Notas iniciais
Olááá! Fiquei muito feliz por rever antigas companheiras do nyah!, que delicia *--* Maaas, eu gostaria de pedir perdão a todos os leitores por minha enrola u.u Perdoe-me! Aconteceram coisas em minha vida e tudo se resume a mudança. Bem, mas estou de volta postando mais um capítulo e planejando futuras fanfics >< Inspiração às mil!!! Boa leitura.

Ele é de um jeito que ainda não sei, porque nem vi. Vai olhar direto para mim. Ele vai sentar na minha mesa, me olhar no olho, pegar minha mão, encostar seu joelho quente na minha coxa fria e dizer: vem comigo.” (Caio F. Abreu)


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Vinte e cinco de agosto de 2010, Quarta-feira.


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Olá Diário!

Hoje acordei bastante cedo e sentindo uma vontade enorme de tomar café. Minha quase mãe ainda estava em casa, já vestida para ir trabalhar e fervia água no bule que em breve se tornaria um líquido negro de sabor forte e amargo. Cumprimentei-a e ela abriu um sorriso. Não era tão ruim morar com Florence e percebi que por esses dias ela não andou bebendo, para o meu alívio.

Pela manhã estava frio e quando o café ficou pronto me deliciei na quentura que o líquido me proporcionava, aquecendo meu corpo por dentro. Naquele horário passava jornal pela TV, do qual eu assistia a fim de saber as notícias que ocorriam, porém em nada prestei atenção.

A manhã foi um tédio e me disponibilizei nos afazeres de casa que em pouquíssimo tempo já estava tudo arrumado e limpo. Então fui até meu notebook e comecei a pesquisar sobre coisas paranormais. A cada link que eu via não sentia um pingo de coragem para ler do que falavam, então decidi dedicar minha leitura em algum romance e sonhar com um final feliz.

Hoje a ida para a escola foi tranquila. Um leve sopro do vento frio que batia em meu rosto e sacudia meus cabelos me deixava mais relaxada e alegre. Mas as paredes do colégio me privavam de sentir isso então só podia me conformar com aquele cantinho isolado e tão meu. O garoto que levou uma surra de minhas mãos não voltou a me irritar, para sorte dele, e as aulas foram incrivelmente chatas!

Na ida eu vinha tranquila, com passos leves e lentos. Eu observava cada detalhe. Casas, estradas, carros, pessoas. A praça foi o que mais me chamou atenção, estava linda como sempre e um desejo enorme de sentar em um de seus bancos e apreciar a paisagem tomou meu ser. E foi o que eu fiz, mesmo sabendo que chegaria mais tarde em casa com risco de apanhar por Florence.

Sentar naquele banco era aconchegante, mesmo sendo de concreto. Lembro que pensava em várias coisas, inclusive em leva-lo até lá para escrever. Está vendo como eu penso em ti, diário?

O pôr-do-sol enfeitava tudo em volta com seu brilho amarelado e o céu alaranjado. E tudo se tornou mais bonito e interessante quando avistei aquele garoto branco de cabelos negros que caminhava cauteloso. Meus olhos estiveram voltados somente a ele. Observei a forma como seu cabelo liso movia-se de acordo com o andar, como seus passos eram elegantes e firmes apesar da sua idade. Meu coração acelerou quando ele veio em minha direção e sentou ao meu lado, com um simpático sorriso em seu rosto esculpido. Não falamos nada, somente nos entreolhamos. Seus olhos cinza brilhavam e pude perceber que sua pele alva possuíam algumas sardas que só de perto era visível e isso o deixava mais charmoso, em minha opinião.

“Olá Hellen.” Foi a primeira vez que escutei sua voz e era tão linda, mas fiquei me questionando como ele sabia meu nome.

“Como sabe meu nome?” perguntei e ele riu.

“Você me disse uma vez, lembra?”, então me recordei da vez que me apresentei e ele correu sem dizer como se chamava. Aquilo me irritou.

“Lembro, você correu e nem me disse como se chama!”, falei e ele fez uma careta.

“Steve, esse é meu nome”, saber seu nome me deixou alegre e não sei dizer o porquê. Ficamos calados, nos encarando e ele sorrindo. Corei quando ele tocou meu rosto e acariciou de leve minhas bochechas. Bem atrevido, mas gostei.

“Você tem uma vida tão interessante, eu gosto disso.”. Eu não consegui entender suas palavras. Minha vida? Ele nem me conhece...

“Do que está falando?”, foi o que resmunguei, obtive uma resposta mais confusa ainda.

“Que você é única e especial!”

Será que ele disse que sou doente? Decidi por falar nada e apenas sentir sua mão descer por meu rosto, pescoço, ombros, braço até chegar na mão, do qual ele segurou firme.

“Está gelada!”, isso era verdade. Não consegui controlar meu corpo, ele me estremece e me deixa curiosa. Ele me hipnotiza com sua aparência, seu olhar, seus gestos e sua voz. Sua mão era um contraste quente com a minha que estava fria. “Venha, quer que eu te leve para casa?”. Balancei minha cabeça fazendo que sim e ele se levantou, sorrindo, me puxando com sua mão.

Eu não entendi qual era a desse rapaz. Ele devia ter minha idade mais ou menos, era bonito, era diferente. Nossos passos iam lentos e suaves. O seu braço rodeava meus ombros em um abraço de aconchego e eu podia sentir seu cheiro. Ele era quente e minha barriga gemia de frio.

Fiquei triste quando cheguei a minha casa, mas ele sorria. “Prontinho, até outro dia!”, falou, pegando minha mão e beijando-a. Por algum motivo curioso estremeci sentindo o toque de seus lábios molhados. Agradeci com um sorriso e virei minhas costas para ele, abrindo a porta de minha casa e virando meu pescoço para dar uma última olhada em seus olhos cinza. Ele não estava mais lá.

Quando entrei em casa, já eram umas 18h20min e Florence já estava em casa, na sala, mexendo em seu notebook. A me ver não fez nada, me encarou séria e forçou um sorriso. “Atrasada.”, foi o que disse e pedi desculpas.

“Desculpa, eu sentei na praça e perdi noção do tempo.”, ela olhou desconfiada, mas acabou concordando, então vim ao meu quarto.

Fiquei este tempo todo pensando naquele garoto e uma sensação estranha de que o conheço invade meu peito. Não que eu saiba alguma coisa de sua vida, mas é como se já tivéssemos passado algum tempo junto além do de hoje.

Eu sei que existe mistério naquele olhar cinza e sei que é bastante esquisita a forma silenciosa e rápida da qual vai embora, parecendo até que se tele transporta, mas tudo isso me fascina nele. Eu não estou apaixonada, diário, não entenda assim. Mas sabe quando você sente um desejo especial por uma pessoa? É assim que me sinto.

Acho melhor eu cessar a escrita por hoje porque estou com sono e desejo dormir. Torça para que nenhuma sombra venha me atormentar nesta noite. Até mais.



Notas finais
Gostou? Então me mande um beijo *--* Até mais!