Ela É Demais - Thiefshipping
12 Meu Passado...
Notas iniciais
Espero que gostem ^.^
O albino não sabia o que dizer, os Ishtar normalmente sempre evitavam falar sobre o passado deles e de uma hora para outra Marik começa a lhe dizer. Tudo bem que ele tinha perguntado sobre o medo de filmes de terror, mas nunca imaginou que tinha a ver com o passado da egípcia. Ele se aproxima hesitante e se senta do lado da loira sem nunca desviar o olhar dela. Ele ficou sentado ali por uns minutos esperando Marik continuar, duvidava muito que ela tivesse feito isso e agora que ela começou a contar ele estava mais curioso.
A loira estava abraçando as pernas com força, seu corpo inteiro tremia, ela nem sabia porquê tinha começado a contar para Bakura sobre seu passado, poderia ter inventado alguma desculpa qualquer, esse era um assunto que ele sempre evitava e nunca tinha compartilhado com ninguém. Ela olha para o albino ao seu lado, a expressão de Bakura era um misto de preocupação, curiosidade e surpresa, já era de se esperar.
Ela suspirou fundo antes de começar – Minha mãe morreu quando eu tinha seis anos. Lembro que estávamos em algum tipo de praça eu e Mariku estávamos brincando... Acho que era com uma bola, não me lembro bem. – ela fez uma pausa suspirando fundo para tentar não chorar. Fechou os olhos e logo os abriu ao sentir uma mão sobre a sua, ela olhou para o albino que lhe lançava um olhar reconfortante – Então a bola escapou da minha mão e nós corremos atrás dela... Não vimos o carro que vinha em nossa direção... – ela fez outra pausa.
Bakura olhava para a loira suavemente, ele se sentiu que de alguma maneira podia entender o que Marik sentia, ambos tinham crescido sem mãe. O albino deu um aperto significativo na mão bronzeada e a loira soltou um suspiro antes de continuar.
- Depois eu me lembro de ver minha mãe caída no chão sangrando... Não me lembro o que aconteceu, se foi um carro ou caminhão ou qualquer outra coisa que a atropelou... – Marik desviou o olhar para o tapete, não conseguiria continuar se olhasse para o albino, ela apertou a mão dele e deixou as lágrimas escaparem – No enterro eu lembro de olhar para meu pai suplicando interiormente para ele falar algo pra gente, qualquer coisa, mas ele simplesmente nos olhou friamente como se dissesse ‘foi culpa de vocês’.
Bakura se aproximou dela a puxando em seus braços sem se importar se estava parecendo muito sentimental ou se seu coração estava batendo descompassado, nesse momento ele só queria consolar Marik, não gostava de vê-lo assim.
A egípcia se deixou ser abraçada e se agarrou à camiseta do albino enterrando o rosto no peito dele, ela já não conseguia conter as lágrimas, não importava o quanto essa cena era estranha, precisava de alguém. O albino esfregava suas costas em círculos tentando acalma-la, mas parou quando a loira fez um gemido de dor pelo toque, Bakura afastou as mãos das costas e colocou nos cabelos loiros e sentiu a garota relaxar.
- Ela era uma ótima mãe pelo que me lembro, estava sempre feliz. Lembro dela brincando comigo e meus irmãos... Ela era uma ótima cozinheira, igual a Isis. – ela diz isso como uma reflexão, seu corpo sacudia violentamente com os soluços, mas ela se forçava a parar – Depois disso meu pai passou a beber e se tornava mais agressivo... Ele dizia que éramos os filhos bastardos que mataram a própria mãe... Ele nunca batia em Rishid e Ishizu era sempre Mariku e eu, acho que era sua maneira de se livrar da frustração de ter perdido a mulher que amava. – ela soluçava entre os braços do albino. Bakura fechou os olhos a segurando possessivamente.
