Antes o que se podia ver era apenas o vazio, mas em fração de segundos dois pés calçando sandálias que estavam sendo cobertas por uma longa túnica cinzenta apareceram caminhando em passos largos.

Jedah caminhava pelas ruas do reino indo diretamente em direção ao castelo do rei. Um anúncio deveria ser feito o mais rápido possível.

As ruas como sempre naquele horário, bem cedo, já estavam começando á ser tomadas de pessoas. Geralmente a expressão no rosto de Jedah era de tranquilidade, porém as mesmas pessoas estavam ali e olhavam para o semblante de Jedah conseguiam perceber que algo fora do comum estava acontecendo. Indo mais adiante um homem com uma cara alegre se aproximou de Jedah o tratando como se fosse um grande amigo.

—Ora quem nós vemos andando por aqui! O nosso guardião Jedah. Venha até aqui. Hoje temos os melhores peixes do jeito que você gosta mestre!

Jedah permanecia com a mesma expressão de preocupação. E o homem percebeu isso ao terminar de anunciar o que vendia.

—Mestre! Aconteceu alguma coisa?

—É claro que não meu velho amigo. É apenas o cansaço que bate em cima deste velho guerreiro, não se preocupe com isso. Hoje eu não poderei comprar seu peixe. Muitas coisas á serem feitas e a primeira delas é ir encontrar com o rei Gallic.

Jedah permanecia seu caminho tentando disfarçar a preocupação que sentia.

Não demorou muito até o velho avistar a grande muralha que cercava o castelo do reino. Uma imensa construção que possuía nove andares distribuídos entre quatro gigantescas torres. Havia ainda uma torre ao lado, ainda mais alta com três sinos dourados.

Ao chegar próximo ao grande portão de madeira, Jedah foi avistado pelos guardas que logo começaram á falar uns com os outros.

—O mestre Jedah! Ande abra o portão! – Disse o guarda á um dos outros. O total eram cinco guardas todos armados com uma longa lança e vestindo uma armadura amarronzada que cobria o peito os braços e as pernas apenas de um lado. Eles porem não usavam capacetes.

O Portão se abriu e Jedah passou por eles enquanto via os guardas erguerem o corpo em sinal de respeito.

O jardim que se seguia até a entrada do castelo era algo belíssimo demais de se ver. Ao seu centro uma passarela com um tipo de pedra amarela seguia até á gigantesca porta. Muitas flores tinham sua cor fortificada e avivada pela luz do sol que deixava tudo ainda mais colorido Jedah sentia o frescor e o cheiro das flores, mas aquilo ainda não tirava sua preocupação.

Ao chegar próximo às portas, dez guardas ergueram o corpo no exato momento em que viram Jedah subindo o lance de escadas feitas de um mármore bem branco. Dois deles imediatamente abriram as portas e voltaram á sua posição assim que Jedah chegou ao ultimo degrau.

Adentrando ao castelo varias portas se seguiam nas laterais, mas uma enorme escadaria levaria Jedah á sala do rei. As paredes internas eram feitas de uma pedra azulada que refletia a luz do sol que adentrava pelas varias janelas que eram de varias cores de topázio. Um longo tapete vermelho seguia o lance de escadas também de mármore branco e continuava seguindo até á porta que se encontrava em frente que daria para o salão principal.

O castelo era muito movimentado com varias pessoas andando de um lado para o outro fazendo tudo para que a ordem fosse mantida. Do lado das portas sempre um guarda estava de plantão com o corpo erguido e a expressão fechada. Dois guardas permaneciam em frente á porta do salão do rei com as lanças cruzadas, porem ao verem Jedah descruzaram as lanças imediatamente porem não abriram as portas.

—Mestre Jedah. O rei está em reunião com os principais proprietários de terras do reino. Acredito que vá demorar.

Jedah porem declarou tranquilo.

—Sei que Gallic também ordenou á vocês para que não permitissem que ninguém cruzasse estas portas. Mas isso é mais urgente do que ele pode imaginar. Abram.

