Eldamälle

8 Capitulo 8 - O casamento.


Notas iniciais
Aos leitores, esse capítulo é o fim da primeira fase. Não o achei um bom capítulo como os outros mas essa parte não consegui melhorar, é melhor deixar como está do que estragar com exageros. Bem, não terá um capítulo sobre as núpcias deles, por que não consigo imaginar isso. E na segunda fase conheceram um pouco mais sobre Elros e Daeron e suas verdadeiras intenções. Até lá.

Antes mesmo do amanhecer, todo o palácio já estava em polvorosa, elfos andavam de um lado para o outro com enfeites, flores e laços. Bebidas e bandejas de prata. Com taças e pratos, colheres e garfos. Algumas cadeiras ainda eram carregadas, tudo deveria estar limpo e em seu lugar antes do horário.

Os elfos entoavam uma canção bonita e anima enquanto trabalhavam as escovas que esfregavam o chão ritimadamente, cochichavam entusiasmado com a promessa de uma grande festança com o melhor para se beber e comer.

Mas em outros aposentos do palácio estava Legolas sentado em frente a uma penteadeira – que havia pertencido a sua mãe – três espelhos eram dispostos, um na esquerda, um no meio e outro na direita, era feita de um material branco e reluzente, as molduradas dos espelhos eram prateadas e bem trabalhadas (Gimli teve que dar o braço a torcer, os elfos faziam belas coisas), sobre a penteadeira haviam vários “potinhos” decoradas com rosas e outras flores minúsculas e coloridas, haviam também vários vidros com essências de flores, grandes e pequenos, esguios e largos, haviam ainda alguns onde o vidro havia sido trabalhado com formas geométricas em relevo outros com vidros coloridos em todas as cores.

– Posso usar as tranças de sempre – disse Legolas um pouco mal humorado em grande parte pelo nervosismo da cerimônia.

– Vamos Legolas, para quem derrubou tantos monstros como você isso deve ser fácil – incentivou Faramir que estava sentado em uma grande e confortável poltrona com apoios para os braços, já estava preparado. Usava um diadema por entre seus fios e suas vestes formais, também havia penteado seus fios com cuidado deixando eles alinhados com a ajuda de alguns elfos.

Gimli ainda resmungava achando uma grande falta de respeito o modo como as elfas pentearam e alinharam seus fios, achou uma invasão de privacidade. Seu rosto ainda estava corado de vergonha, e seus fios e barba ruiva estavam no melhor dia de toda sua vida.

Após algum custo para fazê-lo aceitar Go’nor finalmente conseguiu “arrumar adequadamente” o cabelo do elfo, duas tranças que começavam ao lado de seu rosto e se uniam atrás, o seu cabelo ficou solto na parte de trás, foi escovado e alinhado. Com cuidado para não estragar seu trabalho, o elfo de cabelos escuros ajeitou o diadema de Legolas em sua testa. Eram dois fios prateados que passavam um por dentro do outro e se uniam em sua fonte.

– Finalmente!- esbravejou Gimli que saltou de cima da cama, onde havia se acomodado até agora.

Go’nor o olhou com os cantos dos olhos.

– Sinto muito se a preparação do noivo o aborreceu tanto, mestre anão – disse a última parte com um pouco de ironia e desgosto.

– Quando um anão vai se casar não tem essa demora toda para se aprontar, ah não. Não tem não. Isso é coisa de elfo eu digo.

E foi o que bastou para Go’nor e o anão começarem a trocar farpas (novamente), Faramir ria achando engraçada a forma como o elfo respondia sem dar muita atenção enquanto se colocava a procura em qualquer tipo de falha na aparência do príncipe.

– Parem um momento sim? Não estão ajudando. – disse Legolas.

Ambos olharam para ele, Go’nor abaixou a cabeça se sentindo envergonhado pela maneira como a que agiu.

– Quer que o deixemos a sós meu senhor? – perguntou Go’nor.

– O que? — reclamou Gimli

– Não parece bem Legolas. Nunca vi um elfo doente, mas diria que sua aparência chega perto.

– Eu estou bem – disse Legolas com firmeza em sua voz enquanto tentava se livrar de pensamentos perturbadores. – Não, apreciaria a companhia dos três. Mas gostaria ainda mais que meus dois estimados amigos tentassem manter uma conversa sem picuinha. – Disse olhando de Go’nor para Gimli.

O anão bufou e resmungo um “Tudo bem, apenas por que é seu casamento”, o elfo disse um “Ora! Vejam só quem está me dando sermão “ e riu.

Durante algum tempo os quatro se colocaram a conversar sobre coisas aleatórias, lugares por onde passavam. Legolas perguntou a Faramir sobre Éowyn. Logo se entusiasmou e começou a falar apaixonadamente sobre a esposa.

– Ela ficou mais tranqüila depois de tudo o que aconteceu . Começou a aprende a arte da cura e admito que isso me tranqüiliza, uma esposa que se aventura em campos de batalhas é um pouco preocupante. Não que eu duvide da capacidade dela, apenas me sentiria incapaz. Como se eu não fosse o suficiente para protegê-la.
Estamos tentando ter o segundo filho. – terminou sorridente.

Gimli deu uma palmadinha amistosa em seu ombro e lhe sorriu:

– Ah! Sim, filhos é uma dádiva não acham? – disse sonhador, pensando em como estaria sua esposa e seu casal de filhos. Deveriam estar bem, da próxima vez lembraria-se de trazer eles para conhecer seu amigo elfo, com certeza se deliciaram. Mas teria que fazer isso quando o rei não estivesse com aquele lá Gimli não ia com a cara. – Tenho certeza que Legolas terá um filho logo – disse confiante.