- Quando eu tinha dez anos meu pai chegou bêbado, eu não estava, mas quando cheguei encontrei Mariku inconsciente estirado no chão da sala sangrando muito, quando meu pai me viu ele... Me arrastou ate a sala e fez essas marcas nas minhas costas com uma faca, ele dizia que era para me marcar como o filho bastardo. – ela fez uma pusa – Rishid não estava no dia e Ishizu... Ela sempre tentou ajudar, ele sempre a escutava por lembrar a nossa mãe, mas nesse dia ele não a ouviu, entre meus gritou eu podia ouvi-la chorando e suplicando para que ele parasse... – Bakura cerrou os olhos, ele não sabia que Mariku também tinha marcas, soltou um baixo rosnado, ele não acreditava que uma pessoa podia fazer isso com seus próprios filhos. Seu pai também era um bastardo, mas nunca encostou um dedo neles.
O albino não sabia nem o que dizer, era tudo tão novo para ele. Nunca tinha imaginado que tinha acontecido isso com os Ishtar, ele sabia que tinha sido o pai deles que fez isso nas costas de Marik, mas nunca imaginou que era verdade, sempre achou que era uma maneira de não tocar no assunto. Os Ishtar sempre pareceram ter uma vida perfeita aos olhares de estranhos, uma irmã mais velha que quer dar uma de mãe, os gêmeos a deixando louca e um irmão mais velho, que Bakura não fazia ideia de como era por nunca o ter visto.
Marik soluçou tirando o albino de seus pensamentos, ele se sentiu mal ao ver que as lembranças machucavam tanto Marik. Se perguntou por que ele estava lhe contando tudo se era tão difícil se lembrar.
- Marik... Não precisa... – foi cortado com uma mão tremula pressionada em sua boca, olhou para baixo e encontrou os olhos vermelhos e inchados o olhando firmemente. Ele fechou os olhos e balançou a cabeça entendendo que Marik não queria ser interrompido.
- Nós viemos para o Japão porque meu pai morreu, Isis achou melhor deixar tudo aquilo para trás, tudo que lembrava nosso passado, mas Rishid queria ficar, a vida dele é lá, mas... Mesmo assim, mesmo que eu tente, não vai ter como eu esquecer, vou carregar essas marcas para sempre e Mariku também... Ele tinha tanta raiva do nosso pai... Ele disse várias vezes que se ele não tivesse morrido ele mesmo o mataria. – ela se calou se perguntando por que estava dizendo isso ao Touzoku.
Ficaram em silêncio, Bakura não queria tornar essa situação pior do que já estava, ele apenas ficaria ali tentando consolar a loira e esperaria ela se acalmar. Ele suspirou fundo, por fora ele parecia estar calmo com tudo isso, mas a verdade era que ele estava demonstrando isso por causa da loira.
- Se ele estivesse vivo eu o ajudaria a mata-lo. – ele diz num tom divertido tentando anima-la e para sua surpresa pode ouvir um pequeno riso bem baixinho.
- Eu nem sei porque estou te contando isso, você deve estar achando que sou um idiota por contar assim sem mais nem menos, mas eu senti que eu posso confiar em você e eu não me sinto bem em falar sobre essas coisa com Ishizu e Mariku, não quero que eles se preocupem ou lembrem... – dessa vez Marik é interrompido por um dedo nos lábio, ela se cala e olha intrigado para o albino.
- Primeiro de tudo, eu não acho você é idiota por estar contando isso, segundo é ótimo saber que você confia em mim, acho que você deve desabafar com alguém e fico feliz que seja comigo. – ele a puxou para mais perto a fazendo apoiar a cabeça em seu ombro, ela ainda estava chorando, era difícil dizer isso para alguém, cada vez que mencionava sobre seu passado imagens voltavam a atormeta-lo e aquela sensação da faca rasgando sua pele o fazia estremecer.
- Eu... Eu não culpo meu pai... – Bakura franze a testa, como assim ela não culpava o pai? Ele tinha sido um monstro pra eles, não importava se a mãe tivesse morrido, ele não tinha o direito de fazer isso! – Se eu não tivesse deixado a bola escapar minha mãe estaria viva... E... Ele tinha razão... Eu não devia nem ter nascido... – a loira se corta quando o albino segura seu rosto olhando fixamente em seus olhos.
- Nunca mais diga isso entendeu? – Marik pode sentir um arrepio passar pelo corpo com o tom que ele usou na frase. Ela fecha os olhos com força tentando parar as lágrimas, mas era quase impossível, elas corriam por seu rosto por vontade própria.
- Por que isso tinha que acontecer comigo...? – ela diz entre soluços olhando para o albino, mesmo que sua visão estivesse embaçada por causa das lágrimas podia ver claramente os olhos vermelhos.
