Notas iniciais
Esse é minha história policial, espero que gostem.E por favor comentem!"Você sabe quem eu sou, desse veneno já provou,Não vou ficar lamentando, explicando o acerto quefaltou."

CARTER

O amanhecer era lindo em Manhattan, principalmente na cidade de Nova York. Eu tenho um emprego que me garante uma cobertura com vista para o Central Park. O prédio é antigo por fora, mas moderno por dentro. Moro nesta ilha desde que me entendo por gente, mas só ha sete anos eu vim para o lado norte de Nova York, especialmente para esse emprego. Fui escalado para aqui, porém não é lá onde eu queria estar. Eu era de East Village, uma comunidade diversificada, com uma vida noturna vibrante e com enormes sensibilidades artísticas. Agora aqui na região próxima ao Central Park, em Upper West Side, é uma área nobre, essencialmente residencial, que contém muitos residentes trabalhando em áreas mais comerciais e no centro financeiro. Apesar de ter muitas casas lindas nesse bairro, até mesmo perto daqui, eu optei por uma cobertura em um dos prédios residenciais: South Brownstone. Foi construído em uma das quadras de frente para o parque.

Totalmente necessário eu dizer onde eu moro, afinal, é nesse parque que eu estive ontem. Senti que tinha algo de estranho no comportamento da falsa Alice. Ela corria pela calçada, como se procurando alguém e ao mesmo tempo fosse perseguida. Seus cabelos longos e loiros voavam ao vento e, apesar de não ser por esse motivo que eu estava olhando, ela era linda. Eu não estava na minha varanda curtindo meu dia de descanso do trabalho, como eu queria. Estava na verdade no hall de entrada do prédio. Eu tinha acabado de comprar um enorme cappuccino de chocolate e quando abri meu computador para continuar minha pesquisa de trabalho, percebi algo estranho no comportamento da moça. Não a segui, não fui tão inteligente de ajuda-la quando eu achei necessário. Eu ignorei e continuei o trabalho.

Meu antigo parceiro continuava a me enviando trabalhos, como se eu ainda fosse da mesma equipe que ele. Antonio Waetfrod é o nome dele. Costumo fazer alguns serviços que meu amigo me sugere, afinal, ainda precisa de mim e eu dele. Como agente secreto do FBI, preciso de contatos e necessito me infiltrar e Tony me ajuda nisso. Ele é mais forte do que eu, apesar de sua aparência dizer o oposto. Bem comportado e invisível, o que é bom nesse trabalho. O que sempre me faz ficar aflito é com a possibilidade do meu trabalho acabar me firmando em algum lugar. South Brownstone não é apenas um prédio, mas o meu verdadeiro lar, apesar de que faz poucos dias que finalmente voltei para essa residência. Normalmente, tenho que pular de casas em casas. Fingir me adequar ao bairro e fazer o que meus superiores mandam. Tem vezes que fico meses fora do meu apartamento. Visito pouco a sede do FBI, pois em meu trabalho uso telefone não rastreável e é por ai que vem minhas únicas informações.

Só cheguei a seguir a falsa Alice quando meu telefone tocou sendo Tony. Falou que talvez um novo índice de homicídio surgiria, o qual ele não entendeu direito o motivo de achar isso e me pediu para visitar o legista com o corpo de uma jovem. A principio eu não pensei na jovem loira e seu vestido azul, porém por algum motivo resolvi ir atrás dela. Não foi dificil saber onde ela se encontrava, mas foi uma surpresa ver uma garota bem vestida andando para dentro do parque. Contudo, quando entrei no parque haviam poucas pessoas caminhando. Alguns corriam como se estivessem em uma maratona, havia alguns casais deitados na grama olhando as estrelas, mas nada da falsa Alice. O codinome o qual coloquei na garota não foi antes de ve-la naquele estado. Eu estava quase correndo por entre os caminhos e as árvores, até encontrar a faixa azul que vi no cabelo da linda jovem. Comecei a correr mais rápido, havia alguns galhos quebrados e algumas pegadas. Parecia o inicio de uma pista, talvez até sinal de luta.

Então eu vi o buraco. Havia grama amassada e um pouco suja indo em direção a de baixo da árvore, mas a garota estava lá. Deitada, de olhos fechados, um braço para cima de sua cabeça e um perto da barrada branca do vestido. Seu rosto era jovem, não parecia que tinha mais do que vinte anos. Deveria estar cursando faculdade. Provavelmente, tinha mãe e pai que se orgulhavam, uma melhor amiga, professores que a admiravam... Eu só poderia supor, pois ela estava morta e tudo o que a falsa Alice tinha, terminou para ela quando morreu.

Em meu celular eu tinha o número da ambulância na discagem rápida. Demorou menos de vinte minutos, mas eu senti seu pulso enquanto não chegavam, e já havia parado de bater depois de cinco minutos que a toquei. Não tive tempo para fazer nada, eu não sabia o que havia de errado na falsa Alice. Eu não era médico nem legista, mas ela não tinha mancha de sangue na roupa e as únicas em sua pele eram arranhões que já estavam quase sem nenhuma cor. O que quer que tenha a matado eu não consegui ver, esse não era meu trabalho. Então eu tinha que esperar, até a ambulância e a polícia chegarem.

Já eram seis horas da manhã quando percebi que eu não havia dormido durante a noite. Meu cabelo está bagunçado, a cor era quase de ouro. Estou usando a mesma camiseta azul clara de ontem, meus jeans estão surrados e estou com um péssimo humor. A parte branca dos meus olhos está vermelha, como se estivessem ficado muito tempo olhando para a tela do computador, apesar de não ter sido tanto tempo assim. A cor das minhas iris é castanha, com algumas manchas verdes, ainda mais no sol. Meu corpo está dolorido, como se eu não estivesse descansado. A verdade é: a noite inteira pesquisei sobre a garota de ontem.

