Notas iniciais
Vivaaaaaa!!!! Consegui postar mais um capítulo! xD

Mariku estava na sua antiga casa, no Egito, ele olhou para os lados confuso e com expressão assustada se perguntando como foi parar ali. Olhou para a sua frente e encontrou o local onde ele e Marik passaram os piores momentos de suas vidas.

A sala estava exatamente igual àquele dia, havia sangue manchando o carpete, e a mesa onde ele e Marik foram presos por seu pai estava bem ali. Engoliu em seco dando um passo à frente hesitante, sua respiração começou a ficar descompassada, seus olhos cresceram e seu coração doía a cada batida. Era desesperador estar ali, se sentia sufocado.

De repente ele ouviu o som de passos rastejando em sua direção, olhou para trás encontrando Marik ensanguentado, ele estava sem camisa, mal conseguia se manter de pé, se aproximava lentamente gemendo de dor. Mariku tentou se mexer para ajuda-lo ou tentar fugir das lembranças, mas suas pernas travaram e seu corpo tremia muito.

- M-mariku... – Marik diz com dificuldade se aproximando cada vez mais do mais velho, ele olhou fixamente para os olhos violetas assustados de seu irmão – P-por quê...? Por que não me... Ajudou...? V-você deveria... Me proteger... Por sua causa... O pai fez isso...

Os olhos de Mariku cresceram mais ainda – M-marik... – ele estendeu a mão sem forças, mas não alcançou o mais novo – E-eu sinto muito... Eu tentei, você sabe que eu tentei...! Eu não queria que isso acontecesse... Porra, eu nunca quis que essa merda toda acontecesse...!

- Você... Prometeu, Mariku... – Marik estava de frente ao irmão, ergueu uma mão acariciando o rosto bronzeado do mais velho deixando rastros vermelhos de sangue. O corpo do mais velho ficou tenso com o toque do irmão, sua respiração ficou presa na garganta – Você prometeu... Que iria me proteger... Mas olha para mim... – ele diz se afastando apontando para o lado, onde seu corpo estava deitado sobre a cama do hospital inconsciente – Por sua culpa estou em coma... Você me acertou com o cetro...

- Não! – o egípcio mais velho fechou os olhos esperando que tudo desaparecesse quando os abrisse novamente – Não foi minha culpa! Eu não sabia, Marik! Eu não sabia irmão...

- Foi sua culpa! – ele arregalou os olhos e seu corpo todo estremeceu com a voz de seu pai. Ele se virou lentamente encontrando seu pai ali, com uma expressão psicótica. Seu estômago embrulhou com o cheiro forte de álcool e sangue que impreguinava o lugar.

O homem mais velho agarrou os cabelos do loiro o arrastando para a mesa no centro da sala. Mariku lutou contra ele, tentando se soltar, gritou, mas não importava o que fizesse, nada ajudava. Não havia ninguém que pudesse auda-lo.

O loiro ofegou ao sentir ser empurrado contra uma mesa e a lâmina gelada tocando suas costas o fez grunhir. A faca rasgou sua camisa revelando a pele bronzeada já marcada. Deixou um grito de dor escapar de sua garganta ao sentir sua pele ser cortada pela lâmina, sentindo seu próprio sangue quente escorrendo pela sua pele.

- Foi sua culpa, Mariku! Você matou sua própria mãe! Você matou a mulher que lhe deu vida! – Mariku gritou novamente sentindo a faca ser cravada mais fundo em sua carne.

Se forçou a estrangular outro grito de agonia, seu peito subia e descia num ritmo rápido. Olhou para o lado encontrando seu irmão caído no chão sobre uma poça de seu próprio sangue. Tentou estender a mão para Marik, que o olhava com aquelas frias ametistas tão parecidas com as suas, mas gritou de dor sentindo a faca rasgar mais ainda sua pele.

