A morte parece menos terrível quando se está cansado.” (Simone de Beauvoir)

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Vinte e três de outubro de 2010, Sábado.

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Steve matou Pietro!

Exatamente, não estou louca. Essa noite ele não apareceu para me dormir comigo e fiquei o dia todo o esperando na praça, mas nada de aparecer. Fiquei preocupada e angustiada acreditando que ele foi parar em outra cidade e quando a noite chegou o vi correndo atrás de alguém que não consegui identificar no momento. Comecei a persegui-los e acabaram entrando em um beco bem escuro, fiquei temerosa de entrar lá então resolvi esperar, mas demoravam tanto então entrei e a visão que tive me deixou desesperada.

Lá estava Steve com um semblante tranquilo em seu rosto enquanto Pietro estava caído no chão completamente ensanguentado e com o pescoço quebrado. Eu comecei a gritar, mas o moreno tampou minha boca pedindo para manter silêncio porque chamaria a atenção das pessoas. Eu comecei a chorar, Pietro era meu amigo e ele matou só por causa de um ciúme bobo. Pelo menos foi isso que pensei e mordi sua mão, começando a batê-lo. Desviava-se ao mesmo tempo em que me perguntava o motivo de fazer isso e respondi. “Eu é que pergunto o porque de tê-lo matado! Seu ciúmes era tão grande assim?” Ele começou a balançar a cabeça em negação e segurou meus braços para impedir meus tapas.

“Não é isso Ellie, eu...” Começou a falar, mas o interrompi.

“Então do que se trata?” Perguntei, totalmente irritada e ele sussurrou.

“Ele é aquela sombra que tentou lhe matar e fez sua mãe perder o bebê. Lembra-se também da vez que desapareci? Foi ele que me levou para longe, pois desejava brincar contigo só que eu, que sou o mesmo que ele, já estava lhe acompanhando. Pietro tentou me afastar de ti para tê-la só para ele.”. Quando suas palavras se pronunciaram eu fiquei paralisada. Milhares de coisas passaram por minha cabeça e eu não conseguia acreditar nisso, mas quando virei-me para encarar o corpo inerte ao chão, este se dissolvia em vários pozinhos escuros e me joguei ao chão de tão bambas que minhas pernas ficaram. Lágrimas escorriam por meu rosto de forma desesperada e senti os braços de Steve me rodearem.

“Eu odeio Pietro, queria ser eu a matá-lo”, murmurei com as lágrimas dificultando minha fala.

“Você não iria conseguir, ele é como eu”, sorri de lado e o abracei com força.

“Obrigada por ter se vingado por mim”, observei seus olhos cinza que naquele momento estavam pretos por causa da escuridão. Seus lábios se encontraram aos meus em um curto beijo e pegou-me no colo, caminhando até minha casa. Despedimo-nos com um beijo e entrei em casa, mas aliviada por ter finalmente me livrado daquela assombração.

Sinto-me ótima, principalmente porque Florence já está em casa, apesar de estar em repouso. Não se assuste por eu estar alegre com a morte de alguém, mas o fato era seguinte ou morria ele, ou morria eu.

Até mais Diário.