Encontrei uma carteira e nela tinha dinheiro, uma foto da jovem e a carteira de identidades dela, que agora está tudo na sala com o legista. O doutor Miguel Floyd é o legista para onde vão os corpos daqui de Upper West Side e, além disso, ele é meu amigo. Faz menos de dez minutos que Floyd me chamou para ver o corpo da jovem.

Já dentro do banheiro me deparo com meu reflexo no espelho. Estou pior do que descrevi, estou com enormes roxos em baixo dos olhos. Quem me conhece diria que eu estava em uma briga, não com insonia. Tiro minha camiseta pela cabeça e, pelo espelho, vejo meus músculos se contorcendo e reclamando de dor. Abro a porta de vidro do boxe e entro. A água cai descontroladamente, e pior de tudo, fria. Esse banho gelado é até bom, pois relaxa meu corpo, mas não aguentei muito tempo assim.

Enrolei uma toalha na cintura e voltei para o meu quarto, peguei uma cueca boxe vermelha e rapidamente a coloquei. Busquei dentro do armário um jeans preto,uma blusa branca e uma jaqueta negra. E para completar, calcei uma bota de cano baixo. Apesar de estar indo a trabalho, poucos sabiam disso e era bom continuar assim.

Saio do meu apartamento o mais rápido que posso e pego minha moto Kawasaki Ninja preta e corro. Não o suficiente para ser parado pela polícia, afinal eu sou a lei.

Já estava no prédio do FBI, cumprimentei a recepcionista e os seguranças da entrada, depois desci no elevador. A sala do Foyld era cinco andares a baixo do térreo, não sei como ele não se sentia claustrofóbico passando mais de quinze horas por dia ali em baixo. Acredito que ele até almoçava por ali, as vezes. O doutor Miguel tem exatamente o dobro da minha idade hoje, sessenta e quatro anos. “Na flor da idade” como diría ele. Argumento dizendo que é uma flor mucha e mal cheirosa. Durante doze anos em que trabalhei como polícial, nunca vi um profissional melhor que Foyld nesse trabalho.

– Carter. – Cumprimenta-me o legista. Aceno com a cabeça em resposta ao passar pela porta automática de vidro. – O agente especial Waetfrod te deixou informado quanto ao cadáver?

– O máximo que me falou foi que parecia um novo assassino, principalmente pela forma de matar. Não especificou mais nada.

– Quer ver o corpo, não quer? – Perguntou o doutor, se dirigindo até as placas de metal na parede. – O corpo é recente, a morte foi a sangue frio. Tem dois dias apenas.

É uma adolescente longa, deve ter a idade da garota loira de ontem, apesar disso, tinha longos cabelos lisos e negros como a noite. Estava com um corte em formato de Y na frente. Passava por cima do busto e se encontravam entre os peitos, depois o corte continuava até o umbigo. Tinha algumas marcas roxas e avermelhadas na pele, mas não prestei muita atenção no cadáver da garota. Eu já estava acostumado a ver esses corpos frios e sem vidas, mas sempre me sentia estranho.

– Tem foto dela? Carteira? Já descobriu como foi morta? – Perguntei enquanto mexia nos papeis em cima da mesa do legista. – Alguma coisa?

– Sim, a carteira está dentro do saco de evidência – Apontou para o meu lado. — E sim, você viu as marcas em suas coxas e braços? – Andou até a tábua de metal em que a garota estava estendida. – Esses círculos fundos por aqui, e ali, são mordidas.

– Mordidas? – Pergunto cético – Não deveria estar aqui por um ataque de cachorro. Sou um agente sério, Miguel! Não saio de casa por menos de uma morte por um humano. – Me afasto da mesa um pouco, mas o doutor me interrompe.

– Não são cortes feitos pela mandibula de um cachorro. – Murmurou o legista. – Estes e aqueles – Apontou para um conjunto de roxos e vermelhos que estavam espalhados pela garota. – foram feitos por um lobo cinzento, que mede entre 1,50 a 2 metros do focinho à ponta da cauda, que provavelmente representa um quarto do comprimento total do corpo dele. E as outras mordidas foram feitas por um lobo cinzento que tem o maxilar três quartos menor que o outro.

– Resumindo: Estou à procura de dois lobos? – Minha pergunta soa mais crítica quanto o que eu realmente queria. – Você está falando sério, Foyld?

– Na verdade... Você não está à procura nem do dono. – Miguel deixou a garota ali enquanto abriu outra janelinha, na parede da frente. – Waetfrod me falou que foi você quem a encontrou. – Murmurou, enquanto olhava o papel com a causa da morte da loira de ontem. – Adivinha do que parece que esta morreu? – Sua voz estava com humor, mas não tinha nenhum sorriso no rosto. Dei de ombros e ele continuou. – Bateu com a cabeça com muita força, diria que no buraco que você a encontrou. Não há marcas nos pulsos, nem em sua garganta. Como se tivesse sido apenas um acidente. E no caso da morena também. Ela foi encontrada na dentro do zoológico, e pelos exames já confirmei ter sido dois lobos de lá.

– Contudo se fosse o acaso, você não me traria aqui.

– Acredito que tenha sido o mesmo assassino. – Confirmou o doutor. – E até agora não temos mais nenhuma pista.

Notas finais
Se gostaram comente. Se não gostarem comentem. Quero saber a opinião de vocês. E como toda fic, me movo por comentários!!!! Próximo capítulo a caminho!!