Eldrwin E O Pergaminho Mágico De Orion
8 Encontro
A lua já estava alta e as pessoas começavam á se recolher para dentro de suas casas. A noite no reino de Orion chegou rápido e em meio às ruas quase desertas, um vulto encapuzado de negro caminhava lentamente procurando encontrar algo.
—Se houver algum ataque em algum lugar eu correrei o máximo possível e atacarei!
Anya havia conseguido escapar do castelo da família real por um túnel secreto que ficava na sala de armas.Todos após o jantar haviam ido dormir e ela ainda permanecia com a curiosidade martelando sem dó em sua mente. Algo estranho estava acontecendo no reino.
De repente dois guardas vieram caminhando em sua direção. Ela abaixou o rosto e permitiu que a roupa o tapasse não permitindo que fosse reconhecida. É obvio que se o rei soubesse que sua filha estava para fora do castelo na suposta situação de perigo que o reino se encontra, possivelmente Anya nem fazer parte da pequena guarda faria. Ela continuou seu caminho até chegar frente ao templo de pergaminhos. Que ficava ao centro de um cruzamento de ruas na região mais alta do reino.
O templo era uma construção feita de várias torres com o topo fino, enfileiradas uma do lado da outra e formavam um círculo perfeito. Ao meio dele mais uma torre alta repleta de janelas podia ser vista. Tochas iluminavam tudo graciosamente pelo lado de fora e Anya apenas contemplava aquilo tudo.
—É lindo... Mas preciso continuar andando.
Anya tomou o caminho da direita e mal percebeu que na entrada na qual ela estava em frente, dois jovens saíram conversando entre si e estavam seguindo exatamente o rumo que ela estava seguindo.
—Eu não falei? Não há nenhum registro em nenhum pergaminho Eldrwin. Declarou em voz alta Kairou com a expressão repleta de insatisfação.
—Isso é muito estranho. Olhamos em absolutamente toda a área de historias antigas como não havia nada falando sobre o que nós vimos?
Os dois andavam com passos apressados e a rua estava praticamente vazia. Apenas as tochas cintilantes balançavam á sabor do vento fresco que passava por ali naquela noite.
—Nós teremos que voltar amanhã Kairou. Temos que descobrir o que está acontecendo e sei muito bem que Jedah não irá me falar. Parece que está fugindo de mim. Não achei nem ele e nem Villian hoje e olhe que procurei em quase todo o reino por eles.
—Eldrwin. Está percebendo uma coisa? – Perguntou Kairou á Eldrwin enquanto se aproximava de alguém encapuzado que estava andando pelo meio da rua.
—O que foi?
—Foi exatamente nesta hora que nós fomos atacados.
De súbito a pessoa que estava á frente parou de caminhar enquanto os dois passaram por ela.
—Verdade isto. Há poucas pessoas na rua. Temos que nos apressar e chegar em casa antes que aconteça novamente.
—VOCÊS! PAREM! – Gritou a pessoa encapuzada para Eldrwin e Kairou.
—O que quer? Perguntou Eldrwin
—Vocês foram atacados por quem? Respondam
Kairou então tomou a frente e respondeu.
—Olhe, encapuzada, não é algo que você precise saber está bem? Somos da pequena guarda, eu e meu amigo ali e estamos prestes á nos tornarmos treinadores juvenis.
Como um relâmpago, O pensamento de Anya a levou até a mensagem que Jedah havia dito ao rei naquela tarde. Ela não tinha duvidas.
—Foram atacados por guerreiros negros não é? E vocês dois são místicos não estou certa?
Eldrwin se aproximou desconcertado e com a cabeça cheia de incertezas.
—Quem é você? Ele perguntou.
A pessoa encapuzada seguiu para uma praça repleta de arvores grandes que cercavam totalmente a borda da praça impedindo que o centro fosse visto. Os jovens seguiram a mesma direção um cochichando com o outro
—Estivemos aqui pela manhã não é? Perguntou Kairou á Eldrwin
—Sim! Estivemos.
