Ele é meu!
1 Prólogo
Notas iniciais
Não, não, não. Isso não estava acontecendo. Não estava. Dentro de poucos minutos, ela acordaria de mais um de seus sonhos ruins. Era isso: aquilo não passava de um pesadelo. Ela estava reagindo de forma exagerada, era só isso. Ficava imaginando coisas, enxergando chifres em cavalos, e por isso tivera um sonho absurdo como esse. Percy Jackson, o seu Percy Jackson, nunca diria aquilo. Nunca.
É lógico que ela vinha reconhecendo os sintomas há alguns tempos, mas sempre achou que estava errada. Ela queria estar errada. Mas depois daquilo, depois daquela estúpida conversa que eles tiveram, Rachel sabia que estava certa. E isso... partiu seu coração.
Não, não, não. A chuva batia em suas costas enquanto ela corria sem direção. Não sabia para onde ir. Não queria ir a lugar nenhum. Ela só queria chorar. Em algum momento da fuga, Rachel rompeu em lágrimas; ela não podia acreditar que aquilo estava acontecendo. Não, Percy não podia estar apaix-
Boomp!
Rachel levantou os olhos para ver quem era o estúpido que havia trombado com ela. Caído ao seu lado, passando a mão pelos cabelos, estava... droga, seu dia poderia ficar pior?
Ele também fez uma careta ao reconhecê-la. Uma careta diferente da dela. Rachel sabia que tudo que seu rosto expressava era nojo — o garoto, no entanto, parecia irritado, confuso e mil vezes mais enojado que ela.
- Por acaso ficou cego, d-boy? — A ruiva pôs-se de pé, áspera, e observou enquanto aquele infeliz se levantava. Ele afastou uma mecha de seu cabelo molhado da frente dos olhos antes de retrucar.
- Você é quem estava correndo de olhos fechados, Dare.
A garota girou os olhos. Agora ela sabia que não estava sonhando. Ela estava numa rua qualquer de Manhattan, completamente ensopada e diante do primo idiota de Percy. E, como se não pudesse ficar pior, ele levantou uma sobrancelha para ela, após estudar seu rosto.
- Você estava chorando?
Ah, que ótimo. Rachel não queria que ninguém a visse daquele jeito. Muito menos... Muito menos Nico Fracassado di Angelo. O motivo de seu choro já era ruim o suficiente. Ela não precisava de mais acontecimentos para pôr seu humor para baixo.
- Não. — Respondeu rápida. As sobrancelhas de Nico apertaram-se. Com um pouco de surpresa — e repulsa — Rachel percebeu que ele estava preocupado com ela.
- Pois parece. — A voz dele não estava mais carregada de rancor. O tom de voz dele fez o estômago de Rachel revirar. Ela não entendeu porque, mas não gostou da sensação. Ultimamente, o garoto di Angelo vinha agindo diferente... um diferente muito ruim. Ela lembrou-se daquele momento estranho no quarto de Percy, e um arrepio lhe percorreu a espinha. Não, ela tinha que sair de perto daquela aberração agora mesmo.
- Mas não estava! — Disse, dando-lhe as costas e começando a andar. Ela ouviu passos atrás de si.
- É sério. — Continuou o garoto. — Você está bem?
- Me deixe em paz! — Rachel gritou e recomeçou a correr. Ela não ligava para onde. Aliás, ela nem ao menos sabia onde estava. Tudo o que ela sabia é que precisava correr, e correr.
Uma luz forte a iluminou, como se ela estivesse sob um holofote. Ela olhou na direção da luz e suas pernas congelaram onde estavam. Um grande caminhão vinha em sua direção, e ele estava rápido demais para parar a tempo. O motorista ainda buzinou, em uma tentativa desesperada de tirá-la da frente. Mas as pernas de Rachel não queriam obedecê-la. Estava tudo acabado.
Notas finais
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