Ela É Demais - Thiefshipping
24 Conversa Entre Irmãos...
Notas iniciais
Chegaram na casa em silencio, ninguém disse ou perguntou nada durante o caminho, o clima estava tenso entre todos, era como se tivessem medo de tocar no assunto. Bakura queria falar com Marik, mas era impossível já que Ryou e Anzu estavam dispostos a cuidar da loira e Mariku estava se certificando de que ele ficasse longe dela.
Marik olha para o albino soltando um suspiro, nem sabia o que dizer para ele ou qual seria a reação se ela tentasse dizer algo. O examinou com cuidado tentando saber o que ele estava pensando, mas falha, nunca foi bom nessas coisas. Percorreu o olhar sobre ele novamente e percebeu um hematoma vermelho na mandíbula, que provavelmente ficaria roxo mais tarde, ela já imaginava quem o tinha feito. Mariku.
- Preciso falar com você. – Mariku diz puxando a loira pelo braço para o quarto que ela dividia com Bakura. Marik se sentou na cama olhando para o chão, ela já estava esperando ouvir uma palestra – Marik eu... – o mais velho respira fundo – Eu sei que costumo ser o idiota e que muitos pensam que eu não me importo com nada, mas você sabe que eu posso agir como o mais velho, certo? Por que você fez isso? Tudo bem que vocês estão juntos, mas realmente era necessário chegar a esse ponto? Se foi ele quem te obrigou eu juro que...
- Não! – ela diz num tom alto – Bakura não me forçou a nada Riku, eu quis. – ela desvia o olhar do irmão sentindo seu rosto ficar vermelho. Os olhos de Mariku se arregalam, ele quase engasga com o ar que entrava em seus pulmões. Nunca, em nome de Rá, imaginaria que Marik quem queria! – Se alguém deve ser acusado acho que sou a mais indicada... Isso aconteceu por minha culpa... – ela estrangula o choro olhando os orbes em choque de seu gêmeo – Por favor, Riku, já vai ser difícil o suficiente ter que contar pra Ishizu, eu não quero que ate você fique contra mim! Por favor, Mariku...
O mais velho suspira fundo se sentando ao lado de sua gêmea – Não vou ficar contra você, Marik... Sou seu gêmeo e eu tenho que cuidar de você. Mesmo que isso seja um problema... – ele murmura a ultima parte para si mesmo e faz uma pausa abaixando a cabeça – Não vou tentar nada contra Bakura, nem tentar afastar vocês ou coisa parecida, tenho certeza que Isis já vai estar fazendo isso. – a mais nova suspira desanimada – Ate posso ajudar a contar a ela sobre... Isso tudo. Eu só queria entender...
Eles ficam em silencio, Mariku tinha o olhar fixo em um ponto na parede atrás da garota. A Ishtar mais nova olha para o irmão com um sorriso pequeno no rosto por saber que ele a apoiaria, ela se aproxima dele com cautela, como se qualquer movimento pudesse faze-lo fugir. Ela sabia que a conversa agora não era sobre ela e Bakura e sim sobre Ryou. A loira o olha suavemente, era a primeira vez que Mariku estava confuso em relação a alguém. Normalmente ou a pessoa era chata ou era irritante, nada alem disso.
- Você esta confuso em relação ao Ryou, não é? – a loira pergunta segurando o ombro do irmão, que não a responde, mas o silêncio confirmava suas suspeitas – Mariku... – ela começa suavemente – Provavelmente eu não sou a melhor pessoa pra dar conselhos, olha o meu estado. – ela indica o corpo feminino dando ênfase em seu argumento – Mas como sou sua irmã me sinto na obrigação. – o mais velho a olha com uma sobrancelha erguida – O que você sente por ele? De verdade.
