Ela não era a Alice, mas bem que poderia ser.

4 Capítulo 4 - Quais são os planos para o natal?


Notas iniciais
Esse capítulo demorou, mas está aqui. Espero que gostem. Espero vocês nos comentários.

ABBEY

Eu não poderia estar mais certa. Assim que passei pelas portas de vidro da minha sala, e enfim cheguei perto da porta dele, ouvi sua conversa no telefone. Falavam sobre os preparativos para o natal, e para colocar o prato de convidada. Na realidade, o prato de sempre. Entrei sem bater. Eu não precisava mais, pois, além de conhece Julian há alguns anos, eu fui chamada para essa conversa. Alguns segundos depois, Julian já havia desligado o telefone e focou toda sua atenção em mim.

– Percebo que já está de volta, Abigail. – Sorriu meu chefe, contente. – Podemos conversar bebendo um pouco de café?

Era o pedido mais decente que Julian encontrou para me chamar para sair. Saimos juntos da sala, descemos no elevador tendo conversas fúteis até enfim estarmos no restaurante da empressa. Esse restaurante era enorme, realmente. E chique. Porém, eu já estava farta de vir nesse lugar, o qual nunca muda em nada.

– Você está muito bonita hoje, Abigail.

Como não tinha certeza de como eu estava olhei para de atrás dele, onde tinha um enorme espelho que pegava a parede inteira. Queria comentar a parte dele dizer “hoje”, como se eu não estivesse bonita outros dias, mas preferi não falar nada. Eu estava com um vestido rosa claro, até a altura da metade da cocha. Também usava uma jaqueta de couro branca até a altura da bunda. Uma roupa bonita, mas compara com meu humor...

– Obrigada, chefe. – Murmurei, tentando sorrir. – Do que viemos conversar?

– Sabe, faltam três semanas para o natal, e eu estava pensando se você...

– Não sei, Julian. – O interrompi, essa é a mesma conversa que tinhamos todos os meses de dezembro. – Eu talvez tenha algo para fazer no natal.

– Tem certeza? – Murmurou ele, com seus olhos incrivelmente azuis. Mais do que os meus. Sempre abaixo a guarda quando meu chefe me olha desse jeito. Eu não sei explicar o motivo exato dos meus jestos, mas foi assim durante alguns dezembros. – Bey, eu tenho mais cinco minutos antes de ter que voltar lá para cima. E seu horário de trabalho hoje irá até às seis horas, o que seria mais uma hora. Eu preciso que você vá até o atelie de Morgaret Sublain. Existem sete desenhos teus que eu mandei serem feitos lá, afinal, você dizia que tinha que ter aquele tipo de tecido... Bem, admito que não somos muito bons nesse estilo de roupa que você inventou. Logo, busque lá as roupas. Lembre-se que o atelie fica aberto até às sete e meia. E quando der, me responde que vai a festa de natal no meu prédio. – Não era uma pergunta, apenas uma intimação.

– Claro, chefe. É para levar os protótipos para sua sala, quando eu voltar?

– Não precisa. Leve para sua casa, e amanhã quando vier ao trabalho você os leva.

– Não seria bom ir com alguém até o atelie de Sublain? Para me ajudar? São muitas roupas. E se estiverem naquelas capas pretas irá dificultar a volta ainda mais.

– Sinto muito, nessa hora não tem mais ninguém por aqui. Você sabe, Bey. — Concordo com a cabeça, não pude dizer mais nada. Levantei-me apressada, me despedi de Julian e então fui para o atelie.

Se eu tiver que me virá, irei fazer isso. Era na Rua Frederick Douglas Blvd com W 134th St, perto da Barbaras`s Flowers. Apenas algumas quadras de distâncias, hum... vinte cinco ou menos. Não era muito conhecida, por isso, não tinha tantos problemas em custurar os meus desenhos. Principalmente, por ser um amigo antigo de Julian.

Morgaret Sublain é um fenomenal custureiro, sabe bem de moda e é muito inteligente. Apesar de não ser muito compreendido. Morgaret era alto, muito alto mesmo. Tinha olhos negros, assim como seu cabelo. Era magro, e como pensávamos de Julian no inicio, ele é gay. E quando digo que Morgaret é gay, não quero dizer apenas em gostar de homem. Ele tem aquele jeito solto, com voz fina e cheio de jestos estranhos. E acima de tudo, uma das pessoas mais incrivel que eu já conheci.