Os guardas se entreolharam com receio. Jedah os encorajou.

Não precisam se preocupar. Vocês não vão receber nenhuma punição acreditem em mim. O rei ordena e quem decreta a punição neste reino sou eu então... Abram a porta! Disse Jedah com um tom de voz mais firme.

Rapidamente as portas foram a abertas. Sentados um uma longa mesa no centro do salão estavam cerca de trinta pessoas e na cabeceira estava um homem com uma espécie de colete amarronzado e calças da mesma cor. Ele possuía o cabelo curto e marrom. Olhos sérios e barba um pouco cheia. No instante em que Jedah adentrou á sala um silencio tomou conta do lugar. Todos viraram os seus olhos para o guardião do reino que permanecia ali imóvel. O rei se levantou fazendo sua grande capa se alongar e balançar delicadamente com a brisa que vinha das janelas da parte mais acima do lugar. Um enorme desenho feito de vidro colorido enfeitava a parede do fundo do salão fazia a luz do sol entrar. Haviam três tronos nesta parte que era mais alta que o restante. O silencio continuava.

—Jedah! Qual o motivo para esta interrupção?

Jedah caminhou até o rei e discretamente lhe falou algo no ouvido. De um momento para o outro a seriedade deu lugar ao pânico. Ele fitou Jedah.

—Inconcebível! Declarou o rei – Não pode ser!

Gallic olhou para as pessoas que estavam na mesa e em alta voz ordenou.

— ESTA REUNIÃO POR HORA ESTÁ CANCELADA!

Um burburinho se espalhou pela sala até se transformar em um monte de conversas indistintas e altas que foram fazendo o rei desta vez ter sua expressão de pânico se tornar de fúria. Seu punho se fechou e violentamente atingiu a mesa fazendo com que uma batida alta, forte e medonha ecoasse por todo o salão. Todos pararam as conversas.

—Teremos novamente esta reunião e vocês serão comunicados em breve – Disse o rei ofegante — Agora, por favor. Eu preciso ter uma conversa com o guardião deste reino. Deixem-nos á sós nesse mesmo instante!

Gallic percebeu que havia guardas ali também e ordenou á todos eles.

—Vocês também!

As pessoas vagarosamente foram saindo sentindo grande insatisfação. Quando apenas o rei e Jedah ficaram sozinhos e com as portas fechadas a conversa retomou.

—Meu rei. Não há como fugir. Houve um ataque.

O rei se colocou á andar freneticamente de um lado para o outro.

—Era questão de tempo Gallic. Nosso inimigo infelizmente está t...

O rei mostrou a palma da mão direita á Jedah o fazendo parar de falar.

—Não posso aceitar isto. Não posso! Acabou. Não quero lutas, batalhas ou guerras Jedah! EU NÃO QUERO!

O rei caminhou até a mesa e mais uma vez cerrou os punhos batendo violentamente contra a madeira de lei da qual a mesma era feita.

—Quem foram os atacados? O rei perguntou.

—Dois jovens guerreiros que fazem parte da pequena guarda. Eles estão para se tornarem treinadores juvenis. Um é Kairou filho de Kaiou o manipulador de chamas. O outro...

O rei virou-se para Jedah com a expressão ainda mais furiosa e questionou.

—O outro?!

—Eldrwin meu rei. Filho de Eraggos.

Os olhos do rei se arregalaram.

—Não me diga que ele...

—Sim. E o poder despertou na hora. Ele o usou bem para derrotar os guerreiros negros. Mesmo sem querer.

O rei sentou-se e ficou mudo por alguns momentos.

—Informe á Villian imediatamente. Ordenou Gallic á Jedah que saiu do lado do rei o deixando sozinho no salão perdido em seus pensamentos. Passos foram ouvidos pelo lado de fora vindos de algum lugar despertando a atenção do velho, mas ao parar na porta Jedah se virou ao rei de disse.

—Não perca o controle Gallic. Lembre-se de seu pai – E continuou andando rumo ao lance de escadas.