Elas
1 Capítulo Um - Primeiros Sintomas
Notas iniciais
–Você se lembra de quando nós pintamos o cabelo uma da outra com papel crepom? Isabel perguntou enquanto se entortava na cadeira de tanto rir com a lembrança, devo admitir que eu também estava tentando ao máximo continuar respirando enquanto apertava a barriga que já estava doendo de tanto rir...
***
Lea a mais velha, tinha agora 17 anos, e a Isabel também, a diferença era de meses, mas Lea insistia em ter um ar superior sobre a Isabel, que por sorte achava que aquilo era apenas mais um charme da Lea.
As duas estavam no ultimo ano do ensino médio, que, graças a Deus, já estava acabando. Elas estavam sentadas na escada do colégio agora se lembrando da infância de uma forma bem nostálgica.
Lea era mais alta que a Isabel por heroicos quatro centímetros que ela insistia em anunciar sempre que possível. Morena de olhos e cabelos castanhos, tinha um tom bronzeado o ano todo para o desespero de Isabel que parecia estar com um tom a mais de branco todo mês. Isabel era o contrario da Lea em todos os sentidos, não só na aparência, ela era loira de um tom dourado como o sol e incrivelmente branca, como o mármore, apesar da mínima diferença de altura, as duas tinham quase que o mesmo corpo. Eram magras, mas no estilo brasileiro, não como suas amigas insistiam em parecer tentando imitar as norte-americanas, que elas costumavam achar que eram sem bunda, sem peito e sem graça.
***
–Sim, claro que me lembro! Nossas mães quase enfartaram quando viram nosso cabelo azul. Até hoje não consigo entender porque aceitei fazer aquilo...
–Você sabia que eu ia me ferrar, mas não ia me deixar levar a pior sozinha, no fundo você estava fazendo o que sempre fez...
–O que? Me ferrar por sua culpa ? Falei com ironia, mas sabia o que ela queria dizer, sempre sei o que ela quer dizer, acho que foram todos os anos de prática.
–NÃO! Isabel respondeu tendo outro ataque de risos por que sabia que eu não estava falando sério. -Me proteger... Ela disse em seguida e eu a olhei do jeito que fazia sempre, mas com mais frequência ultimamente, ela sempre sustentava o olhar, mas era também a primeira a desviar, como se estivesse inconfortável, mas sem querer ser indelicada, eu sentia isso.
Desde que fui empurrada pra fora do armário no ano passado, ela continuou ao meu lado, sofrendo todas as piadas e insinuações possíveis, por estar comigo, mas nunca conversou realmente sobre o assunto, ou fez perguntas, até porque não era preciso, acho que ela sempre soube. Dentre todas as pessoas, incluindo meus pais que fizeram o possível pra me aceitar e não se divorciarem por minha causa, ela foi a única que olhou pra mim e disse: “Tô ligada que você quer meu corpo nu, e só admitiu que era gay pra me pegar, mas tá tudo bem, te amo como ontem e vou continuar te amando amanha, apesar de hoje” depois de ri até não aguentar mais, por que Isabel era assim, ela ia sempre me fazer sentir bem e aquilo que ela disse significou o mundo pra mim.
***
Então o sinal tocou pra próxima aula e nós nos dirigimos pra sala.
***
Aula de gramática era o forte das duas, e a paixão da Lea, e isso não tinha nada a ver com a substituta super gostosa que já estava a quase um ano na escola por causa da professora Anne que estava de licença a maternidade. Depois da aula elas iriam pra casa da Isabel, que morava sozinha por seus pais serem divorciados e ela ter desistido de ficar no meio da briga dos dois e ter pedido emancipação, mas apenas pra poder morar sozinha, por que obviamente o colégio mais caro de Santos não se pagava sozinho todo mês, então sim, há pontos positivos no divórcio dos pais.
Elas assistiam a filmes, comiam besteiras, faziam piadas e se divertiam a tarde toda, até dar a hora da Lea ir pra casa. Mas hoje não estava como todos os outros dias. Isabel, não estava acompanhando as piadas e pediu sorvete de chocolate, o que pra ela era inconcebível, ou era flocos ou não precisa de sorvete, mas ela nem percebeu o que havia dito então a Lea continuou lá, olhando pra ela até ela se tocar do que havia pedido e que não estava prestando atenção, como isso não aconteceu a Lea tomou uma iniciativa.
–Você esta bem? Lea perguntou.
–Claro, por que não estaria? Isabel retrucou olhando para o vazio.
–Você quer sorvete de quê mesmo? Lea continuou.
–Eu acabei de dizer! Flocos...
–Não, você disse que queria de chocolate, vamos me diz logo, o que esta acontecendo?
–Ok...
–Ok...?
–Acho que eu gosto do Augusto, e acho que ele gosta de mim, e acho que ele pediu pra ficar comigo, e acho que eu aceitei e acho que vai ser hoje, tipo, as 19h00min no cais? Ela disse tudo sem fazer contato visual e tomando cuidado com as palavras como se soubesse que aquilo ia machucar a amiga, mas sem saber ao certo.
Ela estava certa.
Lea puxou todo o ar que podia para o pulmão e se obrigou a estabilizar o pulso, mas foi traída pelo escarlate que seu rosto se tornou, só restava implorar para que a outra não percebesse. Então forçou seu rosto em um sorriso e se perguntou por que tinha tido essa reação em relação a Isabel, quer dizer, esse seria qual esse ano, o sexto cara ? Então falou:
–VOCÊ O QUÊ?! Como pode não me dizer antes? E ai, ele é gato?
Com um aparente alivio, Isabel começou a falar sobre o Gabriel ou Gustavo, ou qualquer que fosse o nome do cara.
