foi o melhor da minha vida.
Steve é cavalheiro, misterioso, carinhoso e cuidadoso. Ele fez questão de me carregar em suas costas até minha casa, não havia necessidade, mas insistiu e aquilo foi maravilhoso principalmente porque meu rosto ficou próximo ao seu pescoço e eu podia sentir seu cheiro a todo tempo.
Quando chegamos a casa, nossa despedida foi diferente das comuns. Ele segurou meu rosto e sorriu, beijando-me novamente e dizendo palavras doces. “Eu vou sempre cuidar de você, prometo”, isso me trouxe uma paz de espírito e, não sei por que, acreditei que ele realmente cumpriria essa promessa.
“Eu acredito em você”, sussurrei e entrei em casa. Eu me sentia nas nuvens, flutuando alegre até o banheiro, mas quando me vi ao espelho fiquei assombrada. Queria chorar ao ver como minha aparência estava horrível. Florence me viu e perguntou o acontecera, ela parecia mais desesperada do que eu e ficou andando de um lado para o outro. Será que sente algo por mim? Cuidado maternal? Não sei, mas a forma que ela cuidou de mim, ajudando com minhas feridas e até me dando uma sopa para comer me fez vê-la com outros olhos. Eu a vi como uma mãe e isso me emocionou.
Bem, Diário, agora estou um tanto dolorida, foi bom desabafar contigo e apesar de meu corpo estar mal, meu coração está alegre. Vou tentar dormir e espero sonhar com coisas maravilhosas. Até a próxima.
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