Eldamälle

5 Capítulo 5 - Invasores


Notas iniciais
Antes de tudo agradeço a mensagem de Tina, foi muito bom e me fez ficar animada. Agradeço também aqueles que leem mesmo que não deixem seus comentários.

Ada – Legolas fez uma mesura na porta em cumprimento a Thranduil e Daeron que estavam sentados sérios. Uma mesa com um mapa da floresta das trevas ele notou.
– Algum problema Legolas? – Perguntou o rei com sua voz aveludada e rígida ao mesmo tempo.
– Vamos genro – disse com um sorriso divertido –Se aproxime, tenho certeza que seus conhecimentos nos auxiliaria nessa questão.
Legolas se sentiu envaidecido com o elogio, endireitou sua postura e fez um ligeiro e gracioso aceno com a cabeça. Mas se sentiu enjoado quando Daeron o chamou de genro. Por um momento se esqueceu do pedido, mas logo que estava próximo ao pai virou-se para ele.
– Ada gostaria de convidar meus amigos para a cerimônia. – disse objetivamente e sem rodeios.
Thranduil já esperava por esse pedido, estava surpreso que até o momento ele não tivesse lhe dito nada ainda, é claro que ele convidaria o mortal e o anão. O rei não demonstrou mudança em sua bela face, mas era um sentimento amargo pensar em ter um anão caminhando por suas terras como um convidado, sentar em sua mesa e comer de sua comida. Aragorn, no entanto não seria um convidado ruim, seria interessante a presença dele, e muito prestigiosa também.
– Legolas, com grande pesar que não possa lhe conceder esse pedido. – Legolas o olhou surpreso, após ter aceitado se casar não imaginou que o pai lhe negaria um pedido simples como esse — Temos sofrido muitos ataques ultimamente. Monstros errantes que ficaram perdidos após a derrota de Sauron. Seria arriscado para seus amigos atravessarem a floresta nesse momento, eles não são como nós. Não estão acostumados ao seu clima e seus segredos.
– Aragorn é um grande rei. E mesmo em tempos de paz há aqueles que buscam pela guerra, ainda estão se recuperando da última grande guerra. Não é seguro para eles. – emendou Daeron.
Legolas se aproximou e analisou o mapa. Havia muitos pontos marcados, conseguiu distinguir os orc’s e as aranhas gigantes. Os eldamälle eram pontinhos negros e tomavam à dianteira.
– Não imaginava que a situação estivesse tão ruim – disse Legolas com os olhos estreitos.
– Nada com o qual não consigamos lidar. – Respondeu Daeron.
Legolas sorriu com a confiança que ele empregava em suas palavras, Thranduil fez um pequeno discurso sobre como os elfos da floresta das trevas eram grandes lutadores. E grande parte da tarde foi passada assim, discutindo táticas e armadilhas para lidar com os invasores. Legolas se sentiu bem por passar uma tarde inteira sem ter algo que o lembrasse do casamento, mas se sentiu infeliz ao lembrar que seus tão estimados amigos não estariam presentes.

Como os dias passavam Legolas se sentia cada vez mais inquieto, seu coração se comprimia toda vez que alguém lhe procurava para opinar algo sobre a cerimônia ou toda vez que tivesse que fazer companhia a Idril.
Não pode evitar sua noiva Legolas. Deveria aproveitar o tempo que podem para passar juntos. Também não compreendo por que toda essa situação o incomoda. Idril é uma carícia aos olhos.”
Dizia o rei-elfo. Legolas bufou. Esses dias seu pai estava com um humor pior do que o costumeiro, apesar de manter sua pose austera e “digna”, podia ouvir as ameaças sussurradas lorde Daeron, e ver seu olhar brilhar em fúria toda que o mesmo fazia alguma piada ou agia de forma “indigna”.
Em sua opinião era essa reação que Daeron mais gostava, sempre sorria e piscava em direção a Legolas, quando Thranduil lhe fazia uma ameaça.
Partiriam em mais uma patrulha de segurança, Daeron, Elros e mais dois elfos eldamälle que Legolas não conhecia. Iam também alguns elfos silvan, dentre os qual Legolas conhecia apenas Melgor e Filgor, irmãos gêmeos, uma raridade. A única forma de diferenciá-lo eram por suas tranças.
– Esperem – disse ele se aproximando do grupo . Estava armado de seu arco e espadas. Vestia o uniforme da guarda, era verde escuro e resistente, feito de couro e outro tecido desenvolvido pelos elfos – Irei em patrulha com vocês. – se virou para Daeron – É claro, se o senhor assim o permitir.
– Se eu permitir – disse Daeron – Está convidado a se unir em nossa patrulha sempre que desejar. – Daeron fez uma mesura.
Legolas a correspondeu, e logos todos os elfos saíam pelos portões do palácio. Caminharam por uma ponte elevada e bem cuidada, em seu final os galhos de duas árvores se enroscavam formando um desenho abstrato e belo. “O portal dos amantes” era como eles o chamavam. Dois amantes em um abraço eterno.

