Eldrwin E O Pergaminho Mágico De Orion
3 Despertar
— Isso é totalmente injusto! Bradou Kairou para Eldrwin que o olhava assustado. Nunca vira o amigo tão nervoso e era raro ver Kairou nervoso com algo
— Não se preocupe Kairou. Eu também acho isso muito injusto, e eu também queria dormir sabendo que já sou um soldado e treinador. Mas, temos que reconhecer uma coisa.
— Que coisa? – Perguntou Kairou á Eldrwin
— Será bem melhor nós sermos promovidos no verão durante a cerimônia de mudança de classes do que em qualquer outro dia.
Kairou coçou a cabeça por um momento e assentiu desgostoso.
—É. É verdade o que você disse. Puxa! Mas imagine se hoje mesmo nos já nos tornássemos soldados? Seria incrível não acha?
Eldrwin analisou o amigo com uma expressão triste no rosto
—Sabe Kairou, acho que seria fácil demais. De uma forma ou de outra eu já esperava isso. É melhor esperarmos. Passará rápido você vai ver.
Os dois continuaram seguindo pelas ruas do reino. A noite estava fresca e havia pouco movimento. As tochas tremulavam suavemente com o vento e tudo parecia bem tranquilo. Kairou então avistou um beco á frente disse á Eldrwin
—Ei venha aqui! – E pegou no braço do amigo o arrastando para o beco sem que Eldrwin pudesse reagir.
—Para onde vamos?
—Eu descobri esse atalho ontem. Me esqueci de te falar. Nós teríamos que ir até perto do templo de pergaminhos para poder ir para a rua da sua casa, mas por aqui gastaremos a metade do tempo.
Assim eles entraram e foram prosseguindo lentamente. Em uma determinada parte do beco eles viraram para a direita e as paredes foram se afastando umas das outras. O beco foi ficando mais largo e Eldrwin percebeu que teria mais uma curva á frente. Dessa vez para a esquerda e que possivelmente a saída seria por ali.
— A saída é depois daquela curva? Ele perguntou.
— Sim. Já estamos chegando. Você está com a mesma fome que eu estou? Perguntou Kairou ao amigo que estava sorrindo
— Pode ter certeza que a minha é maior. Eu poderia comer um boi inteiro!
— Pois comeria dois meu amigo!
Os dois riram descontraídos até que algo aconteceu. O beco ficou gelado de um momento para o outro. O ar que estava agradável ficou pesado, como se algo estivesse pressionando os dois contra o chão. A luminosidade da luz da lua diminuiu, parecia que uma nuvem estava tampando o céu, mas, tudo estava limpo.
— O que está acontecendo? Perguntou Eldrwin á Kairou que sentiu as pernas travarem no lugar.
Não havia nada naquele beco. Nada nem ninguém. Os dois estavam sozinhos.
—Eldrwin, vamos embora daqui! Declarou Kairou assustado com o que inexplicavelmente estava acontecendo. Até que tudo parou. Não se ouvia o som das pessoas pela cidade e nem o barulho do vento. Estava tudo calmo, nem um ruído se fazia presente á não ser o som dos corações dos dois que batiam prestes á sair pela boca.
Eldrwin olhou para a curva quase no fim do beco e disse á Kairou. – Vamos indo! Vamos sair desse beco agora!
De súbito, uma figura bizarra apareceu das sombras. Alguém alto, com uma armadura negra e o rosto coberto por trevas. Viam-se dois olhos brancos que brilhavam e traziam consigo um desejo insaciável de matar. Na cintura embainhada havia uma espada de fio muito fino. Os dois garotos permaneciam em choque.
—Eldrwin... O que é isso?! Perguntou Kairou sentindo o pânico tomar conta daquele local. Mas a situação ficou ainda pior. No outro lado do beco mais duas criaturas idênticas apareceram fazendo com que os dois ficassem cercados.
—Eu não sei! Respondeu Eldrwin com os olhos arregalados de pavor. Não era real, ele pensava. Era um sonho, tinha que ser. Mas por que ele não acordava? As criaturas desembainharam as espadas. Um ruído agudo soou pelo beco.
—Eles... Eles vão nos matar Eldrwin! Gritou Kairou em desespero enquanto via os guerreiros das trevas se aproximarem mais e mais com as espadas erguidas.
—Kairou! Não sei quem são eles, mas vamos ter que lutar para não morrer! Declarou Eldrwin erguendo sua espada á altura dos olhos e se preparando para entrar em combate. Agora não interessava se era sonho ou não. Eles tinham que sobreviver de qualquer maneira.
—Chega! Disse Kairou enquanto levantava a espada. As criaturas armaram o ataque contra os três. Mas a temperatura do beco começou á aumentar. Uma espécie de fumaça se pôs á cercar Kairou até que algo incrível aconteceu. Um fogo intenso envolveu a espada do jovem guerreiro e o beco foi iluminado. As criaturas pararam de avançar e Eldrwin olhava aquilo imóvel.