- Shhh... Não chora Marik... – Bakura sussurra limpando as lágrimas com os polegares – Não foi sua culpa... – não sabia como agir, essa era a primeira vez que via o Ishtar mais novo chorando tanto. O albino não era bom em reconfortar as pessoas, Ryou era quem fazia esse tipo de coisa, não ele.
Marik não disse nada, ficou ali. Seus irmãos sempre lhe disseram que não foi sua culpa, ate mesmo Mariku que nem se lembra de muita coisa do ocorrido sempre lhe dizia que a culpa não foi deles, mas ele sempre acreditou que era por eles se preocuparem com ele e não por ser verdade. Mas quando Bakura disse essas palavras ele se sentiu melhor, era como se ele pudesse acreditar nele, que nada do que aconteceu foi sua culpa, mesmo que no fundo ela acreditasse nisso.
O Touzoku sentia um tipo de raiva borbulhar dentro de si, queria descontar sua raiva em algo, qualquer coisa, ele ainda não entendia como uma pessoa podia fazer isso. Mesmo com tudo que aconteceu ele não tinha o direito de ferir Marik! Bakura se inclinou mais perto da loira, ela ainda estava chorando, e sem pensar muito pressionou seus lábios contra os dela.
Ele podia sentir o corpo tenso, mas ignorou, estava se perdendo nos lábios macios da egípcia, mas ele precisava de mais, ele queria sentir o gosto dela, deixar sua língua tocar a dela. Passou a língua nos lábios de Marik pedindo passagem e pode ouvir um pequeno gemido antes de sentir os lábios se entre abrirem e deixar sua língua escorregar para dentro da boca dela. O corpo menor amoleceu em seus braços relaxando e ele sorriu interiormente, a loira estava correspondendo o beijo.
Marik apertou sua mão na parte de trás da camisa que o albino usava. A loira sentia suas línguas se tocando e soltava baixos gemidos entre o beijo, ela não sabia o que pensar no momento, um turbilhão de sensações e sentimentos passou por ela, não tinha certeza se deveria continuar ou se deveria afasta-lo de si. Nunca se imaginou beijando Bakura Touzoku, mas isso realmente não estava a incomodando no momento.
Logo eles quebram o beijo para recuperarem o ar em seus pulmões, ambos estavam corados, ofegantes e um pouco assustados pelo caminho que tudo tinha tomado. Nenhum dos dois esperava que isso acontecesse, em um momento Marik estava desabafando e no outro estavam se beijando. O albino morde o canto do lábio, isso só tinha o deixado mais confuso sobre o que sentia pela loira, ele se levanta atrapalhadamente.
- Eu... Eu acho que já vou indo... – ele murmura pegando seu casaco que estava pendurado em uma cadeira perto dali sem olhar para a loira – Err... Te vejo na escola... – ele diz nervosamente e batendo a porta da frente quando sai.
Marik ficou ali, paralisado. Ainda não podia acreditar no que tinha acabado de acontecer, levou a mão ao peito, seu coração estava batendo aceleradamente e podia adivinhar que seu rosto esta extremamente corado.
Bakura tinha acabado de beija-la e esse foi seu primeiro beijo, para piorar a loira tinha gostado. Estava confusa, já fazia um tempo que se sentia assim perto dele, tinha ate pensado que era só uma atração e que logo passaria, mas agora parecia que tinha piorado. Ela sorri, ainda sentia um leve gosto de menta em sua boca, o albino sempre estava com alguma pastilha, já deveria imaginar que esse seria o gosto.
Passou os dedos delicadamente em seus lábios, mas balançou a cabeça com força, ela não podia estar gostando dele – "Isso só aconteceu porque estou carente." – ela pensa suspirando fundo. Gostaria de saber o que isso significava para Bakura, se o albino só tinha feito isso como uma forma de demonstrar piedade, acabou deixando um rosnado escapar. Ela não precisava que ele sentisse pena dela.
- Calma Marik... Aconteceu, já foi. Agora esqueça isso. – ela diz num murmuro tentando soar confiante.
"Esquecer!? Como você pode esquecer!? Esse foi seu primeiro beijo!" – sua voz interna, que ela presumiu ser sua consciência estalou praticamente berrando – "E você gostou, não tente negar para mim."