A patrulha naquele dia se mostrou entediante. Passaram a maior parte do tempo cantando e trocando história, Elros e Daeron sempre falantes. Os outros dois mantinham silêncio e respondiam furtivamente quando perguntados sobre algo, em certo ponto até Melgor e Filgor se animaram e contaram da vez em que explodirão fogos de artifícios na adega do rei.
–Foi um acidente – disse um deles – Não era pare terem explodido ali, tentávamos passá-los pelo alçapão.
– Ainda me lembro do castigo de nossa mãe – adicionou outro e acariciou sua orelha imaginando a dor daquele dia.
Legolas riu se lembrando da expressão deles naquele dia, e de como o rosto de Thranduil ficou levemente vermelho, e também a deles quando rei entrou. Eram pequenos elfos, e o rei conseguia ser assustador.
Quando o sol baixava, e a floresta começava a escurecer eles voltaram. Optaram por um caminho mais longo.
Se aproximando da margem do rio ouviram vozes. Daeron ordenou que todos se mantivessem quietos e observando.
Era um grupo de aproximadamente vinte pessoas. Todos homens, com barbas longas e emaranhadas, alguma tinha finas tranças, outras largas. Uns ainda tinham bigodes com as pontas viradas para cima, mas todos usavam roupas semelhantes a armaduras, carregam algo consigo. Um baú. Eram necessários quatro homens para carregá-lo. Era grande e parecia pesado, feito de madeira sem adornos ou detalhes.
Legolas preparou suas flechas, seus dedos ágeis e seus olhos treinados prontos para atacar. Quando o sinal veio a flecha passou zumbindo e se cravou no pescoço do homem que segurava o baú a direita e estava na frente. Seu corpo tombou e o baú caiu no chão com um barulho abafado. Os outros olharam assustados para as árvores. Empunharam suas espadas e gritaram em uma língua que Legolas jamais ouvira falar.
Antes de saltarem das árvores Legolas disparou mais duas flechas certeiras. Uma acertou no sujeito que havia segurado o baú, e a outro em um que se virou para olhá-lo cair, mas assim que se virou para frente teve uma flecha atravessa entre seus olhos.
Daeron tomou a frente. Saltou e caiu no meio deles, ficaram atordoados com a imagem de Daeron.Sua espada atravessou um na garganta e aparou o golpe de outro que o atacara pelas costas, girou a espada. Suas lâminas em atrito pareceram soltar faíscas, avançou investindo contra o peito dele.
Os outros o seguiram, Legolas avançou. Desviou de um golpe curvando seu corpo para trás. Interceptou a espada que tentou acertar seu abdômen, sentiu um peso sobre suas costas, alguém tentava informá-lo com um fio de ferro. Bastou jogar seu corpo para trás de encontro a uma árvore diversas vezes que ele caiu inconsciente. Passou a mão pelo pescoço, imaginando se ficariam alguma marca. Abaixou-se quando o atacaram, a lâmina do inimigo ficou presa na árvore. Legolas o atingiu com o cabo da espada na nuca com força o suficiente para que caísse desacordado.
Não demorou muito e os invasores haviam fugido assustados por terem sido subjugados com tamanha facilidade. Filgor tinha um pequeno corte em seu rosto, logo abaixo do olho, Melgor tinha suas roupas machadas de sangue. Daeron havia conseguindo um olho roxo, o que o fez ficar irritado, o restante parecia bem, apenas arranhões superficiais.
Contaram os corpos.
– Três fugiram. – disse Legolas.
– Miffi e Käin, vão atrás deles – ordenou Daeron.
Os dois logo se embrenharam na floresta, suas longas capas negras os tornando completamente invisíveis.
– Filgor e Melgor, juntem os corpos e o incendeiem.
Legolas, venha aqui. – disse ele.- Vamos olhar o que esse baú tem de importante para invadirem as terras do rei.
Com a ponta de uma adaga conseguiu destravar o cadeado, não era um bom material, mas Legolas ficou imaginando onde ele aprendera aquilo.
O rosto de Daeron se iluminou, seus olhos se arregalaram e seu lábios se entreabriram, Legolas também olhava para o conteúdo com admiração. Um baú de jóias, as jóias mais lindas que ele já vira, pedras azuis e diamantes do tamanho de um punho, colares intricados tão brancos e puros quanto a luz da lua ou a neve em um dia de inverno.
Daeron avançou e pegou um colar.
– Tome – disse ele – Dê como presente a Idril.
Legolas segurou o colar em frente ao seu rosto, tinha o pingente em forma de rosa, suas pétalas adornando um miolo, galhos com folhas se enroscavam e se prendia umas as outras, algumas pequeninas flores pendiam desses galhos. Era uma jóia bonita e brilhava tão intensamente que parecia um farol em meio a floresta escura.
Esperaram os outros voltar para retornarem ao castelo. Caminharam devagar carregando o baú com as joias com cuidado.

Thranduil os aguardava em seu trono, seu manto azul escuro se enrolava por braços e ombros e desciam pelo trono lhe dando um ar de imponência, ou melhor, lhe adicionava mais imponência e mistério. Andaram pelo caminho que levava até o rei.
– Hoje encontramos estranhos em suas terras – disse Daeron de modo formal – Eles carregavam esse tesouro com eles, meu senhor.
O rei elfo se levantou, seus olhos brilhando pela palavra “tesouro”, Legolas vira aquela expressão antes. A ganância de seu pai não era algo que ele admirasse, mas ele mesmo teve que admitir que as joias o atraíam também.
Ele desceu as escadas, nesse dia não usava sua coroa de galhos e por isso seus fios caíam soltos sobre seus ombros.
Daeron levantou a tampa.
O rei tocou as joias com a ponta de seus dedos e compartilhou um olhar com Daeron, aquele tipo de olhar em que você tem uma conversa longa e preocupante com outra pessoa.