Os filhos são para as mães as âncoras da sua vida.” (Sófocles)

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Dezoito de outubro de 2010, Segunda-feira.

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Oi Diário.

Acordei sentindo-me péssima e apesar de Steve ter passado a noite comigo, ele já não se encontrava mais presente na cama. Muito típico dele. Levantei-me e nem importei de fazer minha higiene bucal, naquele momento eu desejava um copo de água, minha garganta doía de tão seca que estava. Quando saí de meu quarto e entrei na cozinha um cheiro de café tomou conta do espaço e naquele momento vi Steve. Ele estava apenas com uma calça, da cintura para cima totalmente exposta e isso não me fez bem. Olhá-lo desse jeito me fazia pecar porque seu corpo é simplesmente lindo, como alguém consegue possuir tamanha beleza em cada canto de seu ser?

Ajudei-o a preparar o café e comemos em completo silêncio. A verdade é que eu me sentia muito mal por Florence, preocupada e angustiada, e ele sabia disso. Steve estava sendo meu apoio, inclusive quando terminamos o café e fomos até a sala assistir algo, abraçou-me com tanta ternura e permitiu que eu chorasse com minha cabeça em seu ombro, mesmo molhando seu corpo exposto. Eu não queria ir para a aula, a verdade é que eu planejava visitar Florence.

Deitada no sofá, com o corpo apoiado sobre o de Steve, pude colocar meus pensamentos em ordem. Não sabíamos ainda o que ele era, mas com certeza isso pouco importa para mim porque o tenho. Meu sentimento a cada dia aumenta e começo a acreditar que o amor realmente resolveu tomar conta de meu peito. Não sei se isso é bom, mas amar Steve se torna tão saboroso quando chocolate.

Passamos a manhã toda grudados um ao outro no sofá, ele acariciava os fios emaranhados de meu cabelo enquanto minhas mãos, apoiadas em seu peito, se arrastavam com cautela sobre seu corpo – sem malícia nenhuma – e eu sentia ele se arrepiar. Era bom estar assim, era bom sentir as batidas de seu coração e o maravilhoso cheiro que se expandia por mim, e principalmente, era bom sentir aqueles lábios macios se moverem contra os meus.

Após o almoço que fizemos, fomos até hospital e tive de esperar um tempinho para poder ver Florence. Quando esse tempo passou – o que demorou um século – pude entrar no quarto que ela se encontrava e para meu alívio a mulher de pele pálida, cabelos castanhos e olhos verdes estava acordada. Meu coração saltou de alegria quando abriu um sorriso a me ver e a abracei, com todo o cuidado possível é claro. Ela perguntou como eu estava e tive de responder que muito triste com essa situação toda. Observei ela abaixar os olhos e respirar profundada. Quando me encarou, algumas lágrimas saíram de seus olhos e suas palavras foram, ao mesmo tempo em que doloridas, lindas. “Ellie, querida, quero lhe dizer umas coisas. Eu te adotei porque não desejava ter filhos vindo de meu ventre e quando te vi apaixonei por sua pele tão clara e seus cabelos escuros, parecia a Branca de Neve! Então te adotei, mas com o passar do tempo os problemas me tomaram e não fui àquela mãe que planejava ser. Quando descobri que estava grávida, fiquei desesperada, mas aprendi a perceber a importância de criar uma vida dentro de mim. Aprendi a importância de ser mãe e foi ai que percebi que também queria ser uma para você. Perdoe-me por tê-la tratado muitas vezes mal e por tê-la deixada sozinha. Mas prometo, que a partir de hoje, serei a sua mãe!” Chorei junto com ela, abraçando-a com tanto amor e chamando-a de mãe. Nunca chamei-a assim.

Diário, apesar da tristeza do acontecimento, pude perceber que estou alegre por finalmente Florence ser minha mãe. Ela é uma boa pessoa com uma vida complicada e por isso muitas vezes se entregou a bebida, mas notei ela estar diferente por esses tempos e foi ai que eu compreendi que ela realmente desejava ser a minha mãe.

Beijos.