–Você se lembra de quando nós pintamos o cabelo uma da outra com papel crepom? Isabel perguntou enquanto se entortava na cadeira de tanto rir com a lembrança, devo admitir que eu também estava tentando ao máximo continuar respirando enquanto apertava a barriga que já estava doendo de tanto rir...
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Lea a mais velha, tinha agora 17 anos, e a Isabel também, a diferença era de meses, mas Lea insistia em ter um ar superior sobre a Isabel, que por sorte achava que aquilo era apenas mais um charme da Lea.
As duas estavam no ultimo ano do ensino médio, que, graças a Deus, já estava acabando. Elas estavam sentadas na escada do colégio agora se lembrando da infância de uma forma bem nostálgica.
Lea era mais alta que a Isabel por heroicos quatro centímetros que ela insistia em anunciar sempre que possível. Morena de olhos e cabelos castanhos, tinha um tom bronzeado o ano todo para o desespero de Isabel que parecia estar com um tom a mais de branco todo mês. Isabel era o contrario da Lea em todos os sentidos, não só na aparência, ela era loira de um tom dourado como o sol e incrivelmente branca, como o mármore, apesar da mínima diferença de altura, as duas tinham quase que o mesmo corpo. Eram magras, mas no estilo brasileiro, não como suas amigas insistiam em parecer tentando imitar as norte-americanas, que elas costumavam achar que eram sem bunda, sem peito e sem graça.
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–Sim, claro que me lembro! Nossas mães quase enfartaram quando viram nosso cabelo azul. Até hoje não consigo entender porque aceitei fazer aquilo...
–Você sabia que eu ia me ferrar, mas não ia me deixar levar a pior sozinha, no fundo você estava fazendo o que sempre fez...
–O que? Me ferrar por sua culpa ? Falei com ironia, mas sabia o que ela queria dizer, sempre sei o que ela quer dizer, acho que foram todos os anos de prática.
–NÃO! Isabel respondeu tendo outro ataque de risos por que sabia que eu não estava falando sério. -Me proteger... Ela disse em seguida e eu a olhei do jeito que fazia sempre, mas com mais frequência ultimamente, ela sempre sustentava o olhar, mas era também a primeira a desviar, como se estivesse inconfortável, mas sem querer ser indelicada, eu sentia isso.
Desde que fui empurrada pra fora do armário no ano passado, ela continuou ao meu lado, sofrendo todas as piadas e insinuações possíveis, por estar comigo, mas nunca conversou realmente sobre o assunto, ou fez perguntas, até porque não era preciso, acho que ela sempre soube. Dentre todas as pessoas, incluindo meus pais que fizeram o possível pra me aceitar e não se divorciarem por minha causa, ela foi a única que olhou pra mim e disse: “Tô ligada que você quer meu corpo nu, e só admitiu que era gay pra me pegar, mas tá tudo bem, te amo como ontem e vou continuar te amando amanha, apesar de hoje” depois de ri até não aguentar mais, por que Isabel era assim, ela ia sempre me fazer sentir bem e aquilo que ela disse significou o mundo pra mim.
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Então o sinal tocou pra próxima aula e nós nos dirigimos pra sala.
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Aula de gramática era o forte das duas, e a paixão da Lea, e isso não tinha nada a ver com a substituta super gostosa que já estava a quase um ano na escola por causa da professora Anne que estava de licença a maternidade. Depois da aula elas iriam pra casa da Isabel, que morava sozinha por seus pais serem divorciados e ela ter desistido de ficar no meio da briga dos dois e ter pedido emancipação, mas apenas pra poder morar sozinha, por que obviamente o colégio mais caro de Santos não se pagava sozinho todo mês, então sim, há pontos positivos no divórcio dos pais.
Elas assistiam a filmes, comiam besteiras, faziam piadas e se divertiam a tarde toda, até dar a hora da Lea ir pra casa. Mas hoje não estava como todos os outros dias. Isabel, não estava acompanhando as piadas e pediu sorvete de chocolate, o que pra ela era inconcebível, ou era flocos ou não precisa de sorvete, mas ela nem percebeu o que havia dito então a Lea continuou lá, olhando pra ela até ela se tocar do que havia pedido e que não estava prestando atenção, como isso não aconteceu a Lea tomou uma iniciativa.
–Você esta bem? Lea perguntou.
–Claro, por que não estaria? Isabel retrucou olhando para o vazio.
–Você quer sorvete de quê mesmo? Lea continuou.
–Eu acabei de dizer! Flocos...
–Não, você disse que queria de chocolate, vamos me diz logo, o que esta acontecendo?
–Ok...
–Ok...?
–Acho que eu gosto do Augusto, e acho que ele gosta de mim, e acho que ele pediu pra ficar comigo, e acho que eu aceitei e acho que vai ser hoje, tipo, as 19h00min no cais? Ela disse tudo sem fazer contato visual e tomando cuidado com as palavras como se soubesse que aquilo ia machucar a amiga, mas sem saber ao certo.
Ela estava certa.
Lea puxou todo o ar que podia para o pulmão e se obrigou a estabilizar o pulso, mas foi traída pelo escarlate que seu rosto se tornou, só restava implorar para que a outra não percebesse. Então forçou seu rosto em um sorriso e se perguntou por que tinha tido essa reação em relação a Isabel, quer dizer, esse seria qual esse ano, o sexto cara ? Então falou:
–VOCÊ O QUÊ?! Como pode não me dizer antes? E ai, ele é gato?
Com um aparente alivio, Isabel começou a falar sobre o Gabriel ou Gustavo, ou qualquer que fosse o nome do cara.
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