O loiro olha para o chão apertando os punhos com força, sua gêmea suspira, isso não era um sinal muito bom, Mariku costumava descontar raiva e frustração nos outros ou em outras palavras qualquer um que tenha a má sorte de cruzar seu caminho no momento. Mariku suspira fundo um pouco hesitante e relaxa as mãos em seu colo como se não tivesse forças.
- Eu... Eu não sei, Marik! – sua voz era baixa como se quisesse que apenas Marik pudesse ouvi-lo – Eu me sinto confuso, você sabe muito bem que eu nunca gostei de alguém! – ele a olha nos olhos – Eu realmente não sei o que sinto por ele... Por isso eu queria entender o que você e Bakura sentem... – sua voz some por um momento – Eu só sei que não quero magoa-lo... Ryou é diferente dos outros, ele... Ele me acalma. – ele fica em silecio por uns segundos – Isso é bom, não é...? – ele franze a testa com expressão confusa inclinando a cabeça para o lado.
Marik sorriu se sentindo estúpido por achar fofo a primeira paixão do irmão, mas era impossível não sorrir, era a primeira vez que ouvia Mariku falar que alguém o acalmava. Mas não diria que ele estava apaixonado pelo Touzoku mais novo, isso o deixaria mais confuso e com medo do que sente. Ela o abraça com força, sorrindo.
O mais velho pisca algumas vezes sem saber o que fazer ou se isso era uma resposta para suas duvidas, quando a loira se afasta a olha com uma sobrancelha erguida em horror, Marik nunca fazia isso – O que em nome de Rá foi isso? – ele pergunta pausadamente, ela ri um pouco.
- Nada Riku... Nada... – ela diz balançando a cabeça casualmente e deixando o irmão mais confuso ainda – Mas se isso sair daqui eu mesmo te estrangulo quando você estiver dormindo, entendeu? – ela diz ameaçadoramente.
O mais velho riu se sentindo relaxar um pouco, mas em seguida a olhou seriamente – Como você se sente? – a loira o olhou por um instante.
- Os enjoos já passaram e... – ela se cortou ao ver o irmão balançar a cabeça e ergueu uma sobrancelha como se perguntasse 'Como assim?'.
- Quero dizer... Sobre tudo isso. Eu sei que deve estar sendo difícil, mas... – ele suspira – Você sabe que sou péssimo com essas coisas. – Marik olhou para a porta do quarto com um pequeno sorriso tremulo nos lábios. Era tão difícil acreditar que tudo isso estava acontecendo com ele – Marik...? – o egípcio mais velho a chama hesitante e para sua surpresa a loira se agarra a sua camisa chorando.
- R-riku... O que eu vou fazer...? Estou com medo... – ela murmura entre as lágrimas. O loiro passa os braços em volta da irmã protetoramente tentando consola-la – E-eu... O que eu faço...? Mariku, por que essas coisas tem que acontecer comigo...?
- Shh... Vai ficar tudo bem, Marik. Vai dar tudo certo... – ele sussurra fechando os olhos com força. Odiava ver Marik chorando, isso só mostrava como ele era fraco e que não podia proteger o mais novo – Tudo vai se resolver.
- Riku... – ela diz limpando as lágrimas com as costas das mãos – Obrigada, por sempre cuidar de mim. – ele assente cosando a nuca desajeitadamente.
- Só tenho pena dessa criança. – ele diz tentando faze-la relaxar e recebe uma sobrancelha erguida como resposta – Vai ter uma mãe histérica e sentimental e um pai cleptomaníaco, sarcástico e idiota. – ela o acerta com um travesseiro o fazendo rir mais ainda e começam uma guerra de travesseiros.
Logo ambos caíram sobre a cama, um do lado do outro olhando para o teto. Marik ainda ria um pouco, já fazia muito tempo que não ria tanto assim e sabia muito bem que somente Mariku conseguia faze-la se esquecer um pouco dos problemas, igual a quando eram crianças.
