Eldrwin E O Pergaminho Mágico De Orion
7 Princesa Anya
Já era o inicio da noite e o movimento no castelo não poderia ser o mesmo. O servos do rei Gallic corriam de um lado para o outro em grande pressa para que o jantar fosse servido com todo o requinte para a família real. Porem em seu quarto o rei, que começava a se aprontar para a refeição, não podia esquecer a conversa que teve naquela mesma tarde com Jedah. O fato era. Guerreiros negros haviam atacado dois jovens e isso fazia Gallic simplesmente perder o controle.
–Como possível que estes guerreiros retornaram?
Pensou Gallic enquanto um de seus servos lhe vestia uma capa vermelha, longa e com um desenho de uma lança dourada, gravada em seu tecido. Até que três batidas fortes foram ouvidas pelo quarto onde o rei estava. Gallic estreitou os olhos e fitou a porta. Já fazia ideia de quem havia batido.
–Já é o suficiente- Disse o rei ao servo – Abra a porta e a deixe entrar.
O servo caminhou lentamente ate á porta e a abriu. Um rangido espalhou-se pelo quarto e uma pessoa estava do lado de fora com a expressão fechada e os braços cruzados.
–Já está pronta para o jantar? Perguntou o rei.
Uma garota de olhos azuis brilhantes e longos cabelos loiros ondulados estava á porta. Ela possuía a mesma expressão fechada que o rei Gallic. Trajava um vestido branco feito de um tecido bem leve e calçava um sapato branco sem salto. Ela foi entrando pelo quarto com passos leves e lentos.
–Eu não estou com muita fome pai. Mas tentarei comer.
O rei estranhou a filha que estava com a expressão mais fechada que o normal e não hesitou e perguntar.
–Me diga o que aconteceu. Você não está nada normal. O rei então encarou o servo que ainda se encontrava do lado de dentro do quarto e logo percebendo que a conversa seria mais pessoal, saiu fechando a porta em seguida deixando o rei e a princesa sozinhos.
–Perdoe-me insolência pai. Mas quem deve explicações hoje é o senhor.
O rei neste instante fechou ainda mais o seu rosto e ficou vermelho como se fosse explodir.
–QUAL O MOTIVO DESTE COMPORTAMENTO REBELDE ANYA?! PRINCESA DO REINO DE ORION E ACIMA DISTO, MINHA FILHA! Disse o rei em alta e dura voz achando que a filha recuaria, mas não foi isto o que ocorreu.
–QUEM SÃO ESTES TAIS GUERREIROS QUE ATACARAM DOIS JOVENS GUERREIROS NA NOITE ANTERIOR? E POR QUE O SENHOR SE DESESPEROU DIZENDO QUE NÃO QUERIA MAIS BATALHAS?
Os olhos do rei se arregalaram novamente em sinal de profunda surpresa.
–Anya... O que você ouviu não é nada disto que você pensa. E não é algo que você deva se preocupar. Você não é nenhum tipo de soldado da guarda real.
–Mas eu treino para isso! Villian é meu treinador particular e se o senhor falou da guarda real é por que há algo serio acontecendo!
O rei engoliu em seco. A filha era muito astuta e Gallic sabia disto.
–Anya o jantar está para ser servido. Sua mãe está terminando de se aprontar eu quero apenas paz!
–E o senhor está em guerra pai?
Gotas de suor brotaram sem explicação da testa de Gallic. Ele andou em direção á porta e ordenou á filha.
–Quero você á mesa dentro de instantes ouviu? E chega de perguntas por hoje.
Gallic abriu a porta e saiu sem dizer nenhuma palavra. Anya ainda continuava lá dentro do com a mesma expressão fechada. A curiosidade dominava a sua mente.
–Logo após o jantar eu darei uma volta pelo reino. Enquanto todos estiverem dormindo!
Ela se dirigiu á porta sentindo um furor gigantesco queimar em seu interior e ao começar á caminhar pelo corredor acarpetado de vermelho apressou o passo.
As paredes cobertas por um papel bege com listras marrom e diagonal que se cruzavam, exibiam pinturas de guerreiros e reis que já passaram pelo reino de Orion. Haviam estatuas de bronze espalhadas e todas estavam armadas de algum tipo de espada. Após andar por todo o corredor e ter cruzado com vários servos que já estavam prestes a servir o jantar da família real, Anya chegou á escadaria principal do castelo. Rápido como um raio ela chegou ao andar térreo e virou-se para a direita adentrando uma grande porta.
Era outro corredor. Mais escuro e largo com pedras cinzentas e janelas quadradas. Ao final, uma escadaria seguia para o subterrâneo. Anya caminhou apressadamente enquanto inúmeros soldados se cruzavam com ela á saudando
–Princesa Anya! – Mas ela continuava seu caminho sem nem sequer olhar para o lado. A princesa começou a descer o grande lance de escadas até chegar á outro longo corredor, fechado e feito de rochas onde tochas de fogo iluminavam o caminho. Ao final dele uma fornalha com uma grande brasa queimava.
Uma enorme e alta entrada era o acesso para a sala onde a fornalha estava. Anya a cruzou e estava agora no salão de armas do castelo. Varias lanças, espadas e escudos estavam por cima das varias mesas. Alem de capacetes e armaduras. Frente á fornalha havia uma longa mesa de pedra onde vários ferreiros batiam ferozmente um martelo sobre uma barra de ferro em brasa viva. Anya se aproximou de um deles e disse.
–Ferreiro! Onde estão minhas armas?
O ferreiro levantou os olhos e em espanto fitou a princesa.
–Princesa Anya! Não deveria estar aqui! É hora do jantar!
–Não se preocupe. Eu voltarei logo. Onde estão as armas?
–Estão no baú. Estão prontas e devo dizer que estão belíssimas.
–Está bem ferreiro. Obrigada.
Anya caminhou para a direita da fornalha e seguiu para um dos lados do salão de armas. A princesa passava mais tempo ali, naquele ambiente do que no castelo. A sala era iluminada apenas por tochas e pelo fogo da fornalha que fazia as sombras das armas terem um aspecto assustador.
Após chegar uma mesa de madeira onde alguns soldados estavam conversando, Anya avistou um pequeno baú. Sem hesitar o abriu e fitou sem piscar o que havia dentro deles.
–São lindos! Ela declarou sorridente. E fechou o baú logo após.
Caminhou então para a entrada do salão com o baú em mãos enquanto era observada pelo ferreiro com quem havia falado momentos antes.
–O que esta menina irá fazer?
Continuou á observa-la até que Anya desapareceu na escuridão do corredor de pedra.
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