Ele
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015 – Minha menina.
Escrito por G. de Oliveira
Sua risada suave e doce ecoava por entre aquelas enormes árvores enquanto corria de um lado a outro esperando que Ele a alcançasse. Ele apenas a observava feliz e arteira, satisfeita com o fato de que estavam tão juntos e tão longe de tudo que parecia impedir-lhes de ser feliz.
Sakura o chamava, fazendo-o acompanha-la até o fim da ponte, dizendo que queria pular no rio. Ele apenas revirou os olhos para ela, mas permitiu-se um pequeno sorriso de canto, observando-a parada, tão sorridente que parecia extremamente atraída por todo aquele ambiente distante e cheio de paz. Ela virou-se para Ele e continuou ainda muito sorridente, porém, em suas bochechas, apareceram aquelas covinhas tímidas que ela exibia apenas para Ele.
— Vamos? Por favor?
Ele estava preparado para dizer não a ela, e diria até que era perigoso e poderia deixa-la resfriada, mas Sakura tinha essa magia nos olhos esverdeados, que o levavam a dizer sim a tudo que ela pedisse; e ela nunca precisava fazer muito esforço, afinal de contas, Ele estava completamente sob o controle dela. E ela sabia disso, por isso apenas pulou na água e esperou que Ele também o fizesse.
Sakura agarrou-se a Ele, o sorriso um pouco menor, mas não menos feliz. Havia um pouco mais de timidez em seu rosto, algo que o deixava cheio de paz e feliz, porque essa era a verdade dela. Como não amá-la sendo tão linda da forma que era e boa como ninguém mais era? Ela era tudo que Ele um dia desejou ser e estava plenamente feliz em tê-la ao seu lado.
— Viu? Nem doeu. — ela disse, sorrindo. — É incrível.
— O quê?
— Isso. O lugar, o céu, a água, nós, você... — ela disse, abaixando a voz e encostando sua testa a dele. — Isso parece um sonho.
— Não é.
— Eu sei. — riu, animada. — E isso é maravilhoso. Nós somos reais, e isso é, definitivamente, incrível.
Ele riu um pouco e adorou o efeito que esse gesto causou em Sakura. Pôde ouvir quando o coração dela disparou loucamente e a forma como ela apertou-o ainda mais em seus braços, impedindo-o de fugir dela. Puxou-a para mais perto ainda e beijou-a suavemente os lábios. Ele não estava realmente acostumado com beijos tão delicados, mas Sakura sempre ficava mais feliz com isso, e Ele sentia que havia algo muito mais do que especial quando o ritmo era mais lento entre eles. Os momentos pareciam nunca ter fim e isso era tudo o que queriam.
Ela afastou-se dele e jogou água em seu rosto, brincando como uma menina. Sua risada voltou a ecoar por todo o ambiente e podia jurar que houve uma felicidade plena para todos, até mesmo para os animais. Ela continuou nadando por um tempo, e Ele ficou apenas sentado na ponte, observando-a. Como uma criança, ela estava feliz e plena com os momentos passados ali.
Quando ela saiu da água e sentou-se ao seu lado, beijou-o calmamente mais uma vez e logo o puxou para entrar na casa, sentindo frio. A casa era tão tranquila quanto o resto do lugar e lhes dava a sensação de um paraíso merecido, uma guerra vencida, um ar limpo e puro. Era um verdadeiro lugar para chamar de lar, um lugar apenas deles.
. . .
Sakura tomava a segunda caneca de chocolate quente quando começou a chover. Ele sabia bem os efeitos que uma chuva leve e calma causava nela. A caneca ficou sobre o centro na sala e ela logo se aconchegou a Ele, abraçando-o e cobrindo-os em seguida. Dentro da casa não havia barulho e eles ouviam apenas o som da chuva.
Entre eles, havia a paz e o sossego do momento, fazendo-os se esquecer de que havia um mundo lá fora, pronto para recebê-los para a guerra diária, porque era assim quando estavam juntos, não havia nada que pudesse impedi-los de apenas viver por algumas horas como o faziam.
Ele sabia que era isso de que precisa: sossego, paz, um lugar aconchegante e ela, Sakura ao seu lado, em seus braços, exatamente como estava naquele instante. E Ele queria que ela pudesse ser feliz ao seu lado e que seu sorriso fosse motivado por Ele, por tudo que Ele podia dar a ela, por todas as besteiras que Ele fizesse e acima de tudo isso, que eles fossem eternos. Ele não se importava com a eternidade e nem com o seu prazo, mas sabia que o tempo que durasse, seria bem aproveitado — ainda que achasse que nem a eternidade em seu sentido mais literal fosse suficiente para Ele.
Ter aquela respiração lenta e calma, aquele sorriso de menina hipnotizante, os olhos verdes misteriosos e entregues, a voz suave e compreensiva e o silêncio que ela podia lhe dar, além de todo o amor, era tudo que Ele precisava. Talvez parecesse normal, mas aquela menina, mulher, fazia tudo isso, naturalmente.
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