- Mãe... – o loiro sussurra sem desviar os olhos do teto escuro, era como se o pensamento dele tivesse acabado de escapar. Marik o olha de canto dos olhos estranhando o irmão – Gostaria de saber como seria se... A mãe não tivesse morrido... – a loira suspira.
- Eu também. – ela diz fechando os olhos e colocando algumas mechas loiras atrás das orelhas – Acho que... Nós nunca estaríamos aqui e talvez... O pai nunca teria ficado daquele jeito. Nós estaríamos no Egito, vivendo como uma família feliz e normal.
Mariku se move apoiando a cabeça sobre o estômago da loira a olhando – Sinto falta dela... – ele murmura movendo o dedo indicador distraidamente sobre a roupa da irmã.
- Também sinto, Riku... – ela diz com um pequeno sorriso. Ela se lembrava que antes do acidente Mariku era chorão e corria ate a mãe deles por qualquer coisa, ele tinha que ser protegido, não o contrário. Mas depois ele parou de chorar, por causa do pai deles ele tentou ser mais forte, e os papeis se inverteram.
Ela enrolava os fios loiros desgrenhados do irmão em um dos dedos se sentindo extremamente emotiva no momento. Sentiu lágrimas querendo sair ao se lembrar do seu passado, mas se forçou a para-las. Não queria fazer Mariku se lembrar.
- Mãe... – ela murmura a palavra para si mesma olhando para o teto e suspira – É engraçado. – ela ri um pouco fazendo seu irmão a olha-la confuso – Olha pra mim. Daqui alguns meses vou ser mãe e isso tão é assustador.
Mariku revirou os olhos e voltou a se deitar do lado dela – Acho que você leva jeito pra isso. – ele murmura olhando para o teto também – Você vai ficar bem...
- Uh-huh... – a loira murmura fechando os olhos e suspirando fundo – Ishizu vai me enterrar viva e dançar sobre o meu túmulo. – o mais velho fez um ruido de concordancia rindo um pouco.
oOOo
- Toma... – Ryou entrega um pano com gelo para Bakura colocar no hematoma do rosto, estava começando a ficar com uma aparência nada agradável, um tom meio roxo azulado. Bakura o pega um pouco sem forças e pressiona contra sua mandíbula murmurando um 'Obrigado' entre dentes. – Bakura, eu realmente não sei o que dizer. – o mais novo diz suspirando e se senta ao lado dele no sofá.
- Não diz nada. – o albino mais velho resmunga fazendo careta por causa da dor no queixo – Não estou no clima pra ficar escutando suas palestras, Ryou!
- Você faz uma coisa que vai mudar sua vida completamente e não quer ouvir o que tenho a dizer sobre isso? – ele bufa cruzando os braços – Sinceramente, então eu não sei para quê servem os irmãos. – ele diz num tom estranhamente sarcástico para ele – Eu deveria estar ligando para o papai e... – ele se corta ao sentir as mãos de seu irmão em seus ombros o forçando no sofá.
- Nem pense em ligar para o bastardo! – Bakura rosna cerrando os dentes com força – Eu não quero que ele fique sabendo disso, entendeu Ryou? – o mais novo solta um suspiro cansado.
- Sim Bakura. Não vou dizer nada a ele. – o mais velho solta um ruído em desagrado e volta a se sentar – Mas acho que devíamos avisa-lo. Ele é nosso pai Bak...
- Ele pode ser o seu pai Ryou, não o meu! – o albino diz num tom frio sem olhar para seu gêmeo – Se você ainda o considera como pai você é mais idiota do que eu imaginava! – o Touzoku mais novo olhou fixamente para seu irmão reprovadoramente, mas logo suaviza o olhar.
- Você realmente o odeia tanto? – Bakura ia responder o óbvio, mas Ryou falou antes – Bakura... Cada um enfrenta a morte de uma maneira... Você sabe disso. Ele também sofreu com a morte da Ane e da mamãe.
