As almas mais escuras não são aquelas que escolhem existir no inferno do abismo, mais sim aquelas que escolhem se libertar do abismo e circular silenciosamente entre nós.” (Halloween – O início)

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Dezessete de outubro de 2010, Domingo.


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Diário, estou chorando! Você nem imagina o que aconteceu.

Hoje passei o dia na praça junto com Steve. Tudo foi lindo, tudo foi romântico, inclusive ele disse palavras lindas para mim. Calma, vou por detalhes, é que estou confusa e muito mal.

Estava sentada no banco mais Steve. Ele passou em minha casa para buscar-me e fomos juntos até a praça, por isso nenhuma surpresa de tampar olhos. Ele sorria, como sempre, e me fitava um tanto curioso, dizendo coisas tão malucas que não consegui parar de rir. Era sempre assim e eu amo isso de todo o meu coração. Um dos momentos que gostei bastante foi quando ele comprou sorvete e insistiu em lamber a sujeira que fiz em meu rosto enquanto tomava o sorvete, acabei por deixar e fiquei tão envergonhada ao sentir sua língua que achei que desmaiaria.

Ficamos um bom tempo sentindo um ao outro com toques suaves e abraços aconchegantes. E o mais lindo foi quando ele pronunciou as seguintes palavras “Eu te amo” em um sussurro. Chorei de emoção e nossos lábios se encontraram em um beijo tão apaixonado que chegamos a perder o ar. Tudo estava lindo e desejei até mesmo a querer apresenta-lo para Florence, por mais incrível que pareça Steve aceitou e nos dirigimos a minha casa de mãos dados um ao outro.

Eu me sentia alegre, era praticamente como o início de um namoro e entrei em casa com saltos de alegria sendo acompanhada por ele. Gritei por Florence, mas não obtive respostas e comecei a procura-la por todos os cantos. Quando entrei no quarto da minha mãe adotiva, a cena que vi tirou um grito de meus lábios que foi soado com todo o ar de meus pulmões. Aquela sombra apertava o pescoço de Flor enquanto uma faca penetrava-lhe o pé da barriga. Rolavam lágrimas por seus olhos e começaram a descer pelos meus também. Steve, ao escutar meu grito, correu em minha direção e partiu para cima daquele demônio, enquanto o corpo da minha mãe caiu ao chão com sangue escorrendo por sua barriga. Ela não estava morta, inclusive deixava sua mão sobre a barriga para evitar perda de sangue e fiquei ajudando-a enquanto ligava para uma ambulância. Steve abraçou a nós duas e em breve tempo o socorro chegou, levando-a para o hospital.

Acompanhei-a com Steve ao meu lado até o hospital. Meu coração estava as mil, eu já fui órfã e não queria perdê-la por mais que nossa relação de mãe e filha não tenha sido mil maravilhas. Quando o médico apareceu – o que demorou bastante graças a cirurgia e também porque ficamos insistindo um bom tempo por informações -, disse que ela estava grávida de dois meses e que esse bebe sofreu lesão graças à faca. Um aborto. Chorei tanto que desejei matar aquela sombra. É claro que ter ciência que Florence esperava um filho me deixou surpresa, eu nem sabia que ela tinha um namorado, mas perder a criança me deixou sem reação.

Agora estou em casa. Steve está na cozinha fazendo alguma coisa para comer. Não tenho fome só ódio. E que alguém nos ajude. Tchau.