—Quem será esta?
—Eu não sei!
Andaram um pouco até chegarem ao centro. Anya virou-se ainda com o rosto tampado e declarou.
—Isso não pode ser dito á ninguém.
Ela lentamente tirou a túnica da cabeça revelando os cabelos loiros e os olhos azuis. Os olhos de Eldrwin e Kairou se esbugalharam desesperadamente ao ver quem era.
—Princesa Anya! Mas o que faz aqui á esta hora fora do castelo? Perguntou Kairou em pânico. Temos que leva-la de volta antes q...
—NÃO! Gritou Anya. Estou mais curiosa do que vocês para saber o que aconteceu na noite anterior e também o que está para acontecer. Ouvi escondida a conversa hoje de Jedah com meu pai. O reino corre perigo e até Villian já foi informado.
—Por isso não consegui encontrá-lo. Disse Eldrwin. Ouça. Eu não sei o que poderá acontecer. É melhor que volte ao castelo antes que corra algum perigo.
De dentro da túnica Anya retirou duas sais. Pequenos tridentes de mão bastante brilhantes que foram logo envolvidos por um brilho azul.
—Eu não sou tão frágil quanto vocês pensam.
Um vento frio uivou pela praça.
—ELDRWIN! Gritou Kairou.
A luz forte da lua novamente diminuiu de intensidade. Tudo ficou mais escuro e gelado.
—Não. Não pode ser!
Olhando em volta só se via arvores. Mas algo parecia passar por entre elas. E não era apenas uma única coisa.
—O que significa isto? Protestou em voz alta Anya
—E... Eles. Estão aqui! Disse Eldrwin cochichando.
— Quem está aqui?! — Gritou Anya olhando para os lados tentando de alguma forma entender o que estava acontecendo.
O frio aumentou e uma pressão vinda de cima fez a respiração de todos ficar ofegante. Eles novamente estavam cercados. Não se ouvia nada na cidade e era como se estivessem sozinhos no reino.
—Kairou erga a espada! Eles estão vindo!
O fogo retornou á lamina da espada de Kairou. Forte e intensa. Eldrwin desembainhou a sua também e um brilho branco á envolveu.
O três permaneciam um de costas para o outro com as armas erguidas. Até que incontáveis passos foram ouvidos vindos das arvores.
—Se preparem! Ordenou Eldrwin.
As mesmas criaturas que atacaram Eldrwin e Kairou saíram do meio das arvores. Com a aspecto ainda mais assustador. As espadas estavam erguidas e o mesmo desejo de matar as fazia presente. Desta vez porém, eram nove delas que pararam de avançar.
—ONDE ESTÁ O PERGAMINHO?! Uma voz grave, assustadora e forte soou vindo da floresta.
—Não sabemos de pergaminho algum! Respondeu Eldrwin.
—Então... Terei que matar alguém até obter a resposta.
Um guerreiro vestido de uma armadura negra com uma longa capa também negra saiu do meio das arvores. Possuía um longo cabelo negro liso e empunhava uma espada comprida e curva. Seus olhos demonstravam uma maldade tamanha que encará-los era difícil para os três jovens.
—São dez contra três. Apenas me digam. Onde o pergaminho de Orion está?
—Já dissemos que não sabemos de nada! Gritou Kairou.
—Certo. Após os guerreiros negros atacarem vamos ver se vocês continuarão sem saber alguma coisa...
As espadas dos guerreiros se tornaram negras. Os olhos brancos brilharam mais forte. Anya via aquilo chocada e suas mãos tremiam em desespero.
—Guerreiros! ATACAR! – Ordenou o misterioso guerreiro á todos os nove que ali estavam.
Eldrwin olhava ao redor. Mais um ataque aconteceria contra ele, ao amigo e desta vez á princesa. Agora para ele estava confirmado que algo errado estava acontecendo. A paz do reino Orion estava para ser abalada.
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