- E abandonar seus filhos de 8 anos é uma dessas maneiras!? – o mais velho diz exasperado, ele não podia acreditar no que tinha ouvido do seu próprio irmão. Ryou sabia muito bem o que eles tinham passado.
- Nós tínhamos 12 anos quando ele foi para o Egito, Baku. – Ryou informa o erro. Bakura o olha irritado, podia sentir um de seus olhos se contorcendo – E ele nos ajuda com o dinheiro.
- Foda-se! Isso não importa! Ele só faz isso por obrigação, pra não pesar na consciência que ele deixou dois adolescente passando fome! E não me lembro dele estar em casa depois que a mãe e Amane morreram, então pra mim é a mesma coisa. – ele cerra os punhos o suficiente para deixar as marcas das unhas na palma de suas mãos – Você veio aqui falar sobre o bastardo ou sobre Marik!? – ele questiona irritado jogando o pano com gelo na mesa de centro e parando de pé em frente Ryou.
- Me desculpe se eu acho necessário avisar nosso pai que um de seus filhos vai ser pai! – Ryou esbraveja parando de frente para o irmão e pode ver claramente Bakura estremecer com a última palavra.
- Como se ele se importasse! Ele não se preocupou em ligar pra saber se ainda estamos vivos, por que ele se importaria com uma coisa dessas!? – o mais velho dos Touzoku grunhiu irritado – Eu não preciso que ele fique sabendo. Nunca precisei e não vai ser agora que vou precisar dele! Ainda uso o dinheiro dele por não conseguir um emprego descente que pague nossas despesas, mas se for necessário, eu posso arrumar um emprego!
Ryou suspira fundo contando ate dez mentalmente para se acalmar. Discutir com seu irmão não o levaria a nada – Olha Bakura... – ele passa as mãos nos cabelos de olhos fechados – Eu só acho que isso seria o certo a se fazer, ok?
- Eu não quero saber se é certo ou errado... Eu quero que ele se foda! – ele responde se sentando novamente com os braços e pernas cruzados – Você pode falar o que quiser... Que eu fui um imbecil, que eu sou o único culpado pelo que Marik esta passando agora ou qualquer outra merda dessas, mas nunca mais fale naquele bastardo perto de mim! – ele diz friamente olhando nos olhos de seu gêmeo.
- Certo. – Ryou diz pegando o saco de gelo de cima da mesa – Não vou mais tocar nesse assunto. – ele entrega o gelo para seu irmão e se senta ao lado dele – O que pretende fazer em relação a Marik? – ele muda de assunto bruscamente.
- Nada. – Bakura diz num murmuro, Ryou o olha erguendo uma sobrancelha branca, estava prestes a dizer algo, mas seu irmão o cortou – Eu não sei o que fazer. Nunca pensei que isso fosse acontecer... – ele suspira exasperado passando as mãos pelo rosto – Eu sei que Marik esta no corpo de uma garota agora, mas como eu ia saber que ele podia ficar grávida?
- Você esperava o quê, Bakura? – Ryou pergunta exasperado – Se você não cabulou todas as aulas de biologia você deveria saber o que aconteceria! – ele diz num tom sarcástico.
O mais velho revira os olhos – Como se eu fosse me lembrar da porra da aula de biologia. – ele diz num tom ácido.
Ryou o olha reprovador – Olha o linguajar, Bakura! – o mais velho revira os olhos – Você sabe o que isso significa, não é? – o mais novo o olha serio franzindo a testa – Marik esta grávida e isso significa responsabilidade, uma coisa que você tem muito pouca.
- Não precisa lembrar disso... – Bakura bufa fazendo careta. Ele joga o pano encharcado no canto do sofá e tenta tocar no local que ele presumia que estaria num tom roxo escuro.
- Bakura, você não cuida direito de si mesmo, imagina de uma criança... – o albino mais novo diz se jogando contra o encosto do sofá e fecha os olhos com força – Marik deve estar mal... Ainda não teve tempo para se acostumar nesse corpo e fica sabendo que esta grávida...