- Mas... Só porque ele me beijou não quer dizer nada. – ela murmura fracamente.
"Por Rá! Por que você é tão teimosa!?" – o voz berra em exasperação – "Por que ele te beijaria se não fosse nada de mais!?" – a loira ficou em silencio pensando em uma resposta.
- Você esta errado... Não significou nada... – ela murmura tentando se convencer disso.
oOOo
Bakura mordeu o canto do lábio se socando mentalmente, agora Marik acharia que ele era um completo idiota e nunca mais ia querer olhar na cara dele por fazer isso assim tão de repente.
- "Merda! Por que você tinha que fazer isso Bakura!?" – ele esbraveja mentalmente chutando uma pedra que estava em seu caminho.
"Porque você gosta do Marik." – novamente a voz irritante invade sua mente, ele sabia que era ele mesmo, mas não podia deixar de achar um intrometido.
- "Cale a boca! Você não sabe de nada!" – ele solta um rosnado afundando as mãos nos bolsos da calça. Já estava irritado por agir como um imbecil e discutir com ele mesmo não estava ajudando a melhorar seu humor.
"Eu sei mais do que você e isso já esta ficando muito chato. Você sabe que gosta dele, mas tem medo de admitir por não querer ser chutado!" – a voz praticamente grita em sua mente o fazendo sentir que uma dor de cabeça surgiria há qualquer momento.
- "Isso não é verdade! E se for verdade, me de provas!" – ele diz mentalmente exasperado enquanto caminhava de volta para sua casa.
"Tudo bem, vou começar a fazer a lista." – a voz diz presunçosamente – "Primeiro de tudo, você se preocupa com ele."
- "Não, eu não." – ele responde calmamente.
"Sim, você se preocupa. Se esqueceu de quando ele apareceu na sua porta na forma de uma garota? Você passou a noite toda pensando nele e em como ele estava atraente." – ele podia sentir que a voz rindo.
- "Quem não ficaria acordado a noite toda quando descobre que o gêmeo de seu melhor amigo virou uma garota de uma hora para outra!?" – ele pergunta irritado, mas a voz o ignorou e continuou a falar.
"Segundo, se não se importasse você não tentaria o consolando quando ele estava chorando." – o albino sentiu seu olho começar a se contorcer.
- "Só porque eu tentei consola-lo não significa que eu gosto dele." – ele responde como se fosse a coisa mais normal do mundo ele fazer isso por alguém. A voz riu divertidamente.
"Você? Fazer isso sem um motivo?" – ele rosnou, realmente não imaginava que poderia ser tão irritante – "E tem mais! Por que você ficou tão irritado quando Jou disse que Maya era bonita? Foda-se! Você gosta dele e ponto final!" – o albino ficou sem resposta, nem ele mesmo sabia o porquê de ter se irritado.
- "Calado! Você já esta me tirando do sério!" – ele grita mentalmente chutando uma lata de refrigerante que encontrou no caminho, deixando um grunhido escapar de sua garganta.
"Enfrente os fatos, você gosta dele! Você ama Marik Ishtar e tem medo de admitir isso!" – a voz parecia irritada o que fez o albino encolher os ombros com o tom estridente – "O que faria se ele se apaixonasse por alguém que não fosse você?" – Bakura estreitou os olhos em entendimento, sentiu algo dentro de si ferver com o pensamento de Marik estar gostando de outra pessoa – "Entende agora?"
- "Tudo bem! Eu admito... Gosto daquele pirralho, mas..." – ele morde o canto do lábio. Odiava o pensamento de não ser correspondido pelo Ishtar. Era a primeira vez que sentia isso por alguém e não queria ser enxotado.
"Não vai saber ate tentar... Além disso... Ele correspondeu ao beijo." – a voz agora parecia calma, era ate como se Ryou estivesse conversando com ele, não sua própria mente.
- Que droga... – ele murmura para si mesmo – Estou discutindo comigo mesmo de novo. Se continuar assim vou acabar ficando louco. – ele ri secamente entrando no prédio onde morava. Esse seria um longo fim de semana.
Notas finais
No proximo capitulo vou dar uma acelerada nas coisas. XD
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