O cheiro enjoativo de sangue fazia seu estômago embrulhar deixando um gosto amargo na sua boca. Ouviu gemidos agonizantes de seu irmão, mas era incapaz de ajuda-lo. Seu corpo começou a ficar fraco, sua visão embaçada e ele lutava para se manter acordado – Você tem que pagar pelo que fez, Mariku. – as vozes de seu pai e irmão ecoaram pela sala fria – É tudo sua culpa!

- Não!

oOOo

Mariku acorda abruptamente se sentando, sua respiração era pesada e seu coração batia freneticamente em seu peito. Olhou para os lados como se quisesse se certificar de que não estava em sua antiga casa e suspirou de alívio ao ver que estava no quarto de sua irmã. Ele tinha pesadelos frequentes com o seu pai, mas agora Marik também estava neles.

Passou as mãos nos cabelos molhados de suor e se levantou tentando não fazer barulho e acabar acordado Ryou. Caminhou ate o banheiro parando em frente ao espelho e segurou as bordas da pia com força. Ele odiava se lembrar, queria se esquecer de tudo aquilo, mas suas cicatrizes nunca permitiriam isso. Suspirou fundo olhando diretamente para o seu reflexo, precisava se acalmar ou voltaria a tomar remédios e fazer terapia.

Ligou a torneira jogando água em seu rosto, a cada dia que passava sentia que uma parte de sua sanidade desaparecia e agora com Marik em coma era mais difícil de se manter o controle.

- Mariku...? – Ryou o chama da porta esfregando os olhos – Esta tudo bem? – ele pergunta se aproximando do maior e o toca no ombro. O loiro não respondeu, continuou com a cabeça baixa e olhos fechados – Riku, esta me deixando preocupado...

- Desculpe Ryou... – ele murmurou se virando para o namorado e se encostando a pia – Esta tudo bem, foi só... – ele fez uma pausa estreitando os olhos – Um pesadelo...

O albino o observou por alguns instantes antes de envolver os braços em volta do corpo do Ishtar enterrando o rosto no peito bronzeado. Maiku ficou surpreso, mas logo envolveu os braços em volta do menor e descansou o queixo na cabeça dele.

- Vem... – o albino diz puxando o egípcio pelo braço em direção a cama. O maior não protestou enquanto era puxado, sem uma palavra se deitaram. O Touzoku apoiou a cabeça no peito do namorado e suspirou – Outro pesadelo com... Seu pai? – perguntou hesitante.

- Não é só isso. – o loiro suspira fundo antes de continuar – Marik... – ele faz uma pausa – Eu... Eu prometi que iria protege-lo, mas no fim eu não consegui cumprir minha palavra. Por minha causa Marik virou uma garota e agora esta em coma. – ele fez uma pausa – Eu não consigo nem cuidar do meu irmão. – grunhiu fechando os olhos.

- Não foi sua culpa. Você não sabia que isso iria acontecer e... Olhe pelo lado positivo, Marik e Bakura estão juntos e nós somos tios da Kaya. – Ryou diz confiante se sentando ao lado do loiro – Marik estaria feliz com isso. O que aconteceu foi apenas... Um imprevisto, você vai ver, Marik vai acordar a qualquer instante e vai ser como antes.

O egípcio suspira fundo se sentando também – Você não entende, Ryou. Se eu não fosse um imbecil ele não teria que passar por tudo isso e nunca ficaria em coma... E... – ele faz uma pausa cerrando os punhos, seus ombros tremiam por causa da raiva mau reprimida – Se eu fosse mais forte eu poderia ter protegido ele do nosso pai, ele não sofreria tanto! Eu sou o mais velho, eu devia cuidar dele e não o contrário!

- Só porque você é o mais velho não significa que você tem a obrigação de saber tudo de ruim que vai acontecer com ele... Não é sua culpa, Mariku. – Ryou diz suspirando fundo – Não é culpa de ninguém. Nem do Marik, ou Ishizu-san, ou do Bakura, ou minha e muito menos sua.

