Ele Me Visita Quando Durmo
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“Tudo que existe merece desaparecer” (Johann Goethe)
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Quatorze de agosto de 2010, Sábado.
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Olá amigo Diário.
Hoje levantei umas seis da manhã, meu edredom estava jogado ao chão e o travesseiro ao lado de meu corpo. Novamente acordei com aquela sensação esquisita de que não dormi só, mas isso não atrapalhou meu dia.
Um banho quente em contraste com aquela manhã fria foi relaxante para meu corpo, e apesar do clima, não usei todo aquele agasalho como se temperatura estivesse a menos de 0°. Uma calça jeans azul marinho mais uma camisa vermelha e um casaco preto foram suficientes para deixar meu corpo em uma temperatura aconchegante. Eu não precisava de mais, a manhã costuma ser um pouco fria, mas com o passar das horas o clima esquentaria.
O parque estava vazio e um vento gelado passeava calmo por cada canto. Sentei em um banco e observei a bela paisagem que aquele local proporcionava, várias árvores que, infelizmente, por causa do inverno não estavam bem verdinhas, mas seu verde era opaco. Algumas até chegavam a não conter folha alguma, o que tornava esse parque interessante, mas assombroso quando não havia pessoas por perto. Um vento havia soprado e coloquei as mãos dentro do bolso, neste momento me perguntei se o clima realmente esquentaria ou se me enganei.
Para meu alívio o sol deu um básico brilho em tudo àquilo que estava presente, inclusive a mim. Eu nunca me importei de ficar sozinha, mesmo sabendo que poderia ser perigoso ficar no parque onde pouco movimento se encontrava. Fiquei um bom tempo observando o espaço, os postes tão bem desenhados e que deixavam aquele lugar mais belo à noite. Alguns sons de carros eram audíveis, mas não chegavam a incomodar ou a chamar minha atenção, porém passos plácidos de solas batendo contra o chão de pedras conseguiram esse efeito.
Eu havia virado meu olhar para o dono dos passos e era um rapaz de pele bastante clara e cabelos mais escuros que os meus; aqueles fios chegavam até mesmo a possuir um brilho azulado. O seu rosto era belíssimo e meigo, como se fosse esculpido. Seus passos eram firmes e suaves. Vestia-se totalmente negro, com um sobretudo que chegava a tampar metade de suas pernas.
Não consegui desviar meus olhos daquele rapaz. A sua beleza era a mais exótica e incrível que já havia avistado. Ele virou seu olhar para mim, me flagrando o encarando, mas isso não me intimidou , ao contrário, senti-me mais contente quando ele abriu um sorriso. Um barulho de pessoas aproximando-se o fez girar o pescoço e encarar para o outro lado, aproveitei e olhei também, observando algumas pessoas um tanto sorridentes caminhando.
Voltei meu olhar em direção ao rapaz e para meu espanto ele não estava mais lá. Minha cabeça girou em todas as direções o procurando, mas não consegui encontrá-lo. Por um momento fiquei me perguntando se ele era algum tipo de anjo ou alguma assombração, mas acreditar nisso seria loucura. Minha conclusão foi que ele é um garoto belo garoto com um bom porte físico porque corre muito bem. Só não compreendi o porquê fugir das pessoas, nem eu, que gosto de ficar sozinha em meu mundo, não faço isso. Talvez existam pessoas mais antissociais.
Passei a manhã sentada ao parque, pensando, e como deduzi o clima aumentou de temperatura. Tive de voltar para casa às 11 horas, porque não desejava arranjar encrenca com Florence. Ela estava na cozinha, cozinhando algo e me dispus a ajudá-la. É óbvio que ela aceitou.
À tarde decidi visitar a biblioteca. Eu sempre faço uma visitinha para conhecer livros novos e ampliar meus conhecimentos. Amo essa biblioteca por ela sempre abrir no sábado já que odeio sair pela semana, inclusive as aulas atrapalham um tanto com relação a isso. Acabei por lhe trazer aqui e senti uma enorme vontade de escrever. Neste momento estou com um livro ao meu lado cujo nome é O Escolhido. Eu não tenho ideia do que se passa nesse livro, nem a sinopse fui capaz de ler. Para ser sincera, nenhum interesse para com a leitura estou tendo, mas está me sendo de tamanho agrado olhar a pequena movimentação que se passa. O ambiente aqui é bastante agradável e um básico cheiro de folhas paira o ar. A bibliotecária parecia um tanto angustiada com aqueles seus enormes óculos porque a todo instante mexia nele. Um casal de namorados estava encostado em uma prateleira provavelmente falando juras de amor. E o mesmo garoto de cabelos negros que vi no parque está para sair da biblioteca. Desculpa diário, mas preciso correr para tentar falar algo com aquele rapaz. Até a próxima.
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