Ela É Demais - Thiefshipping
27 Promessa...
Notas iniciais
Já fazia três dias desde que tinham voltado da casa que Kaiba emprestou e logo começariam as aulas novamente. Marik não estava muito animado, tinham certeza que de alguma forma a notícia de sua gravidez logo se espalharia e isso seria um grande problema para ela, principalmente no colégio. Já podia imaginar os murmuros e olhares.
Mas isso não era importante no momento. Ela estava acompanhando Bakura e Ryou no cemitério, os Touzoku disseram algo sobre uma data importante para eles, mas não entraram em detalhes. Marik e Mariku estavam ali sem saber o porquê.
Bakura suspirou fundo olhando para o céu, há exatamente 9 anos atrás as vidas dele e de Ryou mudaram bruscamente sem aviso – "Era um dia igual a esse..." – ele pensa cerrando os olhos e franzindo a testa. Ele sente sua mão ser levemente apertada e sorri, eles tinha decidido contar para os Ishtar sobre o que aconteceu.
- Kura...? – a loira diz num tom hesitante, estava começando a se preocupar. Bakura não era de ficar com o olhar distante e esse sorriso suave e triste no rosto, não era o seu normal, e Ryou estava tão triste e deprimido, ela não gostava de ver seu amigo desse jeito.
O albino não responde, simplesmente aperta a mão como resposta tentando dizer que estava tudo bem. Eles continuam caminhando pelo cemitério ate que param de frente há dois túmulos, um deles havia o nome Kaori¹ Touzoku e no outro Amane Touzoku.
Ryou cai de joelhos em frente aos túmulos, de cabeça baixa e começa a murmurar algo bem baixinho que ninguém conseguia ouvir. Mariku franziu a testa, não gostava nem um pouco de ver Ryou desse jeito, ele se agacha ao lado dele mas fica em silencio, apenas observando.
Bakura soltou a mão de Marik e caminhou ate o irmão colocando uma mão no ombro dele e apertando de leve, o Touzoku mais novo não conseguiu conter as lágrimas, todos os anos era assim, Ryou sempre chorava enquanto Bakura tentava o consolar do seu jeito, mas as coisas mudaram um pouco este ano, agora os Ishtar estavam com eles.
- Ry...? – o Ishtar mais velho diz agachado ao lado de seu namorado com a cabeça inclinada para o lado o olhando com preocupação, Ryou o olha forçando um pequeno sorriso tentando enxugar as lágrimas.
Marik se aproxima deles, entendendo que deveria ser alguém da família, mas não fazia ideia de quem poderia ser, ambos os Touzoku não mencionavam sobre o passado, pelo menos ela não sabia de nada, além de que o pai deles mandava dinheiro. A loira abraça o albino por de trás deixando as mãos descansarem contra o peito dele e sua cabeça sobre o ombro largo. Bakura não se moveu, continuou parado com uma mão segurando o ombro de seu gêmeo e a outra caída ao lado de seu corpo.
Ficaram em silêncio por alguns minutos ate que Bakura fez com que a loira o soltasse e começou a leva-la para longe dali. A egípcia não protestou só se deixou ser levada por ele. Pararam perto de uma arvore, não muito longe de seus gêmeos, Marik podia ver que Mariku continuava agachado ao lado de Ryou.
Bakura se sentou encostado no tronco da arvore, era um pé de pêssego, logo estaria cheio de flores, ele a puxou para se sentar ao lado dele e passou os braços em volta da cintura dela pousando as mãos sobre a barriga, ela deixa sua cabeça cair para trás apoiada no ombro dele. Ficaram em silêncio somente ouvindo a respiração um do outro e o vendo balançar os galhos das arvores fazendo algumas pequenas flores caírem.