- Você deveria estar tentando me acalmar, Ryou. – Bakura murmura um pouco de mal humor. Os olhos do mais novo crescem em surpresa, por um momento se esqueceu de seu irmão.
- D-desculpe... Acabei pensando alto demais. – seu gêmeo concorda com a cabeça silenciosamente e respira fundo soltando o ar lentamente. Ryou observa o irmão que tentava se acalmar e morde o canto do lábio, era nessas horas que gostaria que fosse real a ligação entre gêmeos, ele não fazia ideia do que Bakura poderia estar pensando.
- O que foi? – o mais velho pergunta olhando para o outro de canto do olho com uma sobrancelha erguida. Ryou sai de seus pensamentos e pisca algumas vezes balançando a cabeça.
- Eu só... – ele morde o canto do lábio com mais força, seu gêmeo já estava o encarando com impaciência – No que você esta pensando, Bakura? – ele deixa escapar sem perceber.
O mais velho o olha por um instante tentando processar a pergunta – Como assim, Ryou? – ele pergunta sem se preocupar em esconder a confusão em sua voz.
- Bem... Eu não sei. Eu não faço ideia do que se passa na sua cabeça, você nunca me diz o que esta pensando e isso me deixa preocupado. Qualquer decisão que você tome vai ter consequencias e eu não quero que você se machuque ou machuque alguém... – ele termina num murmuro quase inaudível – Não quero que Marik se machuque, ele é meu amigo e você é meu irmão... – ele faz uma pausa o olhando quase suplicante sentindo que poderia chorar – Por favor, eu só quero saber que vai ficar tudo bem... E que eu estou me preocupando sem motivo, Baku.
Ele olha para seu gêmeo com medo e preocupado com tudo isso que estava acontecendo em volta deles. Bakura era seu irmão, sua única família e Marik seu melhor amigo, ele tinha o direito de se preocupar com eles!
Bakura sorri de canto com a preocupação do irmão e da um tapa na cabeça dele de leve o fazendo lhe lançar um olhar irritado e interrogativo – Você se preocupa demais Ryou. Tente confiar mais em mim.
- É meio difícil... – ele é cortado.
- Eu sei... Mas imagina o que eu estou passando, Ry. Agora eu vou ser... – ele se para antes de terminar a frase o olha para chão – Pai.
- Eu sei, Bakura... – Ryou diz colocando uma mão no ombro do irmão o fazendo olha-lo – Eu sei que você não gosta disso, mas... Você vai ser pai e tem que superar isso. – ele sorri – Posso imaginar o que você esta sentindo, mas imagina o estado em que Marik esta? A mudança de corpo e agora a gravidez. Esta acontecendo tudo muito rápido.
- Eu sei, Ryou! – ele praticamente grita – E eu não queria que ele tivesse que passar por isso, sei o quanto isso é assustador! Odeio admitir isso, mas me odeio por ter cedido àquela noite. Se eu soubesse... Eu... – ele morde o canto do lábio.
Eles ficam em silencio por instantes, Ryou olha para o mais velho tentando saber o que ele estava sentindo – Você esta com medo? – Bakura faz um ruído frustrado, ele odiava sentir medo principalmente demonstrar isso e parece que suas tentativas de esconder estavam falhando miseravelmente.
- Medo é pouco... – ele murmura com o olhar distante olhando para um lugar aleatório, suspira languidamente relaxando o corpo – Quando foi que nossas vidas mudaram tanto? Quando eu mudei tanto? Antes eu não estaria me preocupando com nada... – faz uma pausa olhando para os olhos de seu gêmeo – Mas olha pra mim agora... Estou desesperado, tentando aceitar o fato que vou ser... Pai. – ele suspira fazendo uma pausa significativa – Nossas vidas mudaram muito desde a chegada dos Ishtar, não é mesmo? – ele sorri de canto, não era bem uma pergunta, ele sabia que era verdade.
