Elas e Eles
1 Muito inteira
Ela nunca foi a menina das metades, sempre muito inteira para ser só a metade da laranja.
Viajada, quebrada, bem e mal falada como pessoa qualquer, ela é tao fechada que com medo de se expor de mais ela acaba não se abrindo para ninguém. Se precisa contar, conta a todos, se não, ninguém nunca irá saber. Dentro das paredes da sua bolha ela assiste a felicidade, ela escuta todo mundo e gosta especialmente as histórias de amor. Mesmo que não pretenda viver uma. Ela acredita com toda sua alma que voce so pode ser amado se amar a si mesmo, coisa que ela as vezes acha que nunca vai fazer. Tenta não ser tímida, vendo a própria timidez como uma grande fraqueza . Nunca vai a ouvir dizendo o que quer, ou o que precisa . Ela tem tanto medo de ser inconveniente que se torna uma inconveniência para si mesma. As vezes acha que se fechou tanto, que nunca vai deixar alguém ser parte daquela bolha. Agora, ela ama. Ela ama todo mundo, simplesmente porque não amar é muito mais difícil. Ela se entrega e acredita que amor deveria ser assim, por tudo, de graça. Romance já é bem diferente. Acabou acreditando ser alguém difícil de amar. Se ama assim, é um amor velado, escondido. Proibido por ela mesma. É um amor que machuca, porque ela se dá tanto, que se perde, e se esquece de si mesma. Ela que é feita de vento, acaba virando areia no furacão de seus próprios sentimentos. Por isso ela se esconde. Não lida bem com incertezas. Já percebeu a muito tempo que não é muito boa com coisas mundanas. Ela é um cinza pintado de amarelo. "Solidão é vocação" já dizia Dona Cotinha nas Lições de Motim... e esse talvez venha a ser seu grande talento.
Fale com o autor