Eldrwin E O Pergaminho Mágico De Orion
28 A chegada á caverna
Tres luzes iam vagando solitárias pela escuridão da noite estrelada que envolvia o vale que se estendia pela lateral sul do reino de Orion. Eldwrin, Kairou e Anya seguiam caminhando tensos, com medo e principalmente sem ter a mínima ideia de onde poderia se localizar a tal caverna que Amis havia comentado anteriormente.
–Anya. Por acaso Amis disse alguma coisa sobre onde esta caverna ficava? – Perguntou Eldrwin já fadigado da caminhada.
–A única coisa que ele me disse era que ficava na encosta das montanhas Razoe. Ora! – Protestou a princesa virando o rosto raivoso para Eldrwin que seguia ao seu lado direito com a espada brilhante erguida como uma tocha de luz – Vocês dois já vieram aqui á algum tempo atrás! Será que nunca viram nenhuma caverna?
–Viemos focados em pegar a flor azul no topo naquela vez – Retrucou Kairou – E as montanhas podem ter mais de uma caverna sabia? Não quer que procuremos por todas em uma noite não é?
–É claro que não! Não sou tão estupida, mas achei que pelo menos soubessem de alguma coisa que poderia ajudar na busca! – Respondeu descontente e com a expressão fechada.
Os três já caminhavam por bastante tempo. A noite estava agradável, fresca e bem iluminada pela lua. O vento soprava fazendo as plantas rasteiras do vale deserto dançarem e fazerem barulho. A muralha do reino ia se afastando mais e mais enquanto a caminhada ia ficando mais longa.
Um pouco ao longe havia uma pequena cadeia de montanhas não muito altas com o topo arredondado e era para lá que os três se dirigiam
–Me escutem – Rompeu Eldrwin – Se formos subir a montanha, alcançaremos o topo próximo do nascer do sol. Então quando chegarmos á encosta, iremos procurar alguma coisa por lá. Se não acharmos nada voltaremos o mais rápido possível. Não teremos muito tempo para ficar andando de um lado para o outro está bem?
Depois de andarem por mais um tempo, começaram á perceber que estavam adentrando em um bosque com várias arvores altas do tronco fino e galhos bem longos. Já estavam se aproximando da subida da montanha. Ficou mais frio e mais escuro por causa das folhas que impediam que a luz da lua penetrasse por ali. Os três permaneciam em silencio ouvindo o som dos animais noturnos. Asas que batiam nas copas, cantos de corujas, estalos vindos de algum lugar e o rangido das arvores balançando de um lado para o outro. As armas de cada um envolvidas pelos seus respectivos misticismos iluminavam o caminho coberto de folhas.
Por fim, começaram á subir a trilha de uma ladeira íngreme. Saíram do bosque e agora estavam na encosta das montanhas. A vegetação era rasteira e um pouco seca. Um fato, porém era muito curioso mesmo com tudo aquilo acontecendo. Havia uma calma assustadora no ar. Calma que fez com que Eldrwin mais uma vez rompesse o silencio e começasse á falar
–Não acham muito estranho que até agora não sofremos nenhum tipo de ataque? – Disse enquanto ia caminhando.
–Não acho que seja estranho – Respondeu Anya já ofegante – Quem estiver procurando pelo pergaminho, estará procurando no reino. Não se esqueçam do que lemos naquele dia no templo dos pergaminhos. O Pergaminho de Orion ainda está pelo reino e não fora dele. Quem iria querer nos atacar aqui fora?
–Sabe, Para chegar ao topo das montanhas às vezes temos que enfrentar alguma fera selvagem – Disse Kairou com a espada flamejando na altura dos olhos verdes bem abertos – Fora os animais venenosos que podem nos morder, paralisar o nosso corpo e fazer com que nós morramos agonizando de dor sem ninguém saber que estamos fora do reino.
Anya engoliu em seco. O que ela estava fazendo ali era praticamente um teste da rosa azul e começara á perceber que não era apenas os guerreiros negros que poderiam oferecer perigos, mas os animais que habitavam as matas e montanhas dos arredores do reino também.
Após subirem mais um pouco os três pararam de andar exatamente onde estavam. Estavam respirando ofegantes e cansados e após levantarem os olhos perceberam que havia algo incomum adiante. Uma abertura redonda e grande logo estava á frente deles no centro de uma falha rochosa. Verdadeiramente era uma entrada de caverna. Escura e apavorante. Ninguém se movia. Aquilo estava tão fácil para se acreditar ser verdade que o fato de terem achado o que estavam procurando era exatamente o que os impediam de prosseguir. Pareciam estar paralisados apesar de trêmulos. Seria uma escolha difícil, mas se entrassem e acharem o pergaminho a historia acabaria por ali e o reino estaria livre de uma vez por todas de qualquer ataque. Porém, nenhum dos três sabia o que poderiam encontrar dentro daquela misteriosa caverna. Os corações palpitando e os olhos bem abertos de apreensão.
Por um segundo, Eldrwin sentiu uma enorme vontade de voltar para casa, para sua cama e dormir para poder acordar no dia seguinte para treinar. Kairou nada falava e Anya estava estática diante do que estava vendo.
–Nos achamos! Achamos uma caverna! – Disse a princesa com a voz trêmula – Não vamos ficar aqui parados do lado de fora... vamos?
