Um bom misterioso não revela um bom final.” (Luan Vignatti)



Doze de setembro de 2010, Domingo.



Oi! Aqui estou novamente, Diário!

Eu estou empolgadíssima! Sei que é raro me ver assim, mas acredite, é por um bom motivo. Recorda-se quando falei que iria perguntar a Steve sobre a vida dele, já que quase nada sei? Então, hoje é o dia! Na semana eu não tive coragem para perguntá-lo, até porque algumas coisas aconteceram e você sabe muito bem o que foi, mas sexta ele marcou comigo de passearmos hoje e vamos nos encontrar na praça às 16 horas. A ansiedade toma-me conta de uma forma grandiosa e para me distrair, irei te contar sobre meu dia.

Hoje quando acordei senti bastante frio o que se resultou em pouca coragem para me levantar da cama quentinha. E não levantei, pelo contrário, voltei a dormir tendo sonhos do qual não consigo me recordar. Quando acordei novamente quase surtei ao ver que eram quase onze horas e sai da cama em um salto. Fiz minha higiene diária e olhando-me ao espelho pude perceber que as marcas roxas em meu rosto estavam desaparecendo, isso me fez abrir um enorme sorriso.

O almoço foi tranquilo e tive um papo com Florence do qual nunca tivemos antes. Percebi que ela realmente está se esforçando para não beber e que deseja ter uma relação de mãe para filha comigo e isso me agrada bastante. Ajudei-a com as louças sujas e depois passei na biblioteca ficando lá por mais ou menos uma hora.

E agora estou aqui, escrevendo um pouco e ansiosa para encontrar-me com ele! Steve consegue me cativar cada vez mais e eu gosto de ficar perto dele. Sua presença me faz bem. Agora, se não lhe for nenhum incomodo, vou cessar por aqui e me arrumar para estar bela! Até a próxima querido Diário!

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Eu sei que aquelas seriam minhas últimas palavras por hoje, mas ocorreu algo e estou me sentindo muito mal. Acredite Diário, aquilo que era para ser o paraíso se tornou um inferno e eu não sei como nem como eu começo a explicar. Nesse momento eu desejo sumir deste mundo, ou melhor, dormir e nunca mais acordar, porque são infinitas as lágrimas que caem por meu rosto e me desculpa se eu acabar te molhando e borrando algumas letras.

O que aconteceu foi o seguinte:

Arrumei-me colocando meu melhor vestido de uma cor rosada e um pouco rodado. Eu gosto dele, me da um toque charmoso e meigo. Passei uma leve maquiagem e fiz uma trança em meu cabelo escuro. Senti-me bela e um enorme sorriso se fez em meus lábios rosados.

Ir para a praça sempre me deixou empolgada e naquele momento eu estava mais contente ainda. Sentei-me em um banco, debaixo de uma árvore e olhei por todos os lados, esperando Steve que não deu nenhum sinal de vida. Logo eu senti alguém me abraçar por trás, agarrando minha cintura e beijando docemente meu cangote provocando um arrepio em todo o meu corpo. Quando avistei o belo rosto de Steve automaticamente abri um sorriso. Ele sentou ao meu lado, me encarando nos olhos e minhas bochechas arderam de quentura. Esse rapaz sempre tem a incrível mania de ficar um tempo me olhando e depois iniciar o papo. Conversamos um pouco, na verdade, ele perguntava e eu respondia. Eram coisas simples como “Como foi o seu dia?”, “Dormiu bem?”, “Vamos comer algodão-doce?”. Ok, eu aceitei o algodão doce e comemos juntos, entregando um na boca do outro e isso foi incrível!

Após, ele me chamou para a sorveteria e caminhamos de mãos dadas. Exatamente! Ele fez questão de segurar minha mão, o que me levou ao paraíso. A sorveteria estava bastante sossegada e montamos nosso próprio sorvete. Era delicioso e ainda posso sentir aquele sabor de morango em meu paladar. Foi hilário quando ele deixou cair um pouco do sorvete contido na colher em cima da mesa, a sua careta foi tão fofa que tive de rir ao mesmo tempo em que apreciava sua expressão irritada. Tudo estava sendo lindo e romântico, era como se fossemos namorados e foi ai que me recordei que desejava conhece-lo melhor.

“Steve, você conhece tantas coisas sobre mim. Momentos que nunca contei a ninguém e muitas vezes me pergunto como você sabe tanto.”, falei e ele me encarou um tanto curioso, dando de ombros.

“Eu sei de muitas coisas.”, foi a sua resposta.

“Como?”, por um instante ele franziu o cenho e aquela atitude me deixou confusa.

“Apenas sei”. Não era o que eu desejava saber, mas insisti até conhecê-lo mais.

“Eu quero saber como!”, minha voz havia soado impaciente e até eu me estranhei.

“Para que?!”, aquela resposta havia me irritado, mas me controlei respirando devagar.

“Você me conhece, mas eu não te conheço. Como posso ser sua amiga assim?”, ele arregalou os olhos e balançou a cabeça negando.

“Você sabe minha personalidade, isso já é conhecer. E nós já somos amigos, ou você não me considera?”, perguntou.

“Considero, mas quero te conhecer melhor! Quero saber onde mora, o que faz da vida, como vive, como é sua vida familiar, quantas namoradas já teve, o que mais gosta e odeia...”, ele abaixou o olhar.

“Acredite, é melhor não saber”, disse em tom suave. Confesso Diário, a princípio não compreendi o porquê e acho que até agora é confuso para mim.

“Por quê?”, ele mordeu os próprios lábios.

“Apenas confie em mim!”

“Impossível confiar em alguém que me esconde sua vida!”. Eu exagerei! Minha voz saiu irritada e ele me encarou assustado e acanhado.

Sabe o que me deixou mais indignada? Foi ele se levantar, dar as costas para mim e começar a andar sem pelo menos dizer um tchau. Aquilo foi horrível e fui atrás dele, segurei firme em seu braço, virei-o para mim, encarando aqueles olhos cinzas. Em seu rosto não havia expressão, estava sério, mas seus olhos demonstravam algo que eu não sabia dizer o que era. Um completo mistério.

“Como você sai assim, sem ao menos despedir-se? Seria mais fácil dizer que não iria responder.”, falei e ele sorriu de lado, aproximou seu corpo mais de mim.

“Você deseja uma resposta, certo?!”, sussurrou e colocou seus braços em volta de minha cintura. Aquele contato poderia ter feito meu corpo arrepiar-se de felicidade, mas o efeito foi contrário e eu não consigo dizer o motivo. “Então te darei uma resposta!”. Colocou seus lábios próximos ao meu ouvido e sussurrou algo que me deixou pálida. “Eu sou aquele que te visita durante a noite, interrompendo seus sonhos e tentando satisfazer meus desejos masculinos!”. Após tão sinistras palavras me largou e voltou a caminhar.

Eu perdi a cor. Minha mente ficou paralisada e muitas vezes aquelas palavras se repetiram em minha cabeça. Corri para minha casa e comecei a chorar. Sabe Diário, é tão difícil de acreditar que o rapaz que sou tão fascinada é aquela sombra que me assombra. O que ele é? Eu não sei e prefiro não saber.

Acho que o melhor que posso fazer agora é dormir. Ainda é cedo, mas minha mente esta confusa demais, isso sem contar meus olhos inchados e ardentes. Até outro dia.

Notas finais
Tenso o capítulo... y.y Enfim,obrigada aos que leram ! Beijos e até mais