Ele é a Tempestade?
1 Possível amiga?
Notas iniciais
* Os personagens não se limitam apenas aos que aparecem aqui.
Daniel ouve alguém batendo na porta de seu quarto, batidas que mais pareciam chutes de tão fortes. Assustado,logo levantou-se colocando sua camisa cinza o mais rápido possível.Seu rosto aparentava estar cansado assim como ele. Teve um pesadelo na noite passada o mesmo o impediu de dormir pelo resto da noite, tirando apenas um cochilo que logo foi arruinado por seu pai que lhe acordou.
— Pai, o que foi ? — disse Daniel, com as mãos no rosto tentando se convencer de que não estava dormindo.
— Rápido, se arrume logo e desça para o café da manhã, não me faça olhar pra sua cara nem mais um segundo. — Falou David,o pai de Daniel.Um famoso empresário dono das empresas Shwerzinger. Logo fechou a porta e saiu apressado,- Droga,estou atrasado! -. Mais uma reunião, como já é de seu costume.
Daniel, sem ao menos olhar vestiu o uniforme por cima das roupas. Procurou sua mochila que estava sobre uma pilha de amontoados no chão e saiu correndo até a sala de estar. Era possível ouvir sua madrasta, Datenna,falando ao telefone do outro lado do corredor. -Insuportável-,pensou ele ao lembrar de seu rosto e sua voz. Ela casou-se com seu pai apenas dois anos após a morte de sua mãe. Sempre o tratava com uma bondade questionável e vivia constantemente tendo conversas suspeitas ao telefone.
Ele pegou apenas uma barra de cereal sabor morango, o seu favorito. Deixou a casa mais aliviado pois,em sua cabeça, na escola sua presença não era notada.
Era impossível prestar atenção durante as aulas, principalmente com alguns alunos o encarando e rindo sem motivo algum,talvez inveja,pensou ele sabendo que obviamente não seria isso. Seus pensamentos foram interrompidos pelo sino acompanhado pela frustração de não entender o pesadelo da noite anterior, mesmo após passar várias aulas tentando. Por um minuto parou de pensar nisso e foi em direção ao refeitório, não estava com fome, mas por algum motivo queria fingir estar. Uma mão gentil toca seu ombro:
— Oi,aceita um pouco? É muito para mim.-, era uma garota pequena de pele clara e cabelos escuros, o bastante para parecer preto,mesmo não sendo. — Se não tiver problema, podemos dividir o meu almoço.- , disse ela abrindo um sorriso empolgado,o bastante para ser destruído com um simples não.
Ele estava muito confuso e envergonhado,a garota era da sua sala mas ele nunca havia sequer conversado com ela ou com qualquer outra pessoa. Fez um gesto de sim com a cabeça e pegou um pouco do salgadinho. Então, ela virou a cabeça em sua direção:
— Qual seu nome? — Sua voz era gentil e doce.
— Dan..Daniel -, disse ele com seus olhos para baixo na tentativa de desviar seus olhares.
— Ah,você sabe falar! Pensei que era mudo, aliás todos acham isso. Quer dizer, você nunca fala com ninguém.. Voltando ao assunto, eu me chamo Ray. — , disse ela, observando a camisa do rapaz.
— Ah, já ia esquecendo...Daniel, sua camisa está ao contrário! -, olhou para ele e riu com uma certa compaixão.
— Como sempre sendo estupido, isso explica os olhares de ‘inveja’ sobre mim — Falou baixinho para si mesmo. Rapidamente olhou para os lados e se deu conta de que Ray havia sumido.
A última aula havia terminado e Daniel já estava correndo para fora da escola para esperar Davi, seu motorista, que estacionou atrás de algumas árvores em uma distância razoável. Não por Daniel, já que o mesmo pediu, pois ele não se sentia confortável com a atenção que o carro era recebido pelos estudantes, que sussurravam entre si.
Chegando em casa, viu seu jardineiro cansado e de idade arrastando algumas pedras. Sem pensar duas vezes, andou em sua direção e o ajudou.
— Obrigado senhor, obrigado de verdade, mas creio que não seja necessário me ajudar. Esse é o meu trabalho. Não quero que me vejam como um velho fraco e com o senhor, que é o meu patrão -, disse o jardineiro, suando. Sempre com seus olhos para baixo, evitando Daniel.
— Tudo bem, eu acho que te entendo... -, disse de maneira clara e curta. — hum.. ele não é tão diferente de mim, esse olhar orgulhoso…- Pensou.
Abriu a porta de casa, deparou-se com Datenna vestindo roupas caras e exibindo uma bolsa enorme da Channel, visível pelo símbolo da grife que não era nada pequeno. Ele ficava com seu sangue fervendo só de imaginar que aquilo tudo foi comprado com o dinheiro de seu pai. Mas, no final sempre acabava ignorando e voltando ao normal. Esse tipo de relacionamento já era comum.
— Mulheres compradas -,era assim que as chamava. Ele mal olhou para seu rosto e entrou, sem nem mesmo dar um olá. Subiu as escadas para tomar banho e ir para a cama.Tentar retomar seu sono perdido e arruinado por seu pai.
A noite estava fria, não que isso fosse ruim. Daniel sempre gostou do frio e da chuva. Segundo ele, o barulho o acalma e lava seus pensamentos, o fazendo esquecer dos problemas que ainda iria passar. Um tanto paranoico e pessimista.
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