Eldrwin talvez não quisesse que a princesa fizesse tal pergunta. Aquela caverna não lhe trazia bons pressentimentos. Mas já haviam chegado até ali. Voltar seria tolice. O garoto apertou a mão direita ao redor do cabo roliço da espada e a luz aumentou de intensidade. O medo tomando conta. Ele deu um passo lento e contido para frente tentando demonstrar que estava seguro, mas sua voz falha denunciou o nervosismo.
–Va... Vamos entrar e já vamos sair. Não podemos demorar.
Ainda á passos lentos, Eldrwin foi adentrando pelo túnel escuro. Anya o acompanhou logo em seguida. Kairou disse com um tom de lamento enquanto levava uma das mãos á testa.
–Vai ser uma longa noite! – Soltou um suspiro cansado e seguiu caverna adentro também andando lentamente.
As paredes rochosas do túnel eram escuras, úmidas e somente a luz da espada de Eldrwin seguia á frente iluminando o caminho. Aos poucos o túnel foi se alargando até chegar á um ponto no qual os três puderam andar lado á lado um pouco mais confortáveis. A princesa ao meio, Eldrwin ao lado direito quieto com a espada brilhando forte e Kairou com os olhos esbugalhados á esquerda.
Caminharam por certo tempo e chegaram á uma espécie de salão redondo bem espaçoso com uma mesa de pedra logo no meio e um trono vazio também de pedra bem á frente dela. O barulho dos passos ia ecoando pelas paredes e logo acima bem no teto, havia uma enorme fenda permitindo que a luz prateada da lua adentrasse e iluminasse um pouco o misterioso salão. Olharam ao redor e viram algumas entradas pelas paredes que davam inicio á outros túneis.
–Isto é muito suspeito! – Disse Anya reclamando enquanto se dirigia com uma das sais levantadas para uma das tochas que estava enfiada em um dos buracos da parede curva do salão – Parece que esta caverna está abandonada, mas há tochas aqui que foram queimadas á pouco tempo!
–Sim! – Confirmou Kairou falando firme – Foram queimadas e apagadas exatamente hoje! De fogo eu entendo. – Olhou em seguida para a lâmina da própria espada. — Alguém esteve aqui procurando pelo pergaminho de Orion assim como nós estamos.
–Falando nisto – Retrucou Eldrwin olhando ao redor e tentando achar alguma evidencia que mostrasse que o pergaminho estivesse ali. – Aqui não há absolutamente nada. É melhor nos dividirmos para cada um desses túneis e ver o que achamos. Mas não podemos demorar! Gastaremos um tempo para cruzar todo o vale e teremos que passar novamente pelos mesmos lugares dentro do reino para voltar para casa. É um grande perigo se formos vistos.
Os três se dirigiram para a mesa no centro e após se ajuntarem Eldrwin novamente disse.
–Muito bem hora de escolher para onde nós iremos certo?
–E VOCÊS PENSAM QUE IRÃO PARA ONDE?
Uma voz fria, grave e profunda ecoou em volume alto pelo salão de pedra. Uma voz que era terrivelmente familiar e fez com que um frio mortal percorresse todas as células do corpo de Eldrwin, Kairou e Anya. Parado em frente de uma das duas entradas do lado direto do salão estava Dmitri com os braços cruzados. A armadura negra refletindo os raios da lua com a capa negra e arrastando no chão. A espada longa embainhada na cintura. O rosto rude com os olhos negros, sérios e penetrantes repletos de raiva olhavam fixamente para os três jovens.
–NÃO ESTAMOS COM O PERGAMINHO DE ORION! E NÃO SABEMOS ONDE ELE ESTÁ! – Protestou Eldrwin gritando amedrontado seguindo de costas completamente acuado juntamente com Anya e Kairou para a entrada do salão. Uma tosse seca cortou o ar e Anya identificou no mesmo instante a fala rouca.
–Não é o que isto aqui está dizendo! – Hasef entrou pelo salão saindo da entrada que estava logo atrás de Dmitri rindo e segurando a pedra amarela nas mãos que estava brilhando fortemente.
–SEU TRAIDOR! –Bradou Anya furiosa se dirigindo á Hasef que ainda permanecia rindo – Como pôde fazer isto? Como pôde?
–Bom, princesa Anya... Acredito que precisa descobrir mais algumas coisas que ainda não sabe. – Disse Hasef olhando á seguir para a entrada de onde viera com um sorriso estampado no rosto enrugado.
Um vulto surgiu na entrada e foi se aproximando do centro mais e mais até se tornar completamente visível para todos.
Eldrwin arregalou os olhos em desespero e sentiu o estomago revirar. Kairou entreabriu a boca e simplesmente paralisou enquanto Anya sentiu um aperto por dentro da garganta. Aquilo não era possível. Não fazia sentido. Não era certo, mas diante dos olhos dos três, Amis aparecera com uma expressão irreconhecível. Anya balbuciou algumas palavras com a voz falha e bem trêmula.
–M... Mestre Amis? O que... O que está fazendo aqui? O que o senhor tem haver com tudo isto?
–Olá princesa! – Respondeu Amis com um sorriso nos lábios, mas um olhar assustadoramente ameaçador como nunca mostrara antes.
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