Tudo era diferente de antes, eles não estavam mais sozinhos. Os Ishtar eram diferentes dos outros por serem os únicos que os entendiam um pouco. Ninguém exigia nada sobre o passado do outro, preferiam deixar tudo esquecido. Se um deles estava mal por lembrar de algo ou outro nunca perguntava nada, simplesmente esperaria passar e voltar a normalidade. Era assim a amizade entre eles. Sem exigências.
Ryou assente com um pequeno sorriso – Arrependido? – ele pergunta curioso. O albino mais velho balança a cabeça negativamente com expressão tranquila, talvez essa fosse a única certeza que tinha durante todo esse tempo.
- Não me arrependo de nada. Eu nunca vou me arrepender de fazer sexo com ele! Estar com Marik foi... A melhor coisa que já aconteceu pra mim, mas... Eu devia ter imaginado que isso poderia acontecer. – ele diz num murmuro, mas começa a rir ao ver o seu gêmeo corado.
- Você poderia não me lembrar de como uma pessoa fica grávida? – Ryou pergunta desconfortavelmente. Bakura ri mais ainda – Pare de rir! É constrangedor imaginar meu melhor amigo e meu irmão gêmeo fazendo... Sexo. – ele faz uma careta – Droga! Agora como vou tirar as imagens da minha cabeça!?
Bakura ri mais ainda e seu irmão o olha com irritação por estar imaginando coisas – Talvez da mesma forma que eu faço? – ele diz divertidamente e Ryou fica mais vermelho ainda, mas logo se recompõe.
- Agradeça a mim e a Mariku por vocês estarem juntos. – Ryou diz num tom casual fingindo desinteresse. Bakura olha para ele com desconfiança e depois arregala os olhos ao perceber, agora tudo estava claro para ele.
- Vocês falaram para o Honda dar sakê pra ela! – ele exclama recebendo um aceno de seu gêmeo – Eu não acredito nisso! Ryou, não posso te deixar perto do Porco Espinho!
O mais novo se faz de ofendido – Estava esperando um obrigado Ryou, por mudar minha vida completamente e me fazer encontrar a pessoa que eu amo. E só por isso eu vou fazer seus serviços de casa por um mês como agradecimento. – ele diz com um pequeno sorriso piscando os olhos inocentemente para seu gêmeo. Bakura revira os olhos bufando.
- Acho que você esta esperando muito de mim. – ele diz divertidamente, mas sua expressão fica seria novamente e ele olha um pouco desanimado – Mas... Mesmo que eu não esteja arrependido ainda é difícil de aceitar que Marik esta grávida.
- Imagina o que Marik esta sentindo, Baku. Ele deve estar pior que você, agora ele tem uma criança dentro dele! – o mais novo dos albinos diz seriamente tentando mostrar que não era somente ele que estava nessa situação.
- Eu já disse que sei disso! E é por isso que estou aqui tentando me acalmar e aceitar os fatos, mas você não esta ajudando em nada! – Bakura resmunga olhando irritado para seu gêmeo, que da de ombros casualmente – Você nem imagina o quanto estou assustado. – o mais novo acena em entendimento.
- Bem, trate de aceitar o mais rápido possível. – Ryou se levanta sorrindo largamente ignorando o olhar confuso de Bakura – Porque eu já estou adorando a ideia de ser tio. – ele faz uma pausa – Eu posso ajudar a escolher o nome? – pergunta sorrindo com um dedo no queixo. Seu irmão joga uma almofada em seu rosto – Pronto, parei! – ele diz erguendo os braços em defesa rindo um pouco e caminha em direção ao quarto – E vá dormir cedo!
- Sim mãe. – Bakura diz num tom debochado. Ryou o olha com um pouco de irritação sobre o ombro antes sumir pelo corredor – Me conformar... Falar é fácil. – Bakura murmura jogando a cabeça para trás de olhos fechados.
Notas finais
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