Elas
4 Capítulo Quatro - A Viagem
Sinto-me tão melhor sabendo que a Isabel me ajudou a colocar isso pra fora, mas no fundo ainda espero pelo dia que ela venha ate mim e diga, que faz mais do que compreender, que ela me quer como eu a quero, mas não posso pensar isso dela, tenho que estar agradecida por ainda tê-la comigo. Agora já me acostumei com a ideia dela ir para um intercambio, talvez isso me ajude a pensar e ver que eu só estou confusa, não posso querer a Isabel dessa forma, devo estar entendendo errado, uma grande amizade pode se confundir com uma paixão? E se quando ela voltar eu estar realmente apaixonada por ela? Quem eu vou arrumar nessa Terra que se sobreponha a Isabel? Meu Deus, ela é única em todos os sentidos!
–duas semanas depois-
–É hoje, é hoje! –Isabel aparece toda animada na minha casa, gritando pra todos que é hoje que ela vai para Seattle.
–Eu sei que é hoje! -Digo olhando pra ela com o rosto risonho, mas ainda estou chateada com isso, quer dizer, o Augusto vai também, pelo amor de Deus!
–Juro que vou trazer muitos presentes pra você!
–Eu já disse que não quero nenhum presente, Is.
–Você nunca me chama de chama de “Is”, tem certeza que ta bem com isso?
Isabel me olha mais curiosa do que preocupada, só a chamo assim em situações especiais, ou quando algum cara parte o coração dela em milhões de pedacinhos como ela costuma choramingar, mas acabou saindo sem querer, não sou a melhor pessoa do mundo em questão de carinho, acho que é por que tenho vergonha de demonstrar, ate por que não tive isso em casa, a Isabel sim, mesmo que os pais dela sejam péssimos entre eles, com ela eles são ótimos e tentaram por muito tempo continuar juntos por ela, o que não foi uma boa coisa, já que ela ficava no meio da briga deles, mas enfim, olho pra ela como uma completa desentendida e falo que apenas estava distraída, ela assente e logo começa a falar sobre tudo o que vai visitar quando chegar na cidade.
***
Aceno uma ultima vez pra Lea, que esta visivelmente precisando de outro abraço e se segurando pra não chorar e entro na sala de desembarque com o instrutor e os outros alunos que vão junto, chamei a Lea pra ir comigo varias vezes, mas ela simplesmente disse que não curte esse tipo de viagem, e ter que dar satisfação aos instrutores ate pra respirar, então vim sozinha, o único aluno que eu realmente conheço é o Augusto, então fico com ele todo o tempo. Ele é bem gentil, nosso encontro não foi dos piores, e ate deixou um gostinho de quero mais, mas teve todo o drama com a Lea, então eu me foquei nela as ultimas semanas antes de viajar, coisa que ela não reclamou.
O instrutor se chama Lucas, tem mais dois e uma mulher que parece estar aqui somente por que todos os instrutores são gatos, por que ela passa todo o tempo em cima deles, ai quando uma menina precisa perguntar onde é o banheiro e se tem alguém disponível pra leva-la, precisa ser com um instrutor, o que me irritou muito, ate por que eu estou super apertada!
Conheci a casa da família que eu vou ficar, eles foram super gentis e me mostraram tudo, infelizmente foi em inglês, então eu não entendi muita coisa, mas o sobrenome deles é Peterson, achei engraçado, aqui eles se apresentam pelo ultimo nome, mas acho que o nome dela é Phoebe e o dele é Ethan, achei legal e tem um som bonitinho quando pronunciado. Hoje nós só vamos conhecer as famílias e nos instalar, depois descansar e acordar amanha cedo pra começar a tour por Seattle! To tão animada que acho que não vou conseguir dormir, quer dizer, meu livro preferido se baseia durante toda a historia, ou na maioria do tempo, nesta cidade, isso é tipo um sonho se realizando...