—Eldrwin ataque! Gritou Kairou enquanto via um dois guerreiros negros avançar novamente com a espada erguida.
Kairou então movimentou a espada fazendo um movimento curvo no ar com bastante velocidade. Uma onda de fogo saiu da espada e foi em direção á criatura á acertando em cheio.
Eldrwin, porém permanecia imóvel e chocado com que estava presenciando naquele momento. Até que uma voz em desespero soou em seu ouvido. Era Kairou.
—Ataque eles agora! – E Kairou passou ao lado do amigo com a espada erguida e envolta em chamas. Parou á frente das outras duas criaturas e gritou alto: — Seja lá o que forem vocês eu vou fritá-los! Nesse instante o fogo da espada de Kairou ficou mais intenso, mas o jovem não imaginava o que iria acontecer.
As espadas das duas criaturas ficaram escuras como sombras. Os olhos de Kairou se arregalaram enquanto via aqueles dois seres avançarem lentamente em sua direção e em direção á Eldrwin. Mais um ataque seria o suficiente, mas olhando para trás percebeu que a criatura que ele havia atacado também estava se aproximando. Não havia outra escolha. Ele ergueu a espada e tentou deferir um forte golpe ao guerreiro sombrio que estava á sua frente, mas foi facilmente bloqueado pelo guerreiro que estava ao lado. Uma onda de impacto invisível atirou Kairou para trás fazendo o fogo de sua espada se apagar. Ele estava aos pés do primeiro guerreiro atacado. Ele apenas viu o fio fino da espada descer em sua direção. Mais que depressa ele rolou para o lado, mas a lamina o atingiu no ombro.
Kairou se reergueu e percebeu que o sangue começava e lhe ensopar as vestes, porém algo estava estranho. Seu corpo começou a formigar de repente.
— O que é isso? Não é possível! Veneno?
Sua visão ficou embaçada. Ele ainda tentou atacar o inimigo, mas sentia seus braços pesados.
—Que veneno é esse? Eu... Não consigo atacar!.
Sem ter misericórdia, a criatura á sua frente o pegou pelo pescoço. Não havia como respirar e logo após isso o que deu para Kairou sentir foi uma forte dor causada pelo impacto de suas costas contra a parede do muro que o guerreiro negro o atirou.
— Kairou! Não! — Bradou Eldrwin vendo o amigo ser jogado violentamente contra o muro
Neste momento as três criaturas o fitaram . Ele olhava chocado tudo o que estava acontecendo. Era real. Era tudo real. Ele estava correndo um risco que ele não havia corrido durante todo esse tempo. Ele iria morrer se não fizesse nada.
—Eu... Vou morrer! Eu vou morrer aqui! – Pensou Eldrwin enquanto sentia o suor vindo do medo escorrer pelo seu rosto e mãos tremendo intensamente ao segurar o cabo da espada.
As criaturas avançavam mais e mais. Ele fechou os olhos numa tentativa de sumir dali. Talvez acordaria em sua cama e teria a certeza de que tudo aquilo não passava de um sonho. Toda sua vida passou diante de seus olhos. Seu primeiro contato com Kairou, a primeira espada, a entrada na pequena guarda e vários momentos importantes. E vindo ele não sabe de onde, um forte brilho envolveu sua espada e logo após isso seu corpo por inteiro. Seu coração batia prestes a explodir. Aquilo era mais do que ele imaginava.
— O que é isso!? O que é essa luz?
As criaturas pararam de avançar e Kairou foi despertado pelo brilho intenso que vinha de seu amigo. Não era algo comum pelo menos não para Kairou presenciar aquela cena.
—Eldrwin? Você... Impossível! Falou Kairou com a voz rouca e cansada enquanto tentava se levantar.
A luz ficou mais forte e começou a se espalhar por todo o beco. Eldrwin apenas permaneceu imóvel e cercado de luz quando a mesma se tornou tão intensa que já não se podia ver mais nada. Foi como um relâmpago e a luz desapareceu. Não havia mais inimigos. Apenas cinzas pelo chão. Kairou estava ainda tonto, mas se levantou aos poucos e reuniu força o suficiente para perguntar ao amigo.
—C... Como você fez isso?
Eldrwin respondeu ser ter muitas opções. Ele estava tremendo e totalmente perdido.
—Eu... Não sei.
Tudo rodou. Tornou-se negro. Eldrwin não sentiu mais nada e estava envolto de uma escuridão que parecia ser infindável. Sentiu seu corpo cair devagar e se chocar contra o solo. Uma voz distante ecoou de lugar nenhum.
— Vamos tirá-lo daqui!
Fale com o autor