– Mô. – Sussurrei ao passar pela porta. Apesar de Julian dizer que ficava aberto até sete e meia, as luzes da entrada principal estava apagadas. – Morgaret... Você está ai? – Sussurrei de novo. É a primeira vez que vim tão tarde a esse atelie.

Está tudo tão escuro, que não consigo enxergar um metro a minha frente. Dou passos rápidos, já sabendo por onde andar. Tenho certeza que há um caminho em diagonal que vai até uma porta, onde é a parte “casa” dele. Enquanto sigo, percebendo tarde demais que algo se movimenta. E nesse momento grito.

– Calma, princesa! Eu não quis te assustar. – Aquele que segurou a minha perna falou. – Não muito. – Riu Morgaret, acendendo a luz pelo interrupidor.

– Não faz mais isso! – Bati em seu braço, fazendo com que o homem soltasse um gritinho. – Agora, já está muito tarde e eu estou exausta. Trás para mim as roupas? Quanto mais rápido, melhor. Estou querendo chegar em casa logo, já que acredito ter um dia mais longo do que hoje, amanhã.

– Claro, madame. – Sorriu o homem, e partiu em disparada para dentro do atelie. Demorou menos de dez minutos até então escutar seus passos aproximando. – Aqui estão os sete. Seu carro está perto?

– Não. Por que? Está muito pessado? – E pela demora de sua resposta, eu já sabia que havia me ferrado para voltar a minha casa. – Não tem problema, Mô. Eu consigo. – Tiro as pessadas peças de roupas de suas mãos. – Até outro dia, amigo.

– E eu espero que você não me dê tanto trabalho no próximo encontro. – Murmurou Morgaret, mantendo o sorriso.

Sai da loja dele rapidamente, carregando as roupas na frente do rosto. Tive sorte da noite estar seca e não está chuvendo. Andei as cegas até esbarrar em um muro, que fez o meu grande esforço não valer muito.

O tal muro na verdade era um homem. Seu rosto era um pouco familiar, mas não me importei em indentifica-lo. Ele acabou de derrubar algo bem valioso e eu não tenho tempo para isso. Abaixando para pegar minhas roupas, percebo que o homem também abaixou. Não parecia muito preocupado, apenas fazendo o que “deveria fazer”.

CARTER

Mais uma vez a encontrei. Acredito ter sido apenas a segunda vez. Na primeira ela esbarrou em mim no bar, e agora aqui, no meio da rua. A minha educação foi impecável, então tive que me abaixar para ajuda-la. Apesar dela não parecer muito satisfeita com isso. Após segurar três daqueles longos e pretos sacos, percebi que ela não me encarava. Na verdade, desviava o olhar.

Quando enfim estiquei uma das mãos para cumprimenta-la, a jovem pegou os sacos de mim. Ainda não havia visto direito o seu rosto, contudo, eu tentei.

– Você quer ajuda? – Perguntei, sentindo minha voz mais profunda do quanto eu queria. Consegui ver melhor o seu cabelo, era loiro e estava preso em um rabo de cavalo alto. Pela sua jaqueta de couro branco, presenti que ela devia ter saido do trabalho.

– Não, obrigada. – Foi tudo o que ela falou e então sumiu, virando uma esquina.

Apesar de estar pensando no dia de ontem, só conseguir tirar os olhos da dona do vestido rosa quando ela saiu de vista. Eu tenho certeza, que se ela continuasse na minha frente, eu não tiraria meus olhos da jovem.

Estava completamente errado em pensar que veria todas as fitas quando chegasse ao apartamento. Vi apenas o começo de uma delas e, logo em seguida, eu dormi. Eu deveria ter assististo todos, mas estava muito cansado. Não estava bêbado como Tony, contudo, tive que cuidar para aquele policial não fosse visto daquele jeito. Quando está lucido, ele é um ótimo oficial, contudo, não é assim todos os dias. Cheguei à minha casa tarde, já havia passado das quatro da manhã, e eu estava com muito sono. Não tive tempo para trocar de roupa antes de dormir, o meu máximo foi tirar a blusa.