Legolas o respondeu educadamente e tentou desviar o assunto. Não havia parado para pensar em filhos, talvez daqui algumas décadas. A idéia não o deixava confortável, tampouco o assunto ou o fato de todos seus amigos já serem pais. Mas não havia comparação eles teriam uma vida muito curta em comparação a sua, um piscar de olhar. A comparação o fez sentir algo amargo em sua boca.
Olhou para Faramir e percebeu a presença do tempo em seu rosto, rugas e manchas. Alguns fios grisalhos também, Gimli também parecia mais cansado e lento.
Era um pensamento triste e tratou de afastá-lo.

*
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A cerimônia foi feita ao ar livre. Galhos se entrelaçavam formando um portal por onde flores pendiam em ramos, a passagem era ladeada por elfas ansiosas e sorridentes, a passagem dos noivos era um caminho sinuoso repleto de pétalas brancas. Que se esvoaçavam em um dança misteriosa e voltavam a repousar no chão, que levavam a um altar erguido em pedra sólida, três degraus também repletos de pétalas, uma bancada com dois cálices de prata incrustados com pequenas azuis e brilhantes, um tinha o desenho do sol e o outro de uma lua minguante. Um ancião esperava do outro lado, Legolas se lembrava de vê-lo apenas em ocasiões formais. Era um elfo com rosto sério e eterno, com fios longos e ruivos, olhos castanhos e penetrantes, usava vestes brancas como todos. Até os homens e anões haviam sucumbido a esse costume.

Legolas estava nervoso, mas não deixaria transparecer. Do altar olhou todos os rostos sorridentes e viu anões e elfos lado a lado e todos pareciam felizes, até os mais sérios sorriam com os olhos e mantinham expressões serenas. Foi o bastante para aquecer seu coração e fazê-lo sorrir, poderia não ser o casamento que idealizara mas ele uniria povos diferentes, tinha certeza que dali sairiam amigos e muitas outras coisas favoráveis. Naquele momento compreendeu melhor seu pai, era um elfo sábio e mesmo com sua indiferença e maneira extravagante de ser era um bom rei e um bom pai. O procurou com os olhos, mas ele estava logo a sua frente. Sorriu para ele, o que o deixou mais feliz ainda.

Até os deuses pareciam dar sua benção a essa união, o dia estava ensolarado e sem nenhuma nuvem.

Quando Idril chegou em seu vestido branco ela parecia reluzir. Poderia cegar qualquer um ao seu redor. Seu cabelo era preso elaboradamente e enfeitado com flores brancas e fios pratas. A última noiva que vira foi Arwen, e naquele momento Idril parecia mais bela do que ela e Lady Galadriel juntas. A luz parecia dançar ao seu redor, por entre seus fios e seus olhos pareciam mais azuis e afiados do que em qualquer outro momento em que já os tenha visto, segurou seu olhar com desejo de entrar mais fundo naquele mar azul e naquela terra desconhecida que era entregue a ele.

Ficou inquieto enquanto ela parecia envolver todos naquela imagem. Queria andar até ela e dizer que não precisava fazer aquilo, que aquela não era ela. Que tinha permissão para ser quem bem entendesse. Mas ele não podia, ficou apenas parado no altar enquanto ela se aproximava a passos vagarosos.

A cerimônia foi como qualquer outra, mas um grande evento por ser o tão amado e honrado príncipe que estava a se casar. Algumas elfas resmungavam e lamentavam por ele e invejavam ela. Mas a alegria atingia a todos, até aqueles que cochichavam maldades pelos cantos. Dizendo que era um plano para eles tomarem o reino. Não havia espaço para maldade em uma cerimônia tão bonita.

Legolas fez seus votos deslizando um anel por cada dedo:

– Prometo honrá-la e sempre ser fiel. Manter-me-ei ao seu lado mesmo nas adversidades. Prometo... – sua voz falhou -...amá-la.

Na vez de Idril dizer os votos houve uma pequena mudança, mas algo que poucos entenderam.

– Prometo erguer a espada ao seu lado. Ser sua sombra e seu pilar. Serei benevolente e atenta, graciosa e mortal. Serei obediente e leal até mesmo quando a vida dos eldar me deixar.

Os dois se olharam fixamente durantes alguns segundos, um olhar silencioso. Legolas beijou sua fonte e ela seu rosto, derem de beber um ao outro em seus respectivos cálices que representavam o equilíbrio.

O coração palpitava no peito do príncipe, gentilmente tocou o rosto de Idril. Sua pele era macia e quente. Em algum lugar de sua mente imaginou uma pele fria. Seus olhos se chocaram com os dela, receptivos ao que viria a fazer. Tocou seus lábios nos dela, eram macios. Afastou-se antes que conseguisse imaginar alguma comparação digna para ser feita a eles.

– Para todo o sempre meu senhor. — sussurrou ela.

Legolas piscou seus olhos e tomou seu braço para seguirem seu caminho lado a lado.

– Em todas as eras – respondeu ele.

Após isso a cerimônia se encerrou. A noite chegou repleta de cantoria, e o amanhecer trouxe a luz de uma nova vida para dois seres que agora se viam interligados um ao outro. Um fio dourado que os obrigaria a manter suas promessas até que seus dias sobre a terra se extinguissem.

Fim da primeira fase.