***
Me segurei o máximo que pude pra não chorar ou sair correndo atrás da Isabel pra abraça-la, serio. O Augusto ficou me olhando simpático, mas a Isabel não saia do lado dele, normalmente eu retribuo esse tipo de sorriso, mas consegui apenas encara-lo, acho que isso é ciúme, bom, que seja. Mesmo ele não tendo culpa e a Isabel me afirmando que o encontro foi horrível, eu não tenho obrigação de gostar dele.
Agora é so esperar esse tempo passar e torcer pra que a Isabel se divirta muito e conhece todos os lugares do livro dela.
Com as férias, vou ter que arrumar um emprego, meus pais tem condição de me sustentar de sobra, mas dizem que eu so gasto com inutilidades, então vou ganhar meu próprio dinheiro e gastar com o que eu quiser. Começo amanha então vou aproveitar bem meu ultimo dia de folga, nesse caso, dormindo.
***
Tinha certeza que tinha entendido as informações básicas sobre a casa, mas quando fui ao banheiro, acabei entrando na cozinha, e adivinha? Tinha um cara super gato lá, acho que é o filho deles, fiquei com vergonha por que estava so de baby-doll de seda muito justo, teria trazido algo mais descente, mas eu moro sozinha e ele é muito confortável, então finjo que vou buscar água, ele me olha de cima a baixo, mas sem mudar a expressão, fala comigo algo que eu não entendo, então aceno e sinto minhas bochechas ficarem escarlate, ai ele começa a falar, so que dessa vez eu... eu entendo!
–Sabe, eu acabei de perguntar se você é do circo e esta invadindo minha casa e você acenou assentindo, devo chamar a policia?
Puta merda! Ele fala português, claro, não iam nos mandar pra uma casa onde so falam inglês, alguém tem que acertar o banheiro uma hora, nesse caso eu. Ruborizo ate o ultimo nível possível e começo a conversar com ele.
–Não, não precisa. –respondo, pedindo a Deus que algo aconteça pra eu ir embora, ai me lembro que tem água no meu copo, então bebo e saio da forma mais digna possível. Escuto ele rir e dizer:
–Uhm, a propósito, meu nome é Taylor e eu sou o responsável por fazer você voltar falando inglês fluente para o Brasil...
Me viro e o encaro esperando que ele esteja brincando, mas ele continua com a mesma expressão, embora com os olhos risonhos.
Reparei agora que ele se parece com o pai. Uma versão bem mais nova, claro, mas os mesmos olhos castanhos bem claros, quase mel, seu cabelo é loiro, mas mais escuros que os meus, tem a pele clara, bochechas proeminentes, mas o que definitivamente chama a atenção é a sua boca que é curvada, de modo que parece que ele esta sempre a ponto de sorrir, mas continua com a mesma expressão, o que me encantou. Ele é mais alto que eu, e embora não pareça ser muito mais velho que eu, ele com certeza já deve ter terminado o ensino médio, deve estar no segundo ano da faculdade. Ele não é magro e nem serviria pra capa de revista sobre academia, mas é daquele tipo que em uma praia te faria olhar de novo. Acho que ele reparou que eu to encarando demais e então começo a falar apressadamente:
–Ah, legal, meu nome é Isabel. – sorrio e me lembro do porque vim parar aqui, então pergunto: — a propósito, onde é o banheiro?
***
A Isabel já deve ter chegado, então resolvo ligar pra ela.
–alô?
–aaaaaalô! Lea, você não sabe como aqui é perfeito, serio! Os Peterson são muito legais, embora eu não entenda nada do que eles falam, e o filho deles pareceu ser simpático também, mas e ai, como vão as coisas?
–Bom primeiro: você só deve estar ai há provavelmente duas horas, então espera ate começar a chover, você sabe que em Seattle chove todo dia em todas as estações, e aqui ta tudo na mesma, mas já me acostumei com Santos, mas me fala você, como foi colocar os pés no suposto mesmo aeroporto que a Ana Grey? –Depois de ouvir o nome da personagem preferida dela, ela começou a gritar e rir e dizer que ta realizando um sonho, depois de um tempo ela quis desligar, acho que ela percebeu que mesmo com a empolgação, foram muitas horas de viagem e ela precisa descansar, e eu também então, nosso dia terminou assim.
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