Escutei o toque do meu celular e, antes de tocar pela segunda vez, o atendi. A voz de Miguel falava sobre um novo cadáver em sua sala. Outra menina. E para que eu fosse ao laboratório assim que possível, e lá fui eu. Disse que Tony iria logo também, mas tive minhas dúvidas.

– Olá. O doutor Floyd está aqui? – Cumprimentei uma das secretárias, esperando a resposta. Assim que a tive, fui rapidamente para o subsolo, me encontrar com o legista.

– Sim, ele avisou que estava te espererando, detetive Carter. – Sorriu a cordial secretária.

Rápidamente fui até o elevador e cliquei no subsolo. E antes mesmo de chegar até a sala do Miguel ouvi sua voz dizendo que eu sou muito lerdo.

– A culpa é do seu elevador. – Passei pelas portas de vidro e fui até a maca em que estava uma mulher.

Diferente das outras vítimas do assassino em série que estou procurando, essa tinha em torno de cinquenta anos e tinha três cortes profundos no peito. O corpo dela já estava costurado, então o Doutor já havia feito todo o processo.

– Não é o mesmo assassino. – Disse o doutor. – Esses cortes não foram todos os que fizeram a vítima morrer. Foi apenas isso. – Miguel apontou para a testa da mulher onde estava bem estragada. Suponho que alguém tenha pegado ela de surpresa.

– Há mais algum hematoma? – Pergunto pegando meu celular e mandando uma mensagem para meu parceiro vir logo.

– Sim. Nos pulsos. – Ele apontou e eu vi formas roxas de mãos em várias localidades na região. – E tem mais uma coisa... Se você observar esses aranhões e hematomas na coxa você vai deduzir logo que.

– Ela foi vítima de estupro. – Não foi uma supossição, era algo óbivo. – Foi por isso que você disse que não era o mesmo assassino. Mas, por que os cortes na barriga e no peito, se ela já estava morta?

– Provavelmente, pelo simples fato de ser inesperiente, Carter. – Murmura Antonio ao entrar no ambiente. – E pelo o que vejo, não foi necrofilia. Foi antes da morte. Então ele provavelmente a segurou com força, fez e quando ela começou a resistir de mais ele bateu na cabeça da vítima com alguma coisa. E então quando viu o que fez deve ter se desesperado e pá. Matou a moça de vez.

– Ela já estava morta. – Falou o legista tranquilamente. – Vocês vão procurar esse assassino também?

Mexi desconfortavelmente na minha jaqueta. Eu não queria voltar para a agência como agente integral. Não queria receber mais ordens idiotas, por questões idiotas. Porém, também não queria levar tudo nas costas. Eu precisava de gente para ver os corpos. Eu precisava de gente pra me dizer qual seria o biotipo da vítima. Eu odeio dizer isso, mas:

– Precisamos de ciêntistas para nos ajudar se quisermos continuar no assunto do serial killer e nesse meio tempo prender alguns bandidos que não são tão inteligentes. – Afirmei. E vi meu parceiro de boca aberta. – Acha que consegue reunir um pessoal e a gente se instala em algum lugar? Onde seja nossa sede e tudo mais? Não será algo simples. Precisaremos de tudo. Até de um antropólogo florence e de um artista para que nos ajudem a descobrir tanto sobre a vítima quanto ao assassino.

– E você quer que tiremos esse dinheiro da onde? – Perguntou Tony, gostando das minhas vontades de parar de ser um lobo solitário.

– Do FBI é claro. – Sorrio e sigo até a porta. – Te darei uma semana até você conseguir tudo o que eu pedi.

– Não acho que eu vá conseguir. – Murmurou meu amigo. – Mas, se eu conseguir, vou querer uma noite la no bar, de bebidas por sua conta.

– Fechado, mas apenas se conseguir. Assim te dou isso de natal – Passei pela porta e levantei a mão como mensão a um aceno. – Até daqui a uma semana.

Notas finais
Lógica simples: Quanto mais comentários, mais capítulos
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.