- Foi minha culpa nossa mãe ter morrido, Ryou! – o loiro o olha nos olhos – Eu deixei a bola escapar, eu fui o primeiro a correr para a rua! Marik fica se culpando, ele acha que foi ele... Não foi ele... Eu não tive coragem de dizer isso ate hoje! – diz mordendo o lábio com força e cerrando os punhos o suficiente para deixar marcas na palma das mãos – Porra, eu sou um covarde de merda! Eu devia ter parado o bastardo do nosso pai! Eu... Fiquei com medo e... – sua voz morreu. Ele olhou para nada em particular com raiva, se lembrando de tudo o que aconteceu.

- Não. Não foi sua culpa, você era uma criança e...! – o albino grita exasperado o olhando com a testa franzida – Não havia como evitar isso! Vocês tinham a mesma idade, não tinha como parar o pai de vocês... Não tinha como impedir... – ele sente lágrimas quererem sair mas as segura – Não foi culpa de ninguém o que aconteceu... Ninguém sabia o que iria acontece, nem mesmo o Marik! Não foi sua culpa, Mariku! E Marik estava feliz por estar grávida... Ela vai superar isso... Marik é forte...

O corpo menor tremia pelos soluços, suas mãos escondiam o rosto que estava molhado por causa das lágrimas que insistiam em escorrer. Ele estava triste pelo seu melhor amigo estar na cama de um hospital, mas não era por isso que sairia colocando a culpa em alguém, apenas tinha acontecido, não havia uma maneira de impedir isso. E ele odiava ver Mariku se culpando, odiava ver seu irmão vulnerável! Ele só queria que as coisas voltassem a ser como eram antes. Ele queria que as coisas ficassem bem para todos.

Mariku o puxou para perto de si o deixando descansar a cabeça em seu ombro, Ryou havia lhe contado sobre o acidente de carro que matou a mãe e irmã dele e também Bakura às vezes acabava dizendo algo, nada que parecesse ser coerente para o Ishtar, mas se juntasse tudo dava para entender um pouco o que havia acontecido com eles. O loiro sabia que tudo isso havia trazido lembranças para os Touzoku e que Ryou não queria perder mais ninguém importante. Provavelmente ninguém queria perder alguém importante.

- Shh... Não chora, Koi... – o loiro sussurra se deitando e o puxando ao seu lado e o beija suavemente nos lábios. Passou seus braços em volta do corpo menor o prendendo de maneira protetora. Ele não sabia muito bem como reconfortar alguém, a única pessoa que ele sabia como agir em momentos como esses era seu gêmeo. Ryou era diferente... Ryou não era Marik.

– Riku... – o albino ergue o rosto e o olha fixamente – Obrigado. – Mariku o olha confuso, mas sorri o beijando na testa.

- Não tem de quê. – ele faz uma pausa – Sabia que você é a segunda pessoa que consegue me deixar calmo e apavorado ao mesmo tempo? – ele pergunta rindo um pouco, o albino o olha com curiosidade como se perguntasse 'Quem é a outra pessoa?' – Somente Marik e você conseguem isso... – Ryou sorri suavemente sentindo as pálpebras começarem a pesar.

Mariku sempre dizia que ele o acalmava, mas o loiro fazia algo muito parecido com ele. Agora que estavam juntos, Ryou se sentia mais confiante, não precisava ficar com medo de dizer algo estúpido, não se sentia tão envergonhado e nem gaguejava mais, pelo menos não como antes.

O albino estava praticamente adormecendo quando Mariku voltou a falar – Ryou. – o albino ergueu ligeiramente o rosto, sonolento, para olha-lo e franziu a testa vendo a expressão seria. Se moveu para olhar melhor para seu namorado, se apoiando em um dos cotovelos.

Ryou se perguntou se fez ou disse algo errado. Mordeu canto da lábio com força tentando manter a respiração calma enquanto esperava o loiro continuar. Mariku parecia estar tendo um tipo de luta interna, sua expressão era seria, mas ao mesmo tempo preocupada e hesitante, seus olhos pareciam desesperados, confusos ou ate mesmo perdidos.

