Ele Me Visita Quando Durmo
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“Às vezes eu tenho a sensação de viver um filme de terror.” (Evellyn Guimarães)
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Vinte e um de setembro de 2010, Terça-feira.
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Oi Diário!
Dia 23 acabará o inverno e começará a primavera. Sei que isso pouco importa para a maioria das pessoas, mas não sou assim. Eu gosto de apreciar a beleza de cada estação, verão com seu clima ensolarado e quente, outono com suas folhas secas caindo das árvores, inverno com seu frio e seu clima sombrio, e primavera onde se tem das mais lindas flores. Em breve verei bastantes árvores coloridas, visão linda que aprecio de toda a minha alma.
Sinto-me um tanto mal, na verdade irritada é a palavra correta. Ambos sabemos que Steve é a sombra e graças a isso ele não esconde mais nada de mim, porém hoje aconteceu algo e estou a ponto de arrancar os fios de meus cabelos, talvez isso seja exagero, mas é assim que me sinto.
Acordei sentindo-me bem. Mais uma vez Steve esteve aqui e me deixou dormindo em seus braços, eu gosto disso e confesso a mim mesma sem medo algum. Dormir com ele me faz acordar jubilosa e disposta para o que vier, é claro que com exceções. Ontem a aula havia sido chata e no momento em que estava me arrumando desejei que ela fosse chata hoje novamente. Isso parece estranho, uma pessoa comum desejaria que fosse recreativa, mas eu não. Primeiro, porque não sou uma pessoa comum. Pessoas normais não são assombradas por sombras e não se apaixonam por um ser esquisito; Segundo, porque quando as aulas são chatas os colegas ficam tão cansados que não sobram energias para me atormentar. Eu não sei o porquê deles se sentirem assim, parece algum efeito psicológico, mas eu gosto disto e chego até mesmo a agradecer os professores.
O caminho para o colégio foi à mesma rotina que enfrento na semana, nada de Steve, nada de sorrisos, apenas minhas pernas guiando-me automaticamente para o inferno. Sentei-me naquele cantinho obscuro e prestei atenção nas aulas que por sinal foram bem interessantes e divertidas – para eles -, para mim foi um terror porque os rapazes insistiram em mandar aviãozinho com recados nada romântico, mas bem zombeteiros e humilhantes. Não liguei para isso e tentei prestar atenção ao máximo sem me importar com as pancadas de papel em minha cabeça.
Como sempre, soltei aquele sorriso de felicidade ao sair da escola e na porta do inferno estava Steve, com as mãos nos bolsos, provavelmente me esperando para levar-me para casa. Não consegui segurar e lhe abracei com tanta força que ele deve ter ficado sufocado, mas de nada reclamou. Ele pegou minha mão, deu um suave beijo e começou a guiar-me para casa. Andar de mãos dadas com Steve era incrível e fez-me sentir uma mulher amada e não uma adolescente esquisita que é sempre zombada pelas pessoas. Com um toque de seus lábios em minha mão, despediu-se ao me deixar em casa e se foi, deixando uma bobona completamente enfeitiçada pela tonalidade de seus olhos.
Eu estava contente por rever Steve. Estava contente por seus atos carinhosos e seu cuidado para comigo, mas algo sinistro tirou essa alegria rapidamente. O que vi quase me fez cair no chão de tanto medo e aquela sombra masculina estava a minha frente, caminhando a passos lerdos em minha direção e com as mãos se esticando para mim, não me chamando para um abraço e sim para um estrangulamento. No instante sussurrei o nome “Steve” e ela desapareceu, deixando um medo enorme dentro de mim e corri até o quarto. Meus olhos estavam arregalados quando me encarei ao espelho e um fio de raiva passou em corpo. Porque Steve resolveu fazer isso comigo? Eu já sei que ele é aquela anormalidade, não precisava brincar daquela forma.
Diário, terei uma conversa bem “interessante” com ele, não se pode fazer esses tipo de brincadeiras. Só porque estou apaixonada não significa que tem direito para tais atitudes, eu sinto medo dessas coisas, não importa se trata de Steve e acho que ele deveria começar a entender isso. Até agora estou tremendo, de medo e raiva. Queria dormir sossegada, coisa impossível ao menos que ele possua uma boa explicação para isso. E espero que tenha. Ah! Mas ele me paga!
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