- Minha mãe e minha irmã. – o albino responde a pergunta silenciosa que estava no ar, a loira coloca as mãos sobre as dele e espera ele continuar – Eu e Ryou tínhamos 7 ou 8 anos na época que elas morreram... Amane era dois anos mais nova que nós, aquela pirralha ficava grudada na gente... – fez uma pausa soltando um riso amargo – Nossa mãe era a melhor que eu já pude conhecer, nosso mundo girava em torno dela.
Ele fez mais uma pausa suspirando. Marik aperta a mão dele gentilmente tentando reconforta-lo e esperou pacientemente que ele continuasse – Nesse mesmo dia Ane fez birra querendo ir ao parque e a mãe a levou, eu e Ryou ficamos para ir com... O pai... Mas quando chegamos, descobrimos que elas tinham sofrido um acidente de carro... A mãe morreu na hora e Ane foi levada ao hospital, mas não resistiu...
- Depois disso o pai começou a vir menos para casa nos deixando sozinhos a maior parte do tempo. Acho que ele não lidava bem em não ver a mãe e Ane em casa... Ryou começou a fazer os serviços de casa, cozinhar, limpar... E eu... Eu fazia de tudo para não atrapalhar... – Marik apertou mais suas mãos – Depois de um tempo o pai parou de voltar, tinha conseguido um trabalho em uma escavação no Egito, ele é arqueólogo... Por isso Ryou e eu temos tanta fascinação por egípcios. – ele diz num tom um pouco divertido fazendo a loira rir – Ele passou a mandar dinheiro para sobrevivermos e de vez em quando mandava noticias para sabermos que ele ainda estava vivo... Agora não fazemos ideia se ele esta bem ou não...
- Kura... – ela murmura o olhando de canto, analisando sua expressão. Ele ainda estava com o olhar apático, tentando demonstrar nenhuma emoção, mas ela podia sentir suas mãos se fechando em punhos.
Bakura fechou os olhos – Eu odeio o meu pai... O bastardo abandonou seus filhos pela perda da esposa e da filha mais nova, o modo que ele agil é como se ele nós odiasse mesmo antes de tudo acontecer! Como se ele nos culpasse! – ele aperta suas mãos – Se um dia ele aparecer eu juro que... – ele é cortado.
- Bakura. – a loira diz se virando de frente para ele e acaricia o rosto pálido delicadamente e o vê se inclinar para o toque fechando os olhos, ela sempre soube que ele odiava o pai, ele sempre ficava tenso sobre esse assunto, mas nunca perguntou o motivo. Ele segura a mão bronzeada em sua própria e beija as costas da mesma.
- Marik... Sei que já conversamos muito sobre o bebê, mas... – ele desvia o olhar para o chão – Odeio admitir isso, mas estou com medo. Não quero ficar igual ao meu pai... Vou me esforçar pra que isso não aconteça, mas mesmo assim... – morde o canto do lábio, agora olhando fixamente nos olhos dela – E se eu não for bom o suficiente? E se der tudo errado? E se eu fizer alguma besteira...? – ele foi cortado por um dedo em seus lábios e olha para a loira surpreso. Marik sorriu gentilmente podia ver o medo e desespero em seus olhos.
- Eu sei que você vai ser um ótimo pai, Kura... E eu vou te ajudar. Vou estar sempre ao seu lado. – ela diz pressionando seus lábios juntos em um beijo casto – Nossa filha vai ter um ótimo pai. – ela sorri levando uma das mãos dele ate a barriga por baixo de sua blusa as pressionando juntas, ele sorri para esse ato. Ela olha para trás sobre o ombro, Ryou parecia estar na mesma posição de antes – O que me preocupa são os tios dela. – Bakura ergueu uma sobrancelha como se perguntasse 'O que quer dizer?' – Hm... Será que não é um erro deixa-los juntos? Tenho certeza que já viu meu irmão descontrolado e o Ryou...
