Ela, o meu veneno
3 Quem é ela?
Notas iniciais
Deixei Dennis na casa dele antes de voltar para a minha. O carreguei pelos ombros e o coloquei no elevador do prédio onde ele morava; o porteiro parecia sonolento, afinal eram 5 e meia da manhã, e nós estávamos fedendo à bebida e Dennis tagarelava algumas frases desconexas. O restante do prédio estava em absoluto silêncio.
Voltei para o carro e logo pensei novamente nos tais números deixados em um pedaço de papel pela loira misteriosa. Pensei, primeiro, que talvez houvesse ocorrido um engano e aquele papel pudesse ter caído no chão do estacionamento de forma involuntária. Talvez fosse o CEP de algum lugar que ela pretendesse ir ou apenas deixou-o cair no chão, sem perceber o ato de distração.
Ou não. Talvez eu estivesse certo e aquele pedaço de papel no chão fosse uma espécie de "convite". Droga. Eram exatamente 6 da manhã e aquele não parecia o melhor horário para importunar alguém cujo nome eu ainda desconhecia. Abri o navegador do celular e pesquisei pelo CEP no Google e fiquei ainda mais confuso. Não era um endereço residencial. O CEP pertencia a uma cafeteria. Meus dedos estavam fixos na tela do celular quando a notificação de chamada apareceu. Mesmo sonolento, resolvi atender.
— Jonas, quer me matar do coração? Te liguei a porra da madrugada toda, onde você está?
Demorei um pouco para reconhecer a voz feminina que gritava do outro lado da linha. Mas logo a reconheci.
— Não interessa onde eu estou. Por que está me ligando às 6h da manhã?
Era a Lisa. A porra da minha ex-namorada. Não estávamos mais juntos, e eu nem sequer cogitava remotamente na possibilidade de voltar com ela. Essa garota é um traste. Quer dizer, eu também sou. Deve ser por isso que estávamos bem melhor separados.
— Sei lá. Você tá estranho ultimamente. Só queria saber como você está, saber se o Dennis está bem também. Acabei de entrar no Facebook e saber o que aconteceu com o pai dele.
Depois de passar quase uma hora no telefone com a Lisa, explicando cada detalhe banal que tinha acontecido na minha vida na última semana e que, sim, o Dennis ainda estava meio mal, mas qualquer um no lugar dele também ficaria, ela resolveu se dar por satisfeita com as minhas respostas imprecisas e, por fim, desliguei o celular. Era o meu dia de folga e eu não iria perder tempo com a minha ex-namorada inconveniente. Como que de impulso, resolvi dirigir até o local da cafeteria. Eu precisava saber o que diabos aquele papel significava, mesmo que fosse apenas um engano. A minha intuição me dizia que eu precisava ir para lá e acabar com a minha dúvida.
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