- Você me acalma e eu gosto disso. – o albino sorriu largamente, realmente gostava de ouvir isso, abriu a boca para dizer algo, mas foi impedido por um dedo em seus lábios – Estou tentando dizer o que sinto, então fique calado, ok? – Ryou acenou sorrindo – Eu gosto de você Ryou e quero te manter perto de mim. Você me acalma, não faz perguntas sobre o meu passado e não tem medo quando estou agindo de maneira psicótica. E te acho um idiota por não ter medo de mim. – diz a última frase como se estivesse emburrado por ainda ser tratado como criança.

O Touzoku ri um pouco da maneira infantil que isso foi dito. Mariku fez outra pausa parecendo pensar muito no que iria dizer agora. Ryou colocou uma mão no braço bronzeado, mas logo a afastou sentindo o corpo do maior ficar tenso e os olhos violetas se arregalarem um pouco. Ele apenas o olhou e sorriu gentilmente.

O loiro respirou fundo relaxando o corpo – Você disse que me ama, ainda não sei lidar muito bem com isso, mas estou tentando. Eu gosto de você Ryou, talvez não da maneira que você gosta mim, mas eu sei que gosto muito de você. – ele franziu a testa olhando para os lençóis como se procurasse as palavras certas – É... Algo forte, mas não sei se é forte o suficiente para corresponder ao que você sente. Eu quero te proteger, estar perto de você, te ver sorrindo. Eu gosto quando você sorri. – mordeu o lábio olhando diretamente nos olhos chocolates – O que estou tentando dizer é que... Eu gosto muito de você, mas... Isso é o suficiente?

Ryou franziu a testa para essa pergunta. Ele não sabia o que exatamente Mariku queria saber, talvez tivesse algo a ver com o passado do loiro, ou era apenas por causa da confusão de seus sentimentos. Ryou não sabia, mas ele tinha que responder de alguma forma, Mariku estava começando a ficar agitado pela falta de resposta.

- S-suficiente para o quê, Riku? – sua voz soou hesitante e se chutou internamente, ele sabia que o egípcio não gostava quando ele agia dessa maneira. Ele não gostava quando parecia que Ryou tinha medo dele. E Ryou se odiava por agir assim, ele não tinha medo do Mariku.

- Pra você, Ryou. – o albino piscou algumas vezes erguendo as sobrancelhas em surpresa – Eu gosto de você, mas não sei se isso é o suficiente pra você. – o loiro franziu a testa de maneira pensativa antes olhar nos olhos chocolates – Gostar de você é o suficiente para te manter perto de mim? É o suficiente para te manter feliz? – a voz do loiro parecia desesperada, aflita e seus olhos também não podiam esconder isso.

O Touzoku o olhou um pouco surpreso. Mariku estava ali, preocupado em saber se ele ficaria feliz apenas com o gostar. Ryou sorriu largamente praticamente pulando em cima do egípcio, pressionou seus lábios juntos, num beijo suave, passou seus braços em volta do pescoço do maior o sentindo ficar tenso por um momento, mas logo os braços fortes estava fazendo o caminho em volta da cintura do albino e correspondendo o beijo apaixonado.

Ryou se afastou ainda sorrindo, ele ofegava um pouco e seu coração estava acelerado – Riku... É o suficiente! Pra mim é o suficiente saber que você gosta de mim nem que seja um pouquinho. – ele responde feliz. Ele sabia desde o início que Mariku não estava pronto para corresponder o que ele sente, mas mesmo assim estava feliz em estar com ele e agora que o loiro estava se preocupando se ele estava satisfeito o fez se sentia mais feliz ainda. Ryou estava ciente que estava agindo como uma garota, mas não importava, porque estava com o egípcio – Mariku, eu te amo.

Mariku sorriu meio hesitante, ainda não tinha se acostumado a ouvir isso, mas se sentiu aliviado. Ryou se aconchegou contra o corpo bronzeado e sorrindo sentiu os lábios quentes do maior serem pressionados contra sua testa – Obrigado, Ryou... – o albino sorriu suspirando fundo. Ele sabia que isso seria o mais próximo que teria de Mariku declarando abertamente que o amava da maneira dele.

Notas finais
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