- Ryou sabe se cuidar. – a egípcia o olha surpresa se perguntando onde tinha ido parar Bakura, o irmão protetor? – O quê? Não posso ficar de olho no meu irmão o reto da minha vida! Tenho outras coisas pra me preocupar, tipo o nosso filho. – ele diz como se fosse o óbvio.
- Filha. Apesar do Mariku se sentir calmo perto do Ryou eu tenho o direito de me preocupar com meu melhor amigo. – ela bufa cruzando os braços.
- Filho. Não sabia que meu irmão acalmava o porco espinho. Mais um motivo pra deixar eles em paz. – Bakura responde a puxando para mais perto.
- Filha. O que aconteceu com aquele Bakura que detestou ver o irmão agarrado ao porco espinho no ano novo? – ela pergunta sorrindo maliciosamente se inclinando mais perto dele e passando os braços em volta do pescoço pálido.
- Filho. Apenas me conformei. – ele retruca passando os braços em volta da cintura dela, seus lábios estavam roçando um no outro.
- Vai ser uma garota e ponto final. – ela diz o beijando, não importa quantas vezes fizeram isso, ambos adoravam a sensação dos lábios se tocando, das línguas se acariciando suavemente, o gosto, tudo era perfeito.
- Tudo bem. Você venceu... Mas só dessa vez. – ele murmura contra os lábios a puxando para outro beijo. (N/A: Gente isso é um cemitério, mais respeito com os mortos!)
oOOo
- Ry...? – Mariku pergunta franzindo a testa, o albino estava chorando já fazia muito tempo, seus olhos estavam vermelhos e inchados, soluçava muito. O loiro morde o canto do lábio, não gostava de ver seu Ry desse jeito e se odiava por não poder fazer nada.
O albino o olhou, o egípcio parecia preocupado – Minha mãe e irmã... – ele murmura abaixando a cabeça – Elas morreram em um acidente de carro quando Bakura e eu tínhamos 8 anos... – ele fungou e tentou limpar as lágrimas.
Mariku se sentiu mal em vê-lo assim. Sabia que era difícil perder a mãe e imaginou que era mais difícil ainda ter que se acostumar em viver apenas com o irmão gêmeo sem alguém para cuidar deles. Agora ele entendia porque Bakura ficou tão irritado no dia que contaram a Ishizu sobre a gravidez do Marik, pela primeira vez na vida, Mariku achava que Bakura tinha razão, mas é claro que nunca admitiria isso em voz alta e muito menos na frente do Touzoku mais velho. Suspirou fundo puxando o albino mais perto.
- Shh... Não precisa contar tudo agora, Ryou... – ele murmura baixinho. Ryou voltou a chorar, ele realmente sentia a falta das duas... E de seu pai.
- R-riku... Não quero perder mais ninguém importante... – o loiro o olhou – Não quero ficar sozinho, Riku. – o egípcio o abraçou com força – Bakura é minha única família... E não quero perde-lo também... Não quero ficar sozinho novamente...
- Ei! Você não tem somente Bakura, Marik e eu também estamos aqui, lembra? Não importa o que aconteça, vamos sempre estar juntos. – ele murmura beijando a testa do albino. Ryou ergue o rosto para encara-lo, tentou limpar as lágrimas novamente.
- V-você promete? – ele pergunta hesitante. O loiro o beija com ternura e Ryou passa os braços em volta do pescoço dele e descansa a cabeça no ombro bronzeado.
- Eu prometo, meu Koi. – Mariku diz num sussurro. Ryou ainda ficava vermelho na parte do 'Meu Koi' e morde o canto do lábio. Os Ishtar e a mania de ficar colocando apelidos.
- Obrigado... – ele murmura sorrindo um pouco.
Notas finais
Me desculpem por isso, eu realmente fiquei sem ideia para adicionar a conversa do Mariku e do Ryou -.-' Alias, fiquei totalmente sem ideia para esse capítulo, mas senti que deveria contar um pouquinho sobre o passado dos Touzoku.
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